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O Limiar de contraste de visibilidade 51 

No documento José Guilherme de Mendonça Coutinho (páginas 77-83)

5.   Apresentação, Análise e Discussão de Resultados 33

5.3 O Limiar de contraste de visibilidade 51 

5.3.1 Controlo de qualidade

No que se refere a este parâmetro, a legislação considera o limite para o limiar de contraste como sendo 4%. Consequentemente, foram detectadas 7 não conformidades. No caso mais grave o limite foi superado em 225%. No entanto, em 50% dos casos não conformes os equipamentos apenas excediam o limite em 4,8%, conforme se observa na ilustração 5.17.

5.3.2 Resultados das medições

O valor médio do limiar de contraste encontrado foi de 2,04%, que corresponde sensivelmente a metade do valor máximo imposto por lei. Além disso, o percentil 75 situou-se em 2,30%, indicando que 75% das 445 medições se encontravam abaixo deste valor. Outros valores estatísticos para o limiar de contraste encontram-se expressos na tabela 5.16.

O histograma dos valores do limiar de contraste obtidos (ilustração 5.18-B) apresenta uma distribuição leptocúrtica com assimetria positiva. Significando que há uma grande homogeneidade nas medições e que, em geral, os valores se encontram abaixo da média.

Tabela 5.16 – Resultados estatísticos para os valores do limiar de contraste de visibilidade (%). Limiar de Contraste de Visibilidade

Ilustração 5.17 – Distribuição dos valores do limiar de contraste (foram eliminados dois pontos correspondentes a duas intervenções que se encontravam acima de 6%, distorcendo o gráfico).

Dimensão da Amostra 445 Média 2,04±0,04 Mediana 2,00 Desvio Padrão 0,91 Mínimo 0,02 Máximo 13,00 Intervalo Interquartil 0,70 Percentil 75 (3.ºQ) 2,30 Skewness 4,82±0,12 Kurtosis 50,91±0,23

A B

Ilustração 5.18 – [A] Diagrama de extremos e quartis e [B] Histograma de todos os valores medidos do limiar de contraste.

5.3.3 Variação do limiar de contraste com o tipo de equipamento

Mais uma vez recorreu-se ao teste One-Way ANOVA, desta vez para estudar a variação do limiar de contraste com o tipo de equipamento. Confirmou-se a hipótese nula da igualdade das médias do limiar de contraste para os três tipos de equipamentos, conforme os resultados da tabela 5.17. O p-value=0,846 é superior a 0,05 e, portanto, o valor médio do limiar de contraste não varia consoante o tipo de equipamento utilizado. A mesma conclusão é possível de se observar no gráfico da ilustração 5.19.

Tabela 5.17 Resultados do teste One-Way ANOVA para o estudo da influência do tipo de equipamento no limiar de contraste.

Ilustração 5.19 – Diagrama de extremos e quartis dos valores de limiar de contraste em função do tipo de equipamento.

5. Apresentação, Análise e Discussão de Resultados

5.3.4 Variação do limiar de contraste com a marca do equipamento

Pelo resultado do teste One-Way ANOVA da tabela 5.19 rejeita-se a hipótese nula da igualdade das médias do limiar de contraste para as várias marcas de equipamentos. Consequentemente, efectuou-se o teste de comparações múltiplas de Tukey cujos resultados se encontram no Apêndice III.iv. Este teste mostrou que as “outras marcas” têm um valor médio que se afasta das restantes e, pelos dados da tabela 5.18, constata-se que este é em média superior. Os equipamentos da GE e da Philips apresentam médias ligeiramente mais afastadas, encontrando-se a média dos equipamentos da Siemens a meio das do par anterior.

Ao remover-se da amostra os casos não conformes, descritos no ponto 5.3.1, verifica-se uma pequena diminuição do valor médio do limiar de contraste, no entanto, as conclusões a tirar mantém-se.

Tabela 5.18 Resultados do teste One-Way ANOVA para o estudo da influência da marca dos equipamentos no limiar de contraste.

Ilustração 5.20 – Diagrama de extremos e quartis dos valores de limiar de contraste em função da marca dos equipamentos.

Tabela 5.19 – Resultados estatísticos do limiar de contraste divididos por marcas dos equipamentos.

Marca Equipamento GE Philips Siemens Outras

Dimensão da Amostra 78 238 103 26 Média 1,76±0,84 2,11±0,06 1,97±0,06 2,50±0,30 Mediana 1,70 2,09 1,93 2,42 Desvio Padrão 0,74 0,95 0,59 1,52 Mínimo 0,60 0,60 0,13 0,02 Máximo 4,20 13,0 4,20 8,00 Intervalo Interquartil 1,02 0,80 0,70 1,34 Percentil 75 (3.ºQ) 2,20 2,40 2,30 3,22

5.3.5 Variação do limiar de contraste consoante a zona do País

Observa-se, pelos resultados dos teste One-Way ANOVA (tabela 5.20), que existem diferenças nas médias do valor de limiar de contraste consoante a zona do País onde se efectuou a medição. Dado este resultado aplicou-se o teste de Tukey cujos resultados estão expressos no Apêndice III.v.

