• Nenhum resultado encontrado

Sistema Financeiro Internacional

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2022

Share "Sistema Financeiro Internacional"

Copied!
38
0
0

Texto

(1)

Sistema Financeiro Internacional

A idéia da existência de um sistema financeiro internacional pode ser melhor compreendida empregando-se o conceito de regime internacional, desenvolvido no âmbito do campo de estudo das relações internacionais. Assim, tomando-se por base a conhecida definição de regime internacional oferecida por S. D. Krasner, pode-se dizer que o sistema financeiro internacional é "o conjunto - explícito ou implícito - de princípios, normas, regras e processos decisórios em tomo dos quais as expectativas dos atores convergem na área das transações financeiras internacionais".

Os PRINCÍPIOS são as causas, os objetivos ou noções primárias que dão sentido às ações das pessoas e das organizações (livre-mercado, protecionismo). As NORMAS são orientações gerais para as ações, por exemplo, a busca do lucro e a exigência de garantias. As REGRAS são expressas formalmente em tratados (Estatutos do Banco Mundial, Acordos de Bretton Woods). Os PROCESSOS DECISÓRIOS estão presentes nas práticas e procedimentos para a tomada de decisões, que geralmente estão definidas em organizações estabelecidas (por exemplo, no Banco Mundial as decisões são tomadas por votos dos países membros e cada país tem um número diferente de cotas, portanto mais ou menos votos)

TRANSAÇÕES FINANCEIRAS INTERNACIONAIS

Podem ocorrer em decorrência de compra e venda de bens e serviços ou de ativos financeiros (papéis) que representam transferência de propriedades, participações,

obrigações e direitos. No caso dos ativos financeiros, significa transferência de poupança:

• Poupador privado (indivíduos e firmas) transfere recursos excedentes ...,.. investe fundos em busca de rentabilidade

• Governos transferem fundos ...,.. objetivos podem ser econômicos, mas geralmente estão associados a razões políticas

ATORES E INSTRUMENTOS

-poupador, firmas e governos

- bancos, bolsas de valores e bolsas de mercadorias

- fundos de pensão, cooperativas, fundações, fundos soberanos

-governos (Tesouro, Banco Central e agências de financiamento; agências de regulação) governo é o único agente que pode produzir normas e regras INDNÍDUOS E FIRMAS REALIZAM GANHOS:

-salários e pró-labore (indivíduos) - negócios (firmas)

- também podem obter ganhos sobre o capital CAPITAL

- ativos financeiros (poupança, ações, fundos de investimentos, letras do tesouro, etc) - ativos reais (bens, imóveis - real assets)

-participações societárias (negócios) COMO SE PODE OBTER GANHOS SOBRE O CAPITAL

- taxas de juros

-renda sobre ativos reais (aluguéis e valorização dos ativos) -rendas sobre lucros (sobre ações e sobre participações) 0 FATOR LIQUIDEZ E O FATOR RISCO

- o rendimento varia inversamente à liquidez - maior risco, maiores ganhos

1

(2)

EXISTE UM SISTEMA FINANCEIRO?

- O que é um sistema? Arranjos que estabelecem ligações entre agentes econômicos por meio de direitos e obrigações de natureza financeira.

MOVIMENTOS DE CAPITAL E MOEDA

- inflação (desvalorização da moeda) pode gerar perdas e ganhos de capital -capitais de curto prazo e investimentos de longo prazo

- investimentos em papéis e investimentos diretos

2

(3)

RIQUEZA, MOEDA E SISTEMA FINANCEIRO:

TRÊS CONCEITOS ESSENCIAIS NA VIDA ECONÔMICA

O conceito de riqueza é essencial para a compreensão adequada do Sistema Financeiro. Mais do que a própria moeda, o Sistema Financeiro reflete o nível ou estoque de riqueza das sociedades. Há tempos que a posse de moeda (baseada ou não em ouro) deixou de refletir o estoque de riqueza das nações. Além disso, no Sistema Financeiro também está implícita forma pela qual a riqueza pode trocar de mãos.

A NOÇÃO DE RIQUEZA. A riqueza pode ser entendida como a posse, em abundância, de

recursos valiosos. Em inglês o termo wealth vem do inglês antigo weal, que tem a mesma raiz de well. Um indivíduo, uma comunidade ou uma nação é rica (wealthy), sente-se satisfeita e segura quando se está bem ( well), isto é, quando possui em abundância os recursos

considerados valiosos para sua vida. Nos longos invernos estar bem significava dispor de lenha, água potável e alimentos necessários à subsistência nos meses de inverno. De uma forma mais geral, sente-se bem ( wealthy) aquele que tem acesso a bens materiais, espirituais ou simbólicos considerados preciosos em todas as circunstâncias. Os grandes senhores (reis e príncipes) precisavam de bens que permitissem sustentar exércitos capazes de defender seus domínios.

Algumas visões irônicas a respeito da riqueza:

''A sociedade é composta por duas grandes classes: aqueles que têm mais jantares que apetite e os que têm mais apetite que jantares." (Sebastien-Roch NICOLAS DE CHAMFORT, 1741-1794) ''A riqueza tem as suas vantagens, já a pobreza, embora tenha feito algumas tentativas nesse sentido, nunca provou ser vantajosa." (J. K. GALBRAITH, 1908-2006)

''Aqueles que dispõem de meios pensam que a coisa mais importante do mundo seja o amor. Os pobres sabem que é o dinheiro." (Gera1d BRENAN, 1894-1987)

"Faça-se aquilo que se fizer, nunca se perde a honra quando se é rico. "(Denis DIDEROT, 1713- 1784)

Quando se define o conceito de riqueza define-se também os conteúdos éticos e normativos da ordem econômica, isto é, o que deveria ser aceitável como ações e comportamentos na vida econômica. Que práticas são aceitas ou rejeitadas com vistas à obtenção de riqueza? A relação da noção de riqueza com a moralidade sempre foi objeto de preocupação das sociedades desde a Antigüidade. Como em muitas coisas na esfera humana, nossas demandas e nossas ações não são totalmente boas ou nem totalmente más, há um dificil e complexo equilíbrio entre o que é desejável e o que é indesejável.

"Mérito é o que diz eis? A h, pobres ingênuos!

O dinheiro, esse sim é que é mérito, irmãos.

Apenas os ricos são bons, bonitos,

amáveis, jovens e sábios." (Giuseppe BELLI, 1791-1863)

"Se, quando somos ricos, temos tudo, qual o interesse em termos mérito e virtude?"

(Denis DIDEROT, 1713-1784)

"O que é a abundância? Um nome, nada mais; ao sensato basta o necessário."

(EURÍPEDES, 480-406 a.C.)

"E Jesus, vendo-o assim triste, disse: quão dificilmente entrarão no reino de Deus os que têm riquezas! Porque é mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no reino de Deus". (LUCAS, 18, 24-25)

1

(4)

O conceito de riqueza é essencial para todos os aspectos da vida econômica e a forma como se entende os seus significados é essencial para definir conceitos centrais que ajudam a entender o sentido da formação da riqueza e a orientação do crescimento/desenvolvimento econômico.

PODER E RIQUEZA SEMPRE ANDARAM JUNTAS. Durante séculos o poder era a principal fonte de riqueza. Os poderosos (governantes e grandes senhores) eram guerreiros. Empreendiam campanhas militares com o objetivo de conquistar ou simplesmente para obter bens por meio da pilhagem. Esses senhores tomavam-se "ricos" também por meio do estabelecimento de impostos ou cobrança de taxas sobre camponeses e habitantes das vilas e cidades.

