CAPÍTULO II CONCEPÇÃO DE GESTÃO
3.1 O papel do gestor frente a indisciplina escolar
A escola atual exige gestores, dinâmicos, criativos e capazes de interpretar exigências, sem estes aspectos a escola não pode acompanhar as grandes transformações existentes, e não poderá intervir nela.
Podemos entender que gestão tem um papel fundamental e o que pode notar hoje em dia que o diretor, que queira desenvolver uma educação par ao futuro, deve valorizar o individuo, ter empreendimento cooperativista e por as mãos em obra.
“A gestão é uma questão ágil e dinâmica envolvendo a visão política e social, ação para a transformação, cidadania para que a transformação ocorra de forma que a união e o bem comum vençam”. (VEIGA, 1998, p. 59)
A escola no processo de democratização exige essencialmente a participação da sociedade, a descentralização da gestão publica, neutralizando as demandas sociais, desconcentrando os conflitos e envolvendo a população na busca da solução dos próprios problemas.
“Os fatos históricos das experiências participativas e de várias propostas em várias instancias da educação, podendo confrontar com o Estado sobre as vantagens e o sucesso da gestão colegiada com a realidade de cada instituição educacional”.(GADOTTI, 2000, p. 18)
A gestão escolar, através dos grêmios estudantis, conselhos escolares, associação de pais, projeto político-pedagógico, centro
cívico escolar, conselhos de classe, sendo importantes órgãos coletivos de decisões, capazes de superar a prática do individualismo e do grupismo, agregando escola e comunidade, em prol do projeto da escola. (VIANNA: 1986, p. 88)
Segundo Libâneo: “os processos de gestão e administração da escola implicam uma ação coordenada da direção, coordenação pedagógica e professore, cada um cumprindo suas responsabilidades no conjunto da ação escolar”. (1994, p. 23)
O processo de gestão escolar incluem não apenas o envolvimento coletivo na tomada de decisões, como também os meios de articulação da escola com órgãos da administração do sistema escolar e com as famílias.
As gestões democráticas, dentro de uma escola que baseia seus princípios em atividades democráticas, dão chances para que a comunidade participe mais integralmente das ações escolares, tornando-se autores, podendo agir até mesmo na avaliação e proporcionando assim um repensar das atividades e propostas e dando sugestões criticas para a melhoria da qualidade do ensino.
A prática da gestão escolar traz inúmeros benefícios para o desenvolvimento da sensibilidade política e social e participativa no processo de transformação para uma escola igualitária, democrática e principalmente de transformação social.
Para que a escola cumpra sua função de facilitar o acesso ao conhecimento e promover o desenvolvimento de seus alunos, é preciso que todos estejam de acordo sobre a maneira como se desenvolve o processo de ensino-aprendizagem (LIBÂNEO, 2004).
Para tanto, deve-se identificar o papel ativo do sujeito na apropriação e na construção de seu próprio saber, posicionando-se contra formas de ensino ditas tradicionais, nas quais cabe aos estudantes apenas receber do professor o conhecimento em uma versão considerada pronta. Ao adotar uma nova
postura diante do ensino, é necessário conhecer os pressupostos básicos de construção de conhecimentos na escola, bem como os fatores que facilitam a aprendizagem daqueles que a freqüentam.
Cabe ao gestor competente proporcionar o convívio democrático na escola, embora seja um processo desafiador, que se constrói a cada dia, envolvendo toda a comunidade escolar e suas relações com o ambiente externo.
Os dirigentes escolares precisam ocupar-se também, em estabelecer vínculos positivos no processo de ensino-aprendizagem, o exercício de práticas de gestão democrática e participativa a serviço de uma organização da escolar que melhor atenda à aprendizagem dos alunos requer determinadas ações bem como conhecimentos, habilidade e procedimentos práticos.
Num processo de organização, é incontestável que o Gestor da Escola, o seu Diretor, tenha como papel fundamental o de liderar o desenvolvimento do processo de superação do enfoque administrativo e a construção do enfoque de gestão.
É importante a participação ativa de professores e alunos na gestão escolar, para juntos desenvolverem estratégias para a construção de uma comunidade democrática de aprendizagem, tais como, reuniões, debates, aulas, atividades extra-classe, tomada de decisões relacionadas com a vida escolar, conteúdos, processos de ensino, avaliação, de forma interativa e constante exercício profissional.
A forma como o gestor escolar organiza a escola facilitará seu trabalho onde será possível aproveitar o trabalho, ou o desempenho de cada participante da escola. Com isso, a cultura do individualismo cederá lugar a cultura da colaboração, as relações hierárquicas são substituídas pelo trabalho em equipe, coordenação pedagógica, tornando a atividade em que o pedagogo e o professor discutem a melhoria a aprendizagem com base em situações concretas do cotidiano escolar.
Nesse sentido, o gestor escolar e os demais participantes desse processo pedagógico, podem unir-se para acompanhar as novas características dessa sociedade que se apresenta de forma complexa, dinâmica e desafiadora.
O século XXI chegou com rápidas e intensas transformações tecnológicas, os inventos se tornam obsoletos em questão de dias, com isso tudo se torna descartável e impróprio para o uso seguro e eficiente. Conseqüentemente crianças e jovens estão inseridos neste ambiente onde o ter é mais importante que o saber, eles ficam a mercê da tecnologia que todo os momentos apresentam novidades em todos os sentidos.
Os efeitos da globalização trazem consigo profunda mutação social conformando um novo mundo. Os desafios, as incertezas e a vulnerabilidade encontram-se permanentemente presentes em todos os segmentos sociais, gerando complexidade, iniqüidade e desigualdades marcantes. Essa nova sociedade vem acompanhada de uma grande transformação nas relações de produção e de poder, que resultam numa mudança substancial no modo de se perceber as formas de espaço e tempo e, ainda, no aparecimento de uma nova cultura (CLEMENTE, 2008).
