1. INTRODUÇÃO
2.3 O Multilinguismo e a Teoria dos Sistemas Dinâmicos: uma interface
O estudo do multilinguismo tem origem na Europa (CENOZ, 2001; BLANK, 2013), onde
muitas comunidades possuem mais de uma língua ou mais de um dialeto e as crianças são
expostas, desde cedo, a diversas línguas em casa e na comunidade, seja na escola ou fora dela.
Em estados como a Catalunha, onde o catalão e o espanhol são considerados línguas oficiais, por
exemplo, pode-se encontrar um exemplo de multilinguismo quando os cidadãos espanhóis
decidem, frequentemente, estudar uma terceira língua, como o inglês. Na Bélgica, tal situação
também é facilmente encontrada, uma vez que tal país insere o cenário multilinguístico composto
pelo francês, o holandês e, também, o alemão, em algumas áreas. Esses cidadãos, já bilíngues
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por nascimento, podem vir a tornarem-se multilíngues ao aprender uma língua adicional como o
inglês.
Quanto ao cenário brasileiro, o português e a LIBRAS constituem as línguas oficiais; no
entanto, diversas pesquisas mostram que essas não são as únicas línguas usadas no Brasil
(LEITE; FRANCHETTO, 2008; BILLIG, 2014; BLANK; ZIMMER, 2014). É de conhecimento
geral o extenso território em que vivem os brasileiros e (descendentes de) imigrantes, bem como
as diversas comunidades bilíngues ou multilíngues que aqui residem. Além desses grupos, há
ainda as comunidades indígenas que trazem outras línguas e dialetos. Nesse sentido, o Brasil é
um típico exemplo para investigações de aquisição bilíngue e multilíngue, mas tal prática é
pouco exercida, pois, entre os brasileiros, ainda lidera o pensamento de língua única.
Apesar da existência de alguns trabalhos, como os de Blank (2008, 2013), que investigam
transferências grafo-fônico-fonológicas no trilinguismo, o de Brito (2011), que mostra o
desenvolvimento de um modelo teórico em estudos de produção de fala em L3, e o de Silva
(2013), que pesquisa sobre a aquisição da língua inglesa como L3 por falantes surdos brasileiros
que possuem o português e LIBRAS, o campo do multililinguismo é pouco estudado no Brasil, e,
quando é, dá-se pouca ênfase ao aprendizado fonético-fonológico multilíngue. Há diversas
lacunas no âmbito da aquisição fonético-fonológica trilíngue. Ainda está na sua infância o campo
que estuda a influência que uma língua exerce sobre a outra, e tampouco há muitos estudos sobre
as diversas direções que essa influência toma com referência ao campo fonético e fonológico,
com exceção dos trabalhos de Blank (2008, 2013) e de Pompeu (2010), que tratam dos efeitos de
uma língua sobre a outra na esfera trilíngue.
Cenoz (2000, 2001), em consonância com a noção mencionada acima, afirma que uma
área de pesquisa que precisa de mais atenção na aquisição multilíngue é a influência entre as
línguas. Mesmo que a autora apresente um grande número de estudos que pontuam a
interdependência entre línguas envolvidas na aquisição
7multilíngue, mais estudos nessa área são
necessários, a fim de se especificar a natureza da relação entre essas línguas e a maneira como a
aquisição multilíngue é afetada nos estágios distintos. Segunda a autora, mais pesquisas em
interdependência multidirecional entre as línguas envolvidas na aquisição multilíngue e nas áreas
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