1.2 O Centro Social Morrinhense: “tudo pelo progresso de Morrinhos”
1.2.3 Os fundadores: (prosopo)grafando sujeitos
Já sabemos até aqui o nome dos três fundadores do Centro Social Morrinhense: Raimundo Nonato Araújo da Rocha, o Mundico, José Ataíde Alves de Vasconcelos e José Adrião Sousa. Mas quem foram realmente estes sujeitos? Onde nasceram, onde viveram, onde estudaram, onde sonharam? Quais foram suas ocupações, suas profissões, seus trabalhos? Quais
134 Falo de performance aqui no sentido de aparecer-se, exibir-se, de movimentos visando uma manifestação. Para
mais informações, ver ZUMTHOR, Paul. Performance, recepção, leitura. São Paulo: Cosac Naif, 2014.
135 LUCA, Tânia Regina de. Fontes impressas: História dos, nos e por meio dos periódicos. In PINSKY, C. B
eram as relações entre eles, entre suas famílias? É possível afirmar que todos eles participaram de uma mesma geração e frequentaram os mesmos espaços de sociabilidade intelectual e política?
Para responder minimamente a essas questões, fizemos, a partir de dados sumários, de biografemas136, um breve experimento de prosopografia. A prosopografia vem do grego e
“etimologicamente se refere à descrição de uma pessoa ou de um personagem”137. A escolha
do método prosopográfico, especialmente para este item, se fez pela possibilidade de, a partir do cruzamento de dados individualizados dos sujeitos que fundaram o Centro Social Morrinhense, visualizá-los como um conjunto, como uma unidade, atentando para seus traços em comum.
A prosopografia, neste caso, se torna uma ferramenta interessante de trabalho para o historiador, pois ela articula trajetórias individuais, fazendo emergir as ações dos indivíduos em conjunto, as ações articuladas que realizaram, as aproximações e dissenções políticas, ideológicas, de visão de mundo e as diversas correspondências de atitudes, valores ideias que foram possíveis de enxergar entre eles. A prosopografia nos ajuda a perceber, até que ponto os sujeitos que fundaram o Centro Social Morrinhense estabeleceram entre si laços de cooperação, de correspondência, de diálogo, através do cruzamento de seus dados biográficos. Optando por realizar uma prosopografia, estamos declinando da proposta de se fazer uma biografia profunda sobre cada um dos membros fundadores do CSM, evitando cair naquilo que Bourdieu alertou como “ilusão biográfica”, ou seja, a ilusão de se descrever e escrever uma vida em toda sua complexidade, em todas as suas dimensões138:
A prosopografia é a investigação das características comum do passado de um grupo de atores na história através do estudo coletivo de suas vidas. O método empregado é o de estabelecer o universo a ser estudado e formular um conjunto uniforme de questões- sobre nascimento e morte, casamento e família, origens sociais e posições econômicas herdadas, lugar de residência, educação, tamanho e origem das fortunas pessoais, ocupação, religião, experiência profissional, etc. Os vários tipos de informação sobre indivíduos de um dado universo são, então, justapostos, combinados e, em seguida, examinadas por uso de variáveis significativas.139
136 Durval Muniz de Albuquerque Júnior compreende biografemas como “espécie de átomos do discurso
biográfico, de elementos fundamentais em que se pode decompor a maior parte dos discursos de cunho biográfico, como: nome, data e local de nascimento e morte do biografado, nome dos pais, família a que pertenceu e veio a constituir, se veio, profissões e cargos que exerceu, lugar ou lugares onde viveu, legado que deixou para a sociedade”. ALBUQUERQUE JÚNIOR, Durval Muniz. A feira dos mitos: a fabricação do folclore e da cultura popular (Nordeste 1920-1950). São Paulo: Intermeios, 2013. p. 121.
137 Ibidem. p. 119.
138 BOURDIEU, Pierre. “A ilusão biográfica”. In: FERREIRA, Marieta Moraes e AMADO, Janaína. Usos e abusos da história oral. Rio de Janeiro: Ed FGV; 2006, p. 183-191.