Nesse contexto social está a violência inserida e cada vez mais presente, intensa, diversa e preocupante. A violência aparece hoje como um dos focos de preocupação e atenção por negar os direitos fundamentais à maioria da população, não apenas no Brasil, mas também em muitos países do mundo. Essa negação dos direitos do homem encontra explicações em variadas fontes, sendo uma delas o modelo econômico e social excludente que reforça as diferenças ao acesso da população aos bens sociais.
Marinho e Capucho (2008, p. 14) afirmam,
a rapidez extrema com que acontecem as mudanças na sociedade contemporânea acaba por afetar os comportamentos e estilos de vida, fortemente enraizados nas relações sociais e culturais. Essa nova forma de viver estimula o relativismo radical, desencadeando
novas situações problemáticas, entre elas o surgimento da violência gratuita, que afeta diretamente a convivência social.
A violência na escola tem sido bastante discutida atualmente devido a gravidade da situação em muitas instituições escolares, no âmbito nacional e internacional. Neste sentido é hora da sociedade ficar atenta à forma como as novas tecnologias estão sendo usadas pelas crianças.
A mídia de massa, enquanto instrumentos responsáveis pela difusão de valores e normas de comportamento, estruturam as relações sociais, inclusive as desenvolvidas nas escolas. Essas são questões que necessariamente necessitam ser questionadas e pesquisadas. Principalmente no Brasil, onde os interesses políticos e financeiros determinam, direta e indiretamente, a produção cultural. (TIBA, 1996), assim, lança-e um celular modelo novo, a televisão apresenta e a criança, adolescente, jovem e adulto querem um igual. Lança um jogo eletrônico, as crianças querem, é um ciclo vicioso.
A televisão, a internet apresentam várias situações de violência que tem mostrado imagens distorcidas de atos de agressão e violência através de desenhos animados em que os super-heróis utilizam de violência para conseguir os seus intentos, por vezes são atos nobres tais como salvar um amigo em perigo ou para salvar o planeta. O poder de sedução da televisão e a capacidade de imitação das crianças formam uma cumplicidade que pode atuar perigosamente na formação inteligência destas.
Ao contrário do ciberespaço, a violência escolar não é algo novo, e, infelizmente, a cada momento histórico, assume novos contornos. Ademais, a violência se manifesta em todos os espaços sociais tradicionais (família, escola, igreja, política, etc.) e emergentes, como é o caso da sociedade virtual promovida pelas novas tecnologias (MARINHO; CAPUCHO, 2008, p. 17).
Não tem como viver sem as maravilhas tecnológicas, mas é importante enfatizar que, ela não é neutra, a tecnologia está subordinada a
jogos de poder e leis do mercado da sociedade em que está inserida. Desse modo é preciso que os pais estejam atentos ao uso que as crianças fazem com o computador, tendo em vista que a liberdade dos mesmos em utilizá-lo muitas vezes tem deixado-os a mercê de jogos violentos e impróprios para a idade. Assim, as crianças estão constantemente cercadas por violência seja reais ou virtuais que acabam formando em suas mentes e formação a imagem distorcida de que ser normal é ser violento, superior aos demais e por fim indisciplinado.
Considera-se a violência como parte da própria condição humana, aparecendo de forma peculiar de acordo com os arranjos societários de onde emergem. Ainda que existam dificuldades e diferenças naquilo que se nomeia como violência, alguns elementos consensuais sobre o tema podem ser delimitados: noção de coerção ou força; dano que se produz em indivíduo ou grupo social pertencente a determinada classe ou categoria social, gênero ou etnia. Define-se violência como o fenômeno que se manifesta nas diferentes esferas sociais, seja no espaço público, seja no espaço privado, apreendido de forma física, psíquica e simbólica (WAISELFISZ, 1998, p. 145).
Em todo o mundo, a violência na escola tornou-se um tema cotidiano, um importante objeto de reflexão das autoridades e um foco de notícia na imprensa, que vem divulgando, principalmente, as mortes que ocorrem nos arredores e dentro das escolas. Percebe-se que a sociedade, em geral, está bastante preocupada com os problemas da violência no ambiente escolar.
A construção de uma visão crítica sobre o fenômeno da violência mostra-se fundamental para que pais, professores, gestores busquem estratégias amenizem estes problemas de violências.
Há dois tipos de violência: a simbólica e a explícita. A violência simbólica é diferente da violência explícita que vem alastrando-se na sociedade brasileira e até rompendo as barreiras, embora ambas possam ocorrer simultaneamente (GROSBAUM; ALVES; MARTINS, 1994).
Segundo os autores, o conceito de violência simbólica foi criado pelo pensador francês Pierre Bourdieu para descrever o processo pelo qual a classe que domina economicamente impõe sua cultura aos dominados. Bourdieu, juntamente com o sociólogo Jean-Claude Passeron, partem do princípio de que a cultura, ou o sistema simbólico, é arbitrária, uma vez que não se assenta numa realidade dada como natural.
Assim, a violência simbólica expressa-se na imposição legitima e dissimulada, com a interiorização da cultura dominante, principalmente no mundo do trabalho com patrões e empregados. O dominado não se opõe ao seu opressor, já que não se percebe como vítima deste processo: ao contrário, o oprimido considera a situação natural e inevitável.
A violência já se tornou tão explícita que está relativamente banalizada em nossa sociedade. O conceito de violência, muitas vezes, é usado de forma indiscriminada para se referir a agressões, incivilidades, hostilidades e intolerâncias. Nas escolas de todo mundo tem-se apontado grandes índices de violência entre alunos o que se tem denominado de bullying.