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O HEZBOLLAH POLÍTICO – SOCIAL 4.1) A organização

No documento Relações Internacionais (páginas 39-54)

4.1.1) Análise Estrutural

Como visto anteriormente, o Hezbollah foi oficialmente fundado em 1985 após a invasão israelense ao sul do Líbano e impulsionados pela ideologia da Revolução Iraniana. A partir de então, durante os próximos anos da Guerra Civil Libanesa, com fim datado em 1989, o Grupo exercia papel de resistência islâmica armada. Seu cunho militar era tão acentuado que já nesta época, tornou-se a principal força contra Israel na região, durante a Guerra.

Contudo, após o fim dos conflitos, o Hezbollah havia superado os conflitos dentro da comunidade xiita com outras organizações menores (ACHCAR, 2001) e passou a ser considerado uma organização que luta por direitos dos islâmicos. Vendo novas possibilidades representativas de agir por outro meio que não o militar, o Grupo então, no começo da década de 90 começa sua vida política no cenário libanês. Já contando com o apoio da comunidade xiita, o segundo passo que os seguidores de Hassan Nasrallah deram foi reforçar o pensamento de que o objetivo do Hezbollah era lutar pelos direitos dos libaneses, agora como um todo.

Politicamente dizendo, temos um Hezbollah voltado para o Líbano como um todo após a percepção de necessidade para angariar aliados na esfera governamental. Porém há o lado das ações sociais do Grupo que são estendidas principalmente e quase exclusivamente para a comunidade islâmica xiita.

Temos então, em uma análise superficial, três braços do Hezbollah: o militar, o político e o social. Essa divisão é apenas um instrumento para um melhor detalhamento do Grupo, já que, na prática, todos eles são muito interligados e chefiados por um líder só, posição atualmente ocupada por Hassan Nasrallah.

Percebida esta divisão interna do Grupo, há um problema em sua classificação quanto a atuação em termos globais. Por seus ataques e outras ofensivas ao Estado de Israel, o Hezbollah é considerado pelos EUA e por outros países um grupo terrorista. Contudo, o próprio conceito de terrorismo, como diz Kiras (2008), possui grandes variáveis influenciadas por cada caso especificamente, mas que tem como característica principal, o uso da violência. Tomando seus outros braços, principalmente porque há uma continuidade maior na ações políticas e nas sociais do que de cunho militar por parte do Hezbollah, podemos utilizar das cinco

categorias de organizações não-governamentais descritas por Peter Willetts (2008) para uma análise geral (ver Tabela 1).

Tabela 1 – Tabela das categorias dos atores políticos no sistema global

Nome Quem são? Exemplos

Estados Entre 200 governos

presentes no sistema global. 192 membros da ONU

Companhias Transnacionais

(77.200)

Empresas/marcas com filiais pelo Mundo

Vodaphone, Shell, Microsoft, Nestlé

Organizações não- governamentais de um

único país

Ogranizações de países específicos que tem significância transnacional

Population Concern (Reino Unido), Sierra Club (EUA).

Organizações Intergovernamentais

(Internacionais)

Reuni dois ou mais governos do mundo

ONU, OTAN, UE, Organização Internacional do Café Organizações Internacionais Não- Governamentais Contam com o reconhecimento internacional, mas não dependem destes para seu

estabelecimento.

Anisitia Internacional, Aliança Batista Mundial,

International Chamber of Shipping

Fonte: Willetts (p. 332)

Dentro destas caracterizações, é possível enquadrar o Hezbollah como uma organização não-governamental de um país apenas. As relações do Grupo com Israel, Síria e Irã, além do papel que exerce no Oriente Médio, são motivos que projetam as ações para o panorama internacional. Contudo, a diferença do Hezbollah com os outros exemplos citados por Willets é que enquanto as outras organizações são de cunho político e social, o Grupo libanês ainda tem o caráter armamentista, o que é analisado pelo autor posteriormente. Ele diz que algumas organizações terroristas, ou mais comumente chamadas por ele de guerrilhas, vão contra a autoridade de alguns governos por meio de atitudes ofensivas, e por isso não contam com legitimidade suficiente para serem enquadradas como uma organização.

