UNESCO Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura
2 O DIREITO PENAL NO CONTEXTO DA SOCIEDADE PÓS-MODERNA
2.4 O BEM JURÍDICO AMBIENTAL NA SOCIEDADE DE RISCO
2.4.1 O meio ambiente natural e as interferências humanas
O progresso, em especial da sociedade ocidental, originou exigências, que se transformaram em verdadeiras necessidades humanas da vida cotidiana, tais como a energia elétrica, a água encanada, o automóvel, os utensílios domésticos e outros equipamentos tecnológicos. Todos eles vieram a gerar intervenções no meio ambiente, a exemplo do desmatamento, da poluição das águas, solo, ar e até dos níveis de sonoridade. À medida que a sociedade se acomodava aos novos confortos, passou a ocorrer a alteração de inúmeros ciclos de vida, acompanhada do crescente esgotamento dos recursos naturais, alguns deles irreversíveis, e de outros danos à natureza, tais como as mudanças climáticas, que vem causando impactos na produção de alimentos, tufões e furacões de enorme frequência destruidora, além do superaquecimento global.
O desenvolvimento das ciências da natureza já dá conta de informar que os ciclos que envolvem as radiações solares, o carbono, o oxigênio, a água, o nitrogênio, o fósforo, o ácido sulfúrico e outros elementos estão estreitamente relacionados. Assim, descreve Maria da Glória Garcia99, de forma esclarecedora, que qualquer interferência num dos ciclos produz consequências em um ou mais de um, "num contínuo de ligações de resultados não totalmente conhecidos".
Explicita que a terra recebe do sol a sua energia. Suas radiações penetram na atmosfera e são absorvidas como calor. Nos oceanos, a energia solar produz o vapor de água que, por seu calor, retorna à atmosfera e dá origem aos ventos. As plantas, por sua vez, absorvem a luz solar através da fotossíntese, indispensável à sobrevivência dos animais, neles evidentemente incluído o homem. A fotossíntese é responsável pela produção de oxigênio, que tem também o seu próprio ciclo, não se podendo perder de vista que quase 20% das moléculas de oxigênio estão na atmosfera. Esse oxigênio acumulado na atmosfera, ao longo de quase dois bilhões de anos, formou, na parte superior, uma camada de ozônio (O3), que hoje absorve os raios ultravioletas e protege a vida no planeta. A água, por seu turno, que é o elemento mais importante da biosfera, se encontra nos oceanos (90%), no estado de vapor, no gelo, em regiões glaciais, nos rios e lagos.
99 GARCIA, Maria da Glória F. P. D. Garcia. O Lugar do Direito na Proteção do Ambiente. Coimbra: Almedina,
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Mas esses ciclos podem sofrer interferências humanas. Assim não se pode estranhar que o abate sistemático de florestas, em especial das florestas tropicais, além de expor o solo fértil à erosão eólica e ao escoamento das águas, elimina árvores que realizam a fotossíntese. Ao eliminar-se uma fonte de vida, empobrece-se a saúde dos animais e contribui-se para que o ozônio não se forme. Isto além de poder-se desencadear catástrofes naturais de grandes dimensões, que são provocadas pelo deslizamento de terra, em períodos chuvosos.
A água, quando entra na cadeia alimentar, poluída por materiais tóxicos, como metais pesados, pesticidas100 e hidrocarbonetos101, produz efeitos negativos na vida e saúde das plantas e animais. O dióxido de carbono, essencial à vida no planeta, visto que é um dos compostos essenciais para a realização da fotossíntese, ao ser liberado pela queima de combustíveis fósseis e mudanças no uso da terra (desmatamentos e queimadas, principalmente) impostas pelo homem, interfere nas mudanças do clima. "Há evidência científica de que o aquecimento global tem íntima relação com o aumento de CO2".102
O ciclo do nitrogênio, por seu turno, vem sendo alterado pelo uso indiscriminado de fertilizantes. Estes o fixam artificialmente na água, aumentando a produção de algas nos
100 Composto químico, cujo princípio ativo acaba com diversos tipos de pestes, que podem ser insetos, ervas
daninhas, fungos, vermes, roedores e outras pragas. Daí vem o nome pesticida. Seus problemas ambientais mais comuns são a contaminação do solo, de lençóis freáticos, de rios e lagos. Quando utilizado, chega ao solo e, através das águas da chuva, vai ao próprio sistema de irrigação da plantação, propagando-se pelos corpos de água, poluindo-os e intoxicando toda a vida neles presente. Têm sérias repercussões na saúde humana, seja durante a fabricação, no momento da aplicação e no consumo dos produtos contaminados. Problemas neurológicos, como o "Mal de Alzheimer" estão associados à exposição a inseticidas organofosforados, assim o desenvolvimento de déficit de atenção com hiperatividade em crianças. Ademais, "a Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA) considera esse composto como possível carcinogênico". (Os problemas causados
pelos agrotóxicos justificam seu uso? Ecicle: sua pegada mais leve. Disponível em:
<http://www.ecycle.com.br/component/content/article/35/1441-os-problemas-causados-pelos-agrotoxicos- justificam-seu-uso.html>. Acesso em: 19.jun.2015).
