O SBT demorou muito a encontrar um modelo de jornalismo um pouco mais consistente. Os primeiros programas do estilo, de forte apelo popular, como O povo na TV, alcançavam bons índices de audiência. Porém, o telejornalismo da rede era descomprometido com a crítica, baseados no próprio desejo do dirigente Sílvio Santos, explícitos em entrevista à revista Imprensa. “Meu jornalismo vai ser imparcial, vai só elogiar [...]. É para descobrir no ser humano as qualidades que ele tem, Quando não houver possibilidades de apontar essas qualidades, ou apontar as suas obras, suas realizações, nós vamos apenas dar a notícia” (SQUIRRA, 1993, p. 138).
Ao longo da década de 1980, os programas jornalísticos da emissora foram Cidade 4, 24 horas, Noticentro, Últimas Notícias, todos sem grande expressividade. Essa situação perdurou até 1988, quando foram contratados três profissionais para a direção e apresentação do jornalismo, respectivamente: Marcos Wilson, Luiz Fernando Emediato e Boris Casoy. O SBT investiu também em uma nova roupagem, com novas vinhetas e
modernização tecnológica, com novas câmeras, ilhas de edição e equipamentos de computação gráfica.
O jornalista Boris Casoy, renomado editor-chefe da Folha de São Paulo, ganhou a missão de âncora do Telejornal Brasi, inaugurado em 28 de setembro de 1988. E estabeleceu um estilo bem característico. Além de ler as notícias, ele passou a fazer entrevistas e tecer comentários pessoais sobre os fatos noticiados. Ficaram famosos seus bordões “Isto é uma vergonha” e “É preciso passar o Brasil a limpo”.
Uso dois tipos de opinião. A primeira tem a finalidade de incentivar o exercício da cidadania. Tento mostrar que é bom exigir, é bom a gente querer. A segunda são alguns postulados realmente polêmicos. A opinião de um veículo de comunicação é muito importante, porque é como uma espécie de megafone para várias pessoas que pensam da mesma forma, mas não têm voz (entrevista de CASOY apud SQUIRRA, 1993, p. 164).
Seu estilo não foi visto com bons olhos à maioria dos profissionais, uma vez que no país imperava um modelo de jornalista-apresentador sem maiores interferências na notícia, seguido à risca pela concorrente TV Globo. Porém, o TJ Brasil é tido como um marco na consolidação de um novo modo de apresentação, baseado na concepção norte-americana do âncora, o apresentador que tem a função de editor-chefe.
Perante o público, o estilo agradou e, assim, o Telejornal Brasil teve uma rápida ascensão na escala do Ibope e na credibilidade, concorrendo com o Jornal Nacional, líder absoluto de audiência desde sua estreia na TV Globo. Com 40 minutos de duração, o telejornal se transformou no segundo produto do SBT a atrair mais publicidade, superado apenas pelo programa de auditório de Sílvio Santos.
Daí em diante, com o grande sucesso de modelo de ancoragem estabelecido por Boris Casoy à frente do TJ Brasil , o telejornalismo do SBT se firmou e continuou a avançar. O novo investimento foi, então, no jornalista trazido da Rede Globo, Hermano Henning, que passou a ancorar o noticiário internacional do TJ em Washington, juntamente com Roberto
Garcia. Novas contratações de peso ocorreram, entre elas, da jornalista Lilian Witte Fibe, que tornou-se âncora da segunda edição do TJ Brasil.
Ressaltamos que o TJ Brasil mudou de horário mais de uma dezena de vezes, desde a sua estreia. Entretanto, as trocas frequentes na grade de programação – fato comum na emissora de Sílvio Santos – não chegaram a afetar a audiência do telejornal.
Em 20 de maio de 1991, o SBT apostou em um novo estilo de telejornalismo, bem sensacionalista: o Aqui Agora. Além da influência radiofônica, o programa usava o recurso do plano-sequência10 para dar mais realismo e suspense às narrativas, com reportagens policiais, flagrantes, denúncias e violência. O objetivo era conquistar a audiência das classes C, D e E. Eram duas horas de duração diária, em horário nobre no SBT. O grande prestígio popular, entretanto, não se traduzia em maior faturamento publicitário.
O TJ Brasil, por sua vez, se mantinha como a segunda fonte de renda do SBT, apesar de não superar o índice de audiência do Aqui Agora, que ficou no ar até o fim de 1997. No mês de junho do mesmo ano, o jornalista Boris Casoy deixou a função de âncora do Telejornal Brasil para seu substituto aos sábados, Hermano Henning. Casoy, após nove anos de SBT, foi contratado pela Rede Record de Televisão, carregando para emissora seu estilo próprio de apresentador. Apesar do carisma de Hermano, o telejornal se desfigurou completamente com a saída de seu âncora característico.
Em agosto, o TJ Brasil sofreu mais uma mudança no seu horário, sendo exibido às 18h30, provocando uma grande queda na audiência. Em 31 de dezembro de 1997, o telejornal foi abruptamente extinto da grade do SBT. Em seu lugar, entrou o programa humorístico Chaves.
Logo após, a emissora lançou sua primeira experiência globalizada no telejornalismo, em parceria com a rede de TV americana CBS, lançando o Jornal do SBT –
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Telenotícias CBS, transmitido diretamente de Miami, ancorado pelo casal Eliakim Araújo e Leila Cordeiro.
Em 9 de março de 1988, o SBT inaugura um telejornal no horário nobre, o Noticidade, informativo local, exibido de 19h15 às 19h30, seguido pelo Jornal do SBT – Telenotícias CBS, de 19h30 às 20 horas. Neste último, permanecia a apresentação de Eliakim Araújo e Leila Cordeiro em Miami e o noticiário nacional era feito por Hermano Henning. Além disso, a emissora manteve um boletim entitulado Notícias de Última Hora.
Mas esta boa fase jornalística do SBT não durou muito. Quatro meses após as estreias, os programas foram extintos, só permanecendo os boletins Notícias de Última Hora. A emissora, assim, reforçou sua imagem de não ter como aposta o jornalismo.
Nos ataques de 11 de setembro de 2001, o SBT restringiu-se a noticiários em plantões de intervalo na programação, enquanto outras emissoras faziam grande cobertura do fato histórico.
Entretanto, mudanças no setor estavam por vir, quando o SBT resolve investir no jornalismo da emissora.