A escola profissional não deve tornar-se uma incubadora de pequenos monstros aridamente instruídos para uma profissão, sem ideias gerais, sem cultura geral, sem alma, só com um golpe de vista infalível e a mão firme. Mesmo através da cultura profissional se pode fazer transformar a criança em homem, contanto que seja cultura educativa e não apenas informativa, não apenas prática manual (GRAMSCI, 1976, p. 101).
É a partir da perspectiva de Gramsci (1976), explicitada na epígrafe acima, que se pretende analisar a nova identidade assumida pelo IFC – Campus Rio do Sul. Não se trata de
desmerecer ou se opor à Educação Profissional e Tecnológica, mas de se posicionar a favor de um “modelo” de Instituição de Ensino Superior que, mesmo sem abandonar a sua vocação profissionalizante, não se conforme pura e simplesmente aos interesses imediatos do capital.
Os dados que serão apresentados na sequência do texto buscam caracterizar o IFC – Campus Rio do Sul para que se possa compreender no que exatamente esta Instituição se transformou. Nas seções anteriores, foi possível evidenciar uma série de aspectos que a diferencia da antiga EAFRS. Na presente seção, espera-se reunir elementos que possam indicar a resposta para a seguinte pergunta: em que medida o IFC – Campus Rio do Sul se assemelha ou se diferencia da “universidade de pesquisa”?
Num primeiro momento, buscou-se testar o conhecimento dos próprios servidores acerca do propósito desta nova institucionalidade. Apesar dos servidores deixarem transparecer nas entrevistas a mesma argumentação que esteve presente nos documentos oficiais, acerca da justificativa ou do propósito para a criação dos Institutos Federais, tornou- se evidente a falta de parâmetros dos participantes quanto à nova institucionalidade dos Institutos Federais. As respostas indicam a falta de clareza com relação ao tipo de instituição em que se transformou a antiga Agrotécnica.
Bom... não tenho muito claro. Apesar de eu já ter lido a proposta de criação [...] mas eu não tenho isso muito claro na minha cabeça. (P003).
A gente ainda não conseguiu se identificar como uma instituição de Ensino Superior. (T011).
Na falta de uma referência institucional que lhes fosse conhecida, palpável, a grande maioria dos entrevistados, em diversas ocasiões, tomou as universidades federais e as próprias escolas agrotécnicas como referência, seja para tentar identificar os aspectos em que estas instituições se assemelhavam aos IFs, ou para tentar estabelecer uma diferenciação entre ambas.
[...] eu acredito que a proposta, a proposta pedagógica dos cursos superiores dos Institutos Federais elas devem estar muito próximas das universidades federais. Porque que eu te digo isso? Porque como eu acabei fazendo parte de várias comissões de organização dos cursos superiores, nós acabávamos tendo como “exemplo”, ou como “norte”, os cursos das federais. (T011).
Os institutos, seu eu tenho clareza dos propósitos? Não, não tenho clareza, mas eles não foram criados pra ser como as universidades federais. Isso eu vejo, né. (P026).
Uma das questões apresentadas aos participantes da pesquisa indagava quais seriam as características distintivas dos Institutos Federais em comparação com as universidades federais, considerando-se as dimensões do Ensino Superior, da pesquisa e da extensão. Tiveram maior frequência as respostas que apresentaram como diferencial dos IFs, a priorização das atividades de ensino (principalmente de formação de mão de obra) em detrimento da pesquisa e da extensão, que neste caso desempenhariam uma função secundária nestas instituições.
[...] a impressão que eu tenho é que os professores nos Institutos tenham a maior dedicação com relação ao ensino e não tanto a pesquisa. (P025).
Por que as universidades têm um cunho mais... na minha opinião, um cunho mais pedagógico, mais teórico, e eu acredito que os Institutos Federais trazem um cunho de conhecimento mais prático, mais tecnológico, da teoria e prática. (T009).
