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O [LoveStoryProject] hipertextual interativo e dinâmico: a interface como

Capítulo 4 - O web-documentário e o diálogo com as artes em mídias digitais:

4.2 O [LoveStoryProject] hipertextual interativo e dinâmico: a interface como

No final dos anos 2000, com a rapidez da internet e a evolução do poder de armazenamento dos bancos de dados, ocorre uma explosão no campo das artes em mídias digitais, onde os trabalhos passam agora a utilizar vídeos e áudios em vez de somente textos. Nesse contexto, experimentações com os documentários e as mídias digitais tornam-se recorrentes, e o espectador é convidado a interagir com a obra em uma participação física (decisões que se traduzem em um ato físico como clicar, se mover, falar, digitar etc.). O desejo por narrativas interativas tornam-se comuns e termos como docu-game e docu-fragmentação tornam-se caminhos para análises dessas obras.

Nesse ambiente, durante os anos 2003 até 2007, o alemão Florian Thalhofer constrói seu projeto [LoveStoryProjetc]. O diretor entrevistou pessoas de diferentes países e culturas sobre suas visões sobre o amor, sobre primeiro beijo, esperanças, medos e experiências amorosas. O resultado, além de ter sido apresentado em instalações em Nova York, Dublin, Berlin, São Paulo, é encontrado hoje na internet, na página oficial do filme. O documentário foi projetado através de um software criado pelo próprio Thalhofer, o The Korsakow System, o qual gerencia um banco de dados fílmico, possibilitando a construção de documentários interativos e dinâmicos, que utilizam da interface (MANOVICH, 2001) como potência para a criação de múltiplas ramificações. A nossa escolha em trabalhar com[LoveStoryProjetc] está relacionada ao seu pioneirismo nesse novo formato de web-documentário hipertextual.

O modelo hipertextual apresenta uma lógica de interatividade onde a relação entre o usuário e o documentário é baseada na exploração de um banco de dados com conteúdo audiovisual, como já comentamos. Os componentes desse tipo de documentário são pré-determinados pelo autor e armazenados digitalmente (CD, DVD, web etc.), e “o interator começa em um ponto fixo e então é guiado, por algumas escolhas, à resolução da história. As linhas da narrativa mantém a história em um caminho só, enquanto oferece ao usuário a ilusão de escolha”. (RYAN apud GAUDENZI: 2009).

Na maior parte dos exemplos desse modelo, o interator, no começo da história, não pode escolher entre diferentes possíveis modos de navegação e interação, mas somente iniciar um começo forçado. Nesse caso, Sandra Gaudenzi (2009) afirma que não se trata de interação, mas sim de uma atividade de reação. Nessa forma reagente, os hipertextos são fixos e a narrativa pode ser fragmentada, mas o caminho é sempre linear e pré-estabelecido. Essa estrutura pode até oferecer vários finais, afinal “uma história que pode ter muitos desenvolvimentos possíveis deve ter também, pela sua lógica interna, muitos finais possíveis” (MACHADO, 2007: 214), mas essencialmente esses finais serão possíveis graças a essa estrutura fixa e pré-estabelecida.

As ramificações de escolhas - onde o interator segue a narrativa através da seleção de uma opção - como já comentamos - é a base do modelo hipertextual, mas a maneira que essas ramificações irão ser apresentadas faz o diferencial. O que [LoveStoryProjetc] oferece de diferente então? Ele apresenta uma forma hipertextual interativa, onde as estruturas estão abertas para a mudança, ou seja, as relações que elas desenvolvem, umas com as outras, impactam sua própria forma e sua lógica interna.

Imagem 07 – Interface do software Korsakow

Aqui tratamos do mérito do Ele trabalha conectando grupos

Narrative Units ou pequenas unidades narrativas

obra onde o autor organiza a lógica das conexões, mas não sabe qual vídeo especificamente o software irá propor para o usuário.

traz uma interatividade inspirada na da interface computacional, interator o papel de explorar

caminhos com esse banco de dados. É assim que, e vídeos, a junção usuário-interface

reconstruindo (GAUDENZI, 2009)

Como vimos anteriormente, a interface nas obras digitais é importante para a sua construção, e [LoveStoryProject]

software Korsakow, que influencia o diretor autoral na criação do produto final, já que ele precisa definir os tipos de mídias (texto, áudio, vídeo ou todas juntas), a quantidade, o tamanho e a disposição das telas, além dos agrupamentos dos arquivos. Segundo, a interface do web-documentário, que vai influenciar o espectador na sua relação com a obra digital, já que ele precisa interagir com ela, escolhendo onde e quando clicar.

