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2.3. LOCAL DE ESTUDO

2.3.1 O Parque Popular da Pedreira

Atualmente no Brasil alguns empreendimentos habitacionais de interesse social têm sido realizados por meio de programas integrados, sobre uma determinada área urbana a ser recuperada, que envolvem o desenvolvimento de empreendimentos habitacionais, assistência social e obras de infraestrutura (MATTOS 2008). Com estas mesmas características, o projeto do Parque Popular da Pedreira (PPP), consiste em um Plano Geral de Urbanização para uma área localizada no município de Ijuí, interior do estado do Rio Grande do Sul, que apresenta problemas relacionados à sub-habitação em áreas de APP, junto a duas antigas pedreiras desativadas que transformaram-se em um lixão a céu aberto.

Com inicio das obras em junho de 2012 o projeto do Parque Popular da Pedreira prevê a revitalização de todo o entorno do local, que abrange toda a área destacada em vermelho conforme a figura 14, englobando a Avenida 21 de Abril, entre as Ruas Emilio Glitz e a Guilherme Timm; Rua dos Coroados, entre a Avenida 21 de Abril e a Rua Carlos Guilherme Erig; Guilherme Timm entre a Avenida 21 de abril e a rua do comércio, e a rua Guilherme Erig entre a rua Guilherme Timm e a Emilio Glitz.

Figura 14:Localização das obras do Parque Popular da Pedreira

Segundo a Prefeitura Municipal de Ijuí (2012), o objetivo da construção do parque é solucionar os problemas relacionados à infraestrutura e ao saneamento básico, solucionando as seguintes deficiências do local, como:

Exigências legais que obrigam a preservação e recuperação ambiental - As pedreiras, apesar da degradação ambiental, apresentam belas características paisagísticas além de existirem exigências legais que obrigam a preservação e recuperação ambiental. Soma-se a isto o enorme potencial da área para abrigar atividades de lazer em alguns setores.

Deficiência em áreas de lazer no município – um município com cerca de 80 mil habitantes não conta com estrutura de lazer suficiente para seus moradores, bem como a deficiência de espaços culturais.

Lixão a céu aberto - A área de duas antigas pedreiras desativadas (figura 15) há muitos anos, na periferia oeste do município, transformaram- se em um lixão a céu aberto, com a deposição ilegal de entulhos, lixo doméstico e, até mesmo, de lixo tóxico industrial e farmacêutico. A área contava com uma população de mais de 100 famílias morando em condições subnormais ao entorno e que também depositavam esgoto e lixo doméstico nas pedreiras. Uma das pedreiras desativadas contém um grande lago, de mais de 16mil m², e a outra uma área alagada com características de banhado.

Fonte: Prefeitura municipal de Ijuí 2012

A região em destaque será transformada em um parque de acesso público (figura 16) com áreas de lazer abrigando estrutura com pistas de caminhada, quadras esportivas, quiosques, salas de reuniões, cinema e biblioteca, além de trazer um beneficio socioambiental para a população da região.

Figura 16: Mapa do Parque Popular da Pedreira

que engloba projetos urbanísticos, paisagísticos e de edificações para a urbanização, recuperação ambiental e promoção da inclusão social. Um Plano que foi construído com a participação da população atingida e dos técnicos da municipalidade, e se articula em quatro eixos principais que dão origem aos projetos específicos: habitação social, equipamentos públicos (parque), recuperação ambiental e urbanização. O orçamento para realização do parque popular da pedreira está estimado em cerca de R$ 15.347.200,00 distribuídos nas seguintes áreas:

Urbanização: Urbanização e implantação de serviços públicos e de infraestrutura, tais como a qualificação e complementação da drenagem e redes pluviais; coleta e tratamento de esgoto com duas mini-ETEs nos novos assentamentos; qualificação das redes de abastecimento de água e energia; novo traçado, pavimentação e sinalização das vias existentes, com pistas de rodagem, calçadas, ciclovia, estacionamentos, pontos de transporte coletivo e iluminação pública.

Equipamentos públicos: Implantação da “Praça do PAC” (figura 17) servirá como centro de referência social e cultural das comunidades do entorno. A praça abrigará edificação que reunirá uma Unidade Básica de Saúde, uma Creche e um Posto de Polícia Comunitária, além de outras atividades previstas como: cineteatro, biblioteca, telecentro, CRAS, salas multiuso e espaço para a terceira idade.