101 Os hidrocarbonetos são um grupo de compostos orgânicos que possuem apenas átomos dos elementos
carbono e hidrogênio, CxHy. “São geralmente obtidos a partir do petróleo e, por isso, estão presentes nos seus derivados, como a gasolina, o querosene, o óleo diesel, o GLP (Gás Liquefeito de Petróleo), o gás natural, a parafina, a vaselina, vários polímeros, como os plásticos e as borrachas, entre outros. Para se ter uma ideia, eles correspondem a 48% da matriz energética brasileira”. (O que são hidrocarbonetos. Brasil Escola. Disponível em: <http://brasilescola.uol.com.br/o-que-e/quimica/o-que-sao-hidrocarbonetos.htm>. Acesso em: 8 out. 2017).
102 “Também conhecido como gás carbônico, o dióxido de carbono (CO2) é um composto químico gasoso e um
dos gases que pode desequilibrar o efeito estufa. Ele ainda é de difícil detecção por não ter cheiro ou sabor. Essencial à vida no planeta por ser um dos compostos principais para a fotossíntese, o carbono é encontrado na atmosfera na forma de dióxido de carbono. Por outro lado, vários organismos liberam CO2 para a atmosfera mediante o processo de respiração, inclusive as plantas e árvores (conhecidas como compensadoras de CO2) que, em condições de calor e seca, fecham seus poros para impedir a perda de água e mudam para o processo de respiração noturno, denominado de fotorrespiração, ou seja, consomem oxigênio e produzem dióxido de carbono”. (Dióxido de carbono: essencial por um lado, prejudicial por outro. In: eCycle. Disponível em: <https://www.ecycle.com.br/component/content/article/63/2375-dioxido-carbono-co2-essencial-prejudicial- composto-gasoso-fotossintese-respiracao-noturno-fontes-usos-industria-decomposicao-erupcoes-atividade- humana-efeito-estufa-excesso-poluicao-sumidoros-sequestradores-doencas-aquecimento-global-
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lagos, o que acarreta a diminuição do oxigênio e, com isto, a morte de peixes e outros animais lacustres. A água também se torna imprópria ao consumo do homem.
Desta maneira, verifica-se que a ação humana está a introduzir alterações no curso da natureza que podem deteriorar ou destruir inúmeros habitats, ao longo dos anos, colocando em risco a própria biodiversidade, e gerando, muitas vezes, perdas irreversíveis, cujas consequências são ainda desconhecidas.
O mais claro exemplo dessas perdas irreversíveis é a extinção das espécies. Os ecossistemas podem entrar em extinção como consequência da poluição descontrolada ou da "conversão de suas localizações para usos humanos". O desmatamento de algumas áreas tropicais faz com que o solo se torne impróprio, com o passar do tempo, para colheitas anuais ou para reflorestamento pelas espécies existentes anteriormente. E é difícil prever, mesmo para os cientistas especializados, quais as mudanças ambientais que terão efeitos irreversíveis.103
Digno de nota é também o fato de que as mudanças realizadas no meio ambiente em uma parte do planeta podem ter efeitos em lugares surpreendentes. Assim, tanto as causas como os efeitos "podem estar amplamente separadas no espaço, e o necessário conhecimento para a previsão muitas vezes requer contribuições de disciplinas científicas que não se comunicam ordinariamente umas com as outras"104. Acrescente-se ainda que pequenas perturbações no meio ambiente possam ter grandes efeitos. "Em princípio, uma minúscula corrente de ar, como a que pode ser produzida por uma borboleta ao bater suas asas, poderia causar uma grande tempestade do outro lado do mundo". Disto se deduz que pequenas mudanças nas atividades humanas podem produzir grandes efeitos, mesmo quando enormes mudanças não façam qualquer diferença. A análise científica, portanto, não pode chegar facilmente "a um acordo com incertezas desse tipo, porque pouco se sabe sobre as fronteiras tanto dos sistemas naturais como humanos, no que diz respeito a quais mudanças são suficientes para acionar agudas descontinuidades".105
Mas não é só. Os longos intervalos de tempo são comuns nos sistemas ambientais. A título ilustrativo, já se comprovou que os cloroflurocarbonetos liberados na atmosfera migram
103 STERN, Paul; YOUNG, Daniel Druckman. Mudanças e Agressões ao Meio Ambiente. Tradução José Carlos
Barbosa dos Santos. São Paulo: Makron Books, 1993, p. 16.
