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1.2 O Centro Social Morrinhense: “tudo pelo progresso de Morrinhos”

3.2.2 O nascimento do município e a morte da “vila privilegiada”

Em maio de 1955, a primeira edição do jornal Voz de Morrinhos daquele ano noticiava com entusiasmo e em tom de comemoração, a eleição de três morrinhenses ao cargo de vereadores na Câmara Municipal de Santana, nas eleições de outubro de 1954. O texto tinha o propósito de apresentar ao público o “cartão de identidade” de cada um, e externar a satisfação do Centro Social Morrinhense com a nomeação dos três:

No pleito eleitoral, os morrinhenses souberam escolher para seus representantes três homens que de fato correspondem à expectativa do povo. São cidadãos que muito poderão fazer, se continuarem conciso de seus deveres. FRANCISCO OSCAR VASCONCELOS: Bem conhecido é este nome entre nós. Seu dinamismo e seu esforço envidado no sentindo de conquistar algum melhoramento para sua terra, fizeram-no admirado por todos. Cremos que agora como vereador irá, mais do que nunca, trabalhar em benefício de Morrinhos. É casado e reside em Santana. EDUARDO ROQUE DE MARIA: Outro morrinhense que não tem medido sacrifícios na propagação do nome de seu torrão natal. Abastado comerciante, é um dos chefes políticos de maior relevo da região. É casado e mora no povoado de Intans. FRANCISCO EDMILSON VASCONCELOS: Como político, é desconhecido. É calouro na matéria, e oxalá que seja de fato bem-sucedido. Sabe-se que é capaz de dar show até no dia dos finados. É casado, um pouco “agoniado”, o que não é defeito, pois já faz parte da herança. O “Voz de Morrinhos”, fazendo este registro, vem atestar ao público sua satisfação, parabenizando-os.303

A satisfação do Centro Social Morrinhense com a vitória dos três morrinhenses citados na matéria do jornal, pode ser explicada por dois motivos: o primeiro deles diz respeito a política partidária local e o impacto disso para Morrinhos. O candidato José Osmar Carneiro do PSD, apoiado por Morrinhos nas eleições, acabou derrotado pelo representante da UDN, Gerardo Araújo. Esse episódio foi anunciador de muitos conflitos, e o que poderia amenizá-lo era o fato dos três novos vereadores e representantes de Morrinhos serem coligados ao PSD, o que, no mínimo, indicaria uma forte oposição ao governo de Gerardo Araújo.

O segundo motivo foi a elaboração de um projeto, liderado pelos políticos locais de Morrinhos e os membros da Elite Morrinhense, de se criar uma “comissão emancipacionista, afim de se discutir as melhores ideias para levar adiante o projeto de autonomia político-

financeira para o povo morrinhense”. Oscar Vasconcelos, Eduardo Roque e Edmilson Vasconcelos estavam entre os nomes que participariam ativamente da iniciativa.

É preciso esclarecer que, de um modo geral, o processo para a criação de um município ocorre da seguinte forma: as instituições delimitadoras, levando-se consideração o contexto constitucional, estabelecem os parâmetros a serem seguidos para a criação de novos municípios, como as regulamentações e demais legislações estaduais, além de um “estoque” de localidades que estão aptas à emancipação, ou seja, que já são prováveis novos municípios304.De posse dessas informações, as lideranças locais reúnem uma comissão emancipacionista para iniciar o processo. Uma vez iniciado, um projeto de lei visando a emancipação é apresentado por um membro da Câmara Municipal do município de onde o distrito será desmembrado, que é a instituição processual, que verifica se o distrito atende as exigências constitucionais para se tornar um município, onde os vereadores votam a favor ou contra. Caso a maioria dos vereadores sejam favoráveis, o projeto segue para apreciação dos deputados estaduais, cabendo a eles aceitar ou não o pedido de desmembramento. O último passo é sanção da lei que institui o município pelo governador em exercício. Mas o que leva um distrito a querer emancipar-se?