Figura 17:Praça do PAC implantação de equipamentos urbanos e qualificação do espaço público.

O Parque Popular da Pedreira servirá como referência de lazer para toda a cidade já que abrigará áreas de estar com quiosques e churrasqueiras, áreas esportivas com canchas multiuso e pistas de skate, caminhos para de corrida e caminhada, atividades náuticas no lago como canoagem e pedalinhos, trilhas ambientais, esportes radicais como tirolesa (figura 18) e rapel, atividades de mergulho, áreas de administração e serviço, estacionamento, arborização, e algumas pequenas edificações destinadas ao apoio das atividades do Parque: restaurante e salão multiuso, sanitários, vestiários, cafeteria, administração e depósitos

Figura 18: foto do lago da pedreira atual (esquerda) e projeto da tirolesa (direita)

Fonte: Prefeitura municipal de Ijuí 2012

Recuperação ambiental: Será realizada a remoção de resíduos sólidos e limpeza das Pedreiras com a recuperação de ambientes degradados e seus possíveis focos de doenças (ex: dengue), bem como a eliminação de pontos de esgoto à céu aberto, estabilização de barrancos e contenção em áreas de risco geológico. Recuperação das APP‟s com programa de reflorestamento da mata ciliar e estabilização das margens dos cusros d‟água, principalmente de trecho do Arroio Espinho. Implantação de sistema de aquecimento solar para as novas unidades residenciais. Definição de novo destino para a usina de asfalto, localização de “bota-fora” para coleta, seleção e destinação de resíduos sólidos e futura implantação na área de Usina de Triagem de Resíduos Sólidos (transbordo).

Habitação: A principal necessidade da região do PPP foi a remoção das 52 famílias da Vila Pindorama da área de preservação permanente (APP) e reassentamento em unidades unifamiliares e multifamiliares localizadas em novo parcelamento junto à Av. 21 de Abril, bem como a reurbanização total da Vila Suvaco da Cobra incorporando-a ao bairro Thomé de Souza, além nova estrutura viária e parcelamento e construção de

realizando o reassentamento de 154 famílias que viviam em situação de risco . A proposta do projeto foi mais ampla, pois por meio de estudos pela Secretaria de Habitação do município, foi apontada a necessidade da realização 179 unidades residenciais (conforme tabela 02), deste modo gerando um excedente para utilização em outros programas de reassentamento de famílias em áreas de risco da região.

Tabela 2: Quantificação das unidades habitacionais necessárias

Fonte : 3c arquitetura e urbanismo 2012

A primeira medida foi à retirada das famílias de suas antigas moradias e realocando-as em casas alugadas, onde o pagamento do mesmo foi e é em alguns casos realizado pela prefeitura municipal de Ijuí. O projeto para a habitação consistia em diversificar os tipos de moradias de maneira econômica, mas com a capacidade de se adaptar às diferentes realidades familiares identificadas pelo Cadastro Social realizado pela Secretaria de Habitação. Baseando-se nestas informações foram propostas unidades multifamiliares de um, dois e três dormitórios e unifamiliares de dois ou três dormitórios em lotes individuais.

A implantação do conjunto é proposta de maneira a integrar as áreas de habitação de interesse social ao conjunto da cidade com a disposição de áreas comerciais e de uso comunitário no térreo dos edifícios multifamiliares ao longo da Av. 21 de Abril.

a) Habitações unifamiliares

As unidades unifamiliares projetadas (figura 19) são adaptáveis a diversos arranjos das famílias. Permite à complementação do número de cômodos construído inicialmente através da subdivisão do piso superior (já provido de estrutura para suportar o peso resultante) e da ocupação da faixa destinada a garagem/varanda no piso térreo. Desta forma, além adaptar-se a realidades diversas nas famílias, permitem a geração de renda com a possibilidade do uso comercial do térreo. A forma proposta busca evita criar uma homogeneidade que submeta as habitações individuais ao ponto de não poderem ter identidade próprias. Do mesmo modo, criam limite claro da expansão da habitação, coibindo a favelização do conjunto uma vez que limitam a altura a cumeeira do telhado e já preveem espaço para expansão internamente.