Nas guerras, os vencidos perdiam seus bens, quando não eram feitos escravos para serem vendidos ou para trabalhar para quem os venceu. Também a cobrança de resgate de

prisioneiros capturados era uma prática comum. Após a tomada de uma cidade os príncipes vencedores autorizavam seus comandados a realizarem um ou mais dias de pilhagem. A Quarta Cruzada, empreendida por Balduíno IX e pelo Marques de Montferrat, em 1202-1204 tinha por objetivo a reconquista de Jerusalém, mas acabou tomando Constantinopla. A história relata que os soldados receberam autorização para saquear a cidade por três dias, o que incluiu até mesmo a grande Catedral de Santa Sofia. Nas batalhas geralmente os soldados eram mortos, mas os nobres e comandantes eram feitos prisioneiros a fim de que deles fossem obtidos resgates. Por vezes, príncipes e grandes senhores considerados inimigos podiam ser feitos prisioneiros como ocorreu com Ricardo Coração de Leão que, no retomo à Inglaterra após a Terceira Cruzada, foi feito prisioneiro por Leopoldo da Áustria, que não o havia perdoado por injúrias recebidas durante a tomada da cidade do Acre. Ricardo só foi solto após o pagamento de um polpudo resgate.

Em tempos de paz os lordes literalmente extorquiam seus vassalos, como conta Maurice Drouon (Les Rois Maudits) a respeito dos filhos de Felipe o Belo que, no início do século XIV, faziam pesados "empréstimos" de financistas para propósitos como a realização de festas de casamento ou o recebimento de visita ilustre. Também no Japão feudal, os grandes senhores eram mantidos por seus vassalos. > Em resumo, os grandes senhores eram ricos porque eram poderosos.

Uma das marcas do advento da modernidade foi a inversão dessa relação entre poder e riqueza. A partir dos fins da Idade Média, gradativamente os grandes senhores tornavam-se poderosos porque eram ricos. A riqueza deixava de ser produto do uso da força para tomar-

se, cada vez mais, fruto do trabalho, da produção de bens e do comércio.

"Inveja-se a riqueza, mas não o trabalho com que ela se granjeia. "

(Mariano José Pereira da Fonseca, MARQUÊS DE MARICÁ, 1773-1848)

Por essa razão a modernidade marca também o surgimento do pensamento econômico, isto é, as reflexões mais estruturadas a respeito da produção, do comércio e da moeda. Ao longo do período conhecido como mercantilismo surgem formulações a respeito da economia e de como gerar riqueza de pensadores como Thomas Gresham (1519-1579), Jean Bodin (1530- 1596), Antoine de Montchrétien (1576-1621), Thomas Mun (1571-1641) Jean-Baptiste Colbert (1619-1683), William Petty (1623-1687).

Por outro lado, na modernidade a noção de riqueza também vai se associando à noção de moeda que, por muito tempo, ainda permaneceria associada a metais preciosos, em especial o ouro. Durante milênios a riqueza se associava diretamente aos bens considerados preciosos: a posse da terra, os rebanhos, o celeiro cheio de provisões, a moradia segura e confortável, os sinais exteriores de riqueza e poder como peças artísticas e adornos, o oferecimento de festas

2

(5)

e banquetes, ou as cerimônias funerárias e túmulos. A riqueza e a opulência dos príncipes se confundiam com o poder e a riqueza dos Estados.

O CONDE DE MONTECRISTO, o famoso personagem de Alexandre Dumas, é uma figura bastante emblemática dessa noção de riqueza. A trama do romance se inicia nos 100 dias de Napoleão, quando o Corso deixa a Ilha de Elba e reassume o poder até ser derrotado

definitivamente em Waterloo (18/junho/1815). O tesouro do Conde de Montecristo, escondido na pequena ilha era composto de moedas de ouro e prata cunhadas por muitos reinos diferentes, correntes de ouro e prata, jóias feitas de diamantes, rubis e outras pedras preciosas, e até mesmo de taças, candelabros e outras peças valiosas por serem feitas de ouro ou prata e incrustadas com pedras preciosas. É nessa época que Mayer Amschel Rothschild, um judeu alemão, deu seu grande impulso para construir a fortuna que tomaria o nome Rothschild um sinônimo de riqueza. Juntamente com seus cinco filhos, Mayer estabeleceu agências de seu banco em Londres (1804), Paris (1811) e depois Nápoles e Viena (1820's).

Conta-se que quando poucos acreditavam que as forças de Napoleão poderiam ser derrotadas, Mayer Rothschild financiou as tropas britânicas e austríacas e apostou nos títulos ingleses fazendo enorme fortuna.

SISTEMA BANCÁRIO E SISTEMA FINANCEffiO

FERGUSON, Niall. The Ascent of Money. A Financiai History of the World. The Penguin Press, 2008 A IDÉIA DE RIQUEZA PERCORREU UMA LONGA TRAJETÓRIA.

PRIMEIRA FASE, a riqueza era um produto do poder. Aqueles que tinham poder, comandavam exércitos, realizavam pilhagens, o poder lhes permitia ter propriedade (inclusive escravos) e também os meios para explorar fontes de riqueza. Submetiam povos, ocupavam territórios e estabeleciam as leis, os direitos e as obrigações que governavam as relações entre indivíduos, grupos e atividades.

SEGUNDA FASE, a inversão dessa equação (isto é, para a noção de que quem tinha riqueza tinha poder) foi lenta e atribulada e foi um processo associado à progressiva identificação da riqueza com a posse de metais e objetos preciosos. Nessa fase o comércio e a produção vão se sedimentando como base da riqueza, isto é, podia-se obter bens e recursos valiosos pela produção (agricultura e indústria) ou por meio das trocas comerciais (lucro).

TERCEIRA FASE, a identificação da riqueza com a posse de "moeda" foi uma conseqüência, já que a posse de moeda permitia o acesso a todo tipo de bens. Também foi um processo lento, que levou séculos, até que a moeda foi, gradativamente, substituindo outras formas de se traduzir a riqueza ou, posto de outra forma, a posse de moeda poderia ser traduzida em ouro, propriedades, serviços, soldados, armas e, também, poder.

QUARTA FASE a riqueza significa, mais e mais, posse de ativos financeiros, a moeda vai perdendo sua função de reserva de valor para restringir-se mais e mais às suas funções de meio de troca e unidade de conta. Nesse quadro a credibilidade continua sendo fundamental.

A prática bancária se desenvolveu principalmente na Itália a partir do século XIV e depois se expandiu para o norte da Europa.

Os TOLOMEI de Siena e os MEDICIS de Florença (sécs. XIV e XV)

AMSTERDAN EXCHANGE BANK ( 1609) - em 17 60 mantinha cerca de 19 milhões de florins em depósito e 16 milhões em reservas metálicas (Gold Bullion Standard ou Full Gold Standard)

STOCKHOLM BANCO (1657)-desempenha o papel de banco comercial, isto é, facilitador de transações comerciais. Foi pioneiro no fornecimento de empréstimo de recursos além das reservas.

BANK OF ENGLAND (1694)-inicialmente criado para ajudar o Reino no financiamento de suas guerras, transforma os débitos governamentais em ações do banco. Recebe em 1742 o monopólio parcial da emissão de notas bancárias, diferente das notas que rendiam juros.

3

(6)

Pode-se dizer que um verdadeiro sistema financeiro internacional mais amplo e mais parecido com os dias atuais (globalizado) passou a existir depois das guerras napoleônicas:

-surgimento e desenvolvimento de instituições financeiras especializadas tanto nos países

exportadores quanto nos países recebedores de capitais (bancos comerciais operando com moeda estrangeira, investimentos no exterior mais fáceis e menos arriscados)

-instrumentos financeiros mais sofisticados (mecanismos de crédito, papel moeda, etc.) - um mercado de capitais centrado em Londres

Fluxos de investimentos internacionais acompanhavam de perto o comércio que, por sua vez, acompanhava o crescimento da economia mundial. Entre 1800 e 1913:

- o produto per capita mundial cresceu a uma taxa de 7,3% por década;

- o comércio mundial per c apita cresceu a uma taxa de 3 3% a cada década.

