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O modelo B bidimensional

3.3 Modelos de redes idiot´ıpicas

3.3.2 O modelo B bidimensional

Antes de analisarmos a dinˆamica de redes maiores, vamos abordar o problema de dois clones interagentes [2, 4]. A evolu¸c˜ao do sistema se inicia com a introdu¸c˜ao de uma quan- tidade de ant´ıgenos, cuja concentra¸c˜ao ´e A. O ant´ıgeno ´e reconhecido pelo sistema imune provocando `a produ¸c˜ao de um primeiro conjunto de anticorpos AB1. Devido `a completeza

do repert´orio imune, estes anticorpos atuam, segundo a teoria de Jerne, como ant´ıgenos provocando a produ¸c˜ao de um segundo conjunto de anticorpos AB2. Seja a concentra¸c˜ao

da primeira popula¸c˜ao de c´elulas (AB1) ou de idi´otipos dada por x1, enquanto que a

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Figura 15 –A func¸˜ao de ativac¸˜ao definida pela equac¸˜ao (3.33). Os parˆametros usados para a simulac¸˜ao foram: p = 1, d = 0, 5, θ1= 0.1 e θ2= 10. A linha y = d/p intercepta a func¸˜ao f (h)

em dois pontos que indicam os valores dos campos estimulat´orio (L) e supressor (H).

10-3 10-2 θ1 100 θ2 102 103 h 0 0,2 0,4 0,6 0,8 f(h) y = d/p = 0,5 L H

Fonte: Resultados computacionais do trabalho.

o ant´ıgeno, enquanto que a popula¸c˜ao x2 reage com x1. A matriz que conecta as duas

popula¸c˜oes de clones ´e dada por:

  0 1 1 0   (3.36)

de maneira que os campos s˜ao: h1 = J12x2 = x2 e h2 = J21x1 = x1. Quando o ant´ıgeno

est´a presente no sistema com uma concentra¸c˜ao A, o campo experimentado por x1 ´e

levemente modificado. Neste caso temos:

h1 = x2+ J1,AA (3.37)

onde o termo J1,AA determina a intera¸c˜ao entre o conjunto de c´elulas AB1 e de ant´ıgenos.

Consideramos que o ant´ıgeno ´e eliminado pela a¸c˜ao dos anticorpos x1. Dessa forma a

taxa de elimini¸c˜ao de A ´e descrita, matematicamente, por:

dA

dt = −kAx1 (3.38)

onde k ´e uma constante. Vamos analisar o comportamento do sistema ap´os um dado transiente, de maneira que a popula¸c˜ao de ant´ıgenos j´a tenha sido erradicada atrav´es da a¸c˜ao de x1. Assim, o sistema de equa¸c˜oes que determina a intera¸c˜ao entre as duas

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popula¸c˜oes de clones pode ser obtida a partir de (3.31) tornando-se:

dx1

dt = m + x1[pf (h1) − d] (3.39)

dx2

dt = m + x2[pf (h2) − d] (3.40)

onde h1 = x2, neste caso.

Figura 16 – Is´oclinas ˙x1 = 0 e ˙x2 = 0. As curvas mostram os cinco pontos de equil´ıbrio,

determinados pela intesecc¸˜ao das duas is´oclinas. Os parˆametros usados para a simulac¸˜ao foram: m = 0, 000001, p = 1, d = 0, 5, θ1= 0, 001 e θ2= 0, 1.

Fonte: Resultados computacionais do trabalho.

Os pontos fixos do sistema, que determinam os atratores do mesmo, podem ser obti- dos atrav´es da condi¸c˜ao ˙x1 = ˙x2 = 0. Podemos tamb´em verificar a estabilidade de cada

um deles calculando a chamada matriz Jacobiana e, posteriormente, analisando algumas quantidades matem´aticas como o tra¸co e o determinante da matriz (para maiores detalhes veja o Apˆendice A). Verifica-se que as duas is´oclinas, ˙x1 = 0 e ˙x2 = 0, interceptam ou

cruzam cinco pontos em comum (veja figura 16), sendo que apenas trˆes deles s˜ao est´aveis. Assim, dependendo do valor do campo hi, existem trˆes pontos de equil´ıbrio diferentes

que correspondem aos estados: virgem, imune e tolerante. Tais estados ou configura¸c˜oes aparecem em diversos modelos imunol´ogicos conforme podemos notar nas seguintes re- ferˆencias [102, 103, 104, 105]. A seguir analisamos como cada uma das configura¸c˜oes ´e obtida.