Manovich (2001) nos lembra que essa interface da obra em si é uma interface cultural,

Interface do software Korsakow

Aqui tratamos do mérito do software Korsakow, criado pelo próprio grupos de pequenos filmes chamados de

pequenas unidades narrativas, em português), o que pr

o autor organiza a lógica das conexões, mas não sabe qual vídeo especificamente o software irá propor para o usuário. Dessa forma,[LoveStoryProjetc]

inspirada na da interface computacional, passando para o orar um banco de dados e o do autor de criar possíveis caminhos com esse banco de dados. É assim que, enquanto o usuário navega pelos interface-máquina-servidor-banco de dados-vídeos continua se (GAUDENZI, 2009).

vimos anteriormente, a interface nas obras digitais é importante para a sua [LoveStoryProject] tem duas relações com ela. Primeiro, a interface do software Korsakow, que influencia o diretor autoral na criação do produto final, já que ecisa definir os tipos de mídias (texto, áudio, vídeo ou todas juntas), a quantidade, o tamanho e a disposição das telas, além dos agrupamentos dos arquivos. Segundo, a documentário, que vai influenciar o espectador na sua relação com a ra digital, já que ele precisa interagir com ela, escolhendo onde e quando clicar.

Manovich (2001) nos lembra que essa interface da obra em si é uma interface cultural, software Korsakow, criado pelo próprio Thalhofer.

filmes chamados de SNUs (Smallest o que produz uma o autor organiza a lógica das conexões, mas não sabe qual vídeo LoveStoryProjetc]

passando para o e o do autor de criar possíveis nquanto o usuário navega pelos vídeos continua se

vimos anteriormente, a interface nas obras digitais é importante para a sua tem duas relações com ela. Primeiro, a interface do software Korsakow, que influencia o diretor autoral na criação do produto final, já que ecisa definir os tipos de mídias (texto, áudio, vídeo ou todas juntas), a quantidade, o tamanho e a disposição das telas, além dos agrupamentos dos arquivos. Segundo, a documentário, que vai influenciar o espectador na sua relação com a ra digital, já que ele precisa interagir com ela, escolhendo onde e quando clicar.

Manovich (2001) nos lembra que essa interface da obra em si é uma interface cultural,

pois é composta por elementos de outras formas já familiarizadas (como a tela do cinema e os hiperlinks de webpages, por exemplo).

Destacamos que [LoveStoryProject]

principal é o do diretor/autor

em pequenos trechos de no máximo dois minutos.

para criar um balanceamento nesse papel, influenciando tanto o autor (que precisa estar sempre questionando as regras e os princípios que usará) quanto

a interface a recalcular os caminhos através

obra é resultado (...) da colaboração entre o artista/programador, o programa de computador e o usuário.” (MANOVICH, 2001:67).

conexão direta entre o autor e o usuário.

Na interface do [LoveStoryProject]

grande e a cinco pequenas telas. Ao começarmos a assisti

imagens dos entrevistados é exibido na tela grande, como uma mescla dos trechos dos depoimentos que ire

pequenos quadros nos são apresentados, as imagens em planos próximos dos rostos dos entrevistados nos cobram uma ação. Ao passarmos o mouse por qualquer uma das pequenas telas teremos acesso a um título ch

esperar que o filmete inicial termine ou interrompê

telas para, automaticamente, ser direcionado para a exibição daquele vídeo. Na tela seguinte, uma nova organização de cinco novos quad

sucessivamente. Percebemos como ele é um sistema dinâmico, pois os hipertextos ( escolhas) estão sempre embaral

Imagens 08 e 09 – Abertura de [LoveStoryProject]

pois é composta por elementos de outras formas já familiarizadas (como a tela do e os hiperlinks de webpages, por exemplo).

[LoveStoryProject] ainda é um trabalho que o ponto de vista o do diretor/autor. Ele que aborda as personagens e que edita as entrevistas em pequenos trechos de no máximo dois minutos. Mas o papel do software é essencial balanceamento nesse papel, influenciando tanto o autor (que precisa estar sempre questionando as regras e os princípios que usará) quanto o usuário (que “obriga”

os caminhos através das suas escolhas), assim, “o conteúdo da obra é resultado (...) da colaboração entre o artista/programador, o programa de computador e o usuário.” (MANOVICH, 2001:67). A interface torna

conexão direta entre o autor e o usuário.