(dados de A. G. KENWOOD & A. L. LOUGHEED, The Growth o f the ... )

4

(7)

SISTEMA BANCÁRIO E SISTEMA FINANCEIRO

FERGUSON, Niall. The Ascent of Money. A Financiai History of the World. The Penguin Press, 2008 A idéia de riqueza percorreu uma longa trajetória. Numa PRIMEIRA FASE, a riqueza era um produto do poder. Aqueles que tinham poder, comandavam, tinham propriedade (inclusive escravos) e tinham meios para explorar fontes de riqueza. Numa SEGUNDA FASE, a inversão dessa equação (isto é, para a noção de que quem tinha riqueza tinha poder) foi lenta e atribulada e foi um processo associado à progressiva identificação da riqueza com a posse de metais e objetos preciosos. Mais tarde, numa TERCEIRA FASE, a identificação da riqueza com a posse de "moeda" foi, igualmente, um processo lento, que levou séculos, até que a moeda foi, gradativamente, substituindo outras formas de se traduzir a riqueza ou, posto de outra forma, a posse de moeda poderia ser traduzida em ouro, propriedades, serviços, soldados, armas e, também, poder. Pode-se dizer que estamos vivendo uma QUARTA FASE na qual a riqueza significa, mais e mais, posse de ativos financeiros.

A prática bancária se desenvolveu principalmente na Itália a partir do século XIV e depois se expandiu para o norte da Europa.

Os TOLOMEI de Siena e os MEDICIS de Florença (sécs. XIV e XV)

AMSTERDAN EXCHANGE BANK (1609)- em 1760 mantinha cerca de 19 milhões de florins em depósito e 16 milhões em reservas metálicas (Gold Bullion Standard ou Full Gold Standard) STOCKHOLM BANCO (1657)- desempenha o papel de banco comercial, isto é, facilitador de transações comerciais. Foi pioneiro no fornecimento de empréstimo de recursos além das reservas.

BANK OF ENGLAND (1694)- inicialmente criado para ajudar o Reino no fmanciamento de suas guerras, transforma os débitos governamentais em ações do banco. Recebe em 1742 o monopólio parcial da emissão de notas bancárias, diferente das notas que rendiam juros.

Pode-se dizer que um verdadeiro sistema financeiro internacional mais amplo e mais parecido com os dias atuais (globalizado) passou a existir depois das guerras napoleônicas:

- surgimento e desenvolvimento de instituições financeiras especializadas tanto nos países

exportadores quanto nos países recebedores de capitais (bancos comerciais operando com moeda estrangeira, investimentos no exterior mais fáceis e menos arriscados)

-instrumentos financeiros mais sofisticados (mecanismos de crédito, papel moeda, etc.) - um mercado de capitais centrado em Londres

Fluxos de investimentos internacionais acompanhavam de perto o comércio que, por sua vez, acompanhava o crescimento da economia mundial. Entre 1800 e 1913:

- o produto per capita mundial cresceu a uma taxa de 7,3% por década;

-o comércio mundia1per capita cresceu a uma taxa de 33% a cada década.

(dados de A. G. KENWOOD&A. L. LOUGHEED, The Growth ofthe ... ) Motivações ou forças orientadoras dos fluxos de capitais

1) Diferença nos ganhos de produtividade, isto é, a busca por taxas de retomo maiores.

2) Crescimento econômico. A redução do dinamismo da atividade econômica nos países centrais induzia a busca de oportunidades de investimentos externos tanto quanto à necessidade de importação de produtos agrícolas e de matérias primas.

3) Motivações políticas.

a) Os fundos eram empregados em - transporte e comunicações -manufaturas e indústria extrativa - empréstimos governamentais b) Algumas conseqüências ou constatações

- integração das economias em escala mundial (globalização) - aceleração da especialização no comércio

- setor externo como fator importante de equilíbrio e crescimento econômico

1

(8)

FLUXOS FINANCEIROS NO SÉCULO

XIX

Até os fins do século XVIII o volume de investimentos internacionais era pequeno e não

representavam impacto significativo tanto sobre as economias exportadoras de capital quanto sobre as regiões recebedoras desses capitais. A partir do fim das guerras napoleônicas os investimentos internacionais ganham novo significado.

Investimentos Britânicos no exterior (0/o) depois das guerras napoleônicas

DESTINO 1830 1854

Europa 66 55

Estados Unidos 9 25

América Latina 23 15

Império Britânico Índia

Outros 2 5

Outras regiões

EM MILHÕES DE f 110 260

Investimentos franceses no exterior (em 0/o) 1851

- Espanha/Itália/Portugal 60

- Áustria-Hngria/ Alemanha/Suíça 12 - Rússia/Romênia/Grécia/Sérvia

-Europa Ocidental do Norte 24

- Império Otomano/Egito - Colônias francesas

- Hemisfério Ocidental 4

- Outras regiões

TOTAL EM f MILHÕES 98

Volume de capitais investidos no exterior em 1914 Total: f 9.500 milhões (aprox. US$ 44.500 milhões) Origem dos capitais:

GRÃ-BRETANHA: f: 4.100 milhões (43%) FRANÇA: f 1.900 milhões (20%)

ALEMANHA: f 1.200 milhões (13%)

1870 25 27 11 22 12 3 770

1881 39 18 7 7 20

4 5 688

BÉLGICA, PAÍSES BAIXOS & SUÍÇA: f 1.100 milhões (12%) ESTADOS UNIDOS: f 700 milhões (7%)

OUTROS: f 500 milhões (5o/o) Destino dos capitais

EUROPA: 27%

ESTADOS UNIDOS: 24%

AMÉRICALATINA: 19o/o ÁSIA: 16°/o

ÁFRICA: 9%

ÜCEANIA: 5o/o

1914 5 21 18 9 37

9 4.107

1914 14

8 28

8 11 9 16

6 2.073

(Extraído de N. FERGUSON, The Ascent of Money. A Financiai History ofthe World. Penguin Books, 2008 e de A. G.

KENWOOD & A. L. LOUGHEED, The Growth ofthe International Economy. 1820-1980. Unwin Hyman, London, 1983)

2

(9)

EQUILÍBRIO INTERNACIONAL E ORDEM ECONÔMICA INTERNACIONAL

As transações econômicas internacionais, assim como a distribuição dos ganhos decorrentes das transações, não ocorrem de modo aleatório. São orientadas por uma lógica, embora nem sempre seja claramente visível. Pode-se dizer que existe, uma verdadeira ordem econômica internacional que define um sentido para as operações e para os padrões de equilíbrio para a economia internacional.

~ As transações internacionais deveriam, em princípio, estar em equilíbrio, isto é, credores e devedores deveriam "fechar" suas contas, anulando-se mutuamente. A razão é óbvia: ninguém pode adquirir aquilo que não pode pagar e se alguém contrai uma dívida, há alguém que possui um crédito correspondente para receber.

~ A existência e a expansão dos mecanismos de crédito, contudo, tomaram essa condição muito mais dificil de ser verificada ou interpretada. Ao longo dos últimos duzentos anos o sistema financeiro cresceu exponencialmente em volume e em complexidade.

I - Ordem Econômica Internacional: conjunto de regimes internacionais

A definição clássica de regime internacional: princípios, normas, regras e processos decisórios que governam uma "area issue" (S. D. Krasner)

REGIME MONETÁRIO-é o responsável pela disponibilidade de liquidez (moeda internacional) nos mercados internacionais e pelos mecanismos e práticas que determinam as formas pelas quais os balanços de pagamentos dos países se mantém em equilíbrio em relação a outras economias. Compreende: a) as moedas utilizadas nas transações internacionais; b) os limites toleráveis dos desequilíbrios entre as economias (superávits e déficits nos balanços de pagamentos); c) os mecanismos de ajuste dos desequilíbrios e instituições monetárias que administram o provimento de liquidez internacional.

REGIME DO COMÉRCIO INTERNACIONAL - orienta as transações comerciais na esfera internacional, estabelecendo práticas e instituições que orientam as trocas comerciais no comércio internacional e, ao fazê-lo, estabelece os padrões dos mercados de trabalho nacionais: quem irá fazer o que, em que quantidade, quando e para quem. Caracteriza os padrões de uma divisão internacional do trabalho. A Organização Mundial do Comércio (OMC) pode ser considerado como uma instituição muito importante, mas apenas parte desse regime. Há muitas outras organizações como as organizações regionais, como a União

Européia, por exemplo, que desempenha destacado papel nesse regime.

