3.4 Roger Garrison e o modelo de estrutura do capital
3.4.4 O modelo de Garrison de ciclos econômicos
Para facilitar a identificação dos desequilíbrios do modelo de ciclo de Garrison, é preciso, primeiro, entender como seria a dinâmica de um crescimento genuíno, fundamentado no aumento da poupança. Garrison, ao analisar o processo de crescimento econômico genuíno, dada a relação da preferência temporal dos agentes com o nível de poupança, adapta
para isso o pensamento clássico de Robert Heilein, segundo o qual “não existe almoço grátis”.
Desse modo, Garrison argumenta que o crescimento também não o seria. “[…] Free growth is not available for the asking, either […]” (GARRISON, 2005, p. 480). Dessa maneira, tem-se a relevância do papel do trade off entre consumo presente e consumo futuro, e o nível de poupança a isso relacionado, para uma dinâmica de crescimento econômico. Então, surge a hipótese de que, diante desse dilema, em uma situação de crescimento genuíno, os agentes optariam pelo segundo termo, passando a poupar mais e consumir menos no presente. Essa alteração na preferência dos agentes acarretaria na redução da produção de bens de consumo.
Assim, os recursos liberados por essa queda nos estágios finais da produção, poderiam ser realocados para os estágios iniciais. Em seguida, a então alterada estrutura do capital começaria a produzir, em uma taxa maior, bens consumíveis. Além de se atingir o nível inicial de produção, ter-se-ia a continuidade desse crescimento para além desse patamar nos períodos posteriores. Assim, pode-se dizer que o modelo austríaco descreve um mercado capaz de ajustar as atividades de produção intertemporais às preferências de consumo intertemporais. (GARRISON; 2005)
Assim, Garrison explana que uma dinâmica de expansão econômica fundamentada em um inicial aumento da poupança não exige correção. No entanto, as expansões econômicas nem sempre se fundamentam em um aumento genuíno dos recursos disponíveis para empréstimo, de modo que tais expansões são caracterizadas como insustentáveis e exigem uma correção, caracterizando uma dinâmica de um ciclo econômico. Assim, a teoria austríaca de ciclos econômicos estrutura-se em um modelo de boom e burst, no qual o elemento causador desse processo cíclico é uma diminuição artificial da taxa de juros, influenciada por forças externas ao mercado. O grande problema surge a partir do ponto que essa taxa de juros artificial acarreta uma má alocação temporal dos recursos ao longo da estrutura de produção, dado um desequilíbrio entre poupança e investimento. Com o passar do tempo, as forças corretivas do mercado tendem a eliminar os desequilíbrios, e para isso transforma-se o boom em burst. (GARRISON; 2005)
O modelo que descreve o ciclo austríaco, evidenciado na figura J, tem início em uma situação sem crescimento, mas em equilíbrio intertemporal. A taxa de juros 𝑖𝑒𝑞, equilibrada pelas funções de oferta de fundos e demanda por crédito, equivale ao seu valor natural. Isso corresponde ao ponto inicial sobre a curva FPP, indicando uma situação de pleno emprego, investimento I equilibrado com nível de poupança S, e o consumo equivalente a essa dinâmica. Esse consumo é refletido no triangulo hayekiano que estabelece a dinâmica da estrutura produtiva. (GARRISON; 2005)
Gráfico J: O ciclo austríaco de boom e burst
Fonte: Garrison (2005)
Garrisson (2005), discorre que, nesse contexto de equilíbrio, surge, então, uma interferência externa sobre o mercado de crédito que desencadeará a expansão. Isso ocorre quando o banco central adota uma meta para taxa de juros inferior ao que seria a taxa natural.