Pode-se, seguindo as caracterísitcas do grupo no qual o Hezbollah se encaixa segundo a tabela de Willetts (2008), utilizar as duas dimensões propostas por Nye

(2001) e Keohane (2001) para compreender a interdependência existente no mundo pluralista. Para os três autores, estes atores presentes no cenário internacional mantêm relações com outros e com os estados. A questão é perceber a vulnerabilidade e a sensitividade (KEOHANE, 2001; NYE, 2001) destes grupos para com os estados, ou o cenário em geral. Como todo partido político dentro de uma democracia, não há representatividade perante o governo, o que geraria efeitos colaterais no processo de decisão libanês (sensitividade), se a população do país não o enxerga como grupo capaz de tomar decisões a respeito (vulnerabilidade).

4.1.2) A geopolítica cultural libanesa e o Hezbollah.

Há um fator cultural na sociedade libanesa importante para o entendimento dos acontecimentos no país e que influencia na organização e nas ações do Hezbollah. Existem micro-regiões10, aldeias ou vilas, que tem maioria religiosa tão acentuada que seguem os mesmos ritos e têm a mesma ideologia presente. Tomemos as duas principais religiões do país para exemplificação: os muçulmanos e os cristãos.

Nessas aldeias cristãs, por exemplo, os costumes são claros: aos domingos a população vai a igreja, as festas cristãs são comemoradas dentro das vilas, e existem líderes (padres) religiosos, assim como dita a religião. Contudo, as semelhanças não vão apenas ao caráter religioso, apesar de ser o determinante de referência das aldeias. Os cristãos têm afinidade pelos partidos de mesma origem e geralmente têm um líder regional político da mesma religião. No caso islâmico, é semelhante e diferencia apenas os costumes ditados pela religião: nos horários de oração dos muçulmanos, é possível ouvir por toda a cidade a mesma oração que passa em um sistema de som único, entre outros costumes de celebrações que influenciam inclusive, no comércio da micro-região. Na política, o caso islâmico é semelhante ao cristão. Contudo, entre os xiitas, a sua maioria é partidária de Hassan Nasrallah e, consequentemente, do Hezbollah.

Durante os conflitos da Guerra Civil libanesa, onde se contrapunham muçulmanos e cristãos por um bom tempo, estas divisões se tornavam mais claras e as cidades eram peças da estratégia das guerrilhas. Assim, era comum os próprios

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Têm-se por tal, concentrações de aldeias, vilas e cidades que possuem o mesmo perfil cultural e religioso e que por esta razão partilham da mesma ideologia, sendo apenas uma unidade relevante para o estudo.

moradores se colocarem a disposição para defender o território da cidade, ao mesmo passo em que os cristãos não adentravam as cidades muçulmanas e vice- versa, nas quais a situação se encontrava mais crítica.

A razão para a existência destas micro-regiões não é somente justificada pela religião. O relevo do território libanês, predominantemente montanhoso, favorece o surgimento de vilas e aldeias que ficam geograficamente bem delimitadas e separadas de outras. Por esta razão, e por motivos históricos de recepção e diálogo multicultural, é que as cidades beira-mar, em geral maiores do que as do interior, são mais cosmopolitas e não tem delimitação religioso-cultural específico.

Ao analisarmos o caso do Hezbollah e de suas principais bases e localização (ver Mapa 2) das comunidades que são partidárias a ele, percebemos que predominam na região sul-sudeste do país. Por esta razão e pelo auxílio do relevo da região, a localização do grupo é estrategicamente lógica quando se têm conflitos com Israel.

Mapa 2 – Principal área de influência do Hezbollah no Líbano Fonte: Global Security

Contudo, há de se ressaltar que apesar do mapa representar as áreas de maior influência do Hezbollah, não se restringe somente ao local indicado. Devido à combates contra Israel, a região leste do país também possui influência, mas não tanto quanto na região sul-sudeste.

4.2) Política

Como um país democrático, o Líbano e seu povo têm o direito de eleger aqueles que julgam melhor representar seus interesses no governo. Foi percebendo a possibilidade de angariar força perante o cenário político libanês, e contando com o apoio de grande parte da população xiita libanesa, que o Hezbollah no começo da década de 90 entrou para o cenário político.