Muitas são as respostas possíveis a essa pergunta. No caso de Morrinhos, diante do que pudemos analisar, o que parece mais provável é que, devido à grande extensão territorial do município de Santana, tenha-se alegado um descaso para com o distrito morrinhense, apresentando ausência de serviços básicos e estagnação econômica. Problemas, que segundo o Centro Social Morrinhense, só uma independência político-administrativa poderia resolver. Mas, não é possível esquecer os interesses políticos em jogo, e o Centro Social Morrinhense não se distanciou deles, possibilitando, nas relações de poder, que essa consciência emancipatória tenha sido forjada e alimentada visando, também, o interesse político de determinados grupos305.

304 Em duas visitas a Assembleia Legislativa do Ceará, em 2016 e 2018, nos foi comunicado que o projeto de lei

da criação do município de Morrinhos, bem como outros documentos referentes ao ano de 1957, foram perdidos em uma enchente que atingiu o prédio da Assembleia Legislativa em 2009. Por conta disso, não pudemos ter acesso aos pareceres das comissões de justiça e finanças que avaliaram o pedido de emancipação de Morrinhos, bem como o resultado do plebiscito que ocorreu antes do pedido de desmembramento.

305 A respeito da natureza dos movimentos que podem justificar uma emancipação política, Geroges Pinto afirma

que há duas manifestações neste sentido: na primeira, “há um movimento que vem “de baixo para cima”, ou seja, a pressão social cria a pressão política, sendo assim muito mais democrático, uma vez que o desejo emana do povo. Na segunda, há um movimento que vem “de cima para baixo”, uma vez que a emancipação político-administrativa atende, de forma mais intensa, aos anseios políticos que aos desejos das populações locais. PINTO, Georges José.

Município, descentralização e democratização do governo. Caminhos de Geografia, Uberlândia–MG, v. 6, n.

O fato é que a comissão emancipacionista assumiu um papel importantíssimo na tramitação do projeto de emancipação de Morrinhos, e a Elite Morrinhense tomou para si a iniciativa de organizá-la, contando com a presença de políticos, comerciantes e fazendeiros locais. No entanto, os embates entre o Centro Social Morrinhense, os chefes políticos de Morrinhos e o governo municipal de Santana, retardaram em mais de dois anos a aprovação do projeto de desmembramento territorial. Os representantes políticos de Morrinhos e os intelectuais do CSM acusavam Gerardo Araújo de ser omisso e pouco interessado na resolução dos problemas de Morrinhos. A situação de tensão levou o centrista João Gentil Lopes a publicar um artigo sob o título “Reivindicando Direitos”, no jornal Voz de Morrinhos, em um número que circulou em dezembro de 1956, reclamando sobre o distanciamento e abandono que Morrinhos vinha sofrendo durante o governo de Gerardo Araújo:

É com justa razão e conhecedor da verdade, prezado leitor, que através destas linhas, vou explicar o título acima de meu pequeno artigo. Quando nos referimos a bons anos, imediatamente nós nordestinos, assombrados pelo flagelo das secas, nos sentimos satisfeitos, pois esse ano é de fertilidade. Mas, leitor amigo, eu não quero me referir as estações do ano. Quero apenas patentear e dizer em poucas palavras, que nos anos de 1953 e 1954, apesar da calamidade das secas, os homens públicos, isto é, o governador e principalmente o prefeito do município, muito fizeram através de melhoramentos, obras em benefício do meu torrão natal. Ao contrário dos anos anteriores, Morrinhos já sente o desprezo e o desinteresse da autoridade municipal, que até o presente fecham os olhos a todo o assunto em relação a Morrinhos. Vimos, pois, reivindicar nossos direitos, que estão sendo esquecidos, exigindo que suas fontes de renda sejam devidamente repassadas em seu benefício.306

Quando Gentil Lopes menciona os “melhoramentos” ocorridos durante os anos de 1953 e 1954, ele está falando especificamente da gestão de José Osmar Carneiro, ex-prefeito de Santana, que em comunhão com o Centro Social Morrinhense em seus primeiros anos de existência, conseguiu direcionar recursos e obras públicas para a vila morrinhense, ao contrário de Gerardo Araújo, que teria fechado os “olhos a todo o assunto em relação a Morrinhos”.

Já a questão das “fontes de renda”, Gentil Lopes exigiu que fossem repassadas a Morrinhos, como seu direito enquanto espaço sob jurisdição santanense. O então subprefeito do distrito, José Wilson Araújo, comerciante e o único “sócio essencial” do Centro Social Morrinhense, deu uma entrevista ao jornal Voz de Morrinhos falando a respeito dessa questão:

Jornal: Qual a situação atual de Morrinhos, Sr. José Wilson?