Essa meta é atingida aumentando-se a oferta de fundos disponíveis para empréstimo por meio de “crédito recém criado”, o que é expresso na figura J pela nova função de oferta de fundos com a expansão de crédito. O banco central pode fazer isso ao comprar um volume de títulos suficiente para reduzir a taxa básica ao seu valor alvo, e consequentemente, a taxa de mercado a acompanha. Além disso, outro modo de realizar essa expansão seria pela diminuição nas exigências de reservas dos sistema financeiro. No fim das contas, todos esses processos são meios de criar dinheiro para ser emprestado, e por isso, impactam a taxa de juros. Assim, a maior oferta de fundos disponíveis para empréstimos causa uma diminuição na taxa de juros de 𝐼𝑒𝑞 para 𝐼´. Essa taxa de juros artificial 𝐼´ imita as características que o mercado de crédito teria em uma expansão genuína, porém o necessário aumento da poupança não está presente para lastrear a expansão. Logo, essa expansão artificial de crédito cria um desequilíbrio duplo entre a poupança e o investimento. A taxa de juros artificialmente baixa estimula os investidores a tomarem empréstimos para investir, acarretando no deslocamento dos
tomadores ao longo da curva de demanda por empréstimo. Enquanto isso, essa menor taxa de juros diminui o incentivo de se poupar, então, ocorre o deslocamento dos poupadores ao longo da curva inalterada de poupança. Por um lado os poupadores poupam menos, enquanto por outro, os tomadores aumentam seu nível de empréstimos. O desequilíbrio pode ser identificado pela distância horizontal entre os novos pontos de poupança e investimento, no entanto, o autor pondera que essa discrepância é ocultada enquanto forem realizadas novas injeções artificiais de crédito.
O ciclo econômico austríaco, como já foi visto, é causado por uma expansão artificial de crédito. Assim, pode-se destacar a conexão entre o modelo composto da estrutura produtiva de Garrison e a análise monetária da expansão feita por Mises, descritos até então nesta pesquisa. São dois modelos que abordam o mesmo processo, com focos diferentes, e uma vez analisados em conjunto permitem um estudo mais completo de todos os espectros do ciclo austríaco, e por isso os dois foram apresentados neste estudo e agora podem ser conectados. Assim, a compatibilização entre os modelos pode ser feita ao analisar que a taxa natural de juros no modelo de Garrison desempenha o mesmo papel que a taxa bruta de juros no modelo de Mises, desde que essa taxa bruta esteja em uma situação de coordenação com a taxa de juros originária e, portanto, com as preferências temporais dos agentes. Então, a expansão de meios fiduciários descrita por Mises, impactaria na maior oferta de crédito, reduzindo-se artificialmente (sem alteração na preferência temporal) a taxa de juros de mercado, e o problema seria identificado pela diminuição da taxa bruta sem uma correspondente variação da originária. A mesma ideia é descrita por Garrison, uma vez que a expansão artificial, com fundos disponíveis para empréstimo além da poupança, desloca a taxa de juros de seu valor natural, passando a assumir um valor descoordenado com a preferência temporal dos agentes. Sem contar que ambos os modelos reafirmam que a continuada expansão artificial de crédito, esconde e reforça o desequilíbrio, além de várias outras semelhanças, uma vez que o trabalho de Mises serviu de base para Garrison. Assim, toda a análise detalhada feita por Mises acerca do mercado monetário, que foi apresentada anteriormente nesta pesquisa, encaixa-se ao modelo de Garrison, com destaque para seu papel no evento da expansão artificial do crédito.
Diante desse desequilíbrio no mercado de crédito, tem-se a repercussão disso no gráfico da FPP na figura J. As posições relativas aos níveis de poupança e investimento no mercado de crédito são projetadas sobre a FPP, então, estabelecem-se dois pontos limites referentes ao consumo e investimento. Como já foi descrito, a taxa de juros artificialmente baixa impacta na diminuição da poupança, o que corresponde a um aumento no consumo,
enquanto que, ao mesmo tempo, essa diminuição dos juros estimula o investimento. Assim, a taxa de juros artificial cria um cabo de guerra entre consumidores e os investidores.
