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2 REDES SOCIAIS VIRTUAIS

2.1.1 O nascimento da rede mundial de computadores

A ideia da internet surgiu em centros de pesquisa militares nos EUA, passou por um período de incubação em instituições acadêmicas e depois chegou ao uso cotidiano.

Segundo Ercilia e Graeff (2008) em 1962, no auge da Guerra Fria, foi lançada a semente para a formação da internet, ou seja, naquele ano começou a pesquisa para uma rede de computadores que ligasse pontos considerados de interesse estratégico para o país, como bases militares, centros de tecnologia e instituições acadêmicas. Os estudos

foram conduzidos pela Rand Corporation6, uma organização ligada ao governo norte-americano. Uma das premissas da rede era não possuir um comando centralizado, de modo que a perda de uma parte da rede não impactaria o funcionamento dos pontos não atingidos diretamente pelo problema. Todos os pontos teriam a mesma importância e os dados poderiam trafegar por vários caminhos para chegar a seu destino. Era uma forma de garantir a manutenção das comunicações mesmo em situações extremas, como uma guerra.

Siqueira (2008) expõe que em 1969 foi inaugurada a primeira versão da rede, a Arpanet (de Advanced Research Projects Agency Network, ou Rede de Agência de Projetos de Pesquisa Avançada). De acordo com Lima (2000), este projeto surgiu como resposta do governo americano ao lançamento do Sputnik pela ex-União Soviética.

Segundo Cidral (2008) ela foi criada com o objetivo de possibilitar a existência de vários computadores interconectados globalmente, no qual todos poderiam acessar dados e programas de qualquer local rapidamente, e logo teve sua ideia incorporada aos projetos da Agência de Pesquisas Avançadas (ARPA), nos Estados Unidos da América. Esta, por sua vez, desenvolveu em consórcio com as principais universidades e centros de pesquisas, a Arpanet (Advanced Research and Projects Agency Network), uma rede de longa distância que tinha como objetivo específico averiguar a utilidade desta para fins militares. A Arpanet é conhecida como a mãe da Internet atual e foi financiada pelo governo Norte-Americano durante o período da Guerra Fria, pois na época havia receio de um ataque soviético.

Pensando em desenvolver uma rede de comunicações mais segura, Cidral (2008) ensina que foi usado um esquema de ligações subterrâneas, que conectava militares e pesquisadores sem ter um centro definido ou mesmo uma rota única para as informações, deixando assim mais protegidas as informações.

Conforme Siqueira (2008) sua implantação visava à preservação dos maiores bancos de dados e do próprio conhecimento científico acumulado e armazenado nas maiores universidades, laboratórios e centros de pesquisas dos Estados Unidos, ameaçados de destruição total na hipótese de um conflito nuclear com a antiga União Soviética.

No entanto, continua Siqueira (2008), a incompatibilidade na comunicação entre computadores de diferentes marcas e arquiteturas se mostrou uma grande dificuldade para o avanço da internet. No final dos

anos 70, a rede havia crescido muito e o seu protocolo de comunicação original, chamado de Network Control Protocol (NCP), já não suportava tanto tráfego de informações. Em 1973, quando Vinton Cerf e Robert Kahn criaram o protocolo TCP-IP (de transport, control, protocol/internet protocol), a comunicação entre computadores de arquiteturas diferentes tornou-se possível.

Para Ercilia e Graeff (2008) esse protocolo é uma coleção de instruções que diz aos computadores conectados à Internet como as informações devem ser trocadas para que os outros computadores possam “entendê-las”. É como se fosse a língua falada por todos os computadores que fazem parte da rede.

Na prática, os protocolos são responsáveis pela transmissão das informações aos diversos usuários da rede e como explica Baddini (2003, p. 29):

Em qualquer comunicação, é necessário que os envolvidos conheçam uma linguagem comum, seja um idioma ou uma linguagem de sinais; algum tipo de padrão deve existir para que a comunicação ocorra. O protocolo exerce exatamente esse papel na comunicação de dados. Ele é o “idioma” da comunicação de dados, um padrão bem definido, detalhando os bits e bytes trocados entre dois computadores, sempre com o objetivo de trocar informação digital.