O surgimento do Partido ocorreu depois da assinatura do Acordo de Taif, que não gerou consequências diretas para o Hezbollah, quando as diretrizes do Líbano começaram a ser tomadas mais por vias políticas do que militares, como ocorriam durante a Guerra. Após articulações com a comunidade e entre os líderes do Grupo, o Partido foi fundado influenciado quase que totalmente pela doutrina de Teerã.

Atualmente o Partido não está sob tanta influência do país do norte e começa a assumir um perfil baseado no nacionalismo exacerbado e na defesa da comunidade de forma correta. Por meio dos discursos dos seus representantes e de seus aliados, é perceptível as ações do Hezbollah em termos de articulação política. Isto é refletido na história da composição do parlamento libanês desde a criação do partido até os dias atuais, nas alianças feitas com líderes do país, na legitimação popular do Grupo como um partido, e no reconhecimento de outros países do Oriente Médio.

Sua história no parlamento começa nas eleições de 2005, quando o partido elegeu 14 deputados de 128 totais. Já nas eleições de 2009, junto com aliados, hoje o Hezbollah conta com uma força de quase 40% dentro dos processos de tomada de decisão do parlamento, e consequentemente do governo. O aumento da representatividade do Hezbollah não se limita somente ao número de parlamentares. Percebendo a importância do Partido no país e para a população libanesa, o governo decidiu em Agosto de 2008, ceder ao Partido de Deus e seus aliados poder de veto com onze dos trinta gabinetes parlamentares gerais.

Apesar de uma posição firme perante a assuntos do cotidiano político libanês, como o relacionamento com a Síria, com Israel, e ligações religiosas com a política, o Hezbollah é reconhecido pela maioria dos principais líderes do país, como uma organização legitimada que busca a melhoria do país, e realiza ações para que isso aconteça. Estes líderes (ver Tabela 2, p. 32) são peças fundamentais no processo

de tomada de decisão libanesa e exercem influência sobre a população a ponto de esta defender a ideologia daqueles com os próprios punhos.

Tabela 2 – Principais líderes políticos do cenário libanês atual

Nome do Líder

Religião Cargo Relação à Síria

Fatos importantes

Michel Aoun

Maronita líder neutro Exilado por 13 anos na França

Michel Sulaimen

Maronita Presidente da República

neutro Ex-comandante do exército; comandou a guerra do Bared contra radicais

Fouad Siniora

Sunita 1°ministro contra Pró-Israel; pró-USA

Saad Hariri Sunita líder contra Filho do primeiro ministro morto. Era desconhecido mas com a morte do pai assumiu o lugar dele

Hassan Nasrallah

Xiita líder favor Maior combatente na proteção do território nacional. Lidera o Hezbollah

Nabih Berri Xiita Presidente parlamento

favor Líder moderado que tentou por várias vezes reunir os lideres para acordo.

Slaimen Franjie

Maronita líder favor Líder maronita da região norte. A sua família foi assassinada por Jaejae na guerra.

Samir Jaejae

Maronita líder contra Liderou deserções de cristãos na região druza e tem bom relacionamento com Israel. Acusado de assassinatos, inclusive de um ex- primeiro ministro.

Walid Jounblat

Druzo líder contra Homem de várias posições politicas.

Fonte: tabela elaborada pelo autor, com informações de Daccache (2009).

Como é possível analisar a partir do quadro, os líderes que atualmente governam o país (presidente, primeiro-ministro e presidente do parlamento) seguem os determinantes dos acordos anteriores11 que especificam a divisão dos três cargos entre as três religiões predominantes no país. Outro ponto de extrema relevância na política interna libanesa e que diz respeito ao Hezbollah, é a relação com a Síria.

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Este país influencia indiretamente a sociedade, a política e a economia do Líbano. A sociedade pela relação histórica dos dois países que compartilhavam de mesmo território desde a antiga fenícia e, a partir de então, uma cultura muito semelhante. Na política, a Síria articula com os líderes e consegue assim manter indiretamente uma tentativa de aplicar seus interesses na esfera libanesa. Na economia, além da parceria formal de importações e exportações de produtos, a transição de mão-de- obra entre os dois países é tão grande que reflete na balança comercial dos dois países.

