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O papel dos professores das diversas disciplinas

No documento Dislexia (páginas 89-95)

CAPITULO IV REEDUCAÇÃO DA DISLEXIA

4.3. O papel dos professores das diversas disciplinas

Todos os professores envolvidos com os alunos disléxicos devem estar atentos e não subvalorizar:

- dificuldades de leitura, como anteriormente referido;

- caligrafia deficitária, também referido no ponto sobre “dificuldades apresentadas na leitura e na escrita”;

- dificuldades em aprender outras línguas; - baixa autoestima;

- focalização numa área de estudo restrita, em que se tornam especialistas, por oposição às dificuldades inerentes à leitura e à escrita.

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Neste sentido, cabe aos professores titulares do primeiro ciclo e das várias disciplinas dos segundo e terceiro ciclos do ensino básico e do ensino secundário cumprir o estipulado no artigo 16º do decreto-lei 3/2008, de 7 de janeiro e prestar

a) apoio pedagógico personalizado; b) adequações curriculares individuais; e d) adequações no processo de avaliação.

Em relação a cada uma das alíneas apresentamos o que pode ser feito pelos docentes. Assim,

a) Apoio Pedagógico Personalizado

Quanto a esta alínea, como já foi referido anteriormente, será importante relembrar que não é da exclusiva responsabilidade dos professores titulares ou das várias disciplinas. É essencial que os professores trabalhem em conjunto e em sintonia, tanto com o docente de Educação Especial, como com os restantes técnicos que acompanham o aluno, nomeadamente psicólogo e terapeuta da fala. Claro está que a articulação com os pais é essencial, sendo eles os grandes responsáveis pela ligação entre todos os intervenientes no processo educativo.

• No reforço das estratégias utilizadas no grupo ou turma aos níveis da organização, do espaço e das atividades:

- apoiar na organização dos cadernos, livros, restante material escolar e mesa de trabalho;

- colocar a criança numa mesa o mais à frente possível para eliminar as variáveis parasitas que possibilitem a distração;

- verificar se a criança compreende as instruções das tarefas, pedindo-lhe, por exemplo, que as repita;

- criar rotinas de apoio entre pares (aprendizagem cooperativa), de modo que os colegas possam auxiliar o aluno nas atividades da sala de aula;

- realizar exercícios de memorização de palavras, para tornar a leitura mais automática;

- informar previamente o aluno dos textos a abordar na aula seguinte, no sentido de ler repetidamente os mesmos e reconhecer as palavras desconhecidas;

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- os erros ortográficos, de sintaxe, entre outros de caráter linguístico não devem ser contabilizados (também aplicável em momentos de avaliação externa), mas devem ser sempre corrigidos em conjunto com o aluno;

- incentivar à leitura recreativa semanal e durante os períodos de interrupções letivas;

- recorrer às áreas de interesse/gostos da criança, para levá-la a ter prazer pela leitura e pela escrita.

• No estímulo e reforço de competências e aptidões envolvidas na aprendizagem:

- Atividades intercaladas com caráter e grau de dificuldade diferente;

- Aplicação de exercícios de treino da atenção/concentração através de jogos didáticos informatizados, puzzles, quebra-cabeças, jogo das diferenças, …;

- Acompanhamento individual do aluno na aprendizagem escolar, reforçando positivamente cada conquista;

- Criação de oportunidades que permitam ao aluno evidenciar as suas áreas fortes de forma a promover a sua autoestima;

- Desenvolvimento do sentimento de autoconfiança incentivando a criança e encorajando-a perante as dificuldades sentidas;

- Articulação, na medida dos possíveis, com a família, de estratégias orientadas para o desenvolvimento da autoestima.

• Na antecipação e reforço da aprendizagem de conteúdos lecionados no grupo ou turma:

- Antecipação e reforço da aprendizagem de conteúdos, nomeadamente quando estes forem introduzidos pela primeira vez, desenvolvendo atividades diferenciadas, apoiando individualmente o aluno, possibilitando, através do treino e repetição, mais oportunidades de aprendizagem;

- Articulação com o docente de Educação Especial no reforço e antecipação de conteúdos que forem lecionados em contexto do grupo, de forma a criar mais oportunidades para consolidar conhecimentos e contribuir para aumentar os níveis de confiança e autoestima da criança.