1. Estado virgem: Este primeiro estado ´e caracterizado pelo influxo normal de c´elulas da medula ´ossea e ´e obtido quando o valor de f (h) ´e muito pequeno, de maneira

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que pf (h) ≪ 1. Com esta aproxima¸c˜ao obtemos:

0 = m − x1d ⇒ x1 = m/d = x2 (3.41)

2. Estado imune: Se observarmos as curvas y = f (h) e y = d/p na figura 15 iremos notar que elas se cruzam duas vezes, uma em cada lado do m´aximo da curva f (h). O primeiro cruzamento acontece antes do valor m´aximo (3.35), na regi˜ao estimulat´oria de f (h), em um ponto chamado de campo estimulat´orio L (pois para valores acima de L a taxa de prolifera¸c˜ao ´e maior), enquanto que o segundo cruzamento acontece na regi˜ao supressora em um ponto chamado campo supressor H (desde que valo- res acima de H diminuem a prolifera¸c˜ao). Estes dois pontos correspondem a dois poss´ıveis estados de equil´ıbrio para cada clone. Note, contudo, que estes estados s´o s˜ao poss´ıveis se considerarmos o limite m ≈ 0 (se m fosse pequeno, mas diferente de zero, os estados estacion´arios teriam valores um pouco abaixo dos dois pontos de interse¸c˜ao). Tal aproxima¸c˜ao ´e biologicamente plaus´ıvel, desde que o n´umero de c´elulas fornecidas pela medula ´ossea para cada clone ´e muito menor comparado ao n´umero gerado pela prolifera¸c˜ao de um clone estimulado [4]. Neste limite de m ≈ 0, as solu¸c˜oes estacion´arias s˜ao obtidas a partir da resolu¸c˜ao do seguinte sistema de equa¸c˜oes:

x1[pf (h1) − d] = 0 (3.42)

x2[pf (h2) − d] = 0 (3.43)

de maneira que a solu¸c˜ao ´e f (h1) = f (h2) = d/p.

O estado imune ´e caracterizado por uma alta concentra¸c˜ao de clones x1 que, con-

sequentemente, gera um grande campo supressor para x2. Este estado estacion´ario

est´avel ocorre quando x1 experimenta um baixo campo estimulat´orio L conforme

notamos na figura 17. O tamanho das popula¸c˜oes x1 e x2, no estado estacion´ario,

podem ser calculadas atrav´es das seguintes aproxima¸c˜oes:

f (h ≪ 1) ≈ θ h 1+ h (3.44) f (h ≫ 1) ≈ θ θ2 2+ h (3.45) substituindo (3.44) e (3.45) em (3.42) e (3.43), respectivamente, obtemos:

x1 = H = (p − d)θ2

d (3.46)

x2 = L = 1

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Figura 17 – Resposta imune induzida pela introduc¸˜ao de ant´ıgenos ao sistema levando o mesmo ao atrator imune. Os parˆametros utilizados para a simulac¸˜ao foram: m = 0, 0005,

d = 0, 5, A = 1, θ1= 0, 025, θ2= 40 e x1= x2= m/d = 0, 001 Vemos que o tamanho da populac¸˜ao

clonal x1 na configurac¸˜ao imune ´e elevado e seu valor ´e aproximadamente dado por H = 40

(3.46), que ´e sustentado atrav´es da interac¸˜ao com x2 que se encontra num n´ıvel menor

(L = 0, 025 (3.47)). 0 50 100 150 200 Tempo (dias) 10-4 10-3 10-2 10-1 100 101 102 103 104 Concentração populacional Concentração de x1 Concentração de x2 Concentração de A

Fonte: Resultados computacionais do trabalho.