José Wilson: Assumi a subprefeitura de minha terra em 29 de junho de 1956, e digo: financeiramente não está lá muito boa, pois toda a arrecadação já foi empregada em vários melhoramentos. Estamos atualmente sem dinheiro e nada podemos fazer. J.V.M: A arrecadação do distrito de Morrinhos é suficiente para cobrir todas as despesas?

J.W: Sim, desde que a subprefeitura conte com o montante de todo o distrito. Atualmente, parte está tomando outro destino, que não sabemos qual, pois até o momento nada recebemos de, por exemplo, as localidades de Sítio e Intans.307

A falta de recursos parece ter sido um dos maiores problemas, mesmo com a autonomia municipal verificada no texto constitucional de 1946, enfrentados pelos pequenos municípios e distritos. A “parte que está tomando outro destino”, reclamada por José Wilson é referente à arrecadação de pequenas localidades sob jurisdição de Morrinhos, pode ser tomada como um exemplo da má distribuição desses valores repassados pela União e divididos entre os estados, os municípios e os distritos. Relatos de administradores do Instituto Brasileiro de Administração Municipal, entidade criada durante o fortalecimento do movimento municipalista após 1946, dão conta de que:

(...) os velhos costumes começaram a voltar, no sentido de os Estados ambicionarem as fontes de renda municipais, de que se podiam servir, com maior ou menor desenvoltura. Para começar, somente Santa Catarina, Rio Grande do Sul e São Paulo repassaram a seus municípios o excesso da arrecadação dos impostos sobre as rendas municipais. Nenhum outro fez. A União continuou a ser relapsa em pagar as cotas do imposto de renda, sempre atrasadas e, não raro, dependendo de influências políticas para serem liberadas.308

Diante das acusações de negligência e falta de interesse para com os assuntos relacionados a Morrinhos, Gerardo Araújo aproveitou o espaço concedido pelo jornal Voz de

Morrinhos para publicar uma nota em sua defesa, narrada em terceira pessoa, pelos editores do

próprio jornal. Na ocasião, o prefeito de Santana afirmou que “era favorável aos problemas de Morrinhos, mas que o êxito de sua administração estava sendo impedida por elementos inescrupulosos, que embora reconhecendo melhoramentos em sua gestão, procuravam ocultá- los”309. Devido à resistência do prefeito de Santana em direcionar os recursos reclamados pelos

membros do CSM a Morrinhos, e talvez temendo fazer parte do grupo desses “elementos inescrupulosos”, o Centro Social Morrinhense resolveu que estava na hora de acelerar o processo de desmembramento territorial, apartando de vez Morrinhos de Santana.

Na sessão ordinária do dia 24 de novembro de 1956, o Centro Social Morrinhense recebeu membros da comissão emancipacionista em Fortaleza, onde discutiram a melhor forma de tocar o processo da emancipação. Amadeu Vasconcelos sugeriu a necessidade de se criar, entre o “povo morrinhense”, “uma consciência emancipatória, para que juntos, em uma só voz,

307 Sub-prefeitura em revista. Jornal Voz de Morrinhos, dezembro de 1956.

308 IBAM (2000). A evolução do município brasileiro. Textos e Discussões. RJ: IBAM, p. 6.

clamassem pela liberdade morrinhense”310. Durante o encontro ficou acordado que no próximo

número a circular do jornal Voz de Morrinhos, o Centro Social Morrinhense faria um balanço dos seus quatro anos de existência e explicaria, com grande destaque, a importância de se lutar pela emancipação da “vila privilegiada”.