Cabem aqui duas observações antes de continuar: a primeira delas diz respeito ao motivo da escolha de apenas três sujeitos para fazerem parte dessa prosopografia. Essa decisão foi tomada baseada na impossibilidade de analisar todos os membros da instituição, que chegou a ter mais de duzentos sócios, entre todas as categorias. Verticalizar a análise apenas nos fundadores foi a alternativa que encontramos para dar conta de nosso objetivo, onde foi levado em consideração também a ausência de informações mais precisas a respeito dos outros membros da instituição. Isso justifica uma possível assimetria em nossa análise.
A outra ressalva a ser feita aqui é sobre os dados coletados para a produção do nosso experimento prosopográfico: trata-se de versões já biografadas destes sujeitos, feitas anteriormente, por eles mesmos ou através de seus biógrafos, onde a maioria delas foram encontradas em recortes de reportagens de jornais ou em pequenos fragmentos de memórias localizados dispersos na documentação utilizada para a produção desta dissertação. Por isso mesmo é que escolhemos e colhemos os dados mais “objetivos”, os biografemas. Informações obrigatoriamente presentes nas biografias de pessoas e personagens, que são: local de nascimento, origem social, formação escolar, ocupações profissionais e suas articulações políticas e sociais.
Este item, portanto, tem o objetivo de mostrar o que há de comum na trajetória de vida daqueles sujeitos que fundaram o Centro Social Morrinhense, que o idealizaram desde o início, quando era apenas um fiapo de ideia que se materializava em um papel grosso e amarelado, em cima da mesa de madeira envernizada e manchada pela cera derretida da vela acesa na noite anterior, no quarto de um morrinhense, no Seminário Maior.
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O primeiro ponto que podemos destacar é que todos eles nasceram no mesmo local e são pertencentes a uma mesma geração. Todos eles nasceram e viveram grande parte de sua infância e adolescência em Morrinhos, durante as décadas de 1930 e 1940. O mais velho deles, José Ataíde, nasceu em 04 de julho de 1929, e o mais novo, José Adrião Sousa, no dia 01 de março de 1934. Mundico Rocha nasceu em 30 de abril de 1929. Esse sentimento de pertencimento à cidade, ao espaço transformado em lugar pela vivência, se torna claro nos textos que os três escrevem nos jornais. Artigos permeados de ideias referentes à defesa permanente “do torrão natal”, da “pátria mãe”, da “terra querida”, da “vila privilegiada”.
Nasceram em um momento particular na história cearense: a década de 1930, com a chegada do gaúcho Getúlio Vargas à presidência do Brasil e a chefia política do Ceará sendo entregue a interventores nomeados pelo governo federal, registrou uma série de políticas intervencionistas para acabar com o monopólio das oligarquias, que atingia diretamente o distrito de Morrinhos, ameaçando enfraquecer o grupo oligárquico dominante no distrito, a família Rocha, representada pela figura do “coronel” Joaquim Coriolano da Rocha, avô de Mundico, que comandava o cenário político morrinhense desde o final do século anterior.
Soma-se a isto uma crescente modernização das cidades, principalmente as que se localizavam no interior do estado, manifestadas e regidas ainda sob o discurso da modernidade, do sonho pela cidade moderna e da prevalência da vida urbana. Isso provocou um consequente declínio da vida rural, dos setores ligados ao campo, iniciado já no fin de siècle, com a emergência de uma classe industrial, burguesa e citadina. Muito provavelmente, as famílias dos três fundadores do CSM, organizações familiares ligadas à posse de terras, sofrendo com essa perda de prestígio da vida rural, teriam permitido e incentivado que seus filhos tomassem o rumo das grandes cidades.