Graficamente, a atividade dos consumidores exerce uma força vertical para cima, na direção do aumento do consumo, e se essa dinâmica prevalecesse, tenderia a deslocar o ponto característico do estado da economia no sentido anti-horário ao longo da FPP até o ponto de limite dos consumidores. Por outro lado, a atuação dos investidores exerce uma força horizontal para a direita, no sentido do aumento do investimento, e se essa prevalecesse o movimento desse ponto na FPP seria horário até o ponto de limite dos investidores. Como essas forças de poupança e investimento atuam com um ângulo reto entre si, tem-se que a combinação entre elas corresponde a uma tendência de deslocamento diagonal do ponto referente ao estado da economia para além da FPP, na direção de um ponto virtual, correspondente à projeção dos dois pontos de limite. Assim, uma vez que a FPP se caracteriza pelas combinações sustentáveis de poupança e investimento, o deslocamento para um ponto além dela pode acontecer, mas apenas por algum tempo. Isso acontece porque os recursos reais de uma economia são restritos e isso não permitirá que o ponto virtual seja atingido e que ele seja sustentado. (GARRISON; 2005)
É importante destacar que a FPP não desloca com esse aumento do investimento nos estágios iniciais. Isso não acontece justamente porque uma possível expansão da FPP não ocorre de maneira imediata, para isso seria necessária a passagem de tempo para que a taxa maior de produção nos estágios iniciais se propague pelos demais estágios. Porém com o cabo de guerra existente na estrutura produtiva em uma situação de expansão artificial, a reversão ocorre antes que esse tempo se passe e a maior produção se propague entre os estágios. Desse modo, forças atuam como obstáculo a essa dinâmica, uma vez que nos vértices do nos triangulo hayekiano estabelecem-se forças que drenam recursos em direções opostas, como será detalhado na análise do triângulo hayekiano num contexto de ciclo, a seguir. Assim, ocorre um aprofundamento da hipotenusa em sua metade, não permitindo a continuidade entre os estágios, a qual proporcionaria uma maior taxa de crescimento geral e a expansão da FPP com o tempo. Porém com a desconexão do triângulo, a expansão da FPP não ocorre.
A figura K detalha o processo de expansão para além da FPP e sua seguida contração, permitindo o rastreamento dos ajustes por etapas numeradas em termos temporais. O ponto 1, corresponde a situação na qual a economia está passando tanto pelo processo de consumo excessivo, quanto pelo de investimento excessivo, ocasionando o deslocamento para além da FPP e em direção ao ponto virtual. No entanto, a escassez de recursos reais tende a limitar esse processo, até que se atinge uma situação na qual o consumo para de crescer. Desse modo,
o consumo excessivo máximo é identificado no ponto 2, no qual a baixa taxa de juros, por sua vez, continua a estimular o investimento. (GARRISSON; 2004)
Gráfico K: Detalhamento das etapas do boom e bust
Fonte: Garrison (2004)
Garrison, em seguida, destaca que o desequilíbrio no mercado de crédito e o cabo de guerra na FPP manifestam-se na estrutura produtiva, alterando o triângulo hayekiano ao formar o que o autor chamou de triângulos desconexos. Em uma expansão genuína de crédito, lastreada em um aumento da poupança, os dois efeitos, o da demanda e o do desconto temporal, atuam de maneira coordenada ao realocar os recursos dos estágios finais da estrutura produtiva para os iniciais. No entanto, em uma expansão artificial, não existe coordenação entre esses dois efeitos, pelo contrário, eles atuam em sentidos opostos. Como apresentado nas figuras J e L, o efeito do desconto temporal surge, diante de uma taxa de juros artificialmente baixa, atuando sobre os estágios iniciais da produção, onde esse efeito é mais intenso. Esse efeito atrai recursos para projetos de longo prazo, incentiva o desenvolvimento de produtos, a criação de bens duráveis de capital e outros elementos voltados para o ganho futuro. Então, essa alocação excessiva de recursos, nos estágios iniciais, em projetos de longo prazo, é caracterizada por Garrison como “malinvestiment” ou
“missalocation”, uma que isso não está em coordenação com as preferências temporais dos agentes. (GARRISSON; 2004)
Em contrapartida, pode surgir o questionamento de porque os malinvestment/missalocation ocorrem quando a taxa de juros é deslocada artificialmente, mas não quando o é naturalmente. Assim, destacando-se um hipotético cenário de alteração na preferência temporal dos agentes, com diminuição no nível de poupança e aumento do consumo deslocaria a função poupança para a esquerda, elevando a taxa natural de juros. O investimento cairia, porque com a taxa de juros mais elevada, investimentos que, à taxa de
juros anterior eram rentáveis, deixariam de sê-lo com a taxa de juros mais alta. Alguns desses investimentos, que à luz da nova taxa de juros, não conseguiriam se adaptar e sobreviver no mercado, de fato, tenderiam a desaparecer e seus recursos seriam realocados para os demais estágios da estrutura produtiva. Porém esse processo não poderia ser chamado de missalocation/malinvestment, pois o conceito de malinvestment/missalocation não está relacionado apenas à viabilidade financeira de um empreendimento, mas sim, primeiramente, se a existência desse empreendimento é compatível com a preferência temporal dos agentes, e se sua execução foi induzida/ampliada erroneamente por um desequilíbrio na taxa de juros.
