Esquema 7.1 Estruturação do Relatório Individual de Caso de acordo com a metodologia desenvolvida pela Harvard Business School
10.1. O Mercado Empresarial Odontológico no Brasil
Em 2004, o Brasil era o quinto maior país do mundo em termos de área, com uma população total de 180 milhões de habitantes e o 10° PIB do mundo (EIU, S.d.). A maioria de suas 47 milhões de casas se encontrava em áreas urbanas. Contudo, o desenvolvimento regional e a distribuição de renda eram bastante desiguais(IBGE, 2002, 2003). As diferenças sociais e econômicas por décadas influenciaram a disponibilidade, o acesso e as condições financeiras para os serviços de saúde oral; assunto que pesava de forma substancial nos sistemas de saúde e nas economias nacionais no mundo todo (FDI, S.d).
De acordo com estudo de 2003 realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 27,9 milhões de brasileiros, 15,9% da população, nunca havia ido ao dentista. Vinte e oito por cento da população não possuía dentes em uma ou nas duas arcadas dentárias e 15% deles não possuía substituições artificiais. O problema era mais grave nas classes de baixa renda, onde 31% das famílias nunca havia ido ao dentista, em comparação aos 3% das famílias mais economicamente abastadas. Em 2002, o câncer de boca era responsável por 3,5% dos óbitos causados por câncer no Brasil, com 64,5% dos diagnósticos obtidos nos estágios mais avançados da doença (LAGE, 2005, RESGATE, 2005). Apesar dos
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investimentos do governo e pouca melhora na saúde, o Brasil estava na 125ª posição entre os 192 estados membros da Organização Mundial de Saúde (OMS)19.
Ironicamente, o Brasil era um país com cerca de 15% dos dentistas em atividade no mundo todo, com aproximadamente 190 mil profissionais, em comparação com os 152 mil nos Estados Unidos (ADMIX, S.d.). Com mais de 160 faculdades de odontologia, contra 55 nos Estados Unidos, o número de profissionais a procura de trabalho no setor cresceu 6% ao ano, enquanto a população brasileira crescia cerca de 2% ao ano. O mercado odontológico brasileiro se caracterizava por uma distribuição geográfica desproporcional. Enquanto cidades como São Paulo mostravam proporção de um dentista para cada 643 habitantes, número bem abaixo do recomendado pela OMS - de 1:1.500 -, nas localidades mais pobres e distantes do país, esta proporção aumentava para quase 1:5.000 (IDF, S.d.). Essa distribuição desigual também acontecia no caso de cobertura dos planos de saúde odontológica: a Agência Nacional de Saúde (ANS) relatou apenas 5,2 milhões de clientes de planos de saúde odontológica em comparação aos 39 milhões em planos de saúde gerais no Brasil e 160 milhões de assinantes de planos de saúde odontológica nos Estados Unidos (PAVLOVA, S.d., e ANS, 2005).
10.1.1 Consolidação e Concorrência
Até 1998, o mercado brasileiro de planos de saúde se caracterizava pela alta fragmentação e baixa regulamentação. Quase qualquer um podia abrir uma empresa e oferecer diferentes produtos sem muita regulamentação ou supervisão. Como resultado, as operadoras de planos de saúde faliam, deixando milhares de usuários sem atendimento. Mudanças contratuais unilaterais, que potencialmente prejudicariam os direitos dos participantes, eram comuns. Desde essa época, o governo brasileiro votou diversas leis que regulamentaram o setor, levando as empresas a profissionalizar suas organizações, incluir a cobertura de todas as doenças reconhecidas pela OMS e evitar aumentos de preço não autorizados ou mudanças nas regras. Além disso, todas as operadoras e os novos planos de saúde precisavam ser aprovados pela ANS (ANS, 2005). Conseqüentemente, o setor enfrentou um processo de consolidação,
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com a queda do número de operadoras em funcionamento de 2.639 em 1999 para 2.167 em 2004 (ANS, 2005).
Em 2004, havia 567 empresas no mercado brasileiro de assistência odontológica, cujas oito maiores representavam 40,3% do mercado. Esses grandes concorrentes pertenciam a quatro categorias: empresas ligadas a conglomerados financeiros, grupos de assistência médica, grandes cooperativas odontológicas e empresas independentes patrocinadas por sociedades financeiras, principalmente fundos de private equity. O restante dos concorrentes era predominantemente formado por pequenas empresas independentes que consistiam, em muitos casos, de alguns dentistas operando por si só com clientes espalhados em alguns nichos. “Este cenário irá forçar uma segunda onda para a consolidação. As pequenas empresas não terão patamar na concorrência”, previram algumas pessoas de dentro da DentalCorp. “Este processo também tem potencial para atrair operadoras internacionais que se mantinham afastadas do mercado brasileiro. Desde o processo de estabilidade econômica, iniciada em 1994, uma atmosfera melhor para a regulamentação e um grande e desconhecido mercado ficaram claramente atraentes para elas”.
A OdontoPrev, operadora independente, fundada em 1987 por um grupo de dentistas empresários, era a maior empresa de assistência dentária do Brasil com aproximadamente 18% do mercado e 3.500 clientes associados que representavam mais de 1 milhão de participantes com receita bruta de R$ 84,1 milhões. Incrementada com uma injeção de capital da TMG Private Equity em 1997, a empresa cobria 850 municípios através de uma rede de 12.000 dentistas afiliados (CAMPOS, 2007, e ODONTOPREV, S.d.). Ao contrário de alguns de seus concorrentes diretos, a Odontoprev utilizava corretores terceirizados ao invés de suas próprias filiais como principal meio de comercialização. Embora com condições de prontamente incrementar o número de participantes, mantendo os custos fixos baixos, algumas pessoas consideravam difícil manter o nível de qualidade dos serviços sem suporte local, o que levava alguns dos seus clientes a mudarem para a concorrência.
Uma grande concorrente ligada a grupos de assistência médica era a Interodonto. Centrada principalmente na região sudeste, que tinha 65,7% do número total de participantes de planos de assistência odontológica, a Interodonto tinha uma parcela do mercado referente a 4,5%, com aproximadamente 370.000 clientes, na maioria funcionários e seus familiares dentre seus 550 clientes corporativos. Outro concorrente de peso era a Bradesco Seguradora, o ramo de seguros do Grupo Bradesco, o maior conglomerado financeiro privado do Brasil em termos de ativos, com uma rede de 3.000 filiais por todo o Brasil e um banco de dados com mais de 14 milhões de clientes. Embora se apoiando nos atributos do Grupo Bradesco, a
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Bradesco Seguradora dava pouca atenção aos planos de seguro de assistência odontológica em comparação a outros produtos que oferecia, tais como seguro de automóveis ou planos de pensão. “A Bradesco Seguradora parece um gorila de mais de 100 quilos tentando agarrar tudo o que vê. Contudo, este ainda não é um mercado de commodity. É preciso manter o foco no que se está fazendo, e agir prontamente; coisa que uma empresa empreendedora menor tem capacidade de fazer melhor”, analisou um executivo da DentalCorp.