Os três se conheceram ainda na infância, frequentaram os mesmos espaços em Morrinhos, notadamente espaços ligados a uma sociabilidade religiosa, católica, levados por seus pais, como reuniões em capelas, procissões, celebrações eucarísticas, catecismos, etc. Geralmente esse trânsito se dava entre uma cidade e um distrito: Marco e Morrinhos. Mundico, em sua entrevista, falou da importância do catolicismo como um elemento importante para a construção da amizade entre eles:
Nossos pais eram católicos. Minha mãe morreu quando eu tinha onze anos, mas ela me deixou um ensinamento muito profundo que ficou dentro de mim, de modo que eu me alinhei a uns colegas, entre eles José Ataíde e Adrião, que os pais eram também muito religiosos. E por causa disso nós pegamos uma amizade muito íntima. Brincávamos carnaval, que na época era chamado de entrudo, onde pegávamos um copo d’água, uma bacia d’água e saíamos correndo para jogar nos outros. Depois, quando tínhamos uns 13, 14 anos, o padre do Marco tomou posse e saiu uma notícia que dizia assim: quem, durante 63 semanas, na primeira sexta-feira do mês se confessasse e comungasse, ganharia um prêmio. E nós do grupinho íamos, toda primeira sexta-feira, para o Marco, a pé. Atravessávamos o rio, de cavalete ou de canoa, todos jovenzinhos. O prêmio era o céu.140
O fato de haver uma amizade entre eles desde a infância se torna um dado importante de ser mencionado aqui, pois um “amigo” não é apenas um conceito pertencente ou que denota
uma exterioridade. Amigo é “uma presença intrínseca, uma categoria viva”141. Amigo é uma
condição de possibilidade de pensamento, de ação, de relação, de correspondência, de atuação, de ocupação. Essa amizade entre os três foi fundamental para que se estabelecesse uma profunda relação de reconhecimento entre os três, que mutualmente se referenciavam, se reconheciam como membros fundadores do Centro Social Morrinhense, como seus idealizadores, como aqueles responsáveis por sua criação e manutenção. Se reconheciam como amigos, como os homens responsáveis por inventar um futuro melhor para Morrinhos. Quem sabe aí, através dessa relação construída entre os “jovenzinhos” que estavam buscando o “céu”, atravessando o rio caudaloso em uma canoa insegura, experenciando os lugares na vila de Morrinhos, a instituição que teria o nome de Centro Social Morrinhense já não estava se formando?
Imagem 6: Raimundo Nonato Araújo da Rocha, o Mundico. Fonte: Jornal Voz de Morrinhos, 1958.
Todos eles nasceram no seio de famílias possuidoras de uma boa e estável situação econômica, ligadas às atividades comerciais, agrárias e políticas em Morrinhos. O pai de José Adrião, Virgílio Alberto Sousa, possuía um açougue bem movimentado no centro da vila, um dos poucos existentes até então, e sua mãe, Raimunda Nonata Sousa, se limitava aos afazeres
domésticos e as idas à igreja. As famílias de Mundico Rocha142 e José Ataíde143 eram proprietárias de grandes faixas de terras, nas margens do Rio Acaraú, repletas de carnaubeiras, onde fabricavam a cera de carnaúba, produziam palhas, principalmente para confecção de chapéus, plantavam feijão, milho, oiticica, mandioca e cuidavam do gado. A família de Mundico Rocha, como já mostramos em tópico anterior, também comandava o cenário político da pequena localidade.
Todos eles transitaram e/ou moraram nas mesmas cidades: Morrinhos, Marco, Sobral e Fortaleza. Alguns experimentaram outros lugares, como é o caso de José Adrião, que posteriormente viajou à França, e José Ataíde, que viveu seus últimos dias como monsenhor em Reriutaba. Mas essas quatro cidades estão muito presentes na vida dos três. O interessante aqui é que a experiência espacial deles, uma vivência notadamente urbana, é completamente diferente da que tiveram seus pais, que viveram sempre em Morrinhos, onde os limites entre o rural e o urbano eram muito imprecisos naquele momento. Eram famílias presas à terra, e com a emergência e consolidação de uma ordem urbana e industrial, gerando um consequente declínio das atividades agrícolas, fizeram com que seus filhos migrassem e optassem pela vida nas cidades, dedicando-se ao serviço público ou atuando como profissionais liberais.
Apesar do memorialista João Leonardo Silveira afirmar que eles, em Fortaleza, “estudavam em pequenos colégios, cursos e escolas quase sempre de subúrbios”144, a
prosopografia mostrou justamente o contrário. Mundico Rocha estudou no Ginasial Farias Brito, fundado em 02 de fevereiro de 1935, na esquina da Barão do Rio Branco com a Clarindo de Queiroz, no centro de Fortaleza, por iniciativa do professor Adualdo Batista, onde concluiu o curso de humanística em 1953. O Ginasial Farias Brito, hoje Colégio Farias Brito, é uma das maiores e mais tradicionais organizações privadas de ensino do estado do Ceará.
