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ROCHAS ORNAMENTAIS: O MERCADO INTERNACIONAL E O SEGMENTO NO BRASIL

2 O MERCADO INTERNACIONAL DE ROCHAS ORNAMENTAIS

principal mercado de rochas ornamentais - tanto em tamanho, como em dinamismo - o mercado externo, caracterizado pela participação de grandes grupos compradores ue controlam o fluxo de material oriundo de países emergentes em relação a países 2

O é q

industrializados da Europa e da Ásia (Nery & Silva, 2001). As firmas produtoras de rochas ornamentais estabelecidas no mercado internacional, sobretudo as italianas, detêm avançada tecnologia no que se refere à extração, ao desdobramento e ao beneficiamento, bem como, o domínio dos canais de distribuição.

A produção mundial de rochas ornamentais saltou de 2,0 milhões nos anos 20 do século passado para 67,5 milhões em 2002. As rochas carbonáticas representam aproximadamente 58% desse volume; as silicáticas, 37%; as ardósias 5% (MONTANI, 2003, apud MELLO, 2004).

Em 2002, a Ásia, puxada pela China, Índia e Irã, ultrapassou pela primeira vez a uropa na produção de pedras naturais, ao responder por 43% do total produzido no

undo. Segundo Mello (2004), a Europa reúne os mais tradicionais e importantes rodutores mundiais: Itália, Espanha, Portugal, Turquia e Grécia, posicionando-se logo trás da Ásia, com 42% da produção. Embora a Itália seja o núcleo difusor de inovação cnológica dessa indústria, a China assumiu o papel que foi seu até o final dos anos 0, de principal produtor e exportador mundial, principal importador de produtos brutos maior exportador de manufaturados. A Itália permanece como maior exportador de áquinas, equipamentos e tecnologia, cujo maior importador é a China. A Figura 2.8 ostra a participação dos principais países na produção mundial.

E m p a te 9 e m m

32% 10% 8% 6% 4%4% 3% 21% 12% Outros China Itália Índia Espanha Irã Brasil Turquia Portugal

Figura 2.8 – Principais Produtores de Rochas Ornamentais por Países – 2002.

Fonte: MONTANI (2003) apud Mello (2004).

erca de 70% da produção mundial são representados por chapas e ladrilhos para vestimento, 15% desdobrados em peças para arte funerária, 10% utilizados em obras struturais e 5% em outros campos de aplicação. Aproximadamente, 60% dos

vestimentos referem-se a pisos, 30% a paredes e fachadas e 10% a trabalhos speciais de acabamento (MONTANI, 2003, apud MELLO,2004).

pesar da dificuldade em se fazerem previsões sobre o comportamento da economia undial, nos primeiros anos do Século XXI, projeta-se uma taxa média de crescimento e 26,25%/ano no consumo mundial de rochas ornamentais, entre 1998 e 2025; de 4,28%/ano nas exportações de produtos beneficiados; de 32,81%/ano nas xportações de material bruto. (Figura 2.9) Essas projeções demonstram uma xpectativa otimista da dinâmica do mercado (Brasil, 2002).

C re e re e A m d 3 e e

0

500

1000

1500

2000

2500

3000

Figura 2.9 – Projeção de consumo e exportações mundiais de rochas ornamentais Fonte: Brasil, 2002.

comércio de rochas ornamentais envolve transações com materiais brutos e produtos anufaturados ou semimanufaturados. Os materiais brutos possuem menos valor na omercialização. O preço médio internacional do granito em bloco está entre US$ 400 e

S$ 600/m3 (valor FOB), enquanto o de mármore bruto situa-se entre US$ 800 e

.200/m3 (valor FOB). No mercado externo, as receitas proporcionadas pelas chapas

olidas de granito geram valores três a quatro vezes maiores por metro cúbico que a

enda em blocos brutos. Para cada m3 de material bruto, geram-se aproximadamente

2 m2 em chapas (Nery & Silva, 2001).