Nessa hipótese da diminuição do nível de poupança, o empreendimento estava inicialmente em compatibilidade com esses fatores de equilíbrio, e ele apenas reage a uma alteração genuína no nível de poupança e da taxa de juros, não a um fator indutor errôneo, ou seja, ele se torna apenas economicamente inviável, não atuaram sobre ele forças que distorcem as tomadas de decisões induzindo-o ao erro.
Gráfico L: A dinâmica da expansão de crédito
Fonte: Garrison (2004)
Pode-se, então, destacar o reforço que a definição de malinvestiment de Garrison faz ao que foi apresentado por Mises acerca do papel de guia empresarial da taxa de juros. Mises argumenta que, em um contexto de expansão dos meios fiduciários, ocorre perda da função de guia da taxa de juros para a atividade empresarial, levando-os a realizar investimentos descoordenados com a preferência temporal dos agentes. Enquanto Garrison fala o mesmo ao dizer que uma expansão artificial do crédito acarreta num processo de missalocation. A diferença é o detalhamento que Garrison faz da estrutura produtiva.
Já o efeito da demanda na estrutura de produção, atua também atraindo recursos, porém na direção oposta, para os estágios finais da estrutura produtiva, onde esse efeito é mais intenso, para, assim, atender ao aumento da demanda por bens consumíveis. Essas forças
opostas esticam o triangulo hayekiano por suas extremidades, causando o declínio relativo e, em alguns casos, até absoluto de certos dos estágios intermediários, graças à limitação real de recursos. Assim, estabelecem-se os triângulos desconexos, relativos aos estágios finais em ralação aos iniciais. Tem-se, então, que esse nível de produção, baseado nessa uma estrutura desequilibrada é insustentável no longo prazo. (GARRISSON; 2005)
Mais uma vez é importante destacar a hipotética situação de crescimento genuíno, lastreado em um aumento no nível de poupança, na qual a alteração na preferência temporal dos agentes faria com que o triângulo hayekyano se modificasse. Isso ocorreria da seguinte forma, diminuindo-se a altura do triângulo, graças à diminuição do consumo, que desestimularia o investimento nos estágios próximos ao consumo final. Além disso, a menor taxa de juros, diante do aumento da poupança, estimularia os investimentos nos primeiros estágios, alargando a base desse triângulo de maneira coordenada, graças à relocação de recursos para esses estágios, o que possibilitaria o surgimento de novos estágios de produção ainda mais distantes do consumo final. Desse modo, ter-se-ia o aumento da capacidade da economia de produzir bens para o futuro. Com a passagem do tempo, o fluxo de mercadoria pelos estágios da nova estrutura produtiva implicaria numa taxa crescimento positiva e continuada, com aumento do nível de produção consumível. Isso graças ao nível de poupança maior que a depreciação do capital. Assim, esse crescimento seria expresso pela expansão da estrutura produtiva, com novos triângulos hayekianos, correspondentes aos períodos seguintes, com relação de semelhança ao anterior. Por fim, é fundamental destacar que o nível de produção consumível ao final seria maior que o inicial, e que a estrutura produtiva passaria a ter uma estrutura intertemporal também maior. (GARRISON; 2005)