[LoveStoryProject], especificamente, temos acesso a uma tela grande e a cinco pequenas telas. Ao começarmos a assisti-lo, um curto filme com imagens dos entrevistados é exibido na tela grande, como uma mescla dos

trechos dos depoimentos que iremos encontrar. No canto inferior dessa tela, cinco pequenos quadros nos são apresentados, as imagens em planos próximos dos rostos dos entrevistados nos cobram uma ação. Ao passarmos o mouse por qualquer uma das pequenas telas teremos acesso a um título chave que define a entrevista. Podemos esperar que o filmete inicial termine ou interrompê-lo clicando em uma dessas cinco telas para, automaticamente, ser direcionado para a exibição daquele vídeo. Na tela seguinte, uma nova organização de cinco novos quadros é apresentada. E assim sucessivamente. Percebemos como ele é um sistema dinâmico, pois os hipertextos (

embaralhados e mudando constantemente.

Abertura de [LoveStoryProject].

pois é composta por elementos de outras formas já familiarizadas (como a tela do

nda é um trabalho que o ponto de vista Ele que aborda as personagens e que edita as entrevistas tware é essencial balanceamento nesse papel, influenciando tanto o autor (que precisa estar o usuário (que “obriga”

assim, “o conteúdo da obra é resultado (...) da colaboração entre o artista/programador, o programa de A interface torna-se, então, a

, especificamente, temos acesso a uma tela lo, um curto filme com imagens dos entrevistados é exibido na tela grande, como uma mescla dos pequenos . No canto inferior dessa tela, cinco pequenos quadros nos são apresentados, as imagens em planos próximos dos rostos dos entrevistados nos cobram uma ação. Ao passarmos o mouse por qualquer uma das ave que define a entrevista. Podemos lo clicando em uma dessas cinco telas para, automaticamente, ser direcionado para a exibição daquele vídeo. Na tela ros é apresentada. E assim sucessivamente. Percebemos como ele é um sistema dinâmico, pois os hipertextos (as

Imagens 09 e 10 – Personagens de [LoveStoryProject]

Os entrevistados não são especificados pelos seus nomes, mas sim pelos seus países, e todos os entrevistados possuem o seu conjunto de

palavra chave especifica. Assim, por exemplo, os catorze trech

(“somente transar?”, “somente sexo”, “terrível”, “culpa”, “transar”, “sexualidade masculina”, “flerte”, “ilusão”, “relação aberta”, “sou eu”, “segredo”, “sem ela”,

“verdade...” e “conceitos”) estão embaralhados no banco de dados com o outros entrevistados. Em

interator, através da interatividade e do dinamismo, construir a sua própria estrutura narrativa, alternando as entrevistas e os entrevistados.

meio e fim imposta pelo diretor. Os trechos são independentes e cabe ao espectador escolher as personagens que quer seguir acompanhando a entrevista; ou optar por assistir todos os trechos de determinado personagem ou embaralhar com os dos ou ou abandonar determinado personagem e seguir apenas as falas que dialoga com seus próprios interesses ou visões de mundo.

Na obra, a entrevista é o principal método de abordagem utilizado pelo diretor.

Ele, que não aparece nas imagens, está também au

na elaboração de uma lógica organizadora para o filme

principalmente através da interface. Recorrendo basicamente as entrevistas, [LoveStoryProject] abre mão da observação,

estreita consideravelmente o campo de observação do documentarista: as atitudes, o andar, os gestos, a roupa, os objetos, os ambientes, os sons que não sejam verbais etc”

(BERNARDET, 2003; p.287).

As falas das personagens refletem suas própr

combinação da cultura de seus países com as suas próprias sensações “químicas”,

de [LoveStoryProject].

Os entrevistados não são especificados pelos seus nomes, mas sim pelos seus países, e todos os entrevistados possuem o seu conjunto de SNUs, cada uma com sua palavra chave especifica. Assim, por exemplo, os catorze trechos do homem de Israel (“somente transar?”, “somente sexo”, “terrível”, “culpa”, “transar”, “sexualidade masculina”, “flerte”, “ilusão”, “relação aberta”, “sou eu”, “segredo”, “sem ela”,

“verdade...” e “conceitos”) estão embaralhados no banco de dados com o

outros entrevistados. Em [LoveStoryProject], a interface resultante possibilita ao interator, através da interatividade e do dinamismo, construir a sua própria estrutura narrativa, alternando as entrevistas e os entrevistados. Não há uma lógi

meio e fim imposta pelo diretor. Os trechos são independentes e cabe ao espectador escolher as personagens que quer seguir acompanhando a entrevista; ou optar por assistir todos os trechos de determinado personagem ou embaralhar com os dos ou ou abandonar determinado personagem e seguir apenas as falas que dialoga com seus próprios interesses ou visões de mundo.