Ao assumir o papel formal perante a comunidade internacional como um partido político de um país democrático, o Hezbollah legitima sua ação, mesmo que apenas pelo viés político. Contudo, Achcar (2007) diz em sua obra que o Hezbollah também almeja desta forma, um respaldo (ACHCAR, 2007) pelas suas ações armadas contrárias a Israel. Tem-se então um partido político agindo com outros instrumentos que não os legalizados para obter seus interesses, mesmo que estes sejam justificados como interesse comum do povo libanês.

4.3) Social

Como visto no Mapa 2 (p. 31), o Hezbollah concentra suas ações na região sul-sudeste do país. A primeira vista, isto se deve a proximidade da região com Israel e à história do Grupo com o país rival. Contudo, esta região é de maioria islâmica, com uma proporção maior se comparada com outra região do país. E é nela que o Hezbollah age.

O governo libanês, por sua história de conflitos e conturbações internas, e assim como vários outros governos do mundo, não tem total controle e nem supri todas as necessidades da população. Isto é agravado por um sistema influenciado nitidamente pela religião que é mais um ponto de discordância entre uma população democrática que já tem de lidar com as diferenças de ideais políticos.

O histórico da economia do país mostra grandes gastos com reconstruções após vários conflitos ocorridos dentro de seu território. Hoje, ela é baseada em serviços com 76,1% do total do PIB do país12 e parte do seu abastecimento de alimentos vem de outros países. Uma riqueza libanesa, almejada por outros países

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CIA WORLD FACTBOOK. Disponível em: < https://www.cia.gov/library/publications/the-world- factbook/geos/le.html>. Acesso em: 02 set. 2009.

do Oriente Médio, é a água, escassa em alguns países vizinhos inclusive. Contudo, a água não possui valor agregado suficiente para tornar-se relevante na balança comercial do país, além de ser um recurso utilizado pela própria população. O país, apesar de localizado em uma região conhecida como rica em petróleo, não o possui em abundância e, por tal razão, não é rico como os outros. Além disso, parte do dinheiro que entra no Líbano vem por meio de turistas, e de libaneses que moram fora e mandam dinheiro para o país dos cedros por motivos diversos. Em resumo, o país não conta com uma economia forte e independente.

As conseqüências desta economia desgastada são espelhadas na qualidade de vida da população libanesa que conta com um Produto Interno Bruto per capita girando em torno de US$ 11.100 (2008) por ano. O Índice de Desenvolvimento Humano libanês ocupa a 88ª posição no ranking do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, o PNUD, enquadrado como um país de Médio Desenvolvimento Humano e atrás de outros países do Oriente Médio como: Arábia Saudita (61º), Kuait (33º), Omã (58º), Emirados Árabes Unidos (39º) e Israel (23º).13 No interior do país, nas pequenas aldeias, percebe-se que as famílias trabalham para o seu próprio sustento e raras são aquelas que obtêm renda o suficiente para gastar com melhoria na saúde, na educação ou até mesmo no lazer.

Nas comunidades xiitas, não é diferente. Existem falhas nas obrigações do Estado que não são cumpridas por problemas tanto políticos quanto econômicos Percebendo tal fato é que o Hezbollah auxilia parte desta população libanesa nas micro-regiões xiitas. Nelas, o Grupo realiza ações sociais de suporte a saúde, educação, suprimentos e moradia. Hoje, existem de postos de saúde de atendimento rápido à hospitais completos nas regiões, que são mantidos em conjunto com a população e pelo Grupo. Da mesma maneira, as escolas são formadas por professores xiitas que ensinam as crianças os valores da religião bem como passam a cultura libanesa e o sentimento de patriotismo. Quanto aos suprimentos, afora o apoio direto vindo em forma de cestas alimentícias, o Hezbollah mantém plantações e centros de distribuição dentro das comunidades xiitas. Já a moradia é financiada pelo grupo que dá os materiais necessários para construir ou

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Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. Ranking do IDH. Disponível em:

<http://www.pnud.org.br/pobreza_desigualdade/reportagens/index.php?id01=2827&lay=pde>. Acesso em: 26 out. 2009.

reconstruir (em caso de casas atingidas pelos conflitos) moradias, e a população em conjunto ergue a casa.

