3 SEÇÃO OS DISCURSOS DOS PRESIDENTES DA PROVÍNCIA DO
3.7 O governo do presidente Cincinnato Pinto da Silva
O Dr. Cincinnato Pinto da Silva nasceu na cidade de Cachoeira, Bahia, em 1835. Diplomado pela Faculdade de Medicina da Bahia, em 1857, defende a tese Indicações que exigem a Operação Cesariana. Abolicionista convicto e atuante serviu no Corpo da Saúde Armada e foi Presidente das Províncias de Sergipe, Alagoas e Maranhão. No relatório presidencial na sessão da abertura da Assembleia, anunciava que era necessário instruir e educar o povo para tornar-se cidadão. E que ser cidadão seria ter “consciência do seu valor, de seus direitos e deveres, que a liberdade só era estável e duradoura quando nascia das conquistas da razão, e não se caminhava para a verdade quando vivia embrutecida a alma”63. Para tanto, a solução estaria em levar às camadas da sociedade que estavam nas “trevas da ignorância, a luz e a Educação para converterem-se em forças vivas e benéficas do progresso” sendo o meio certo e seguro de encaminhá-las à “liberdade” e à felicidade na vida real; sendo difícil chegar a essa plenitude sem meios concretos para organização da educação da população.
Em 1880, o estado da instrução primária provincial era “lastimoso”, porém, medidas públicas eficientes para mudanças não ocorriam. Enfatizava o Dr. Cincinnato da Silva que o professorado andava mal remunerado e quanto aos vencimentos nem se discutia, mas era necessário educar primeiramente o mestre para a missão a que fora destinado, congregando-se da mesma opinião os presidentes Jeronimo José de Viveiros, José da Silva Maia, Augusto Olímpio Gomes de Castro e José Francisco de Viveiros, dentre outros que se preocupavam com a instrução pública da população maranhense.
Cincinnato Pinto da Silva pensava que, antes de tudo, convinha dotar a província de uma Escola Normal em condições de preparar o professorado verdadeiramente habilitado, para compreender e executar as reformas advindas dos regulamentos e leis que fossem feitas
nas matérias e nos métodos de ensino. Se esta fosse a condição primordial, todo o esforço seria em vão no caminho das reformas pela falta de executores. Nesse sentido era necessário que se elevassem os vencimentos dos professores, tirando-os das condições de inferioridade em que nas diferentes localidades viviam perante os empregados de outras áreas, parecendo que o Estado tinha em menor apreço os operários da instrução pública.
Quadro 8 – Relatórios de Cincinnato Pinto da Silva
PERÍODO CATEGORIAS
INSTRUÇÃO PÚBLICA 24/07/1880
a 17/11/1881
-Instruir os mestres e lentes (teoria e prática).
-Satisfação citando a mulher apropriada à educação da população. INSTRUÇÃO PRIMÁRIA 24/07/1880
a 17/11/1881
-É necessário o melhoramento da instrução primaria na província com a criação de um internato para a Escola Normal.
-Foram providas as cadeiras, na forma da lei, do sexo feminino do Mirador e de São José das Cajazeiras e do sexo masculino na vila de São José dos Matões, Chapada, Imperatriz e Riação. -Casa dos Educandos Artífices - Os internos recebem instrução primária e o ensino dos trabalhos manuais próprios da idade e sexo.
Fonte: Falla do Presidente da Província do Maranhão - Cincinnato Pinto da Silva- de 19/02/1881; 17/11/1881.
Sem indivíduos preparados e de moralidade reconhecida não seria possível haver bons mestres, já que nenhum deles (segundo o presidente) revelava o conhecimento dos métodos adaptados pelo regulamento de 6 de julho de 1874, por meio do qual deveria “existir um projeto n’esse sentido, que deixou de ser convertido em lei no ano de 1877”64. Por outro lado, ao tratar da Sociedade Onze de Agosto, criada em1870, seu funcionamento em princípio se deu em uma casa térrea alugada, na Rua Gomes de Souza, sendo transferida depois para a Rua do Egito; instituição que bons serviços prestou à causa da instrução popular, mantendo os docentes com o auxílio que lhe prestava à Província do Maranhão e a contribuição de grande número de sócios, sendo ainda insuficiente o que provoca seu fechamento em 1880.
Além disso, Cincinnato registra que a Biblioteca Pública continuava a cargo da Sociedade Onze de Agosto com 2.034 volumes com obras em diversas línguas e grande número de brochuras. A Biblioteca seria um precioso meio para o desenvolvimento dos alunos por meio do auxílio da leitura, na medida em que o direito à instrução não seria encerrado dentro de estreitos limites; “a biblioteca [teria] como característica servir para todos e para tudo, oferecendo gratuitamente a todos os gêneros de leitura de que possam precisar, permitindo a cada um fazê-lo em sua casa ou no próprio estabelecimento” (OLIVEIRA, 2003, p. 282).
O livro, portanto estava para o mundo moral na mesma razão em que o celeiro estava para o mundo físico. Como o celeiro guardava o alimento do corpo, o livro guardava o alimento do espírito, ou é o depositário das ciências, das leis, da
memória, dos acontecimentos, dos usos, dos hábitos e dos costumes (OLIVEIRA, 2003, p. 273).
Oliveira (2003, p. 274), não dizia para “[...] lê-los todos, mas saber seu número e seus títulos. O livro possui a vida ativa da alma, portanto [era] preciso que o governo que promove o ensino promova também a leitura, auxiliando aqueles que a desejam, ou inspirando o gosto dela a quem não o tiver”. O governante Dr. Cincinnato da Silva citava também a presença da mulher apropriada à educação da população, sendo preciso prepará-la, educá-la de modo que pudessem ser, afinal, a consciência, a moral e a religião do filho na família e do cidadão no Estado. Existia a inquietude sobre quem ensinaria nas escolas comuns. O mestre seria homem ou mulher, dizia Oliveira (2003, p. 119) que “prontamente aquele dos candidatos que o concurso mostrar mais habilitado”, constituindo-se a presença feminina no magistério um ganho na educação, já que uma mulher esclarecida, dotada de bondade, saberia ministrar a lição com o sentimento, a dignidade, com o amor, e teria tudo para favorecer uma boa educação aos seus discípulos.