No caso do novo protocolo que passou a ser utilizado, Campos et al (2003, p. 17) explica que:

O protocolo TCP/IP (Transmission Control Protocol/Internet Protocol) é o programa básico da internet. O Transmission Control Protocol gerencia o empacotamento de dados dentro dos pacotes que são enviados de diferentes caminhos sobre a internet e reunidos nos seus destinos. O protocolo da internet manuseia a parte do endereço de cada pacote de dados de forma tal que ele é encaminhado à destinação correta. Na realização das comunicações entre computadores, Cidral (2008) explica que a ordem de chegada dos pacotes ao destino nem sempre segue a sequência na qual a informação foi dividida, podendo

ocorrer que esses pacotes cheguem ao destino, sem qualquer ordem, muitos inclusive, com erros ou até mesmo nem chegando. Para solucionar este problema, o protocolo TCP/IP faz a enumeração dos pacotes. A forma de transmissão dos pacotes é explicada por Campos et al. (2003, p. 18):

Para transmitir dados por meio do TCP/IP, os dados devem ser divididos em unidades de menor tamanho. Isto proporciona uma série de vantagens no manuseio dos dados transferidos e, por outro lado, é algo comum em qualquer protocolo de comunicações. No TCP/IP cada uma destas unidades recebe o nome de “pacote” e são conjuntos de dados enviados como mensagens independentes. Ao executar esta tarefa, o TCP inclui algumas informações, em forma de cabeçalho, em cada pacote.

Conforme Ercilia e Graeff (2008) na internet as informações são trocadas através da chamada “comutação de pacotes”. Cada mensagem é dividida em pequenos pedaços, ou pacotes, que recebem um endereço de origem e um endereço de destino. Os pacotes podem tomar vários caminhos, sendo enviados de um computador para outro, mais ou menos na direção do seu destino. Se uma rota está bloqueada, eles tomam outra. Quando os pacotes chegam ao destino, a mensagem é remontada. Um mesmo ponto de rede pode receber, enviar e redirecionar pacotes de outros pontos. Na internet, uma conexão pode seguir várias rotas possíveis e tomar aquela que estiver menos congestionada no momento. São computadores especializados, equipamentos chamados “roteadores”, que tomam a decisão de dirigir os “pacotes” para rotas alternativas se a mais direta não está disponível.

Para Campos et al. (2003) durante a década de setenta, com a revisão das limitações dos programas utilizados nos computadores em rede, o e-mail (eletronic mail) tornou-se o primeiro uso da Internet entre os pesquisadores, porque possibilitava que a comunicação entre eles fosse facilmente acessível, e também para trocar informações dentro das universidades. As aplicações comerciais da Internet começaram a acontecer nos anos oitenta com os primeiros provedores de serviço da Internet (ISP – International Service Providers) possibilitando ao usuário comum a conexão com a Rede Mundial de Computadores, de dentro de sua casa.

A Arpanet passou a ser usada para a comunicação, troca de informações e não para compartilhar recursos dos computadores, como era sua finalidade inicial. Era o primeiro indício de que a rede começava a tomar vida própria, que nada tinha a ver com a concepção original de seus criadores.

Para Ercilia e Graeff (2008) o que realmente determinaria o sucesso da internet seria um acontecimento que passou quase despercebido em 1991; a criação da World Wide Web (Teia de Alcance Mundial), um sistema de hipertexto7 que tornaria fácil navegar pela superfície até então árida da internet. O www (World Wide Web) foi lançado, aumentando consideravelmente o número de servidores conectados ao sistema. Com tal expansão, a Internet ganhou milhares de usuários ao redor do mundo, que podiam, a partir de então, buscar, sem sair de suas casas, novas informações, antes inacessíveis, através de pesquisas online, além de conhecer pessoas neste novo lugar chamado ciberespaço.

Portanto, a Internet nada mais é do que a junção de milhões de redes locais interconectadas as redes globais, formando um grande emaranhado de conexões e possibilidades, trazendo incorporada a ideia principal de rede de arquitetura aberta. Com isso, a escolha de tecnologia de uma rede individual, por exemplo, não é ditada por nenhuma arquitetura de rede particular e sim escolhida livremente pelo provedor, tornando possível que esta entre em rede com outras redes.