A secundarização da pesquisa, em detrimento do ensino, neste caso, é um aspecto relevante. Ao analisar a proposta da Universidade Popular de Turim, em 1916, Gramsci também criticou de forma contundente a realização do Ensino Superior de forma descolada da pesquisa. Para ele, são os erros e acertos, as idas e vindas que constituem a atividade de pesquisa que transformam a curiosidade em estímulo e a dúvida em uma busca pelo cada vez maior e perfeito conhecimento. A ausência da pesquisa e o desprezo ao esforço histórico empreendido na produção do conhecimento acabam por transformá-lo em dogma, em algo “sobrenatural”. Referindo-se aos dirigentes daquela instituição, Gramsci desferiu o seguinte comentário:
Estes dirigentes não compreendem que as noções, separadas de todo este trabalho individual de pesquisa, são nem mais nem menos do que dogmas, verdades absolutas. Não compreendem que a Universidade Popular, tal como a guiam, se reduz a um ensino teológico, a uma renovação da escola jesuítica, onde o conhecimento é apresentado como qualquer coisa de definitivo, de apodicticamente indiscutível. Isto não se pratica nem mesmo nas universidades públicas. Estamos persuadidos que uma verdade só é fecundada quando se fez um esforço para a conquistar, que ela não existe em si e para si, mas foi uma conquista do espírito, devendo reproduzir-se, em cada um, aquele estado de ânsia que atravessou o estudioso antes de a alcançar. Portanto, os professores dignos desse nome, no momento de educar, dão uma grande importância à história da matéria que se propõem ensinar. Este modo de apresentar aos ouvintes a série de esforços, os erros
e vitórias pelos quais passaram os homens para alcançar o atual conhecimento, é muito mais educativo do que a exposição esquemática deste mesmo conhecimento. Forma o estudioso, dá ao seu espírito a elasticidade da dúvida metódica que faz do diletante o homem sério, que purifica a curiosidade, vulgarmente compreendida, e a transforma em estímulos são e fecundo do cada vez maior e perfeito conhecimento. (GRAMSCI, 1976, p. 104-105).
Portanto, Gramsci (1976) nos alerta para o perigo de que, ao separar o ensino da pesquisa, se favoreça a constituição de um tipo de universidade caracterizada por um ensino dogmático ou, para usar um termo mais familiar às instituições da Rede Federal, um ensino marcadamente tecnicista.
Em segundo lugar, tiveram destaque as respostas que buscaram caracterizar os Institutos Federais como instituições desprovidas de uma identidade institucional, de estrutura adequada para o atendimento do seu público e de reconhecimento social na região.
[..] eu já fui professor de universidade, então o vínculo assim com o instituto ainda não está caminhando como o âmbito de uma universidade. Ainda se tem muito o âmbito de Escola Agrotécnica. (P021).
A diferença é que os Institutos ainda não têm uma infraestrutura e um corpo docente com os perfis que têm as universidades. Tanto para a pesquisa quanto para um ensino de qualidade das disciplinas. Então os Institutos hoje estão iniciando um processo que as universidades já fizeram há muito mais tempo [...] (P008).
Aí eu acredito sim, que tenha a percepção do público em relação a isso. Porque aí o nosso cliente [aluno], né, digamos assim, ele não entende ainda o Instituto Federal como uma instituição de Ensino Superior federal. Então ele ainda não consegue fazer essa ligação com a Escola Agrotécnica. Então ainda tem essa tradição do ensino agrícola. Mas enquanto instituição, não. [...] o nosso aluno, os pais desses alunos, a sociedade ainda não têm essa percepção clara do que é o Instituto Federal. (T005).
Foram pouco expressivas as respostas que atribuíram aos IFs, como característica distintiva em relação às universidades federais: o enfoque regionalizado, como forma de aproximação com os arranjos produtivos locais; priorização de pesquisas aplicadas, de cunho tecnológico, e de uma aprendizagem voltada para a prática.
Outra questão dirigida aos entrevistados perguntava se havia alguma diferença entre os cursos (de Educação Superior) oferecidos nos Institutos Federais e nas universidades federais. A maioria absoluta das respostas indicou que não, salientando que os cursos oferecidos são muito similares. Entretanto, muitas destas respostas argumentaram, mais uma
vez, a existência de diferenças importantes no que se refere aos perfis e ao acúmulo histórico/reconhecimento social destas duas instituições de ensino. Em segundo lugar, embora bem menos frequentes, apareceram respostas indicando não haver diferença entre os cursos oferecidos nestas duas instituições, haja vista que os cursos superiores criados no IFC - Campus Rio do Sul tiveram seus Projetos de Criação de Curso elaborados com base nos currículos das universidades federais, conferindo-lhes, por isso, elevado grau de similaridade.