REGIME FINANCEIRO INTERNACIONAL-também chamado de Sistema Financeiro

Internacional e define a articulação entre os mercados financeiros, ou seja, estabelece os mecanismos pelos quais os capitais acumulados (poupanças) podem ser transferidos de um mercado para outro. Ao indicar quem irá receber capitais e para que propósitos, ajuda também a definir o perfil da divisão internacional do trabalho.

li -Ordem Econômica Internacional: dois elementos imateriais que dão sentido à ordem econômica

ESTRATÉGIA DE CRESCIMENTO-qualquer ordem econômica internacional pressupõe,

implicitamente, urna estratégia de crescimento. Na verdade, uma ordem econômica não pode perdurar a menos que a estratégia de crescimento esteja funcionando satisfatoriamente. As crises econômicas são caracterizadas pela incapacidade da ordem econômica promover o crescimento. Diante de um ambiente de estagnação e recessão, os governos, as empresas e as populações pressionam por novas instituições e práticas econômicas.

(10)

UMA ECONOMIA POLÍTICA INTERNACIONAL - a ordem econômica internacional está

intrinsecamente associada a uma particular distribuição de riqueza e de poder que define os contornos da economia política internacional. Transações comerciais, mercados financeiros e liquidez internacional estão associados a economias nacionais de cuja vitalidade depende a estabilidade das instituições econômicas.

O lado paradoxal da ordem econômica é que o crescimento é fator fundamental para a estabilidade mas, ao mesmo tempo, constitui fator de desestabilização. O crescimento não ocorre de forma homogênea e, assim, gera uma nova economia política internacional que passa a pressionar por mudanças na ordem econômica internacional.

A

ORDEM ECONÔMICA DO SÉCULO

XIX

Sistema monetário: padrão ouro

1) cada país participante declara um valor para sua moeda em termos de ouro contido 2) taxa cambial= valor das moedas em termos do ouro contido+ custo de manuseio 3) o ouro podia mover-se livremente, ou seja, os pagamentos internacionais podiam ser

feitos em moeda conversível ou em ouro

4) os países do sistema deveriam garantir a conversibilidade à vista A formação da taxa cambial:

importador: disposto a aceitar títulos pagando ágio máximo igual ao custo de envio do ouro (ponto de saída do ouro)

exportador estava disposto a negociar títulos recebendo com deságio máximo igual ao custo da remessa do ouro (ponto de entrada do ouro)

O ajuste automático entre as economias

~ A disponibilidade de moeda depende da disponibilidade de ouro: saldos positivos

aumentam a disponibilidade de moeda. Saldos negativos reduzem a disponibilidade de moeda Essa suposta condição levava a presumir a existência de um "mecanismo de ajuste

automático" no sistema monetário internacional (price-specie-flow mechanism). Na verdade o enunciado desse mecanismo vai ser feito pela Comissão Cunliffe, criado em 1919 pelo

governo britânico para sugerir medidas para a reconstrução da economia depois da Primeira Guerra Mundial.

..,.. economias deficitárias perdem ouro e, conseqüentemente, devem reduzir a disponibilidade de moeda. A redução na oferta de meda leva à redução da demanda por importação e também dos preços dos produtos feitos no país, estimulando, assim a exportação;

,_.,. as economias superavitárias, por sua vez, terão sua quantidade de moeda em circulação aumentada, o que levaria a um aumento da demanda interna tanto de produtos importados quanto de produtos domésticos.

r>

Desse modo, os balanços de pagamentos dos países ajustar-se-iam sem que houvesse necessidade de medidas específicas com vistas a esse fim.

Sistema financeiro e comércio?

No século XIX, embora houvesse transações financeiras, não era reconhecido como tal e sua ünportância ficava subordinada ao comércio. O regime de comércio, por sua vez, era baseado no princípio do livre comércio. Assim, finanças e comércio eram a expressão do livre

mercado e a norma do regime era o da eficiência, das vantagens absolutas ou comparativas.

Março/2014

(11)

SISTEMA MONETÁRIO, SISTEMA FINANCEIRO E BALANÇO DE PAGAMENTOS Sistema financeiro e sistema monetário apresentam-se interligados e interdependentes, uma vez que a moeda é o objeto de transferência numa transação financeira.

MOEDA: é o "meio de troca" e tem outras funções essenciais: medida de valor (permite comparar o valor de bens e serviços) e reserva de valor (permite a prática da poupança)

SISTEMA MONETÁRIO NACIONAL: o padrão monetário, as garantias e as instituições nacionais. Entre as instituições destaca-se o Banco Central, o Tesouro e outras autoridades associadas ao manejo da disponibilidade de liquidez interna. O sistema bancário e financeiro privado também pode influenciar na disponibilidade de moeda nacional.

SISTEMA MONETÁRIO INTERNACIONAL: padrão monetário (moedas empregadas nas

transações internacionais e como reserva internacional); níveis de tolerância em relação aos desequilíbrios no balanço de pagamentos; mecanismos de ajuste dos desequilíbrios.

O sistema financeiro é que proporciona os meios para manejar o funcionamento do regime monetário internacional.

SISTEMA FINANCEIRO: os fluxos financeiros são expressos em unidades monetárias e movimentam o sistema monetário dos países. Ao mesmo tempo que os fluxos financeiros refletem a "saúde" dos sistemas monetários, também são determinantes dessa "saúde".

BALANÇO DE PAGAMENTOS

Registro de todas as transações internacionais que geraram movimentação de moedas ou de crédito entre as economias. Retrata o dinamismo da atividade econômica dos países:

Grupo 1 - Exportação e importação de mercadorias e outros bens. Exportação gera entrada de divisas (moeda internacional); importação gera saída de divisas.

Grupo 2 - Exportação e importação de serviços (consultoria, assistência técnica, frete, seguros, turismo, juros e dividendos)

Grupo 3 - Transferências sem contrapartida. Indenizações recebidas geram entrada de divisas; doações, bolsas de estudo, ajuda humanitária concedidas geram saída de divisas

Grupo 4 - Movimentação de capitais (investimentos diretos, empréstimos de agentes públicos .e privados, amortizações, compra e venda de ações, movimentação de reservas e ouro monetário, empréstimos do FMI e de outras agências, etc.).

Empréstimos concedidos a outros países e investimentos realizados em outros países geram saídas de divisas. Empréstimos tomados e investimentos recebidos do exterior geram entradas de divisas.

Na realidade, praticamente todas as transações econômicas internacionais correspondem a alguma forma de transação financeira. A sanidade das economias demanda equilíbrio entre - as entradas e as saídas de moeda internacional. Como caracterizar o equilíbrio?

Equilíbrio: não há movimentação de capital ex-post

-CAPITAL EX-ANTE (também chamado de capital autônomo): são investimentos e empréstimos tomados com propósitos de ganhos financeiros ou não;

- CAPITAL EX-POST: são empréstimos ou movimentações de reservas com o propósito de acertar contas

(12)

As conseqüências morais do crescimento econômico

O crescimento econômico (ou desenvolvimento econômico) traz como conseqüência:

- uma sociedade mais aberta a oportunidades - aumento da tolerância

- maior mobilidade social e econômica - uma sociedade mais justa

- estimula a democracia na ordem política

Em que medida o crescimento econômico efetivamente estimula o aparecimento e o desenvolvimento desses elementos nas sociedades?

Na raiz do problema está no fato de que nosso modo convencional de pensar a questão do crescimento econômico não considera o que o crescimento econômico ou sua ausência significa para a sociedade.

Questions about economic growth are nota matter o/material versus moral values. (p. 14) O problema da população posta por Malthus deixou de assombrar o futuro das sociedades na Europa em razão do crescimento econômico.