104 "Uma proposta recente diz que a adição de ferro aos oceanos poderá reduzir a liberação de dióxido de
carbono na atmosfera ao remover o fator limitante ao crescimento do fitoplâncton, o qual absorve o excesso de dióxido de carbono do ar" (Martin et alii,1990). Não obstante tenham surgido sérias questões sobre essa proposta (por exemplo, Lloyd, 1991), esse tipo de fenômeno torna difícil as previsões das mudanças ambientais". (Ibidem, p. 15).
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para a estratosfera, onde são divididos pela luz do sol durante um período que pode variar de décadas a vários séculos.106 Desta maneira, em vista destes efeitos lentos e da interdependência dos sistemas ambientais, muitas intervenções humanas no meio ambiente, além de serem desprovidas de qualquer controle, seus resultados não serão conhecidos por várias gerações. Não se pode perder de vista que tais intervenções humanas podem mesmo ameaçar toda a Terra, porque possuem o potencial de desencadear catástrofes antes ainda que seus efeitos sejam sequer observados.107
Acrescente-se que "as mudanças ambientais globais podem resultar das interações de sistemas locais entre si com sistemas em escala maior". O planeta não possui um meio ambiente único. Ainda que atmosfera seja global, é preciso entender-se a biosfera a partir de escalas espaciais menores, tais como "os ecossistemas e os biomas". Desta forma, conhecer a mudança global exige maneiras de se entender "as relações nas escalas espaciais".108 Nesse passo, as atividades humanas, ao redistribuírem as espécies e transformarem o habitat, alteram a própria interação entre os ecossistemas.
Em face dessas características que compõem o meio ambiente natural, as quais constituem importantes desafios para a pesquisa científica, na contemporaneidade, percebe-se a enormidade de prejuízos que a sociedade desenvolvimentista já lhe causou, muitos por ignorância de populações carentes de recursos, e outros, em maior quantidade e grandes proporções, por interesses econômicos.
Já é fato consumado que as atividades humanas estão a diminuir paulatinamente a diversidade biológica do planeta, das terras habitadas mais frias aos trópicos, tanto nas nações
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"A sigla CFC é usada para se referir aos clorofluorcarbonetos, que, como o próprio nome indica, são compostos que possuem os átomos de cloro e flúor ligados a cadeias carbônicas, em geral, pequenas, como ao metano e ao etano. Portanto, eles fazem parte do grupo funcional dos haletos orgânicos.[...] Até a década de 70, esses gases eram muito usados como propelentes de aerossóis de perfumes e inseticidas, como líquidos refrigerantes em geladeiras e aparelhos de ar-condicionado, e como gases expansores para a produção de
polímeros na forma de espumas. O seu uso tornou-se amplo em virtude das vantagens que esses compostos
possuíam, como o fato de não terem cheiro, não serem tóxicos e não serem inflamáveis. Porém, quando um produto em spray que os continha era usado ou quando havia algum vazamento em equipamentos que os possuíam, os CFCs eram lançados na atmosfera e descobriu-se que eles eram os causadores do buraco na camada de ozônio. Na estratosfera, a luz solar fotoliza esses compostos, que liberam átomos de cloro que reagem com o ozônio, diminuindo a sua concentração na atmosfera e destruindo a camada de ozônio que protege a Terra das radiações ultravioletas do Sol. O oxigênio liberado na última reação também reage com mais ozônios da atmosfera, degradando ainda mais a camada de ozônio e liberando mais oxigênio que continua reagindo. Além disso, o ClO reage com átomos de oxigênio livres, liberando mais átomos de cloro e gás oxigênio para destruir a camada de ozônio. Com isso, apenas um átomo de cloro tem a capacidade de destruir 100 moléculas de ozônio!” (FOGAÇA, Jennifer Rocha Vargas. Clorofluorcarbonetos (CFCs). In: Química Ambiental. Mundo Educação. Disponível em: <http://mundoeducacao.bol.uol.com.br/quimica/clorofluorcarbonetos-cfcs.htm> Acesso em: 10 out. 2017).
107 STERN, Paul; YOUNG, Daniel Druckman. Mudanças e Agressões ao Meio Ambiente. Tradução José Carlos
Barbosa dos Santos. São Paulo: Makron Books, 1993, p. 16.