Eu acho que não é para existir diferença, até porque os planos ali... [...] os planos didático-pedagógicos, né, muitos deles, dos nossos planos, eu acho que foram embasados em planos das universidades. Eu lembro que quando o professor [...] estava lá na Coordenação da Agronomia ele buscou... eu me lembro da UFPEL, de Pelotas, através de mim, de Curitiba ele pegou de outros, e foi buscando de universidades para montar, quando foi feita a montagem do nosso plano aqui, entendeu? Então eu acho que não tem porque ser diferente. (P007).
Apenas uma fração muito reduzida das respostas afirmou a existência de diferenças entre os cursos. No entanto, estas respostas trouxeram como complemento a informação de que estas diferenças não podiam ser percebidas nos documentos relativos aos cursos (Projetos Pedagógicos de Curso, currículos etc..), pois estas distinções estavam estabelecidas no âmbito da prática, ou seja, nas condições materiais que estavam dadas em cada uma destas instituições.
Talvez na execução sim, porque tem ainda demandas pendentes pra se conseguir realmente fazer um curso superior adequado. (P017).
Mas se em termos curriculares não foi possível estabelecer uma diferenciação nítida entre o Ensino Superior dos IFs e das universidades federais, em que consistem estas diferenças que, segundo as respostas, estão vinculadas ao âmbito da prática? As respostas que mais se destacaram, em meio aos resultados, estavam vinculadas ao fato das universidades federais já terem um acúmulo histórico quanto ao desenvolvimento de atividades no âmbito do Ensino Superior, da pesquisa e da extensão, além de uma identidade institucional consolidada e maior reconhecimento social, características que já foram ressaltadas em questões anteriores. Em segundo lugar, tiveram destaque as respostas que apontaram que as universidades federais já possuem toda a sua estrutura montada, pronta, enquanto os Institutos Federais estão em fase de implantação.
Os cursos dos Institutos são cursos novos. Então existe toda a questão temporal. Logicamente é muito distinta a comparação de um curso já estabelecido há muitos anos para um curso que está iniciando. Existem as dificuldades de implantação, dificuldades, no caso, de professores, de estrutura, de número de professores, laboratoristas, enfim, então essa é uma dificuldade inerente à situação. (P009).
Outra parte das respostas apontou como principal diferença a maior capacitação dos docentes das universidades federais para atuar na pesquisa.
[...] eu creio que tem algumas diferenças, porque nas universidades federais os professores são mais capacitados, têm mais tempo de experiência, principalmente na área de pesquisa. Porém, os Institutos por estarem mais perto das comunidades, os cursos dos Institutos, eles podem atender de uma melhor forma os alunos sem tirá- los tanto do contexto de vida deles. (P015).
Para não citar apenas as desvantagens relativas dos IFs em relação às universidades federais, algumas respostas destacaram que os Institutos Federais estão mais próximos da comunidade local e possuem um enfoque regionalizado, contribuindo para a redução do êxodo dos jovens estudantes do interior para os grandes centros urbanos.
Tratando ainda da mesma questão, os resultados apontaram que a estrutura e o orçamento das universidades federais (constituído de recursos próprios e recursos captados externamente) proporcionam uma enorme vantagem relativa destas instituições em comparação com os IFs.
[...] eu diria que dentro da rede pública federal os Institutos ainda são o primo pobre dessa rede toda. E é muito interessante porque isso historicamente também acontecia com as escolas agrotécnicas. A gente sempre se achava o primo pobre de toda a rede pública federal. (T011).
Houve ainda manifestações de respostas no sentido de que os Institutos Federais apresentam uma ênfase no ensino e uma atuação fraca na pesquisa e na extensão. Contudo, de acordo com estas respostas, esta nova institucionalidade possibilita o estabelecimento de uma proposta pedagógica inovadora, mais inclusiva, de cunho social, diferente da tradição excludente das universidades federais. Apesar de incidir em uma fração mais reduzida das respostas, a vocação tecnológica dos IFs apareceu novamente como elemento de distinção, em relação às universidades federais.