Estes auxílios existem em conjunto, de maneira que a mão-de-obra vem da população xiita, e esta por sua vez movimentam as ações fazendo com que elas dêem frutos para a própria população, criando assim uma rede de serviços aparentemente auto-sustentável. Aparentemente porque de certa maneira, é o Hezbollah que investe o dinheiro inicial necessário e que sustenta os déficits destas ações, fazendo com que seja criada certa dependência destas comunidades por conta das brechas do governo libanês. Ideologicamente o Hezbollah prega a força da população xiita que por conseguir se auto-sustentar, tem força para combater e lutar por seus interesses.

Estas ações não são amplamente e corretamente divulgadas em termos numéricos, apenas citações de que existem, como no exemplo usado por Achcar(2007) em seu livro, ao expor uma matéria do estudioso político Walid Charrara (1996) no jornal Al-Akhbar falando da importância destas ações para a manutenção da paz social no Líbano entre as populações mais necessitadas. Apesar de ser um jornal partidário ao Hezbollah, não mostra esta questão em números, da mesma forma como não faz a página oficial do Grupo na internet e assim como não se consegue estas informações precisamente por meio de comunicação direta com o Grupo.

Isto ocorre por alguns motivos baseados nos interesses do braço armado. Em caso de conflito, estas informações numéricas bem como a localização destes hospitais, depósitos e escolas, seriam um instrumento a mais para o inimigo. Há também, uma influência criada por este auxílio sob a população xiita que pode ser considerada como um aliciamento de pessoas para, quando necessário, serem treinadas para irem a combate. Além disso, se divulgados estes números, oficializaria o atrelamento destas ações sociais ao partido político ou ao grupo armado (os dois braços que de fato são veiculados de forma explícita), o que poderia gerar um impacto negativo tanto para o Grupo quanto para o governo libanês.

No mais, pode-se enxergar este braço do Hezbollah agindo como certas ONGs agem em países com necessidades geradas por incapacidade dos governos em se auto-sustentar. A partir de então, vemos que, por parte da dependência da

população libanesa, há também a relevância destas para o panorama interno geral. Percebe-se que o Grupo tem organização suficiente para agir de forma independente, mesmo que supostamente financiado pelo Irã (ACHCAR, 2007). É este o principal motivo pelo qual Walid Charrara (1996) intitula seu livro de “O Estado Hezbollah”, alegando a capacidade do Grupo de suprir as funções essenciais de um Estado qualquer.

4.4) Islamismo globalizado

O fato do Hezbollah ter sido fundado sob extrema influência da Revolução Iraniana, dos ideais Khoeministas, e de agir em prol de uma comunidade islâmica xiita, existem características semelhantes a de outros movimentos islâmicos espalhados pelo mundo. Nenhum deles é idêntico a outro, mas a imagem que o mundo tem destes é geralmente unificada.

Após os atentados aos EUA no dia 11 de setembro de 2001, um novo foco na mídia internacional surgiu: o mundo islâmico. A Al-Qaeda de Osama Bin Laden passou a ser a imagem de um grupo islâmico, baseado em táticas de guerrilha interna, e uma junção de terroristas capazes de cometer atrocidades em prol de sua religião e do mal que julgavam assombrar o mundo: o ocidentalismo norte- americano. Contudo, essa imagem foi amplamente divulgada pelas facilidades de um mundo globalizado. Anteriormente aos ataques, outras atitudes ditas terroristas já tinham ocorrido no mundo, inclusive durante o que Kiras (2008) relembra ser a Década do Terrorismo, que vai de 1980 a 1990. Um dos exemplos citados pelo autor é justamente os homens-bomba que marcaram o ano de 1983 no Líbano. A diferença está justamente na disponibilidade de instrumentos para a divulgação

No documento Relações Internacionais (páginas 39-54)

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