4. A QUESTÃO AMBIENTAL E SUSTENTABILIDADE NA MR 04 CAMPO
4.1 A abordagem ambiental na sociedade local
4.1.1 O papel do poder público e da iniciativa privada
O Estado, em suas várias esferas, é o responsável pela elaboração e cumprimento da Legislação ambiental e tem sido o instrumento regulador das macro-questões ligadas ao ambiente, entendido enquanto meio físico, mas disciplinando a conduta humana. Os planos diretores municipais traçam as linhas mestras para ocupação e uso do solo, detalhando mais profundamente a utilização do ambiente a partir da relação sociedade-natureza. Contudo, somente cidades com mais de vinte mil habitantes obrigam-se a ter um plano dessa natureza41. As cidades com menor quantidade de habitantes, sem essa obrigação, esbarram nos custos de elaboração de um plano diretor que é muito dispendioso e exige contração de mão-de-obra qualificada quase sempre ausente nos quadros de pessoal das prefeituras de menor porte.
Muitas delas não têm sequer uma secretaria para cuidar de assuntos ambientais. Em Bandeirantes, por exemplo, somente no dia primeiro de junho de 2004 foi criado a Secretaria de Turismo, Meio Ambiente, Esporte e Lazer, resultante dos trabalhos do Programa de Desenvolvimento Local, Integrado e Sustentável - DLIS42 (SEBRAE/MS), porém, até o fechamento desse trabalho (meados do mês de junho) as atribuições e competências dessa secretaria não estavam definidas. Trata-se, pois de uma construção ainda em processo de gestação operacional, mas com potencial para melhorar o trato com as questões ambientais.
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Conforme Lei Nº 10.257, de 10 de julho de 2001, conhecida por Estatuto da Cidade, em seu parágrafo 41, inciso I.
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O DLIS é uma estratégia que visa fomentar ações que tornem os municípios participantes auto-sustentáveis, despertando e desenvolvendo as vocações econômicas locais (http://www.ms.sebrae.com.br).
Exemplos de falta de definição de secretarias para cuidar das questões ambientais podem ser vistas em vários municípios. Em Jaraguari as questões ambientais são de responsabilidade da Secretaria Municipal de Agricultura e Pecuária. Em Rochedo quem tem esse papel é a Secretaria de Obras. E em Terenos, essas questões não estão nem um pouco definidas. Não existe uma secretaria para tratar das mesmas. A problemática é diluída nas várias secretarias conforme cada caso.
Em Campo Grande, o órgão municipal encarregado de pensar a problemática ambiental é uma das funções do Instituto Municipal de Planejamento Urbano e de Meio Ambiente - PLANURB, através de comissões especializadas nessa temática. Em junho de 2004 foi lançada a Agenda 21 para o município, intitulada “Campo Grande nosso lugar”, com textos básicos para as perspectivas de construção de um desenvolvimento sustentado, além de propostas de ações integradas e dos atores participantes das mesmas (ALMEIDA, 2004).
A não ser em Campo Grande, não existe um Conselho Municipal de Meio Ambiente instituído nos municípios da MR 04. O Conselho é um órgão de caráter consultivo, proponente e de assessoramento do Poder Executivo em questões referentes à utilização racional dos recursos naturais, combate aos problemas ambientais e melhoria da qualidade de vida no município. É um importante instrumento de participação popular e sua ausência compromete a presença da opinião pública nas decisões políticas sobre seu ambiente de vida.
Em relação às Organizações Não-Governamentais – ONGs que se ocupam da problemática ambiental, destaca-se a ECOA – Ecologia e Ação que possui sede em Campo Grande e tem seu principal foco de atuação voltado para o Pantanal. É uma das ONGs mais antigas do Estado, fundada em 03 de junho de 1989 com a finalidade de desenvolver programas de proteção ambiental no meio urbano e rural; buscar a utilização racional dos recursos naturais e lutar pela manutenção da qualidade de vida em um ambiente ecologicamente planejado e equilibrado; participar e promover eventos sobre questões
ambientais; emitir pareceres técnicos, quando julgar necessário ou quando solicitado; divulgar e registrar as ações e posicionamentos da entidade e questionar qualquer ação que seja considerada uma agressão ambiental43. Durante os quinze anos de atuação, somente duas iniciativas foram realizadas na MR 04, conforme sua página na Internet (http://www.riosvivos.org.br). A primeira, em 1997, através da criação de um grupo de jovens entre 16 e 21 anos, denominado Ecoando que no dia 28 de setembro de 1997 executou trabalho de limpeza da área da cachoeira do córrego "Inferninho", em Campo Grande. A outra, em conjunto com o Cedampo (Centro de Documentação e Apoio aos Movimentos Populares), em 1999, foi uma carta ao governador solicitando que a área Mata do Segredo fosse definitivamente designada para fins de preservação permanente. As demais ações foram basicamente na região pantaneira.
Outro componente da sociedade civil organizada que possui trabalho e preocupação com as questões ambientais é o Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia – CREA/MS através da Comissão Temporária do Meio Ambiente. Essa Comissão tem a função de abordagem das questões ligadas a essa temática em todo território sul-mato- grossense e não apenas na escala microrregional.
Quanto à iniciativa privada, não conseguimos informações sobre trabalhos de conservação ambiental na Microrregião Campo Grande. É possível que existam iniciativas isoladas por indústrias motivadas em destacar seu papel ecológico, mas esses dados não estão sistematizados e disponíveis à sociedade civil. As próprias Universidades executam trabalhos de educação e para a conservação ambiental de forma estanque, sem haver um monitoramento, registro e avaliação sistemática das ações desenvolvidas.
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Conforme http://www.riosvivos.org.br/hotsite_subcanais.php?scanal_id=48 visitada em 16 de junho de 2004. A ECOA é a única ONG ligada à questão ambiental cadastrada na ABONG - Associação Brasileira de Organizações Não Governamentais criada em 1991 com a finalidade de representar coletivamente as ONGs junto ao Estado e aos demais atores da sociedade civil. Seu principal objetivo é representar e promover o intercâmbio entre as ONGs empenhadas no fortalecimento da cidadania, na conquista e expansão dos direitos sociais e da democracia (http://www.abong.org.br/novosite/index.asp).
Assim entendido nota-se que o poder público e a iniciativa privada não contribuem decisivamente para compreensão da abordagem ambiental na Microrregião Campo Grande. Existem trabalhos isolados que se perdem no tempo e no espaço por não haver continuidade das ações desencadeadas junto às comunidades locais. Vale a pena, pois entender como a escola de ensino fundamental vem desenvolvendo seu papel de educadora ambiental a fim de se poder conjeturar sobre a implicação desses atores na sustentabilidade regional e dinâmica dos sistemas agrícolas.