"As Nações são obrigadas a cultivar o comércio ... " o Direito Natural mostra que " ... os homens devem assistir-se mutuamente, contribuir tanto quanto possível para a perfeição e felicidade dos seus semlhantes ... "(E. de Vattel, 1714-1767: Cap. VIII, §86)

ADAM SMITH & ANNE ROBERT JACQUES TURGOT: The four stages of the societies - hunting and gathering

- shepherding - farming - commerce

A visão "romântica" de Rousseau: o bom selvagem

"moral progress goes inversely to economic progress"

Modemamente, "small is beautiful"

A cabana rural e as grandes obras de engenharia desde a Antigüidade A visão contrária de AUGUSTE COMTE

A teoria do "suave comércio":

TURGOT: " ... é praticamente uma regra geral que em toda parte há costumes gentis, há

comércio, e onde há comércio há costumes gentis ... " " ... o comércio suaviza e dá polimento a costumes bárbaros".

J OSEPH PRIESTLEY: " ... o comércio tende a expandir a mente e nos cura de muitos males"

"o comércio recompensa a confiança, a ordem, a disciplina e estimula até o sentimento de ajuda ao próximo"

A CONTRIBUIÇÃO DOS PROTESTANTES: "adversity is a sign o f God 's absense, prosperity of His presence". A ética protestante e o espírito do capitalismo de MAX WEBER (1920, traduzido paro o inglês por Talcott Parsons em 1930)

A Fábula das Abelhas, BERNARD DE MANDEVILLE (1714)

(13)

Fluxos financeiros no século XIX

(Extraído de N. FERGUSON, The Ascent ofMoney. A Financia/ History ofthe World. Penguin Books, 2008 e de A. G. KENWOOD & A. L. LOUGHEED, The Growth of the International Economy. 1820-1980. Unwin Hyman, London, 1983)

Até os fins do século XVIII o volume de investimentos internacionais era pequeno e não representavam impacto significativo tanto sobre as economias exportadoras de capital quanto sobre as regiões recebedoras desses capitais. A partir do fim das guerras napoleônicas os investimentos internacionais ganham novo significado.

Pode-se dizer que um verdadeiro sistema financeiro internacional mais amplo e mais parecido com o que ocorre nos dias atuais passou a existir depois das guerras napoleônicas:

...,.. surgimento e desenvolvimento de instituições financeiras especializadas tanto nos países exportadores quanto nos países recebedores de capitais (bancos comerciais operando com moeda estrangeira, investimentos no exterior mais fáceis e menos arriscados)

...,_ instrumentos financeiros mais sofisticados (mecanismos de crédito, papel moeda, etc.) ...,_ um mercado de capitais centrado em Londres

Investimentos Britânicos no exterior (0/o) depois das guerras napoleônicas

DESTINO 1830 1854 1870 1914

Europa 66 55 25 5

Estados Unidos 9 25 27 21

América Latina 23 15 11 18

Império Britânico

Índia 22 9

Outros 2 5 12 37

Outras regiões 3 9

EM MILHÕES DE f 110 260 770 4.107

Investimentos franceses no exterior (em 0/o)

1851 1881 1914

- Espanha/Itália/Portugal 60 39 14

- Áustria-Hngria/ Alemanha/Suíça 12 18 8

- Rússia/Romênia/Grécia/Sérvia 7 28

- Europa Ocidental do Norte 24 7 8

-Império Otomano/Egito 20 11

- Colônias francesas 4 9

- Hemisfério Ocidental 4 5 16

- Outras regiões 6

TOTAL EM f MILHÕES 98 688 2.073

...,.. Volume de capitais investidos no exterior em 1914:

Total: f 9.500 milhões (aprox. US$ 44.500 milhões) 1

(14)

\

Origem dos capitais:

GRÃ-BRETANHA: f 4.100 milhões (43o/o) FRANÇA: f 1.900 milhões (20%)

ALEMANHA: f 1.200 milhões (13%)

BÉLGICA, PAÍSES BAIXOS & SUÍÇA: f 1.100 milhões (12%) ESTADOS UNIDOS: f 700 milhões (7%)

OUTROS: f 500 milhões (5%)

Destino dos capitais EUROPA: 27%

ESTADOS UNIDOS: 24%

AMÉRICA LATINA: 19%

ÁSIA: 16%

ÁFRICA: 9%

OCEANIA: 5o/o

Os fluxos financeiros eram percebidos como agentes apenas coadjuvantes do crescimento econômico. O comércio era entendido como "engine ofgrowth". O entendimento era o de que o crescimento das economias era fruto de um processo de "causação circular": onde havia negócios (comércio), havia atração de capitais e de pessoas (mão de obra) .

..,.. 3/5 do comércio internacional era constituído de bens primários, portanto, as nações jovens, ricas em recursos naturais, como os Estados Unidos, atraíam capitais e mão de obra. As nações

"velhas" notadamente Inglaterra e outras nações industrializadas da Europa, exportavam manufaturas e capitais, recebendo por essas exportações e pela renda dos capitais exportados . ..,.. Fluxos de investimentos internacionais acompanhavam de perto o comércio que, por sua vez, acompanhava o crescimento da economia mundial. Entre 1800 e 1913:

-o produto per capita mundial cresceu a uma taxa de 7,3o/o por década;

-o comércio mundial per capita cresceu a uma taxa de 33°/o a cada década.

(dados de A. G. KENWOOD & A. L. LOUGHEED, The Growth ofthe ... ) ..,.. Motivações ou forças orientadoras dos fluxos de capitais

1) Diferença nos ganhos de produtividade, isto é, a busca por taxas de retomo maiores.

2) Crescimento econômico. A redução do dinamismo da atividade econômica nos países centrais induzia a busca de oportunidades de investimentos externos tanto quanto à necessidade de importação de produtos agrícolas e de matérias primas.

3) Motivações políticas . ..,.. Os fundos eram empregados em

- transporte e comunicações -manufaturas e indústria extrativa - empréstimos governamentais

- marca o início da prática de empréstimos para estabilização

(diz-se que no século XIX o gentlemen agreement era uma prática entre governantes) ..,.. Algumas conseqüências ou constatações

- integração das economias em escala mundial (globalização) - aceleração da especialização no comércio

- setor externo como fator importante do equilíbrio e do crescimento econômico

2

(15)

A I Guerra Mundial e a crise na

ordem econômica internacional do padrão ouro

O período do entre guerras pode ser dividido em duas fases claramente distintas:

. 1919 a 1929 a tentativa de reconstrução da ordem econômica do padrão ouro . 1929 a 193 9 a grande crise

A relativa estabilidade que havia caracterizado o período de várias décadas que precederam a Primeira Guerra Mundial fazia com que a noção de "ordem econômica" fosse identificado com as instituições e práticas vigentes: " ... the desire (for exchange stability) . .. was embodied in thefrantic attempt to restare the gold standard; so great was the faith in the virtues o f the former 'golden age' that statesmen and administrators were prepared to devote much oftheir energy during the 1920s towards the resurrection ofthe system" (D. H. ALDCROFT, From Versailles to Wall Street)

A Comissão Cunliffe (Cunliffe Committee on Currency and Foreign Exchange), instituída pelo Governo Britânico em 1919 para propor alternativas para a reconstrução econômica, entre outras coisas "descobre" o mecanismo de ajuste automático inerente ao padrão ouro (price-specie-jlow mechanism). Poucos percebiam que muitas das condições da economia internacional haviam mudado e que e as instituições e práticas do padrão ouro não eram mais adequadas

~ J. M. KEYNES ,The Economic Consequences ofPeace (1924):

a) Economia européia não poderia se recuperar sem a recuperação da economia alemã

b) Os desequilíbrios da economia internacional comprometiam a estabilidade e a libra não poderia manter a mesma paridade do pré-guerra

~ D. M. MOGGRIDGE, The British Monetary Policy, 1924-1931. The Norman Conquest of$ 4,86. (1972)

~ Tudo indica que a relativa estabilidade do pré-guerra (alguns autores identificam uma significativa depressão entre as décadas de 1880 e 1890) seria mais uma decorrência de que no período não havia significativa pressão sobre a ordem econômica.