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• No reforço e desenvolvimento de competências específicas:

- A par com o docente de Educação Especial, também será possível que os professores:

- utilizem um caderno de três linhas para realizar exercícios de aperfeiçoamento da caligrafia;

- realizem, em conjunto com o aluno, gráficos a assinalar as suas evoluções e sucessos, nomeadamente ao nível da velocidade de leitura;

- realizem ditados, exercícios de divisão de palavras em sílabas, de discriminação fonológica, entre outros;

- utilizem uma grelha de vocabulário cacográfico, no sentido de o aluno aprender a reconhecer e a analisar as suas dificuldades linguísticas.

b) Adequações Curriculares Individuais

Para o aluno disléxico, será importante que estas englobem:

- a introdução de objetivos e conteúdos intermédios em função das competências terminais de ciclo ou de curso, das características de aprendizagem e dificuldades específicas dos alunos; ou

- a introdução de áreas curriculares específicas que não façam parte da estrutura curricular comum.

d) Adequações no Processo de Avaliação

• Tipo de prova:

- Apresentação de textos curtos, com questões curtas e objetivas, preenchimento de lacunas, perguntas com resposta de escolha múltipla, de verdadeiro ou falso, entre outros;

- Simplificação das instruções/questões, em termos de linguagem;

- Classificação de forma diferenciada, tendo em conta parâmetros específicos; - Valorização do raciocínio na resolução de problemas, em detrimento do resultado final;

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- Realização da avaliação com apoio direto da professora de Educação Especial, quando necessário;

- Fornecimento antecipado de temas passíveis de fazerem parte da avaliação; - Fornecimento de pistas/exemplos, para o aluno mais facilmente chegar à resposta;

- Exclusão dos critérios de cotação das penalizações por erros ortográficos, má construção frásica, entre outras questões linguísticas, tanto nos momentos de avaliação interna, como externa (provas de aferição, provas e exames finais, testes intermédios, …);

- Em Português, o texto deve estar separado das questões de interpretação, pois, quando tal não acontece, o aluno perde tempo e informações preciosos enquanto vai virando as páginas em busca de informação.

• Instrumentos de avaliação e/ou de certificação:

- Valorização da participação oral na sala de aula, trabalhos de casa, empenho, interesse, assiduidade, pontualidade, comportamento, entre outros;

- Substituição da avaliação escrita pela oral ou outra modalidade, se necessário; - Avaliação de forma diferenciada, através de testes específicos adequados ao perfil de funcionalidade do aluno.

• Formas e meios de comunicação:

- Leitura individual em voz alta dos enunciados, questão a questão, preferencialmente pelo docente de Educação Especial;

- Explicação de vocabulário e das questões do enunciado, sempre que for solicitado;

- Utilização de letras serifas (por exemplo, garamound) nos enunciados apresentados e nos textos em geral, pois evitam confusão entre grafemas similares.

• Periodicidade, duração e local da avaliação:

- A avaliação deve ser frequente e regular;

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- Prolongamento na realização das tarefas, nomeadamente as provas de avaliação (no mínimo, 30 minutos);

- Realização de mais avaliações, em períodos mais curtos de tempo;

- Quando necessário, deve alterar-se o local de realização da prova de avaliação, no sentido de o aluno estar mais atento e concentrado na resolução dos exercícios, preferencialmente acompanhado do docente de Educação Especial.

Uma outra alínea do decreto-lei 3/2008, de 7 de janeiro (Anexo I) e que, embora não diretamente da responsabilidade dos professores, deve ser supervisionada e direcionada pelos mesmos são as Tecnologias de Apoio, já que o uso do processador de texto (Word) é um excelente aliado em termos de ortografia e caligrafia. Deverá ser utilizado em todos os momentos que exijam o domínio destas competências.

Pelo exposto, compreende-se que o aluno disléxico pode e deve ser apoiado por todos aqueles que, de alguma forma, participam na sua educação, nomeadamente a família, o docente de Educação Especial, os professores do conselho de turma e outros técnicos (psicólogos, terapeutas da fala, …), o que vai ao encontro de Cruz (2011), quando refere que trabalhar no campo das DAE é um processo que atua diretamente sobre o indivíduo. No entanto, não podemos esquecer a sua interação com o meio familiar, escolar e social, etc., já que o êxito ou fracasso da pessoa nos seus estudos é mediatizado pelo seu envolvimento.

Em suma, repare-se que todas as estratégias, aparentemente de aplicação tão simples, são a chave correta para o sucesso educativo dos alunos em geral e dos disléxicos em particular. De ressalvar que, na verdade, não são da única e exclusiva responsabilidade dos professores das disciplinas e titulares. Também os pais, técnicos e docente de Educação Especial têm um papel fundamental no seu desenvolvimento. Uma condição sine qua non nenhuma destas estratégias surtirá o efeito desejado é o real cumprimento do estipulado no Despacho Normativo7-B/2015 (Anexo II), que regulamenta a redução de alunos por turma com dois ou mais discentes com NEE. Só desta forma os professores terão a possibilidade de prestar verdadeiro apoio pedagógico personalizado.

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