Nós não temos, eu acho, uma questão de cultura enraizada, de tradição, de profissionais que tenham essa motivação para atuar na pesquisa e na extensão. Principalmente a questão de buscar os órgãos de fomento, né. O que tem se percebido, o que tem se desenvolvido é a atuação forte em sala de aula mesmo. (P020).
[No IFC – Campus Rio do Sul] a gente vê professores mais preocupados com a aprendizagem e com uma relação humana bem melhor que nas universidades. Nas universidades a relação humana é bastante técnica e tecnicista. É uma percepção minha tratando do curso em que eu atuo, né, não sei os outros. (P025).
Ao se transformar em IFC – Campus do Instituto Federal Catarinense, a Instituição investigada perdeu a antiga identidade de Escola Agrotécnica Federal de Rio do Sul, que se dedicava precipuamente à oferta de Educação Técnica de Nível Médio. Como mencionado anteriormente, os cursos ofertados se concentravam na área agrícola, com exceção do curso Técnico em Informática, inaugurado no segundo semestre de 2008. Esta transformação, por outro lado, rendeu-lhe a condição de Instituição Federal de Ensino Superior – IFES, equiparando-se, legalmente, às universidades federais.
Diante das mudanças ocorridas, em termos de identidade institucional, o roteiro de perguntas elaborado para a realização das entrevistas semiestruturadas incluiu algumas questões especialmente voltadas aos servidores que ocuparam ou ocupavam cargos de gestão durante a transformação da EAFRS em IFC – Campus Rio do Sul. Uma destas questões indagava se os entrevistados conheciam os motivos que levaram a SETEC a propor a transformação das escolas técnicas em Institutos Federais, ao invés de transformá-las em universidades federais, uma vez que, sob o aspecto legal (artigo 2º da Lei nº 11.892/08), elas são instituições equivalentes. A quase totalidade das respostas sinalizou positivamente para esta questão, ainda que em sua maioria elas tenham indicado que os entrevistados tomaram conhecimento dos motivos da “ifetização” através de terceiros, por vias não oficiais109
. Apenas uma das respostas apresentadas para esta questão indicou não conhecer os motivos que levaram a SETEC a propor a transformação das escolas técnicas em IFs, ao invés de transformá-las em universidades.
109 Em alguns casos, o acesso a esse tipo de informação ocorreu nos bastidores dos debates e negociações
ocorridas entre os dirigentes das instituições da Rede Federal e representantes da SETEC e do MEC. Já em outros, as informações foram obtidas nos bastidores dos debates travados entre o Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica – SINASEFE e representantes da SETEC e do MEC.
Quando o entrevistador solicitou aos entrevistados quais seriam, no seu entendimento, os motivos da opção pela transformação em Instituto Federal, e não pela transformação em universidade federal, as respostas mostraram-se dispersas em seu conjunto. A exceção ficou por conta da explicação de que a criação de uma institucionalidade distinta da universidade (no caso, os Institutos Federais) evitaria a redução de vagas ou a extinção da oferta de cursos técnicos à medida que fossem implantados o Ensino Superior, a pesquisa e a extensão. Esta explicação apareceu em pelo menos duas respostas e coincide com a justificativa veiculada pela SETEC sobre a opção pelos Institutos Federais110.
[...] a história destas instituições é a formação de técnicos. Então eu acho que ainda nisso aí o governo foi sábio porque tu não elimina a formação de técnicos. Tu continua formando técnicos. Porque existe uma tendência às vezes do quadro [docente] de tentar se deslocar tudo para o Ensino Superior. Então, né... é difícil dentro de uma universidade tradicional querer manter essa divisão, esse... cinquenta por cento de técnicos e cinquenta por cento de Ensino Superior. (P010).
A partir do momento que o CEFET Paraná é... conseguiu se transformar em Universidade Tecnológica Federal do Paraná, o governo ficou com medo que outros CEFET’s seguiriam pelo mesmo caminho, e entre os CEFET’s, também as agrotécnicas. Então ele tentou buscar uma forma de equilibrar entre o que fez a UTFPR e as universidades. [Isso] evita que nós é... fossemos para o caminho da UTFPR porque dizem também que a UTFPR acabou abandonando o Ensino Técnico, deixou meio que a mercê, e se dedicou mais às graduações. (T010).