No PÓS-GUERRA AS CONDIÇÕES ERAM MUITO ADVERSAS

A ESCASSEZ RELATIVA DO OURO: O sistema exigia uma quantidade crescente de ouro para atender ao crescimento das economias e do volume das transações internacionais. Além disso, o ouro era também uma commodity, isto é tinha um preço internacional que seguiria as variações decorrentes do mercado. UMA SAÍDA foi o estímulo ao sistema padrão ouro-câmbio ( Gold Exchange Standard) -os países poderiam constituir reservas em moeda conversível, em especial a libra.

Essa prática já existia mas, depois da guerra, com vistas à promoção da volta ao padrão ouro, a Conferência Monetária de Gênova (1922) recomenda formalmente a difusão desse recurso .

. em 1913 apenas 12% das reservas de 24 países eram mantidas sob essa forma . em 1924 já somavam 27%

. em 1927 totalizavam 42%

No início esse mecanismo ajudou a proporcionar liquidez às transações internacionais, depois foi se tomando, cada vez mais um fator de instabilidade. A França, por exemplo:

. nov/1926 possuía f 5,6 milhões a título de reservas . fev/1927 havia elevado para f 20 milhões

. abr/1927 essas reservas já somavam f 60 milhões . jun/1927 já atingiam f 160 milhões

~ Em conseqüência França enorme capacidade de exercer pressão sobre a economia inglesa

1

(16)

A volta ao padrão ouro tambéml foi entendida que dever-se-ia retomar, inclusive, as taxas de câmbio do pré-guerra, isto é, na proporção de 1 f = US$ 4,86 (MOGGRIDGE). Essa era uma taxa de câmbio claramente supervalorizada, o que prejudicava fortemente a competitividade inglesa, já em dificuldades antes da guerra. Uma saída era o aumento das taxas de juros pela Inglaterra a fim de reduzir as pressões para a saída de capitais (e de ouro).

Estoques de ouro da Inglaterra diminuíam, enquanto as de outros países aumentavam:

-entre 1913 e 1924, os EUA aumentarn de 25% para 48% das reservas mundiais

-em fins da década de 20, sete países detinham 3/4 das reservas de ouro do mundo (EUA, França, Alemanha, Jápão, Itália, Espanha e Argentina)

- a Inglaterra tinha apenas 7% das reservas de ouro

- as reservas em ouro dos EU A eram de US$ 4 bilhões, contra um passivo de US$ 600 milhões -as reservas em ouro do U.K. eram deUS$ 850 milhões contra um passivo deUS$ 2,5 bilhões Em grande, parte essa situação decorria dos desequilíbrios agravados pela guerra:

1 - a guerra provocou enorme deslocamento das atividades econômicas no mundo

2 - as dificuldades financeiras foram agravadas pelo generalizado endividamento e pela sanções de guerra impostas à Alemanha

3 - o impacto da guerra ajudou a mudar drasticamente o perfil da economia política internacional A GUERRA PROVOCOU MUITOS DESLOCAlv!ENTOS NA ECONOMIA.

a) Países mais diretamente envolvidos na guerra: campos produtivos foram transformados em campos de batalha; a produção industrial voltou-se fortemente para armas, munições e outros bens de emprego militar imediato.

b) Rotas comerciais tradicionais foram interrompidas ou alteradas.

c) Países não envolvidos diretamente com o conflito, foram estimulados a iniciarem ou aumentarem a produção de bens agrícolas e industriais substituindo os produtores tradicionais europeus. Os EU A foram os mais beneficiados.

Os GASTOS COM A GUERRA (1914-18)

País · Gastos (US$ bi)

Império Britânico 23,0

França 9,3

Rússia 5,4

Itália 3,2

EUA 17,1

TOTALALIADOS 57,7

Alemanha 19,9

Austria-Hungria 4, 7

TOTAL POTÊNCIAS CENTRAIS 24,7

Fonte: P. KENNEDY, The Rise and Fali ...

Homens em armas 9,5 8,2 13,0

5,6 3,8 40,7 13,2 9,0 25,1

PERDAS DE NAVIOS DAS NAÇÕES ALIADAS (1914-18 em toneladas) Grã-Bretanha

França Itália

Estados Unidos Outros

Total

7.800.000 (7 4°/o do total) 900.000

872.000 453.000 529.000

2. 754.000 (26o/o do total)

Fonte: BARRACLOUGH, The Times Atlas of Wor/d History

2

(17)

CRISE NA ORDEM ECONÔMICA:

Os desequilíbrios no mercado de commodities

~ Nos fins da década de 1920 cerca de 2/3 da populaçãlo mundial ainda se dedicava à produção de bens primários e, no comércio internacional, desde o século XIX, os bens primários

representavam cerca de 3/5 (2/5 referia-se a alimentos e 1/5 a matérias primas)

~ Em 1929, 49 países ainda mantinham uma pauta de exportações onde os bens primários representavam mais de 50% (Canadá, Dinamarca, Holanda, Finlândia, Noruega, entre outros)

~ Entre 1913 e 1929: -a população mundial cresceu 12%

- produção de alimentos 18%

- produção de matérias primas 60%

~ Índice geral de preços de commodities entre 1925 e 1928 reduziu-se drasticamente (alguns produtos chegaram a perder 50% de seus preços)

VARIAÇÃO DE PREÇOS (média 1910-1914

=

100)

Commodity

1919 1920 1925 1929

30 prod. básicos 217 231 157 141

Prod. agrícolas 221 211 154 147

Prod. Têxteis 240 293 192 161

Mat. construção 209 272 184 173

Energia e ilumin. 198 311 183 158

TOTAL 202 226 151 126

Fonte: Extraído de C.P. KINDLEBERGER, The World in Depression

"Beggar-thy-neighbour policy"

1930 118 124 143 163 159 107

~ Em 1927, na Conferência Econômica Mundial havia sido acordado um programa de redução de tarifas; em fevereiro de 1930 foram acertadas as formas de efetivá-lo

~ As dificuldades no entanto foram se agravando e, em maio de 1930, a Câmara dos Deputados já havia aprovado o Smoot-Hawley Act, sendo objeto de intenso debate no Senado

- reduzia-se o número de países dispostos a implementar o acordo de 1927 - França e Itália aumentaram suas tarifas sobre automóveis em março/1930 - Austrália, Índia e outros países elevaram tarifas

- Emjunho/1930 o Smoot-Hawley Act é aprovado e segue-se uma sucessão de aumentos de tarifas em toda parte

~ desemprego na Inglaterra: 1.200 mil em março/1929, um ano depois atingia 1. 700 mil

~ a possibilidade de socorro financeiro esvaneceu-se entre fins de 1929 e meados de 1930

~ antes do colapso de 1929 a Inglaterra, em média, exportava cerca de US$ 600 milhões ao ano,.

em 1930 reduziu quase 40%

~ os EUA que proviam em tomo deUS$ 1.200 milhões reduziu pela metade no ano de 1930

~ o desemprego nos EUA atinge 4,3 milhões em 1930

~ Segue-se uma sucessão de medidas visando à proteção do mercado e dos empregos domésticos (tarifas, desvalorizações cambiais e outras medidas restritivas ao setor externo).

~ O entendimento era de que havia uma crise na economia internacional e cabia ao governo proteger o país e seus cidadãos contra essa crise.

1

(18)

Volume do comércio internacional (mês de janeiro, 1929-1933) 1929

1930 1931 1932 1933

US$ 1.838.000 US$ 1.206.000

US$ 992.000

US$ 2.997.000 US$ 2.738.000

(entre 1929/30 e 1932/33 mais de 40 países haviam reduzido suas exportações em mais de 50%)

Fonte: C. P. KINDLEBERGER, The World in Depression.

Desemprego e déficit público Ano

1930 1932 1934 1936 1938

Desempregados (1.000) 4.340

12.060 11.340 9.030 10.390

Fonte: BARRACLOUGH, The Times Atlas of World History

As políticas de recuperação

O que havia de errado com a economia?

Quem eram os culpados?