O motivo do atrator em quest˜ao ser chamado de imune ´e que durante uma segunda infec¸c˜ao o sistema responde com mais efic´acia, eliminando a popula¸c˜ao antigˆenica com mais rapidez. Esta ´e uma caracter´ıstica do sistema imunit´ario que est´a presente em alguns modelos matem´aticos b´asicos da resposta imune [45]. A raz˜ao para esta maior eficiˆencia na resposta imune reside no fato da popula¸c˜ao de clones x1,

que reconhece o ant´ıgeno, se encontrar num n´ıvel mais elevado que `aquele quando o sistema se encontra no estado virgem. Note que esta elevada concentra¸c˜ao ´e mantida mesmo na ausˆencia de ant´ıgenos. Na figura 17 verificamos que o sistema evolui do estado virgem (x1 = x2 = m/d) para o estado imune, isto significa que

uma mem´oria advinda da resposta original ´e mantida pelo acoplamento entre x1

e x2. Al´em disso, sabe-se que a existˆencia destes clones n˜ao ´e duradoura, assim o

fenˆomeno de mem´oria s´o pode existir devido `a intera¸c˜oes idiot´ıpicas na rede [46]. Analisando a estabilidade linear verificamos que a concentra¸c˜ao de clones oscila em torno do ponto de equil´ıbrio, tais oscila¸c˜oes s˜ao amortecidas indicando que o sistema converge para o atrator imune. Este ponto de equil´ıbrio ´e chamado de foco est´avel (ver apˆendice A).

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Figura 18 –Resultado para o modelo de dois clones quando o sistema evolui para o atrator tolerante. Os parˆametros utilizados para a simulac¸˜ao s˜ao os mesmos que os da figura 17, ex- ceto a concentrac¸˜ao inicial de ant´ıgenos que, neste caso, ´e dada por A = 20. Diferentemente da configurac¸˜ao imune, aqui a populac¸˜ao x2 ´e elevada (H) e ´e sustentada pela populac¸˜ao

clonal X1 dada por L.

0 50 100 150 200 Tempo (dias) 10-4 10-3 10-2 10-1 100 101 102 103 104 Concentração populacional Concentração de x1 Concentração de x2 Concentração de A

Fonte: Resultados computacionais do trabalho.

3. Estado tolerante: o ´ultimo estado de equil´ıbrio ´e alcan¸cado quando a popula¸c˜ao de clones x1, diferentemente do caso anterior, experimenta um campo supressor

originado pela alta concentra¸c˜ao de clones x2 (ver figura 18). Nesta configura¸c˜ao, x1 tem uma baixo n´ıvel populacional L, enquanto que x2 converge para o valor H. Tal atrator ´e denominado tolerante porque se houver uma segunda infec¸c˜ao a

popula¸c˜ao de c´elulas AB1 n˜ao ser´a capaz de conter a infec¸c˜ao, desde que a mesma

encontra-se suprimida pela popula¸c˜ao de clones x2, de maneira que a concentra¸c˜ao

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Cap´ıtulo 4

Resultados - parte 1

No presente cap´ıtulo discorremos a respeito dos resultados para um modelo de redes idiot´ıpicas onde investigamos a dinˆamica de c´elulas B. Na primeira se¸c˜ao (4.1) apre- sentamos o nosso modelo com suas respectivas caracter´ısticas e consideramos dois tipos de topologias diferentes: o grafo aleat´orio e a rede livre de escala, que foram bem des- critas na se¸c˜ao (3.1). Ainda na mesma se¸c˜ao fazemos um breve coment´ario a respeito dos parˆametros utilizados para as simula¸c˜oes e tamb´em sobre algumas propriedades to- pol´ogicas das redes utilizadas. Posteriormente, na se¸c˜ao seguinte (4.2), discutimos a respeito da resposta imune do sistema quando o ant´ıgeno ´e anexado a nodos de diferentes conectividades e, por fim, na se¸c˜ao (4.3) analisamos o comportamento global da dinˆamica da rede imune.