“A maior esperança de uma nação está em educar bem a sua juventude”
(Erasmo, cit. Por Estanqueiro, 2012, p.9)
Após a publicação da LBSE (Lei nº 46/86 de 14 de outubro) todos os cidadão tem direito à Educação. Ao longo do tempo este documento sofreu alterações mas permanece na base do sistema educativo até aos dias de hoje (Decreto-Lei nº49/2005 de 30 de agosto). As alterações surgem das exigências da sociedade em alterar o conceito de ensinar passivo acionando um conjunto variado de dispositivos que promovem a atitude ativa de aprendizagem do outro (Roldão,2009). Esta atitude ativa traz uma nova perspetiva de ensino – o modelo construtivista do conhecimento, oposta ao ensino tradicional.
No sentido desta duas conceções de aprendizagem, o professor toma diferentes posições: no modelo tradicional o professor era o centro do ensino, transmissor de conhecimentos estabelecidos nos programas; e no modelo construtivista, o professor passa a ser um orientador do processo de ensino-aprendizagem que acompanha, guia os sucessos e os fracassos da criança, e procura entender as suas fragilidades incentivando-a (Fernandes, 2010). O estudante no primeiro modelo era um sujeito passivo que se esperava que alcançasse todos os conteúdos de cor. No modelo construtivista, é dado ao conhecimento um cunho pessoal uma vez que o significado é construído pelo sujeito em função da sua experiência, isto é, o estudante passa a ser o centro deste modelo (Arends, 1995). Desta forma, a noção de sala de aula também se altera dando lugar a um mundo a explorar através do diálogo, da troca de ideias e discussão das mesmas promovendo assim uma construção significativa do conhecimento. O professor é o orientador do processo de ensino e de aprendizagem, devendo organizar um conjunto de atividades e estratégias que permitam ao aluno assumir a responsabilidade pela sua própria aprendizagem (Estanqueiro, 2012).
Partindo da ideia que a criança vivencia diversas experiências que lhe abrem portas para aprendizagens, quando esta chega à escola não a podemos considerar uma “tábua rasa”. Deste modo, é importante que o docente parta dessas
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aprendizagens, dos conhecimentos prévios e interesses dos estudantes para que estes as possam aprofundar e compreender uma vez que “aprendem melhor quando conseguem ligar os novos conhecimentos às aprendizagens anteriores e à realidade concreta em que se inserem” (Estanqueiro, 2012, p.34). Segundo Sousa (2003), o professor deve ser o “oleiro” do estudante que comparado a um pedaço de barro deve ser moldado. Todavia, a motivação por aprender também é algo importante neste processo devendo o professor acreditar nas capacidades de cada estudante e valorizar as pequenas conquistas, pois estas são grandes para as crianças (Duque, Fernandes & Mariz, 2010) dando-lhes a perceber que cada um ao seu ritmo de aprendizagem tem potencialidade para alcançar o sucesso.
Toda esta evolução leva o ser professor a constituir um processo complexo e evolutivo que compreende em si aprendizagens, experiências e reflexões, que o levem a acreditar no ensino como uma atividade de equipa com base na investigação, para fazer da escola um lugar atraente para os estudantes e de fornecimento de chaves de uma compreensão verdadeira da sociedade da informação (Delors, et al., 1999, p.154). Contudo, como para cada fechadura há uma chave, também as crianças tem necessidades diferentes para desenvolver novas aprendizagens, não sendo possível atender a todas com conteúdos e processos
“só a existência de soluções diferenciadas e ajustadas a cada situação específica pode favorecer o sucesso educativo de todos” (Diogo & Vilar, 2000, p.20).
Para que seja significativa a gestão ativa do currículo, o professor deve tomar um papel de igual forma ativo. É necessário que o professor planifique processos diferenciados de ensino aprendizagem, mobilize estratégias com uma maior intencionalidade específica e diversifique os procedimentos (Roldão, 2009), adaptando “as condições de aprendizagem às dificuldades próprias de cada aluno, no plano de ritmo de trabalho e do tipo de orientação.” (Postic, 1995, p.9).
O professor é a figura fundamental na preparação dos jovens para a construção determinada e responsável de um futuro com confiança (Delors, et al., 1999). Neste prisma, o desempenho do docente enquadra-se em quatro dimensões, segundo o Decreto-Lei 240/2001 de 30 de agosto: dimensão profissional, social e ética;
dimensão de desenvolvimento do ensino e da aprendizagem; a dimensão de participação na escola e de relação com a comunidade; e a dimensão de desenvolvimento profissional. As mesmas são fundamentais “para um desempenho profissional consolidado e para a contínua adequação deste [professor] aos sucessivos desafios que lhe são colocados” (Preâmbulo). Na dimensão profissional, social e ética os docentes assumem uma posição reflexiva e de partilha de práticas educativas, procurando estrutura-las com o objetivo de formar jovens críticos e autónomos numa sociedade, respeitando a diferença pessoas e cultural de cada individuo. As suas funções devem ser assumidas com responsabilidade partindo das
“qualidades fundamentais: sensibilidade relacional, sentido de justiça e integridade pessoal” (Batista, 2011, p.26). Na segunda dimensão, destaca-se as bases que os professores devem tomar em consideração na edificação das suas práticas educativas. Espera-se que os docentes promovam aprendizagens significativas e envolvam os alunos ativamente na construção das suas aprendizagens (Decreto-Lei 240/2001, Anexo III). O professor, segundo a terceira dimensão, deve promover e ser ativo na construção, desenvolvimento e avaliação do projeto educativo integrando nas suas práticas saberes sociais da comunidade e, ainda, promover interações com a família (idem, Anexo IV). Em quarto lugar, e não menos importante, aflora a dimensão de desenvolvimento profissional que se desenvolve na formação inicial de professores e ao longo de toda a vida. “A reflexão fundamentada sobre a construção da profissão e o recurso à investigação em cooperação com outros profissionais”
(idem, Anexo V) leva a práticas educativas significativas sendo estes professores conscientes da complexidade de ensinar.
De forma sumária, a partir do conhecimento de todas estas dimensões e perspetivas do ensino e do papel do professor, pretende-se que os estudantes, reconstruindo e construindo o seu conhecimento, deem forma à escola para que lhes
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permitam adquirir estruturas ricas em aprendizagens significativas formando um ser humano completo em todas as dimensões.