Por que as medidas tradicionais não se adequavam?

A crise e a análise econômica:

Saldo (US$ milhões) + 737

(- 2.735) (- 3.689) (- 4.424) (- 1.176)

-a Lei de Say- se a demanda é função da oferta, como explicar o desemprego generalizado?

- a mão invisível - os agentes econômicos agindo livremente não deveriam produzir o aumento do bem estar geral?

- o "Estado mínimo" - a ação fiscal estava sendo mantida nos limites de um Estado que fornecia bens públicos tradicionais como segurança e justiça, será que não caberia ao Estado prover outros bens públicos?

....,_ Por qualquer ótica configurava-se uma situação típica de market failure:

o mercado não se mostrava eficaz na alocação dos recursos .

... O Estado deveria utilizar os recursos da política fiscal com vistas à estabilização e ao crescimento da economia (a preferência pela liquidez de Keynes)

....,_ A economia poderia ser administrada: planejamento econômico:

....,_No plano internacional- tentativas de regulamentação e administração do comércio e dos fluxos de capitais: a) formação de acordos de comércio de commodities

b) Cooperação monetária e financeira: Conferência Monetária Tripartite de Paris (1936)

2

(19)

ÁS POLÍTICAB -oE RECUF'ERAÇ~~\.0 E Ui:Vl NOVO PAPEL PARA O ESTADO E

PARA

O SISTEMA FINANCEIRO

Medidas como o SMOOT-HAWLEY ACT (1930) não funcionaram. Ao contrário, contribuíram para piorar o ambiente econômico. Medidas protecionistas tendem a produzir outras medidas protecionistas como resposta.

As crises geralmente percorrem o seguinte caminho:

1 - negar a existência da crise ou alegar que são breves e passageiras, ou ainda que seus efeitos não são relevantes;

2 - buscar "culpados" e aplicar medidas convencionais para minimização de seus efeitos;

3 - compreender que a crise é "sistêmica" e que a teoria convencional deve ser revista.

HERBERT HOOVER acreditava que a economia americana apresentava muitos "gargalos de ineficiência" e que, em grande medida constituíam as causas da crise. Acreditava também em ações voluntárias para combater a crise.

O que havia de errado com a economia?

Quem eram os culpados?

Por que as medidas tradicionais não se adequavam?

A crise e a análise econômica:

- a Lei de Say - se a demanda é função da oferta, como explicar o desemprego generalizado?

- a mão invisível - os agentes econômicos agindo livremente não deveriam produzir o Aumento do bem estar geral?

.. o "Estado mínimo " - a ação fiscal estava sendo mantida nos limites de um Estado que fornecia bens públicos tradicionais como segurança e justiça, será que não caberia ao Estado prover outros bens públicos?

Por qualquer ótica configurava-se uma situação típica de MARKET FAILURE: o mercado não se mostrava eficaz na alocação dos recursos.

Eleição de F. D. Roosevelt e a proposta do New Deal (1932)

...,. O Estado deveria utilizar os recursos da política fiscal com vistas à estabilização e ao crescimento da economia (a preferência pela liquidez de Keynes)

- déficit público passa a ser admitido como instrumento de estabilização ...,. A economia poderia ser administrada: dinamismo do mercado poderia ser fruto do

planejamento econômico

...,. No plano internacional- tentativas de regulamentação e administração do comércio e dos fluxos de capitais:

a) formação de acordos de comércio de commodities. Os Estados Unidos assinam vários acordos bilaterais de comércio a partir da Lei do Comércio Recíproco (1934) que

substituiu o Smoot-Hawley Act, de 1930.

b) Cooperação monetária e financeira: Conferência Monetária Tripartite de Paris (1936)

WILLIS C. HAWLEY era Deputado Republicano de Oregon, Presidente da Comissão de Meios e Fins (Ways and Means Committee) e REED SMOOT era Senador por Utah e Presidente da Comissão de Finanças.

(20)

"

A ORDEM ECONOMICA INTERNACIONAL DEPOIS DE 1945

A guerra interrompeu a aplicação de políticas de recuperação. Novos deslocamentos

econômicos surgiram com a guerra: fluxos comerciais e financeiros foram interrompidos ou deslocados para outros setores e atividades. Pode-se dizer que as discussões com vistas ao estabelecimento de uma ordem econômica para o pós-guerra tiveram seu início com a assinatura da Carta do Atlântico (14/ Ago/1941 ), que incluía a disposição de se estabelecer uma ordem econômica que garantisse o livre acesso a fontes de matérias primas e a mercados.

A Carta do Atlântico tinha 8 (oito) artigos e estabelecia princípios gerais que deveriam orientar a aliança contra as potências do Eixo:

ARTIGO QUARTO:( .... ) se dispõem a lutar, com o devido respeito por suas obrigações atuais, para o gozo futuro por parte de todos os Estados - grandes ou pequenos, vitoriosos ou vencidos - do acesso, sob condições iguais, ao comércio e às matérias-primas do mundo que são exigidos para a sua prosperidade econômica.

ARTIGO QUINTO:( .... ) desejam obter, de acordo com todas as nações, a maior colaboração possível no terreno econômico, com a finalidade de assegurar para todos, padrões de trabalho melhores, progresso econômico e segurança social.

ÁS INSTITUIÇÕES DE BRETTON WOODS (JUL/1944)

...,.. A liderança dos EUA havia se tomado um fato incontestável. Os EU A possuíam quase % das reservas de ouro do mundo. A Inglaterra saía da guerra endividada e a sua preocupação era a extensão do "lend leasing" (empréstimo dos EUA) como parte do esforço de guerra .

...,.. Por iniciativa do Presidente Roosevelt, a Conferência de Bretton W oods (N ew Hampshire) realizou-se entre 1 e 22 de julho de 1944 com a representação de 44 países. O objetivo

primário era estabelecer as bases da reconstrução econômica quando a guerra terminasse . ...,.. Diferente do que havia ocorrido em 1919, não se pretendia "reconstruir" a ordem econômica do pré-guerra, o termo "reconstrução" referia-se essencialmente à reconstrução fisica e à retomada da atividade econômica tanto nas esferas domésticas dos países quanto internacionalmente entre as economias .

...,.. A Conferência decidiu pela criação de duas instituições - o FMI e o Banco Mundial - que entraram em vigor em 27 de dezembro de 1945. Em nov~mbro de 1947 as duas instituições foram integradas ao Sistema Nações Unidas na condição de agência especializada.

Fundo Monetário Internacional- FMI a) Prover e administrar a liquidez internacional

b) Assegurar o funcionamento de um sistema multilateral de pagamentos internacionais c) Controlar os níveis-de equilíbrio dos balanços de pagamentos (estabilidade cambial) - -

...,.. Estabeleceu-seUS$ 35 = 1 oz de ouro (28,35g) com o tempo as demais moedas deveriam se ajustar a essa relação .

...,.. Cada país participava com uma quota em função de sua importância no comércio internacional. Essa quota representava o peso do país nas decisões do Fundo e também o volume_ de recursos que poderia sacar em caso de desequilíbrio no balanço de pagame.ntos

...,.. Desequilíbrios estruturais (?) deveriam ser objeto de negociação. Variações de até 1%

nas taxas de câmbio não precisavam ser aprovadas pelos governadores do FMI Banco Mundial e a formação de um novo sistema financeiro

a) Promoção e coordenação dos fluxos internacionais de empréstimos e de investimentos: os fluxos financeiros internacionais deveriam ser administrados via Banco Mundial evitando-se, assim, o risco da volatilidade dos capitais que, na década de 1930 havia contribuído para agravar a crise.

b) No início o principal objetivo era o de ajudar a financiar a reconstrução econômica, especialmente da Europa

1

(21)

....,. Estabelece-se um capital inicial de US$ 1 O milhões distribuídos de acordo com a capacidade econômica dos países: 20% no ato da subscrição (2% em ouro e o restante em moeda do próprio país) e 80% apenas quando o país efetivamente necessitasse de fundos (recebimento de divisas em troca de títulos)

....,. Recursos: a) capital subscrito e integralizado; b) títulos vendidos nos mercados de capitais; c) resultados líquidos das operações; d) captação de fundos pela CFI (1956) Comércio

Foi deixado para ser tratado posteriormente. As primeiras propostas estruturadas vão ganhar forma apenas em 1946. Em 1947 foi produzido um primeiro "draft" da carta de uma

"Organização internacional para o Comércio" de onde se originou o GATT (Genebra, 1947).