Tabela 5.20 Resultados do teste One-Way ANOVA para o estudo da influência do local de medição no limiar de contraste de visibilidade.

Ilustração 5.21 – Diagrama de extremos e quartis dos valores de limiar de contraste em função zona do País.

Também, neste caso, se constatou que é na zona Norte que existe um maior valor para o limiar de contraste comparativamente às restantes zonas do País. Esta constatação já era expectável, pois o débito de dose encontrado para estes equipamentos, também, foi maior. O seu valor só se aproxima mais ao da zona centro, que em ambos os casos se encontram acima de 2%. Nas remanescentes zonas o valor médio é sempre inferior a 1,9%. Na tabela 5.21 podem-se observar os resultados estatísticos do limiar de contraste para as várias zonas. De ressalvar que, em todas as zonas do País, o valor médio encontrado respeita o limite legal de 4%.

Tabela 5.21 – Resultados estatísticos do limiar de contraste divididos por zona do País.

Zona do País Grande Lisboa Sul Centro Norte Ilhas

Dimensão da Amostra 129 42 88 153 33 Média 1,87±0,10 1,89±0,09 2,07±0,10 2,30±0,05 1,69±0,17 Mediana 1,70 1,90 2,00 2,20 1,60 Desvio Padrão 1,13 0,56 0,91 0,67 0,98 Mínimo 0,60 1,00 0,13 0,84 0,02 Máximo 13,0 4,20 8,00 4,27 5,00 Intervalo Interquartil 0,76 0,60 0,71 0,90 1,22 Percentil 75 (3.ºQ) 2,20 2,20 2,32 2,70 2,20

5.3.6 Variação no tempo do limiar de contraste

O teste One-Way ANOVA, cujo resultado se encontra na tabela 5.22, revela que existe igualdade de médias do limiar de contraste em função do ano da intervenção (p-value=0,217>0,05). Isto é, o valor médio do limiar de contraste manteve-se sensivelmente inalterado durante o período de realização do estudo. Não foi necessário recorrer a testes de comparações múltiplas. Mais uma vez se leva a crer que não houve evolução do parque tecnológico. No entanto, esta afirmação seria melhor apoiada caso tivesse sido possível recolher a data de licenciamento de cada equipamento, bem como a sua data de início de comercialização.

5. Apresentação, Análise e Discussão de Resultados

Tabela 5.22 Resultados do teste One-Way ANOVA para o estudo da influência do ano de intervenção no limiar de contraste de visibilidade.

Ilustração 5.22 – Diagrama de extremos e quartis dos valores de limiar de contraste em função do ano da intervenção.

5.3.7 Relação entre o modelo do equipamento e o limiar de contraste

Neste ponto do trabalho, seleccionaram-se os modelos mais encontrados e com maior número de medições, e procurou-se encontrar uma relação entre o modelo do equipamento e o limiar de contraste. Como se pode observar pelos gráficos da ilustração 5.23, não existe qualquer valor de referência para o limiar de contraste de um determinado modelo de equipamento. Inclusivamente, por exemplo, um mesmo equipamento pode variar o seu limiar de contraste por um factor superior a 2, entre medições. Isto é, o valor pode duplicar.

A B

Ilustração 5.23 – Distribuição dos valores do limiar de contraste para os equipamentos mais encontrados e com mais medições, divididos por tipo de equipamento ([A] e [B] – Angiógrafos) e por modelo de equipamento.

C D

E F

Ilustração 5.23 – Distribuição dos valores do limiar de contraste para os equipamentos mais encontrados e com mais medições, divididos por tipo de equipamento ([C] e [D] – Arcos em C; [E] e [F] – Telecomandadas) e por modelo de

equipamento.

5.3.8 Comparação com estudos internacionais

O valor médio do limiar de contraste encontrado, no presente estudo, situa-se no intervalo de valores dos estudos 1 e 2 referenciados na tabela 5.23. Comparativamente ao estudo 3, o nosso valor é ligeiramente inferior. Convém relembrar que quanto mais baixo o valor do limiar de contraste, melhor é a qualidade da imagem. Portanto, podemos concluir que os valores médios encontrados no presente estudo é bastante aceitável e encontra-se dentro dos limites legais recomendados tanto nacional como internacionalmente.

Tabela 5.23 – Valores de limiar de contraste encontrados noutros estudos internacionais.

Estudo Ref.ª Limiar de Contraste (%)

1 [68] 1,5-3,5

2 [69] 0,5-4,5

3 [70] 2,34*

Valor médio do presente estudo 2,04 *foi calculada a média aritmética dos vários equipamentos encontrados no estudo.

5. Apresentação, Análise e Discussão de Resultados

No documento José Guilherme de Mendonça Coutinho (páginas 77-83)