Na obra, a entrevista é o principal método de abordagem utilizado pelo diretor.

Ele, que não aparece nas imagens, está também ausente pela voz verbal, mas presente elaboração de uma lógica organizadora para o filme (NICHOLS, 2001), principalmente através da interface. Recorrendo basicamente as entrevistas,

abre mão da observação, já que “a quase exclusividade

estreita consideravelmente o campo de observação do documentarista: as atitudes, o andar, os gestos, a roupa, os objetos, os ambientes, os sons que não sejam verbais etc”

(BERNARDET, 2003; p.287).

As falas das personagens refletem suas próprias vivências; elas são uma combinação da cultura de seus países com as suas próprias sensações “químicas”, Os entrevistados não são especificados pelos seus nomes, mas sim pelos seus , cada uma com sua os do homem de Israel (“somente transar?”, “somente sexo”, “terrível”, “culpa”, “transar”, “sexualidade masculina”, “flerte”, “ilusão”, “relação aberta”, “sou eu”, “segredo”, “sem ela”,

“verdade...” e “conceitos”) estão embaralhados no banco de dados com os trechos dos , a interface resultante possibilita ao interator, através da interatividade e do dinamismo, construir a sua própria estrutura Não há uma lógica de inicio, meio e fim imposta pelo diretor. Os trechos são independentes e cabe ao espectador escolher as personagens que quer seguir acompanhando a entrevista; ou optar por assistir todos os trechos de determinado personagem ou embaralhar com os dos outros;

ou abandonar determinado personagem e seguir apenas as falas que dialoga com seus

Na obra, a entrevista é o principal método de abordagem utilizado pelo diretor.

sente pela voz verbal, mas presente (NICHOLS, 2001), principalmente através da interface. Recorrendo basicamente as entrevistas, já que “a quase exclusividade da entrevista estreita consideravelmente o campo de observação do documentarista: as atitudes, o andar, os gestos, a roupa, os objetos, os ambientes, os sons que não sejam verbais etc”

ias vivências; elas são uma combinação da cultura de seus países com as suas próprias sensações “químicas”,

“hormonais” ou “racionais”, palavras chaves recorrentes pelos entrevistados. Os trechos de cada personagem são cortes de uma entrevista só, mas possuem significado, mesmo separados e como pequenas unidades narrativas. O interessante a questionar é como a organização delas pode influenciar na recepção, na interpretação do interator sobre determinado ponto de vista. Ao assistir todas as partes da entrevista, temos a visão geral da posição da personagem sobre o assunto, mas até que todos os trechos sejam vistos, vamos construindo uma visão fragmentada, que irá nos mover a seguir clicando e clicando.

A ação do interator ao clicar em um dos links reflete tanto nele mesmo quanto no próprio documentário. Para ele, porque descobre uma nova parte da história: a narrativa avança, a curiosidade é nova, as emoções estão seguindo os interesses pela entrevista que ele está descobrindo; e para o documentário porque, através do código algorítmico, ele passa a existir como uma de se suas formas possíveis, ou seja, o surgimento de uma nova seleção dos arquivos audiovisuais e a reorganização das próximas possibilidades disponíveis a partir desse ponto. A cada click, [LoveStoryProject] se realinha como resultado da co-emergência de novas formas tanto para o usuário quanto para o documentário. (GAUDENZI, 2009)

Através desse capítulo, vamos percebendo como uma obra digital é o resultado de um conjunto de componentes heterogêneos, como: escolhas do usuário (emoções, interesses, memória, conhecimentos técnicos etc.), viabilidades técnicas (código Korsakow, protocolo de internet, servidor, velocidade da internet etc.), intencionalidade do autor (as escolhas das entrevistas, as posições dos vídeos, a estética da obra final etc.). Uma balança de qualquer um desses componentes poderia produzir projetos diferentes. Assim, o que propomos questionar é: como essa construção interfere na narrativa e na interpretação da obra pelo interator; e como as diferentes visões sobre o amor conflitam com o meu próprio ponto de vista sobre o tema. O que nossas escolhas dizem de nós mesmos?