Para que se possam entender os desequilíbrios no mercado de trabalho durante uma expansão artificial, também é preciso, antes, saber como ele deveria funcionar numa situação de equilíbrio com crescimento genuíno. Schaffer (2017) discute que nessa situação, dado um hipotético aumento do nível de poupança, tem-se que, nos estágios iniciais da estrutura produtiva, ocorreria um aumento do investimento, implicando no crescimento da demanda por mão de obra e acarretando num aumento inicial nos níveis de salário e emprego nesses estágios. Por outro lado, como o consumo tenderia a diminuir, dada a alteração na preferência temporal dos agentes, diminuir-se-ia a demanda por mão de obra nos estágios finais da estrutura produtiva, fazendo com que os níveis de salários e de emprego diminuíssem. Com o passar do tempo ocorreria uma realocação da mão de obra, uma vez que alguns trabalhadores, que iriam abandonando os estágios finais, seriam absorvidos nos mercados de trabalho dos estágios iniciais. Sem contar que outros trabalhadores realizariam esse mesmo
movimento ao serem atraídos pelos salários maiores. A diminuição da oferta de mão de obra nos estágios finais faria com que os salários tendessem a aumentar nesses estágios. Enquanto isso, o aumento da oferta de mão de obra nos estágios iniciais, tenderia a diminuir os salários nesses estágios. Assim, ao final do processo ter-se-ia uma tendência de equilíbrio de longo prazo entre os níveis de salário das diversas etapas, com a exceção das recém-criadas.
Schaffer (2017) por outro lado, ao tratar de uma expansão artificial, argumenta que essa situação de aumento dos fundos disponíveis para empréstimo, por meio de uma expansão monetária, fará com que a dinâmica do mercado de trabalho reaja de modo diferente daquele processo relacionado a um cenário genuíno de alteração nas preferências temporais. Com uma diminuição artificial da taxa de juros, sem uma correspondente alteração nas preferências temporais, têm-se os processos de investimento e consumo excessivo atuando ao mesmo tempo, sem que um compense o outro, portanto, espera-se um aumento dos níveis de emprego tanto nos estágios iniciais da produção quanto nos finais simultaneamente. Nessa dinâmica, como ambos os estágios estão aquecidos, em termos de demanda por essa mão de obra, não ocorre a realocação de mão de obra dos estágios de produção que deveriam estar menos aquecidos (finais) para os mais aquecidos (inicias). Assim, não acontece o posterior balanceamento nos níveis de salários entre os estágios, uma vez que não ocorre a coordenação entre oferta e demanda por mão de obra entre os estágios, fazendo com que os salários tendam a crescer nos dois estágios. Assim, os recursos são realocados dos estágios intermediários, ou de uma posição ociosa, em direção aos estágios finais e iniciais da estrutura de produção, aumentando-se nesses o emprego e/ou os salários, reduzindo a atividade nos estágios intermediários (aprofundando a hipotenusa do triângulo em seu ponto médio) e criando uma desconexão na estrutura produtiva que tende em direção ao colapso.
Desse modo, tem-se a caracterização do desequilíbrio no mercado de trabalho, uma vez que os níveis de salário e emprego, ao longo da estrutura produtiva, são incompatíveis com a preferência temporal dos agentes e, portanto, com a poupança. Isso poderia ser exemplificado com o excesso de demanda por mão de obra nos estágios finais, que não deveria existir, inicialmente, para que se pudesse compensar o aumento da demanda por mão de obra nos estágios iniciais com o remanejamento de mão de obra entre os estágios. Esse desequilíbrio, que estava implícito com o ponto referente ao estado da economia além da FPP, torna-se explícito com essa descrição das respostas descoordenadas dos mercados de trabalho das etapas iniciais e finais da estrutura produtiva. Isso ocorre, pois, mesmo sem um aumento da capacidade produtiva geral, ambos os mercados aquecem-se, simultaneamente em um momento inicial, sem que um compense o movimento do outro, como ocorre na hipótese de