O número que circulou em dezembro de 1956 do jornal do CSM, que já citamos aqui, trouxe ao público o editorial “Todos unidos pelo progresso de Morrinhos”, um extenso texto localizado na primeira página, ao lado de várias fotografias dos membros da Diretoria do Centro Social Morrinhense e da Elite Morrinhense que foram empossados na eleição que ocorreu em agosto daquele ano. O texto dava conta da:

(...) brilhante atuação do Centro Social Morrinhense, que é a autêntica concretização de um sonho dos filhos de Morrinhos. É a encarnação verdadeira de uma ideia que sempre atormentou este povo. É a realização mais sublime que já empreenderam os filhos desta terra, e, numa só palavra, o Centro Social Morrinhense é Morrinhos livre se manifestando ao mundo, é Morrinhos abrindo suas portas para o progresso da Civilização. Todavia não podemos esquecer que a razão de ser do CSM fundamenta- se nesta simples e eloquente frase: todos unidos pelo progresso de Morrinhos. Quem já leu os estatutos do Centro Social Morrinhense, fica conhecendo as aspirações e os planos desta agremiação para o futuro dos habitantes da vila privilegiada que dorme as margens do Acaraú. Por isso é preciso que o povo testemunhe e lute com entusiasmo pela realização da mais nobre ideia e uma áurea possibilidade: a criação do município de Morrinhos.311

Qual seria essa “ideia que sempre atormentou este povo”? Aqui parece muito claro que

a existência do Centro Social Morrinhense se confunde com o seu próprio desejo pela emancipação. Se o CSM é “Morrinhos livre se manifestando ao mundo, é Morrinhos abrindo suas portas para o progresso”, isso nos faz crer ainda mais que a fundação do Centro Social Morrinhense pode ser traduzida pela tentativa de dar corpo a um desejo antigo desse grupo de intelectuais: a invenção da cidade emancipada, “a mais nobre ideia, o sonho dos filhos de Morrinhos”.

O texto do editorial continua falando sobre a emancipação, enumerando uma série de motivos para justificar que “Morrinhos precisa, pode e vai ser município”312:

Morrinhos precisa ser município para, uma vez independente, poder executar seus anseios e marchar a passos largos para o progresso. Pode ser município porque preenche todos os requisitos que lhe são propostos por lei. Vai ser município porque este deve ser o desejo dos morrinhenses para sua vila privilegiada, que já tomou corpo na relevante atuação do Centro Social Morrinhense na condução de tão nobre causa,

310 Ata da sessão ordinária do CSM, em 24 de junho de 1956. Livro de Atas do Centro Social Morrinhense. 1953-1957. Arquivo de João Leonardo Silveira, fls. 41-42.

311 Todos unidos pelo progresso de Morrinhos. Jornal Voz de Morrinhos, dezembro de 1956, p.1. 312 Ibidem, p. 1.

já por sua grande influência perante o público, já por sua alta consideração diante das autoridades.313

Com relação aos “requisitos que são propostos por lei”, não pudemos ter acesso ao projeto de lei para verificar as justificativas apresentadas, e de como elas se adequavam ao texto constitucional. Mas, pensando nessa tentativa do Centro Social Morrinhense de fazer brotar uma consciência emancipatória no corpo social do distrito, é possível entender que, no caso de Morrinhos, a natureza do movimento pela emancipação foi construída “de cima para baixo”, visando muito mais atender as necessidades de um grupo específico, do que mesmo os anseios da população em geral.

Já essa “grande influência perante o público” e a “ alta consideração diante das autoridades”, nos faz relacionar o texto do jornal com a fala de Mundico Rocha, quando questionado em entrevista sobre o papel do Centro Social Morrinhense na emancipação política de Morrinhos. Apesar de um certo desconforto em tratar desse assunto, Mundico afirmou que, em se tratando da emancipação política:

Nós do Centro Social Morrinhense tivemos o papel de articuladores. Nós aproveitamos todo o prestígio que possuíamos com as autoridades, principalmente políticas, para acompanhar o processo da emancipação. Organizamos várias comissões e criamos alianças com os vereadores em Morrinhos e os deputados em Fortaleza, na Assembleia. Muita gente nos ajudou, e nós também ajudamos muita gente.314

Por conta desse papel de articulador mencionado por Mundico, o Centro Social Morrinhense, juntamente com a Elite Morrinhense e a comissão emancipacionista, apoiou o vereador Edmilson Vasconcelos no momento de submissão do projeto de lei para a criação do município de Morrinhos, na Câmara Municipal de Santana do Acaraú. A primeira votação recebeu parecer negativo de todos os vereadores udenistas, ligados a Gerardo Araújo, maioria na Câmara de Santana. Isto porque, de acordo com o memorialista Geraldo Silveira, o prefeito de Santana, ressentido por “Morrinhos não ter lhe dado maioria de votos nas eleições de 03 de outubro de 1954”, solicitou que seus vereadores votassem contra o projeto apresentado pelo representante e membro da Elite Morrinhense, e o processo estacionou na Câmara de Vereadores.