Foram menos frequentes as respostas que indicaram que a transformação em IF teve por objetivo:
a) redirecionar o atendimento realizado pelas instituições da Rede Federal, de modo a atender o seu verdadeiro público, que é a população carente ou menos favorecida, sob o aspecto econômico, tendo em vista o caráter excludente e elitista das universidades federais;
b) interiorizar a oferta de cursos técnicos e superiores, públicos e gratuitos, uma vez que as universidades federais apresentam a tendência de se concentrar nas capitais dos estados ou em grandes centros urbanos;
c) verticalizar o ensino, estimulando os estudantes a percorrerem uma trajetória escolar e acadêmica (tecnológica) na mesma instituição de ensino, desde o
110
Para a SETEC, a UTFPR fracassou em seu objetivo pelo fato de reproduzir as atribuições que já são exercidas pelas universidades. Além disso, houve esvaziamento excessivo dos cursos técnicos à medida que os novos cursos superiores foram implantados. (CAMPOS; CRUZ e PASSOS, 2013).
Ensino Médio até a pós-graduação;
d) criar instituições federais de Educação Superior, públicas e gratuitas, à exemplo das universidades federais, mas que possam oferecer cursos superiores mais baratos, tendo em vista o elevado custo de manutenção destas instituições de ensino;
e) reestruturar o modelo de gestão das instituições integrantes da Rede Federal, conferindo-lhes o status de universidade, sem no entanto reproduzir nestas novas instituições a estrutura departamental e os “vícios” das universidades federais. Outra questão direcionada especificamente para os servidores que ocuparam ou ocupavam cargos de gestão na Instituição perguntava aos entrevistados quais eram as justificativas para a mudança de estratégia do MEC, uma vez que, desde a década de 1990, as ETFs e as EAFs vinham sendo transformadas em CEFETs. Ou seja, buscava-se compreender porque o processo de “cefetização”, que se encontrava em curso na primeira década dos anos 2000, foi substituído pelo processo de “ifetização” da Rede Federal. Uma das explicações apresentadas, a qual esteve presente em mais de uma resposta, era de que na medida em que as instituições pertencentes à Rede Federal (ETFs e EAFs) eram elevadas à condição de CEFETs, os docentes, técnico-administrativos e estudantes destas instituições passavam a alimentar a esperança de que, com a sua consolidação em termos de Ensino Superior, pesquisa e extensão, pudessem ser alçadas à condição de universidades. A expectativa de uma possível transformação dos CEFETs em universidades aumentou significativamente a partir de 2005, quando o CEFET do Paraná passou por uma espécie de up grade111, transformando- se em Universidade Tecnológica Federal do Paraná - UTFPR. De acordo com as respostas analisadas, a continuidade deste tipo específico de up grade, de forma generalizada, passou a ser desestimulado pelo governo federal, por duas razões: primeiramente, pelo risco de que, com a ampliação de cursos e de vagas na Educação Superior, fossem extintas ou reduzidas as vagas de nível médio/técnico; e, em segundo lugar, porque as Universidades Tecnológicas eram consideradas instituições de ensino, pesquisa e extensão, muito mais complexas e significativamente mais caras, em termos de financiamento, do que os tradicionais CEFETs.
Os resultados apresentaram, ainda, entre outras explicações para esta questão, a intenção de atender, de uma só vez, com a “ifetização”, os diversos pedidos de up grade encaminhados ao MEC. Em alguns casos, tratava-se de ETFs e EAFs que pleiteavam a sua
111
A utilização do termo up grade para designar a elevação do antigo CEFET do Paraná à condição de Universidade Tecnológica foi feita pelo participante P001, durante a sua entrevista.
transformação em CEFETs, enquanto que, em outros, eram os CEFETs que requeriam a sua transformação em Universidade Tecnológica. Com a aprovação de Lei nº 11.892/08, o MEC apontou o modelo dos IFs como único caminho possível para o crescimento destas instituições. Desta forma, o governo federal “fechou as portas” para os CEFETs que