José Ataíde frequentou o Seminário Maior, fundado em 10 de outubro de 1864 por Dom Luís Antônio dos Santos, o primeiro bispo de Fortaleza, e logo se tornou a maior instituição católica de formação eclesiástica do estado, ligada à Arquidiocese de Fortaleza. Antes já havia passado seis anos no Seminário São José, criado por Dom José Tupinambá da Frota, em Sobral,
142 Um fato curioso sobre o pai de Mundico Rocha, João Cariolano Rocha casado com Maria Adelaide Rocha, foi
narrado por ele em entrevista: “Depois da divisão de terras feitas pelo meu avô, meu pai ficou com a pior parte das terras, onde hoje se encontra o mercado público da cidade. Além disso, ele possuía uma vazante no rio e tinha umas vaquinhas. Certo dia pela manhã, quando estava tirando leite de uma vaca, pegou um coice muito forte e ficou com o pescoço torto. E assim permaneceu. Morreu aos 79 anos sem nunca ter ido ao médico. Ficou conhecido na cidade como Careca, o homem do pescoço torto”. Entrevista com Raimundo Nonato Araújo da Rocha. Op. Cit.
143 Seus pais eram Antônio Osmar Vasconcelos e Maria Abigail Alves Vasconcelos. Moravam em uma casa no
centro da cidade, no Quadro da Rua, próximo à igreja Matriz. A rua hoje leva o nome de seu filho.
entre os anos de 1944 e 1950. José Adrião estudou no Ginásio Sobralense e no Liceu do Ceará, este último criado por decreto em 19 de outubro de 1845, sob direção de Thomás Pompeu de Souza Brasil, o Senador Pompeu. O Liceu era o principal destino dos estudantes, notadamente filhos das elites locais, das principais cidades da província, e exerceu uma enorme influência no ensino secundário de Fortaleza durante o século XX145. Pode-se perceber, portanto, que eles não estudaram em pequenos centros de formação escolar e intelectual, muito menos eles se localizavam em subúrbios.
Imagem 7: José Ataíde Alves de Vasconcelos. Fonte: Jornal Voz de Morrinhos, 1956.
Dois deles, Mundico Rocha e José Adrião, fizeram o ensino primário em Morrinhos, frequentando aulas particulares nas casas dos próprios professores, por falta de um espaço mais adequado para as aulas. A partir de 1936, ingressaram nas escolas isoladas, um programa voltado para atender as demandas e combater o analfabetismo em bairros periféricos, nas vilas e em áreas rurais, cuja função era dar uma formação básica, como leitura, escrita e as operações elementares da aritmética, à população pobre, residente nesses locais. Logo também foi fundado
145 Para mais informações sobre o ensino secundário cearense, notadamente na primeira metade do século XX, ver
OLIVEIRA, Joyce Carneiro de. Entre a guerra e as reformas: o ensino secundário cearense (1918-1930). Dissertação de mestrado. Faculdade de Educação-UFC/Mestrado em Educação Brasileira. 2007.
o curso particular São Gerardo, com um programa de ensino “para alunos mais adiantados”146,
voltado para aqueles que desejavam prestar seleções para estudar em Fortaleza, como foi caso de José Adrião e Mundico Rocha. José Ataíde, no entanto, fez seu curso primário não em Morrinhos, mas no Educandário São Manuel, em Marco, tendo sido o primeiro aluno a ser formado naquela instituição.
Dois deles, à exceção de José Ataíde, vieram a ocupar cargos públicos. José Adrião foi funcionário do Banco do Brasil em meados da década de 1950, e foi um dos coordenadores da comissão de instalação do Banco do Estado do Ceará – BEC. Mundico Rocha trabalhou, na segunda metade da década de 1950, no Instituto de Aposentadorias e Pensões dos Comerciários – IAPC, criado no governo constitucional de Getúlio Vargas, ligado ao que conhecemos hoje como Previdência Social.
