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O PAPEL DO ESTADO NAS SOCIEDADES MODERNAS:

No documento Sistema Financeiro Internacional (páginas 35-38)

A qualidade do Estado é condição necessária, embora não suficiente, para· a geração da prosperidade das sociedades

MANCUR OLSON. Power and Prosperity. Outgrowing the Communist and Capitalist Dictatorships. Basic Books, N. York, 2000

Por que algumas nações crescem e são muito bem sucedidas economicamente, enquanto outras falham e não conseguem sair da pobreza? Por que algumas formas de governo dificultam ou promovem o crescimento econômico? Por que, após o colapso do regime soviético, os mercados não floresceram na Rússia? Por que algumas nações são bem sucedidas no comércio internacional enquanto outras fracassam ou perdem espaço?

"Virtualmente todos ... acreditam que as sociedades tendem a prosperar quando existem claros incentivos para produzir e para apropriar-se dos ganhos advindos da cooperação social por meio da especialização e do comércio ... Para uma sociedade atingir níveis de renda mais elevados, os incentivos devem não apenas aparecer de forma clara, mas devem também induzir firmas e indivíduos a

interagirem na economia de forma eficiente e produtiva". (Power & Prosperity)

RONALD COASE fornece uma análise geral das externalidades em "O problema do custo saciar' (1960).

Ele propõe três idéias fundamentais. A primeira é que as externalidades são recíprocas. A segunda diz que as externalidades persistem apenas se os custos de transação são altos. E a terceira idéia é que se os custos de transação são baixos, os processos mercadológicos levarão aos mesmos resultados eficientes, independentemente da atribuição dos direitos de propriedade.

COASE mostrou que a teoria microeconômica tradicional era incompleta porque somente incluía os custos de produção (salários, matérias-primas, insumos e outras despesas) e de transporte,

negligenciando os custos de transação (contratos, negociação, estrutura de impostos, administração das organizações) que estão fortemente associados a externalidades. Ao incorporar as diferentes formas de custos de transação, COASE abriu caminho para a análise das instituições que atuam na vida econômica e sua significância. R. COASE. The Nature ofthe Firm (1937). The Problem ofSocial Cost (1960)

..,.. Para que mercados floresçam e ocorra o crescimento econômico é essencial considerar o papel do Estado. Os afrescos de AMBROGIO LORENZETTI na Sala do Conselho de Siena pintado em meados do século XN ilustram muito bem esse fato:

A ALEGORIA DO MAu GOVERNO: um governo presidido pela Tirania composto por muitos vícios (Crueldade, Traição, Avareza, Fraude, Divisionismo, Orgulho, Guerra e Violência). O ambiente é lúgubre, cenas de depredação, crimes e pilhagem. A pobreza é visível e predominante.

A ALEGORIA DO BOM GOVERNO: presidido pelo Bem Comum e feito de resultados de ações baseadas na Sabedoria, Paz, Justiça, F é, Caridade, Magnanimidade e Concórdia. Nesse quadro há dois curiosos grupos: um de prisioneiros sendo conduzidos por soldados e o outro grupo de conselheiros de aparência sóbria e respeitável (cidadãos que exercem o poder). O ambiente é de prosperidade, inclusive nas artes.

O Estado desempenha papéis e possui funções que dificilmente podem ser substituídos ou cobertos pela ação de indivíduos e grupos. O Estado é o principal responsável pelos custos de transação numa economia: Por outro lado, o Estado lida com interesses cuja lógica pode não obedecer à mesma lógica que orienta os mercados. Decisões são tomadas de acordo com processos políticos sujeito a barganhas onde a satisfação de interesses obedece a duas ordens de demanda:

INTERESSES INDIVIDUAIS (ou de grupos) versus INTERESSES COLETIVOS INTERESSES DE CURTO PRAZO versus INTERESSES DE LONGO PRAZO O comportamento dos grupos e o provimento de bens públicos

Em grandes grupos, quanto mais numeroso for o número de pessoas interessadas numa causa, menor será o número de pessoas que estarão tendentes a trabalhar pelos interesses da causa. Grandes grupos se forem compostos por indivíduos racionais, não deverão agir no interesse do grupo. (MANCUR OLSON, The Ris e and decline o f Nations. Economic Growth, Stagflation, and Social Rigidities, 1982)

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Esse paradoxo ocorre especialmente no caso do bens públicos/coletivos: lei e ordem, defesa, redução da poluição, segurança e estabilidade internacional (paz), instituições e mecanismos de comércio e finanças, padrões técnicos, etc .