[LoveStoryProject] retrata uma visão da vida amorosa como múltipla. Cada entrevistado esclarece a sua relação com o amor, respeitando a sua subjetividade, religião, cultura e gênero sexual. A mescla desses elementos, e a comparação dos entrevistados de um mesmo país, gênero ou religião, suprime uma primeira impressão simplória e determinista da concepção de cada visão. O depoimento da moça alemã que não gosta de falar sobre sexo, pois tem receio de ferir a moralidade alheia pode ou não dizer muito sobre a cultura na qual ela está envolvida, afinal outras duas personagens

alemãs não veem problema nessa questão. Quando ouvimos o egípcio garantir que é necessário saber o momento de ser carinhoso e o momento de punir violentamente a parceira, resumindo o amor através apenas das regras impostas pela sua religião, e comparamos com o depoimento da moça do Egito, que fala de amor recorrendo às suas próprias sensações, vontades e desejos percebemos as divergências sobre o assunto.

Mas, além da multiplicidade do conteúdo, a própria estrutura do documentário é múltipla, pois há várias possibilidades para a sua construção, onde cada uma leva para uma nova. Nesta obra, diferente de outros trabalhos digitais (outros modelos de web-documentários), o papel do espectador está mais relacionado com o campo da exploração, das escolhas, e das interpretações e menos no da possibilidade de mudar as regras de seu funcionamento.

A interface do documentário nos exibe cinco rostos, dos quais precisamos escolher um, em primeiro momento apenas pela imagem que vemos, já que texto, que resume o vídeo, só irá aparecer se colocarmos o mouse por cima dele. O que nos guia até determinada tela? O nosso movimento de mouse até determinado vídeo é consciente? O que nos chama a atenção nos rostos? Entre o homem de boné, a mulher com os cabelos soltos, a mulher de burca, o homem sentado e o casal, qual escolher e por quê? Estamos refletindo porque escolhemos determinado vídeo? Passando o mouse sobre qualquer uma das telas, associamos a imagem a uma legenda, confrontando as imagens que vemos com as palavras que informam. Há uma constante alternância entre uma escolha cognitiva o clique em um texto que depende da interpretação desse texto -e a -escolha -ef-etivam-ent-e, qu-e ap-enas s-egu-e uma curiosidad-e instantân-ea (GAUDENZI, 2009).

No texto “A Obra de Arte na Época de sua Reprodutibilidade Técnica”, Benjamin (1985) faz uma observação interessante em relação à literatura (mas que ele destaca que se aplica ao cinema). Ele levanta que uma diferença entre autor e público estaria a ponto de desaparecer, onde “a cada instante, o leitor está pronto a converter-se num escritor” (BENJAMIN, 1985;184). Assim, Walter Benjamin também acreditava na capacidade do cinema em possibilitar que cada pessoa pudesse reivindicar o direito de ser filmado. Mas o sujeito moderno, que aspirava se vir reproduzido, foi esmagado pelos interesses capitalistas da indústria cinematográfica, que sempre teve mais interesse na manipulação das massas através de concepções ilusórias. Bem, hoje, percebemos como a internet trouxe de volta essa possibilidade do sujeito se filmar e se exibir (as redes sociais e o YouTube tornam-se provas dessa poderosa função). Não

estariam as novas mídias possibilitando que os sujeitos se tornem autores através de suas ações? Será que o web-documentário não dá ao sujeito a capacidade de se ver, mas de se vê através de suas atuações e de suas decisões? De se perceber através de uma linha narrativa que se constrói em conjunto com um autor procedimental?

Gaudenzi (2009) segue essa linha de raciocínio quando destaca que, como no mundo real, as ações do interator em uma obra digitalmente interativa possuem consequências que ele precisa aceitar e se sentir responsável. Enquanto ele define sua posição através de cada corte, enquanto ele se singulariza através das suas escolhas, ele modifica esse “mundo” em que ele está inserido. Quando fazemos a escolha e nos deparamos com algo que não corresponde as nossas primeiras expectativas, nos frustrando, nos fazendo questionar a nossa primeira impressão. Assim, esse modelo de documentário pode nos revelar uma percepção do próprio eu em um dado momento

Gaudenzi (2009) segue essa linha de raciocínio quando destaca que, como no mundo real, as ações do interator em uma obra digitalmente interativa possuem consequências que ele precisa aceitar e se sentir responsável. Enquanto ele define sua posição através de cada corte, enquanto ele se singulariza através das suas escolhas, ele modifica esse “mundo” em que ele está inserido. Quando fazemos a escolha e nos deparamos com algo que não corresponde as nossas primeiras expectativas, nos frustrando, nos fazendo questionar a nossa primeira impressão. Assim, esse modelo de documentário pode nos revelar uma percepção do próprio eu em um dado momento