Mais missionários chegam ao Peru
O MINISTÉRIO DINÂMICO DO REV WILLIAM CLYDE GOLLIHER
Lembro-me da primeira vez que encontrei Clyde Golliher. Estávamos assistindo à orientação para novos missionários e missionários em licença em Bethany, Oklahoma, nos Estados Unidos. Minha esposa e eu tínhamos sido indicados para trabalhar na Índia por dois anos, mas tivemos dificuldades ao tentar conseguir visto para entrar no país. Enquanto estávamos na reunião de orientação em 1965, recebemos comunicação oficial de
que nosso pedido de visto tinha sido negado pela segunda vez. Imediatamente, Clyde Golliher, um dos líderes da conferência e diretor da missão no Peru, começou a conversar conosco sobre a necessidade de novos missionários em Lima. Ele nos deixou animados com a possibilidade e prometeu conversar com o secretário executivo de Missões Mundiais (hoje diretor de Missões Internacionais) sobre nos enviar para o Peru.
Em poucas semanas, recebemos um telegrama comunicando nossa indicação como missionários para o Peru. Em seis semanas, estávamos na Cidade do México estudando espanhol. Dez meses depois, chegamos a Lima e fomos nomeados pastor e plantador de igrejas em Comas, um bairro popular na zona norte de Lima, com mais de 500 mil habitantes e apenas o princípio de uma nova igreja. Clyde foi meu mentor e me deu oportunidade de aprender muito com ele.
Em abril de 1968, ele me convidou para acompanhá- lo em uma série de encontros na região de Cajamarca. Preguei em uma campanha evangelística de três dias em Chota, enquanto Clyde exibia um filme cristão todas as noites. Na segunda-feira, às cinco da manhã, montamos nos cavalos e mulas para um roteiro de dez dias pelas montanhas andinas para visitar cinco igrejas e exibir os filmes em cada local. Nuca me esquecerei daquele primeiro dia de viagem. Quatorze horas em cima de uma mula cruzando a cordilheira e depois descendo até a cidade de Chadin. Foi a primeira vez que andei a cavalo, e fiquei muito dolorido. Dia sim, dia não, repetíamos o processo em nossa jornada de volta a Chota, visitando igrejas e exibindo o filme cristão em cada local. Enquanto formava um vínculo especial com Clyde, também aprendi o segredo de seu sucesso como missionário. Ele era um exemplo para os pastores locais e alunos da Escola Bíblica. Seu exemplo se tornou um modelo para meu ministério de plantação de igrejas, bem como para minhas futuras responsabilidades administrativas.
William Clyde Golliher e sua esposa, Leona, foram nomeados para trabalharem no Peru em 1952. Em poucos anos, ele se tornou diretor da missão e superintendente do Distrito do Peru. Era um administrador competente, tanto para os missionários sob sua liderança como para os pastores e alunos do Instituto Bíblico, quando se formavam e eram encarregados de uma igreja. Em 1946, a Assembleia Distrital tinha estabelecido a meta de formar igrejas autossustentáveis e orçamentos distritais.
Como superintendente distrital, Golliher trabalhou com os pastores, juntas distritais e igrejas locais para fazer disso uma realidade. Esperava-se que cada igreja local sustentasse seu pastor. Até mesmo igrejas que tinham um missionário trabalhando como pastor precisavam pagar assistência pastoral a um fundo usado para ajudar pastores necessitados e novas igrejas.
Conforme a Igreja Geral lançou programas evangelísticos, Golliher promoveu esses programas no Peru, e havia um crescimento significativo, tanto no número de novas igrejas como no progresso em direção ao autossustento em todo o distrito. À medida que o aniversário de 50 anos da abertura oficial da missão da Igreja do Nazareno no Peru se aproximava (1917-1967), planos eram feitos com os Superintendentes Gerais e a Junta Geral para indicar um pastor peruano para o cargo de superintendente do Distrito Missionário Nacional do Peru. O nome indicado como novo superintendente foi o do Rev. Espiridion Julca Cabanillas. Nessa assembleia especial, o Rev. Roger Winans voltou ao Peru para ajudar a celebrar o importante evento. Nunca me esquecerei do momento em que encontrei Roger Winans no aeroporto de Lima, nem da Assembleia Distrital de 1967. Winans juntou-se ao grupo de missionários e pastores peruanos quando o Rev. Julca tomou posse como o primeiro superintendente distrital autóctone do Peru e de toda a América do Sul.
O Rev. Golliher trabalhou junto ao novo superintendente nacional enquanto liderava o distrito.