....,. bens públicos são usufruídos por todos e ninguém em particular tem incentivo para contribuir voluntariamente para o seu provimento

....,. o "carona" predomina como padrão de comportamento Algumas conseqüências:

....,. os grupos mais numerosos não participarão de forma eficaz no processo de barganha (consumidores, contribuintes, assalariados, "classe média", etc.)

....,. os membros dos grupos pequenos possuem poder de organização e de ação desproporcionalmente grande

Os custos de transação sob a responsabilidade do Estado

IMPOSTOS: valores, distribuição, evasão e custos da sonegação fiscal RECURSOS FINANCEIROS E LEGISLAÇÃO FINANCEIRA

SERVIÇOS DE SUPORTE DE COMERCIALIZAÇÃO: meios de transporte, portos, energia, facilidades de acesso a insumos e mercados, segurança e proteção jurídica, segurança pública

LEGISLAÇÃO COMERCIAL, INDUSTRIAL E TRABALHISTA

INFRAESTRUTURA DE P&D: laboratórios, sistema de educação, serviços de informação técnica ....,. Estado emite claros sinais de valorização da eficiência e da criatividade & claros sinais de

"punição" de comportamentos egoisticamente predatórios ALEMANHA:

357.000 km2

Pffi: US$ 3,6 trilhões Pop: 82 milhões Ferrovias: 41 mil km Transp. Fluvial: 7.500 km

BRASIL:

8.500.000 km2 (24 vezes maior que Alemanha) Pffi: US$ 2,2 trilhões

Pop: 200 milhões Ferrovias: 28 mil km (???)

0 BRASIL: UM ESTADO AINDA PRÉ-MODERNO

" ... (Mary Stuart) a campeã da religião católica, da mais antiga, e Elizabeth a patrona da nova, da reformadora ... cada uma dessas duas rainhas encama uma concepção diferente do mundo. Mary Stuart, o mundo que estava morrendo, o medieval, o cavalheiresco; Elizabeth o mundo cuja existência

começava, o mundo dos tempos modernos". (Mary Stuart, STEF AN ZWEIG, Ed. Civilização Brasileira, 1960, p. 82). Mary Stuart defende (com muita dignidade, diga-se) seus direitos à coroa da Inglaterra.

Elizabeth está concentrada no governo da nação. Em tomo de Mary Stuart, a nação e os indivíduos deveriam reunir-se. Elizabeth era a representação dos interesses dos indivíduos e da nação inglesa.

No Brasil um presidente, um senador "TOMA POSSE DO CARGO". Nos EUA, o presidente assume oficialmente esse cargo numa "CERIMÔNIA INAIJGURAL". No Brasil "CERIMÔNIA DE POSSE", nos EUA

"INAUGURATION CERIMONY', conforme dicionário:

An INAUGURATION is a formal ceremony to mark the beginning of a leader's (like a president's, a prime minister's, etc .. .) term o f office. An "inaugural address" is the speech given at this ceremony which informs the people o f hislher intentions as a leader. The equivalent ceremony in another jurisdiction may be called a "SWEARING-IN". A monarchical inauguration is similar to what in

another jurisdiction may be called a coronation or enthronement.

No Brasil, cargos públicos são identificados primariamente com direitos e privilégios (por exemplo, não pode ser acusado e processado como cidadão comum, tem foro privilegiado, etc). O ocupante de cargo público não tem qualquer responsabilidade sobre o que ocorre em seu ministério, em sua jurisdição, ou mesmo no serviço que comanda. São verdadeiros "Mary Stuarts", titulares de direitos.