Todos eles tiveram uma estreita relação com a vida político-partidária, notadamente quando faziam parte do Centro Social Morrinhense, onde constantemente estavam em diálogo com deputados estaduais, em várias legislaturas, visando alcançar aquilo que idealizavam para a cidade. Porém, apenas Mundico Rocha chegou, de fato, a exercer carreira política, mesmo que por apenas quatro anos, quando foi eleito o primeiro prefeito de Morrinhos, entre 1958 a 1962, com a ajuda e apoio de sua família, que já estava no comando da política morrinhense.
Todos eles participaram, direta ou indiretamente, de instituições destinadas a uma sociabilidade literária e ao cultivo da memória e consagração de grandes personalidades, notadamente pertencentes a uma elite política e intelectual, no âmbito estadual. José Adrião, dentre os três, é o caso mais ilustrativo dessa situação: ao concluir o curso ginasial no Liceu do Ceará, em 1953, logo ingressou na Academia Centrista de Letras, fundada em 10 de janeiro de 1943, instituição subordinada ao Centro Estudantal Cearense-CEC. Frequentava as atividades na instituição, ao mesmo tempo em que comparecia e se mostrava como um dos principais oradores do Centro Social Morrinhense. José Adrião começou atuando na Academia Centrista de Letras como arquivista, e logo depois passou a exercer o cargo de bibliotecário e responsável pelo acervo da biblioteca da instituição.
146 Ibidem. p. 195.
Imagem 8: José Adrião Sousa. Fonte: Jornal Voz de Morrinhos, 1956.
Todos eles exerceram as atividades de jornalista, publicando seus escritos em vários periódicos de Fortaleza. O papel da imprensa na trajetória deles foi importantíssimo, pois, além de exercerem o cargo de correspondentes, também fundaram um jornal, o Voz de Morrinhos. Escrever nos principais jornais levaram estes sujeitos a utilizarem seu conhecimento e saber para se firmarem como autores, como pessoas públicas, como personas, como homens das letras, como intelectuais e formadores de opinião pública.
O jornal seria, para eles, uma vitrine, uma possibilidade de elevar o status social do grupo, um espaço de visibilidade, onde “consagrava certos autores e relegava outros ao ostracismo”147. Foi também uma forma de angariar recursos financeiros, visto que a imprensa
já estava se profissionalizando e remunerando seus correspondentes. Dentre os três, José Ataíde era o que menos publicava, muito provavelmente por sua ligação com o Seminário Maior e com a Arquidiocese de Fortaleza, como um aspirante à carreira sacerdotal, situação que o deixava mais recluso. Quando o fazia, geralmente escrevia no próprio jornal do CSM, sob o pseudônimo de Artur Campos148. José Adrião e, principalmente, Mundico Rocha, ao lado também de outros
147 LUCA, Tânia Regina de. A Revista no Brasil: um diagnóstico para a (n)ação. São Paulo: Editora da Unesp,
1996, p. 36.
148 Infelizmente não foi possível descobrir os motivos que fizeram José Ataíde escolher especificamente esse nome,
membros do Centro Social Morrinhense, trabalhavam como correspondentes nos periódicos O
Povo, O Nordeste, Gazeta de Notícias, Correio do Ceará e Unitário.
Todos eles foram, juntamente com os demais centristas, vinculados à Associação Cearense dos Jornalistas do Interior – ACEJI, ligada à Associação Cearense de Imprensa. Essa filiação institucional possibilitou a eles ainda mais espaço como correspondentes nos jornais de Fortaleza, especialmente no Correio do Ceará e Unitário, onde João Leonardo Silveira, na época já presidente do CSM, fundou a Coluna Morrinhense, que trazia diariamente notícias de Morrinhos e do Centro Social Morrinhense. Leonardo Silveira contava com o apoio, principalmente, de Mundico Rocha e Otacílio Oquendo, que mantinham a Coluna Morrinhense junto com ele.
Portanto, este breve experimento prosopográfico foi para mostrar que, embora os sujeitos que fizeram parte do Centro Social Morrinhense tivessem constituído um grupo não homogêneo, foi possível, a partir do cruzamento de suas trajetórias, visualizar um perfil comum entre eles, notadamente aqueles três que tiveram a ideia de fundação do CSM.
Nascidos no seio de famílias em decadência, cuja base econômica principal era a propriedade de terras, pertencendo a uma geração que sofria com a desilusão da vida rural e o declínio das atividades agrícolas, fazendo com que muitos deles se estabelecessem nas cidades