Ao saber do resultado da votação, o Centro Social Morrinhense publicou uma nota em vários jornais de Fortaleza, mostrando, apesar de um tom ligeiramente calmo na escrita, sua

313 Ibidem, p. 1.

insatisfação com a posição dos vereadores ligados a Gerardo Araújo. Intitularam o texto de “Uma sugestão ao prefeito”, onde afirmaram que:

“muitas eram as aspirações do povo morrinhense, mas a maior e mais desejada era a criação do município, e tem o Centro Social Morrinhense como defensor desta tão nobre causa. (...) seria um gesto elogiável do Sr. Gerardo Araújo, prefeito de Santana, deixar que Morrinhos, como vila privilegiada, caminhe livre, pois traria um melhoramento de caráter coletivo para o nosso povo, e na certa seu nome ficaria gravado na memória daqueles que desejam o bem estar social e o progresso da boa terra. Fica, pois, aqui, a sugestão e o apêlo ao Sr. Gerardo Araújo, para que s.s. dê alguma demonstração de civismo e gratidão ao povo de Morrinhos.315

Gerardo Araújo não recebia críticas apenas do Centro Social Morrinhense, por meio da imprensa em Fortaleza, e dos chefes políticos de Morrinhos. O jornal santanense A Crítica, periódico tipografado com uma tiragem de oitocentos exemplares circulando em 1956, fundado no início da década de 1950 por estudantes abastados e que se tornariam os principais líderes políticos de Santana, também lhe dedicava severas críticas. José Arcanjo Neto, diretor do jornal e presidente da Associação Cultural Santanense, lamentava a ociosidade e falta de interesse do prefeito em resolver problemas pontuais, como o abastecimento de água e a falta de recursos financeiros para arcar com projetos sociais e de saúde pública, como a manutenção da Maternidade Escola de Santana do Acaraú.

A Crítica procurava deixar claro que:

(...) quando a irresponsabilidade chega ao cúmulo como está acontecendo, necessário se faz que cada um de nós tome posição contrária à desonestidade. Esta sempre foi a posição de A Crítica. Não desejamos criticar pelo simples desejo de criticar, de destruir. Não. Criticar para nós é construir, é ajudar. Queremos para Santana outra coisa senão o progresso. Apenas não admitimos que o progresso venha de mãos dadas com o erro, com o crime, com a imoralidade, como está acontecendo.316

Não sabemos que tipo de “desonestidade”, “crime” e “erro” que cometeu Gerardo Araújo, conforme foi dito pelo jornal. O fato é que, em nome do tão desejado “progresso” e da “falta de interesse” do prefeito de Santana na resolução de problemas, o Centro Social Morrinhense, através do jornal Voz de Morrinhos, e a Associação Cultural Santanense, com o seu periódico A Crítica, procuravam desgastar o governo de Gerardo Araújo, cada um com seus interesses, cada um com seu modus operandi. Devido às críticas, Gerardo Araújo foi perdendo prestígio e suas alianças políticas foram se deteriorando, até que começou a perder também apoio de seus vereadores na Câmara Municipal de Santana do Acaraú, fazendo com que um deles saísse da UDN e migrasse para o PSD, apoiado por José Arcanjo Neto, Francisco das

315 Uma sugestão ao prefeito. Jornal Unitário. Devido a rasura no documento, não foi possível verificar com

exatidão a data de publicação.

Chagas Vasconcelos e José Ananias Vasconcelos, os três primos que, dentro de pouco tempo, governariam Santana do Acaraú por mais de trinta anos.

Gerardo Araújo então procurou o vereador e membro da Elite Morrinhense, Francisco Edmilson Vasconcelos, e propôs a ele que trocasse o PSD pela UDN, e o apoiasse em seus projetos na Câmara. Em troca ele ofereceria “a carta de alforria de Morrinhos”317. A ideia

agradou as lideranças locais de Morrinhos e o Centro Social Morrinhense, pois ainda tinham o