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Capital no Século XXI

THOMAS PIKETTY

Elogios à farta documentação acompanham críticas à projeção do problema central e às propostas para sua superação

CAPITAL NO SÉCULO XX! ocupou o centro do debate econômico nos EUA nos últimos meses.

Além da proeza de alcançar o topo da lista dos mais vendidos da Amazon, o livro de Thomas Piketty tem sido objeto de uma onda de análises em jornais, revistas e blogs americanos, num momento em que a preocupação com a desigualdade ganhou espaço no debate público no país.

Não parece exagero dizer que nunca um livro foi tão resenhado por tantos economistas importantes em tão pouco tempo.

Entre os ganhadores do Nobel, Paul Krugman colocou a obra nas alturas, enquanto Robert Solow fez elogios, mas num tom mais comedido. Dani Rodrik e Kenneth Rogoff destacaram as qualidades do livro, mas enfatizaram o que consideram os problemas da obra. Tyler Cowen foi mais crítico, questionando, como outros, os prognósticos de Piketty de que as taxas de retomo sobre o capital não devem diminuir no futuro. Segundo o francês, a "contradição central do capitalismo" é que a taxa privada de retomo sobre o capital pode ser significativamente mais elevada do que a taxa de crescimento da renda e da produção, por longos períodos.

Krugman, da Universidade de Princeton, não poupou elogios ao livro, em resenha para o The New York Review of Books. Segundo ele, Piketty escreveu um "livro verdadeiramente soberbo", por combinar "grande abrangência histórica - qual foi a última vez que você ouviu um

economista invocando Jane Austen e Balzac?- com detalhada análise de dados". Na opinião de Krugman, o livro vai mudar tanto o modo de se pensar sobre a sociedade como a maneira de fazer economia. O economista voltou ao assunto várias vezes em seu blog, com a tradicional contundência. Num dos posts, disse que o "pânico" que Piketty tem provocado mostra que a direita ficou sem ideias.

"Este é o ponto principal de Piketty, e sua contribuição nova e poderosa para um assunto antigo:

enquanto a taxa de retomo (sobre o capital) superar a taxa de crescimento, a renda e a riqueza dos ricos vai crescer mais rápido do que a renda típica do trabalho", escreveu Solow, do Massachusetts Institute ofTechnology (MIT) no artigo "Thomas Piketty está certo". No texto, porém, o Nobel fez ponderações, sugerindo a necessidade de um pouco de ceticismo. "Por exemplo, a historicamente estável taxa de retomo de longo prazo tem sido o resultado equilibrado entre retornos decrescentes e o progresso tecnológico; talvez uma taxa de crescimento mais fraca no futuro puxe para baixo drasticamente a taxa de retomo. Talvez."

Professor da Universidade de Haryard, Rogoff destacou que "o livro brilhante de Piketty"

documenta a desigualdade dentro dos países, com o maior foco no mundo rico. "Boa parte da onda cultural envolvendo o livro vem de pessoas que se veem como classe média, mas que são classe média alta ou mesmo ricos pelos padrões globais." Rogoff contrapõe a obra de Piketty ao livro The Great Escape, de Angus Deaton, segundo quem, nas últimas poucas décadas, alguns bilhões de pessoas no mundo em desenvolvimento, especialmente na Ásia, escaparam de condições "verdadeiramente desesperadoras" de pobreza. "A mesma máquina que aumentou a desigualdade nos países ricos nivelou a situação globalmente para bilhões."

Rogoff notou ainda que, se Piketty está certo ao argumentar que o retomo sobre o capital aumentou nas últimas décadas, dedica pouca atenção ao amplo debate entre os economistas sobre as causas desse fenômeno. "Se o principal motor é o fluxo maciço de trabalho asiático nos mercados comerciais mundiais, o modelo construído por Robert Solow sugere que, no fim, o estoque de capital vai se ajustar e a taxa dos salários vai subir", escreveu, observando que

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No documento Sistema Financeiro Internacional (páginas 35-38)

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