As instituições e a conjuntura econômica internacional

...,.. EUA tomam-se os principais construtores da ordem econômica internacional e transferem para a ordem econômica suas características e visões a respeito da economia política .

...,.. Os acordos de Bretton W oods, claramente, deram prioridade à disciplina como base da estabilidade econômica. O crescimento das economias seria uma resultante da estabilidade ....,. O grande problema da economia internacional era a falta de liquidez (do/lar shortage). A Europa não dispunha de dólares para adquirir os produtos de que necessitava e, como

conseqüência, os EU A em breve não conseguiriam mais exportar:

"A mecânica do Plano (de White) é tal que impõe uma constante ameaça de escassez de dólares" (J. H. WILLIAMS, Post-war Monetary Plans and other Essays, 1949)

". . . estamos vendendo demais nos mercados do mundo. Isto, na verdade, constitui um dos grandes problemas mundiais. Estamos sempre vendendo demais para o estrangeiro, mais do que eles podem pagar . . . Incapazes de obter pagamentos em dólares, nossos exportadores vêm continuamente acumulando saldos em países estrangeiros, que não podem converter em dólares" (A. H. HANSEN, America 's Role in the World Economy, 1945).

ESTRATÉGIA DE CRESCIMENTO

A discussão sobre o comércio prosseguiu após Bretton Woods e várias conferências foram realizadas com o propósito de recompor o sistema de comércio:

- Genebra, 194 7, estabeleceu o GATT -Havana, 1948, aprovada a Carta da OIC

- Torquay, 1950/51, abandono da OIC: decidiu-se que a ordem econômica não contaria com uma instituição para "capitanear" o regime internacional de comércio

O sistema financeiro move-se para o centro da "estratégia de crescimento".

Os fluxos financeiros deveriam ser administrados pelos governos no plano doméstico e pelo sistema Banco Mundial no plano internacional (CFI- Corporação Financeira Internacional) e pelos bancos regionais de desenvolvimento (p. ex. BID) e agências de desenvolvimento de governos (em especial USAID)

....,. O agente dinamizador seria o Estado e as agências internacionais de desenvolvimento ....,. Uma associação de planejamento econômico por parte dos governos com recursos

financeiros vindos do exterior (ajuda ao desenvolvimento/development aid)

...,.. A dinâmica do crescimento, portanto, estaria centrada no Estado e nos fluxos fmanceiros, diferentemente da ordem do século XIX que se assentava no mercado e no comércio.

Maio/2014

2

(22)

0

SISTEMA FINANCEIRO E A ESTRATÉGIA DE CRESCIMENTO NA ORDEM ECONÔMICA DE BRETTON WOODS

O ambiente internacional da guerra fria foi crucial no desencadeamento de uma estratégia de crescimento internacional baseada na "preferência pela liquidez". O argumento e a explicação podem ter sua base na teoria econômica, mas o "gatilho" que tomou essa compreensão inteligível para os formuladores de políticas (decision makers) foi a guerra fria: somente uma recuperação das economias européias, depauperadas e carentes de capital pela guerra, poderia fazer da Europa uma aliada e não um "peso" a ser carregado pelos EUA...., O Plano Marshall (1947).

Expansão sem precedentes do sistema financeiro oficial. O termo AJUDA ou ASSISTÊNCIA AO DESENVOLVIMENTO (Development Aid) toma-se um objeto central na política externa dos países mais industrializados e também nos programas de ação das organizações internacionais (ONU, OCDE, etc.). Na realidade, agências e bancos de fomento ao desenvolvimento são criados tanto no nível doméstico das economias quanto associados a sistemas regionais e ao sistema ONU .

...., Os agentes financeiros privados deveriam atuar apenas no plano doméstico .

...., Os investimentos internacionais deveriam ser realizados e administrados pelos governos (a- gências bilaterais e agências internacionais de desenvolvimento) .

...., Investimentos internacionais privados estariam restritos à modalidade dos investimentos dire- tos (FDI, empresas multinacionais) ou por meio do sistema Banco Mundial (CFI) .

...., Crescimento passa a ser denominado "desenvolvimento econômico"

...., AGENTE DINAMIZADOR: Sistema financeiro oficial, isto é, agências governamentais dos Estados e agências internacionais de fomento ao desenvolvimento .

...., AçÃo ORIENTADA: associação de planejamento econômico por parte dos governos com recursos financeiros vindos do exterior (ajuda ao desenvolvimento/development aid)

...., DINÂMICA DA ESTRATÉGIA DE CRESCIMENTO: centrada nos fluxos financeiros orientados pelo Estado. Bastante diferente da ordem do século XIX, que era orientada pelo mercado (comércio)

· O CICLO VIRTUOSO DO CRESCIMENTO. Uma obra que reflete de modo fiel a estratégia de cresci- mento nascida de Bretton Woods, foi o livro de W. W. ROSTOW intitulado "The Stages o

f

Eco- nomic Growth" escrito a partir de uma série de conferências proferidas na Universidade de Caro- bridge (U.K.) no outono de 1958. A primeira edição do livro no Brasil data de 1961 (Etapas do Desenvolvimento Econômico", Zahar Editores). W. W. ROSTOW era professor do MIT e era tam- bém consultor influente do Departamento de Estado. É interessante notar que o sub-título da obra era "A Non-Communist Manifesto".

PRIMEIRA ETAPA (sociedade tradicional)- "Sociedade tradicional é aquela cuja estrutura se expande dentro de funções de produção limitadas, baseadas numa ciência e tecnologia pré- newtonianas, assim como em atitudes pré-newtonianas diante do mundo fisico"

I

baixa produti- vidade e predomínio de produção e exportação de bens primários.

SEGUNDA ETAPA (pré-condições para a decolagem)- "A segunda etapa do desenvolvimento abarca sociedades em processo de transição, isto é, as pré-condições para a decolagem se estabe- lecem, posto que leva tempo para transformar uma sociedade tradicional de modo a poder explo- rar os frutos da ciência moderna ... "

I

Essas pré-condições poderiam ser aceleradas por meio das agências de fomento ao desenvolvimento econômico.

TERCEIRA ETAPA (decolagem- take-off)-"É a etapa do em que obstruções e resistências ao desenvolvimento regular são afinal superadas. As forças que contribuem para o progresso eco-

1

Referências

Documentos relacionados

Para parar o fluxo do oxigénio, rodar o botão de controle de fluxo no sentido contrário ao dos ponteiros do relógio para a posição de off (0).. *A cânula não

Tabela 14 – Estimativa da relação da altura de inserção de copa para cada classe de Dap em plantios de paricá sob espaçamento 3 x 3,2 m, com diferentes idades, no sítio bom e

Quando estou sozinha procuro não pensar porque tenho medo de de repente pensar uma coisa nova demais para mim mesma.. Acontece

Texto Publicado em Jornal Oficial: Publicitação integral a que se refere Aviso (extrato) n.º 1097/2021 Nos termos do artigo 11.º da Portaria n.º 125-A/2019, de 30 de abril,

A Área Abaixo da Curva de Progresso da Doença (AACPD) que reflete o comportamento de cada doença em cada híbrido avaliado durante todo o período de execução do experimento

O Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes) analisa as instituições, os cursos e o desempenho.. dos estudantes levando em consideração aspectos

Diante dos fatores já mencionados, para resolução dos problemas existente no controle interno da empresa estudada, propõem-se a aplicação do método de custeio variável,

Os candidatos aprovados na primeira fase (análise curricular) do processo seletivo do MJSP serão convocados para a segunda fase (entrevista, sendo facultativa a