Como diretor da missão, ele nomeou missionários para dirigir o Instituto Bíblico Nazareno e trabalhar como professores junto a vários professores peruanos capacitados. Golliher agora assumia um novo papel, usar a equipe de missionários para estender o trabalho da igreja a outras partes do país. Todas as igrejas até então estavam no litoral norte do país, na Sierra (área das montanhas andinas), na
Montaña, área a leste das montanhas, e na floresta, entre
a tribo aguaruna. Mais ao sul, havia duas pequenas igrejas perto da cidade de Chimbote, a igreja em Lima e a missão em Comas. Agora era hora de transferir missionários para plantar igrejas na capital e mais populosa cidade do Peru, Lima.
A visão de Clyde Golliher não era de apenas expandir a Igreja do Nazareno pelo território peruano, mas também expandir a igreja ao país vizinho ao norte, o Equador, onde não havia igrejas nazarenas. Para isso, o Rev. Golliher, acompanhado do Rev. Philip Torgrimson, realizou viagens exploratórias para espiar a terra. O Conselho Missionário no Peru fez uma recomendação ao Departamento de Missões Mundiais para começar a obra no Equador. Em janeiro de 1971, a Junta Geral indicou o Rev. R. Alfred Swain e sua esposa para darem início ao trabalho no Equador. A visão que o casal Swain tinha para plantar mais igrejas na área de Lima foi passada para missionários recém-designados e outros transferidos do norte do país. Esses missionários ajudaram na formação de novas igrejas e, tão logo foi possível, passaram a responsabilidade aos pastores peruanos.
Embora Clyde Golliher continuasse com a administração do Conselho Missionário, decidiu concentrar-se na obra em Lima, a maior cidade do Peru. Em 1975 havia três igrejas organizadas, três congregações e vários pontos de pregação onde novas igrejas estavam sendo estabelecidas. Na Assembleia Distrital de 1975, em Chiclayo, o dirigente e superintendente geral, Dr. Orville Jenkins, anunciou a autorização para formar o Distrito Central do Peru com sede operacional em Lima. A primeira Assembleia Distrital do novo distrito foi realizada em Lima, em fevereiro de 1976, e o Rev. Clyde Golliher foi nomeado superintendente distrital.
Na quarta Assembleia Distrital, em 1979, havia seis igrejas organizadas e treze missões. O Dr. William Greathouse, que presidiu a assembleia, aceitou a proposta da Junta Consultiva do Distrito no sentido de indicar um superintendente geral peruano. O Rev. Ernesto Lozano Padilla foi indicado e o Distrito Central do Peru se tornou um Distrito Fase 2. Isso significava que o distrito tinha de aceitar a responsabilidade pelo orçamento de todas as igrejas locais e, pelo menos, assistência salarial parcial do superintendente distrital.
O Distrito Central do Peru promoveu um treinamento de pastores e igrejas. O seminário em Chiclayo ficava 800 quilômetros ao norte e era difícil para os alunos se mudarem para lá para estudar. Em Lima, a partir de 1969, eram oferecidas aulas noturnas para preparar pastores. Em 1977, o missionário Robert Gray fundou um seminário
nazareno em Lima, tendo o Rev. Robert “Bob” Brunson29
como primeiro diretor. Em 1979, o seminário em Lima chamava-se Seminário Teológico Nazareno. Em 1980, esse seminário distrital já havia formado quatro pastores e tinha outros em fase de preparação.
Como mencionado acima, o Rev. Clyde Golliher, enquanto diretor da missão, orientava o grupo de missionários designados para outras cidades e áreas do país, especialmente para a área de Lima, na preparação e plantação de igrejas e na formação do Distrito Central do Peru. Em 1965, ele havia designado o casal Swain para implantar igrejas no distrito de Comas, em Lima.
Batizando novos convertidos no rio Rimac em Lima, 1968. Rev. Alberto Zamora e missionário Alfred Swain.
Em 1968, ele havia transferido a família Douglass de Jaén para Chimbote, cidade litorânea de meio milhão de habitantes, para formar uma nova igreja. Outros
29 Robert “Bob” Brunson e sua esposa, Norma, serviram como missionários da Igreja do Nazareno no Peru, México, Costa Rica e Líbano.
missionários foram designados para a área de Lima a fim de trabalhar com novos pastores egressos do seminário de Chiclayo ou com alunos do seminário de Lima. Em 1974, o casal Douglass voltou de sua licença nos Estados Unidos e foi designado para auxiliar na formação de igrejas em San Martin de Porras, em Lima, e outra em Callao. O Rev. Clyde Golliher continuou a servir como diretor da missão, orientando missionários em suas tarefas de abertura de novas igrejas em Lima. Ele também trabalhou em estreita colaboração com o Dr. Larry Garman na Selva. Em 1982, foi a vez do Rev. Golliher e sua esposa, Leona, retornarem para os Estados Unidos e se aposentarem, após 30 anos de serviço frutífero.