1998 1999 2000 2005 2010 2015 2020 2025

Exportação de Material Bruto 97 104 113 165 242 355 482 707

Exp. de Rochas Processadas 182 196 212 310 455 667 978 1433

Exportação Totais 278 301 324 476 697 1022 1460 2140 Consumo 557 594 634 879 1219 1583 2195 2849 1998 1999 2000 2005 2010 2015 2020 2025 anos Milhões equivalentes de m2 O m c U 1 p v 3

Segundo entrevistas6 com produtores de granito serrado, o preço da chapa varia entre 30 e 100 US$/m2 (valor FOB)7. Considerando o limite superior do preço de exportação

om base no estudo realizado por Vale (1997), os autores Villaschi Filho e Pinto (2000) presentaram uma classificação dos países que desenvolvem atividades nesse egmento, em que a Itália aparece na liderança do Grupo 3, conforme a Figura 2.10.

sta é a maior importadora de matéria prima bruta, maior consumidora per capita, aior exportadora de rochas processadas e tecnologia, tendo sido responsável em 999 por 32,9% em volume físico das transações de produtos beneficiados e 46% em olume físico das transações com máquinas e equipamentos no mercado internacional

rasil, 2002).

illaschi Filho e Pinto (2000) descrevem a movimentação física de rochas ornamentais rme apresentação da Figura 2.10 - 50% são movimentadas do Grupo 1 para o ncentra o

omércio do Grupo 3 para o Grupo 2, porção caracterizada pela exportação de

Grupo 1 para o Grupo 2, em que estão incluídas, por exemplo, as xportações de chapas serradas do Brasil para os Estados Unidos.

do granito em bloco, US$ 300/m3 e 700/m3 (valor FOB), e o preço médio de exportação da chapa de US$ 50/m2 FOB, ao ser transformado em chapas, 1m3 de material poderá gerar US$ 1.600 (32m2 X US$ 50/m2). A venda de produtos finais, por sua vez, proporciona um faturamento 150% a mais, por metro cúbico, que a venda de matéria- prima (Brasil, 2002). Obviamente as exportações de rochas ornamentais da Bahia poderiam gerar maior renda e empregos se estivessem concentradas na exportação de chapas polidas, ao invés de blocos.

C a s E m 1 v (B V confo

Grupo 3, fluxo esse caracterizado pela exportação de material bruto, que co

principal fluxo de comércio entre Brasil e a Itália; 40% compreendem a corrente de c

produtos acabados, cujo faturamento é estimado em 80% do valor comercializado no mercado mundial, em que se encontra o principal comércio de rochas entre Itália e Estados Unidos; e, apenas 10% do comércio internacional de rochas ornamentais ocorrem do

e

6

As entrevistas foram concedidas ao pesquisador, no ano de 2003, por oito produtores da região de Jacobina.

7

A partir dos dados já citados, pode-se deduzir que os países do Grupo 3, controlam o comércio internacional. Aqueles países que se

comercialização de produtos manufaturados, para assim, melhorar sua posição no mercado mundial, sobretudo quanto à geração de renda. (Villaschi Filho & Pinto, 2000). Os governos da China e da Índia têm empreendido esforços orientados por este objetivo e tem obtido bons resultados, como será descrito mais adiante, neste capítulo.

Figura 2.10 - Movimentação Física das Rochas rnamentais no Mercado Internacional. Fonte: Villaschi Filho e Pinto, 2000 e BRASIL, 2002.

Elaboração Própria.

No que se refere às importações mundiais,

do volume total de mármores e granitos brutos, seguida da Itália (Figura 2.11). Esta é contudo o maior importador de granitos brutos e a China de mármores brutos (Figuras 2.12 e 2.13).

principalmente a Itália,

encontram no Grupo 1, como o Brasil, devem trabalhar para aumentar o percentual de