CAPÍTULO I: SER CRIANÇA
1 O CONTEXTO DO PROGRAMA CRIANÇA FELIZ
1.3 O PAPEL DO VISITADOR NO PROGRAMA CRIANÇA FELIZ
O visitador é um profissional com papel importante na atuação do programa, pois é quem realiza as visitas e sabe a realidade das famílias. Atua na articulação intersetorial, na qual, a partir dessa realidade, busca direcionar as necessidades das famílias para as demais áreas (saúde, educação, entre outros).
Na metodologia6 do Programa Criança Feliz, o “papel na ponta” no acesso e contato com as famílias é desempenhado pelos visitadores domiciliares. Eles são os profissionais responsáveis por planejar e realizar as visitações às famílias, em conformidade com o método Cuidados para o Desenvolvimento da Criança - CCD7 e com apoio e acompanhamento dos supervisores.
Em suas formações, o Criança Feliz segue diretrizes do “Cuidados para o Desenvolvimento da Criança – Método CDC”, metodologia elaborada e cedida ao Brasil pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), e do “Guia para Visita Domiciliar”, elaborado pelo MDS, com base no Método CDC. Esses materiais fundamentam-se em uma metodologia de estimulação por brincadeiras e atividades comunicativas com os cuidadores, objetivando o desenvolvimento de suas crianças na primeira infância e o fortalecimento dos vínculos familiares e da capacidade de cuidados.
Já a educação permanente, que também faz parte da estratégia do Programa, se constitui em um ciclo de formação contínua, onde os profissionais se habilitam a partir da identificação de demandas pelos supervisores e visitadores. A proposta é de realização de formação por temas levantados, oficinas presenciais para supervisores, desenvolvimento das temáticas com os visitadores nos planejamentos previstos e a inclusão e/ou reflexão do tema nas visitas domiciliares. Tanto a União quanto os
6 A metodologia do trabalho é baseada no modelo de “Cuidados para o Desenvolvimento da Criança
(CDC) – UNICEF/OPAS” e no Programa Primeira Infância Melhor (PIM), desenvolvido no estado do Rio Grande do Sul. Além disso, as propostas de atividades encontram-se em consonância com a Base Nacional Curricular Comum (BNCC), na qual são propostas atividades para o ciclo da Educação Infantil.
Os conteúdos disponibilizados têm o objetivo de contribuir para o aperfeiçoamento cotidiano da atuação técnica e profissional junto às famílias e as crianças na primeira infância em situação de vulnerabilidade.
7 O método de Cuidados para o Desenvolvimento da Criança (CDC) foi desenvolvido pelo Fundo das
Nações Unidas para a Infância, sendo utilizado em famílias de perfis diferentes, incluindo aquelas em situação de pobreza e extrema pobreza, com crianças malnutrida, abaixo do peso, com deficiência e/ou em situação de risco.
estados são responsáveis por realizar ações de educação permanente sobre o Programa, envolvendo oficinas de alinhamento, teleconferências, encontros, seminários intersetoriais, dentre outros.
Retomando a explicação sobre o fluxo do programa, os supervisores, por sua vez, figuram como pontos de apoio dos visitadores, assistindo o trabalho das visitas, orientando e estimulando as reflexões conjuntas acerca das demandas provenientes das famílias atendidas. Eles também se configuram como elos do Programa com as instâncias de gestão, notadamente, o comitê gestor e a coordenação do programa na respectiva esfera federativa.
Para adequado andamento do Programa, os profissionais contratados devem seguir as orientações do MDS com as atribuições de cada profissional. Essas atribuições são:
▪ Supervisor: profissional de nível superior contratado pelo município, com experiência na área de desenvolvimento infantil, saúde, educação ou assistência social, que atuará no planejamento e registro das visitas, na supervisão e formação continuada dos visitadores e na articulação com os serviços e as políticas setoriais no território.
O supervisor deve buscar, por intermédio do CRAS: viabilizar a realização de atividades em grupos com as famílias visitadas, articulando CRAS e Unidades Básicas de Saúde, sempre que possível, para o desenvolvimento destas ações; articular encaminhamentos para inclusão das famílias nas respectivas políticas sociais que possam atender as demandas identificadas nas visitas domiciliares; mobilizar os recursos da rede e da comunidade para apoiar o trabalho dos visitadores, o desenvolvimento das crianças e a atenção às demandas das famílias; levar, sempre que necessário, situações complexas, lacunas e outras questões operacionais para debate no grupo técnico visando a melhoria da atenção às famílias.
▪ Visitador: profissional de nível médio ou superior, contratado pelo município, com experiência na área de desenvolvimento infantil, saúde, educação ou assistência social, o qual será responsável pela realização de visitas domiciliares.
O visitador deve, dentre outras atribuições: observar os protocolos de visitação e fazer os devidos registros das informações acerca das atividades desenvolvidas; consultar e recorrer ao supervisor sempre que necessário; registrar as visitas em formulário próprio; identificar e discutir com o supervisor demandas e situações que requeiram encaminhamentos para a rede visando sua efetivação (como educação, cultura, justiça, saúde e assistência social) (REDE NACIONAL PRIMEIRA INFÂNCIA, 2015).
As demandas e situações que requerem encaminhamentos para a rede precisam ser discutidas e efetivadas, baseadas no princípio da intersetorialidade. O vínculo empregatício é uma variável interessante para analisar custos e processos. Porém, é mais coerente garantir que os membros do comitê gestor possam solucionar as demandas levantadas pelos visitadores do que focar na qualidade do vínculo dos visitadores.
As visitas domiciliares compreendem uma ação planejada e sistemática, com metodologia específica, conforme orientações técnicas do MDS, para atenção e apoio à família. Envolvem o apoio às famílias em seus esforços com os cuidados para o desenvolvimento integral da criança; o estímulo ao fortalecimento de vínculos, orientando a família sobre atividades e cuidados que fortaleçam o vínculo entre a criança e seu cuidador (a), desde a gestação; e o estímulo ao desenvolvimento infantil, orientando a família sobre brincadeiras e atividades comunicativas que estimulam o crescimento e o desenvolvimento integral da criança.
Essas visitas devem ser conduzidas de forma a valorizar o protagonismo e a autonomia da família na proteção e no cuidado com a criança, com os visitadores utilizando a acolhida, a observação, a realização de perguntas orientadoras e a escuta sobre as práticas de cuidado que as famílias já desenvolvem. Ao invés da realização de atividades diretamente com a criança, privilegia a orientação e o encorajamento da família/cuidador (es) responsável (eis) para que esses desenvolvam as atividades e ampliem a capacidade de interagir e de lidar com as necessidades das crianças.
Assim, fortalece vínculos e a capacidade protetiva das famílias.
O Guia para Visita Domiciliar do PCF traz orientações e sugestões de atividades para todos os públicos abrangidos pelo Programa: crianças e gestantes beneficiárias do PBF, crianças beneficiárias do BPC e crianças afastadas do convívio familiar. O
Programa preconiza que a metodologia estabelecida seja rigorosamente seguida pelos formadores e visitadores, tendo em vista que avaliações precisas já demonstraram a eficácia das estratégias apresentadas no Manual, contribuindo para o desenvolvimento das crianças.