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PROBLEMAS ALIMENTARES

No documento Roger Winans Edição de R. Alfred Swain (páginas 114-117)

Supervisionando a obra

PROBLEMAS ALIMENTARES

Um dos problemas que enfrentamos foi conseguir alimento para os que dependiam diretamente da missão e encorajar outros menos dependentes a se esforçarem para produzir sua própria alimentação. Na época de nossa chegada, havia mais de setenta residentes em nosso povoado. Esse número aumentou gradualmente para quase noventa, sem considerar os trabalhadores temporários em nossos campos. Havia sete jovens casais e todos os homens frequentavam a escola, cinco deles com suas esposas. Cinco casais tinham sua própria casa, enquanto os outros dois ainda estavam lutando para se estabilizar.

Nosso professor, Francisco Kaikat, tinha uma plantação de mandioca alguns quilômetros ao sul do rio, e de vez em quando conseguia trazer alimentos de canoa. Ele também havia adquirido campos de banana e banana-da-terra na propriedade da missão, que estavam horrivelmente cobertos de ervas daninhas e mato, e por isso tinham baixa produção.

A missão era responsável por fornecer comida para cerca de quarenta estudantes, para o único obreiro peruano, Sanjinez, e para as duas famílias missionárias. Tínhamos um bom lote de mandioca em início de produção, um pequeno lote quase esgotado e vários lotes com banana e banana-da-terra um pouco cobertas de erva

daninha e mato. Havia uma porção de arroz já colhida, que descascávamos com um pilão, de tempos em tempos. Eu levava os alunos todos os dias para trabalhar nos antigos campos, às margens do rio, para fazê-los produzir de novo. Não tínhamos muitas ferramentas e usávamos tudo que podíamos encontrar. Alguns até trabalhavam somente com as mãos. Drenamos e limpamos uma área de pântano e plantamos amendoim, arroz e banana. Depois trabalhamos em cada campo e logo aumentamos a produção de banana. Colhemos uma pequena parte cultivada com batata-doce e as consumimos em pouco tempo. Após o início das aulas, os garotos trabalhavam cerca de três horas por dia apenas, mas já era uma grande ajuda.

Depois de termos avançado bastante na obra missionária, deixei Francisco Kaikat levar um grupo dos garotos mais velhos por alguns dias para retirar as ervas daninhas de suas plantações de banana e banana-da-terra. Não tivemos que esperar muito para perceber o aumento na produção de nossos campos e ter bananas e bananas- da-terra suficientes para suprir nossas necessidades. Antes de nosso arroz acabar, um peruano nos deu um pequeno lote para a colheita. Em várias ocasiões, compramos milho de nossos vizinhos, o que acrescentava variedade à nossa alimentação.

Os garotos sempre ansiavam pelo sábado, que era seu dia de folga para ir à mata buscar alimento ou visitar seus parentes. No entanto, ainda havia trabalho a ser feito, por isso eu os dividi em dois grupos, cada um com seu

capitão. Um grupo trabalhava em um sábado, e o outro no sábado seguinte. Mesmo o grupo que trabalhava no sábado normalmente terminava suas tarefas ao meio-dia e tinha a tarde livre.

Um dos redutos favoritos deles era o grande pântano, onde podiam encontrar grande variedade de iguarias para agradar o paladar de um garoto indígena. Eles cortavam as palmeiras do pântano e extraíam o palmito; deixavam o tronco por um mês ou seis semanas, e depois colhiam suculentas larvas, das quais gostavam muito. Essa palmeira era dura demais para os machados, principalmente machados afiados. Havia várias árvores frutíferas na floresta ou às margens do rio, que também contribuíam para a lista de iguarias.

Fiz questão de colher a fruta-pão que havia sido plantada perto da missão. Várias vezes os garotos trouxeram o fruto de uma palmeira domesticada de uma ilha onde havíamos plantado as árvores dez anos antes. A imensa altura que essas árvores alcançam, somada aos espinhos em seus troncos, dificultava a colheita, e os garotos imploravam pelo privilégio de cortar as árvores para colher o fruto. Temia que eles não usassem o bom senso para decidir que árvores derrubar, por isso não permiti.

O irmão Douglass e eu descartamos planos de tornar o local da missão mais permanente, incluindo a questão de construções permanentes e o cultivo da terra. Uma casa de telhado de palha com toras de médio porte pode durar três anos, e em casos extremos, quatro. Por usarem o cerne das toras de madeiras mais pesadas e uma certa folha rara para

o telhado, as casas geralmente duram de oito a dez anos. Uma construção de tijolos com telhas de cedro peruano duraria por tempo indefinido. Esperávamos que o barro no local da missão fosse adequado para a fabricação de tijolos, por isso nivelamos uma parte do terreno e erguemos um galpão para deixar os tijolos secarem.

Também pensamos que seria vantajoso ter umas cabeças de gado e usar bois para trabalhar no campo e transportar madeira e outros materiais. O gado é destrutivo para as plantações, e colocar cerca em uma região de floresta é muito difícil. Tínhamos um lote com árvores para corte que ficava um pouco isolado da área de cultivo, então decidimos derrubá-las e plantar grama. Para isso, contratamos mão-de-obra, e era minha função supervisioná-los durante parte do dia e cuidar dos garotos no tempo restante. Em nosso entusiasmo, preparamos um terreno muito grande, e como nossos trabalhadores eram temporários, nunca terminamos a clareira. No entanto, plantamos mandioca em uma parte, o que foi muito útil para a missão.

No documento Roger Winans Edição de R. Alfred Swain (páginas 114-117)