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industrializadas como nas em desenvolvimento. Estimativas realizadas em fins do século passado indicam que, em escala mundial, uma área de florestas tropicais úmidas, aproximadamente do tamanho de Honduras, é desmatada ou convertida anualmente, resultando na extinção de espécies "a uma taxa que foi calculada em 17.500 espécies por ano, supondo-se a existência de 5 milhões de espécies nas florestas tropicais úmidas".109
As causas imediatas ou próximas do desmatamento podem ser elencadas como a conversão para uso agrícola, exploração de madeira, mineração e desenvolvimento industrial, como, por exemplo, a construção de usinas hidrelétricas, a procura de lenha para queimar e de alimentos para os animais. Todavia, a grande força motriz desse desmatamento são os interesses econômicos.
No caso da Floresta Amazônica, por exemplo, a pressão dos mercados internacionais por minerais e produtos de madeira, ao lado do interesse do Brasil em estimular as exportações com o propósito de reduzir a dívida externa, há algumas décadas, foram decisivos para seu ingente desmatamento. Isto ao lado das políticas públicas motivadas ao desenvolvimento econômico, como a construção de rodovias, projetos de usinas hidrelétricas e até mesmo tratamento fiscal favorável para as grandes operações agropecuárias, não obstante este último já tenha sido retirado.110
No que diz respeito às mudanças climáticas e, em específico, o superaquecimento global, que hoje está sendo experimentado pelo planeta, é fato que, desde o início da Revolução Industrial, a emissão de gases estufa tem-se intensificado significativamente. E isto em virtude do incremento da produção industrial e agrícola. O uso, cada vez maior, de combustíveis fósseis, não apenas para a autolocomoção como também para o aquecimento doméstico nas regiões de clima frio, é um dos seus fatores. E o gás carbônico (CO2) é tido
como o principal gás-estufa.111 Antes de 1800, havia cerca de 250 partes por milhão de CO2
na atmosfera, o que equivale a 586 gigatoneladas (bilhões de toneladas). Nos dias de hoje, o número está em torno de 380 partes por milhão ou 790 gigatoneladas. Mesmo em longo prazo, tal aumento não tem precedente.112
109 Ibidem, p. 4.
110 STERN, Paul; YOUNG, Daniel Druckman. Mudanças e Agressões ao Meio Ambiente. Tradução José Carlos
Barbosa dos Santos. São Paulo: Makron Books, 1993, p. 4-5.
111
FORATTINI, Oswaldo P. Ecologia, Epidemiologia e Sociedade. São Paulo: Artes Médicas, 2004, p. 32. 112
Os combustíveis fósseis (carvão, gasolina e outros baseados no petróleo e no gás), é que desempenham o
papel principal na produção do CO2. As mais perigosas são usinas que usam o carvão para gerar eletricidade. "O
carvão negro (antracito) é formado por 92% de carbono, enquanto o carvão marrom seco tem em torno de 70%
de carbono e 5% de hidrogênio". O carbono e o oxigênio, que são os componentes do CO2, são vizinhos na
tabela periódica. "Como dois átomos de oxigênio se combinam com um átomo de carbono para formar o CO2,
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Posto isto, a situação atual não permite descartar a hipótese da influência humana no aquecimento global da Terra. Após cinco anos de dúvidas, a Organização das Nações Unidas adotou a decisão do PIMC segundo a qual, "a maioria do aquecimento observado nos últimos 50 anos é provavelmente atribuível ao acúmulo dos gases-estufa na atmosfera". Nem o sol e nem as flutuações naturais podem ser incriminadas, mas sim o CO2 e outros gases emitidos
pela atividade humana foram responsabilizados.113 A continuar a emissão dessas substâncias gasosas, prevê-se para o ano 2030 a duplicação da densidade de CO2 na atmosfera. O PIMC
estima que a temperatura aumente de 1 para 30C antes do final do presente século XXI. "Nessa ocasião haverá capacidade de absorver calor irradiado correspondente àquela concentração de gás carbônico, o que provocará aquecimento de até 4,5º na superfície terrestre".114
Desta maneira, pode-se concluir que as ações humanas, individuais e coletivas, trouxeram, do último quartel do século XX até os dias atuais, grandes consequências na vida do planeta.
Saber que o meio ambiente é um organismo ativo, e que está em verdadeira mutação em virtude das decisões e atos humanos, é o primeiro passo para que o Estado e a sociedade reformulem suas condutas e adotem alternativas sustentáveis. Ao Direito, de posse desse conhecimento, cabe exercer o importante papel da regulação e punição de práticas que venham a dar causa à degradação ambiental.
Nessa linha de raciocínio, delimitar o conceito de meio ambiente é de grande utilidade para a Ciência Jurídica, pois através dele torna-se possível detectar as interferências do ser humano que estão na condição de causar danos ao planeta e, por consequência, punir seus infratores.