Figura 19: Unidades unifamiliar

Fonte : 3c arquitetura e urbanismo 2012

Em relação à estrutura, as edificações propostas contam com paredes de alvenaria portante de tijolos ou blocos cerâmicos, com vigamento em concreto armado realizando a amarração e lajes mistas (vigota e tavelas), e cobertura de telha cerâmica. Procura-se assim uma solução racionalizada, que em sua execução permita a padronização dos procedimentos e elementos principais, mesmo que baseada na tecnologia mais conhecida e usual. A utilização da laje mista evita o uso de formas para as lajes, que se for acompanhado do reaproveitamento das formas para as vigas consegue uma enorme economia de recursos e evita grande quantidade de resíduos. Em relação aos lotes

perdendo pequeno percentual de área, mas jamais ultrapassando os limites máximo de 200m² e mínimo de 125m².

Às configurações internas, foram propostas as seguintes opções:

• 2 dormitórios - com sala de estar, jantar, cozinha e área de serviço (externa) térreos e no segundo pavimento, dormitórios e banheiro no (área útil total = 43,1m²);

• 3 dormitórios - com sala de estar, jantar, cozinha e área de serviço (externa) no térreos e no segundo pavimento, dormitórios e banheiro no (área útil total = 53,4m²);

Os mesmos podem ser ampliados através da ocupação da área utilizada para garagem (junto ao estar) e da construção de mais um ou dois dormitórios no piso superior, alcançando as seguintes possíveis configurações:

• 2 dormitórios - com sala de estar mais área estendida (possibilidade de aumento da área social ou utilização comercial com acesso independente), jantar, cozinha e área de serviço (externa) e no segundo pavimento, dormitórios e banheiro (área útil total = 61,7m²);

• 3 dormitórios - sala de estar mais área estendida (possibilidade de aumento da área social ou utilização comercial com acesso independente), jantar, cozinha e área de serviço (externa) térreos e 3 dormitórios e banheiro no segundo pavimento (área útil total =71,0m²);

• 4 dormitórios - com sala de estar mais área estendida (possibilidade de aumento da área social ou utilização comercial com acesso independente), jantar, cozinha e área de serviço (externa) térreos e 4 dormitórios e banheiro no segundo pavimento (área útil total =77,8m²).

Conforme figura 20 e 21 é possível observar o modelo da unidade unifamiliar adotada como padrão e suas variações

Figura 20:Casa padrão

Fonte : 3c arquitetura e urbanismo 2012 Figura 21: Casa padrão - variações

Fonte : 3c arquitetura e urbanismo 2012. b) Habitação multifamiliar

O projeto das unidades multifamiliares elaborado pela 3c arquitetura e urbanismo, sugere edificações de quatro pavimentos, sendo que no térreo as mesmas

adaptadas a portadores de necessidades especiais e idosos.

Os acessos verticais são propostos em escadas permitindo a posterior instalação de elevadores. Os acessos horizontais –corredores – são dispostos na face sul dos edifícios, ajudando deste modo a proteger os apartamentos das mudanças de temperatura. Os quartos dos apartamentos deveriam seguir a orientação norte (com exceção dos apartamentos de três dormitórios), as áreas com instalações hidráulicas são agrupadas junto aos corredores, facilitando e barateando a manutenção e as salas de estar permitem a circulação cruzada de ar entre as fachadas, favorecendo enormemente o conforto térmico.

As plantas dos andares têm configurações diferentes, mas mantêm a mesma a modulação estrutural. No térreo, as unidades comerciais e institucionais ocupam as extremidades, enquanto que apartamentos de um e dois dormitórios preenchem o restante. No segundo pavimento as unidades de três dormitórios estão nas extremidades e as unidades de um e dois dormitórios tem a mesma configuração do térreo. Nos outros dois pavimentos, 3º e 4º, as unidades de 3 dormitórios são dispostas na mesma posição de duas unidades de um dormitório dos pavimentos inferiores, produzindo um mix com as unidades de dois dormitórios.

As unidades têm as seguintes configurações (conforme figura 22):

• Tipo I e I‟: 1 dormitório, cozinha/serviço, sanitário e sala de estar/jantar (área útil unitária = 28,5m²). A variação entre os tipos é devida a disposição da planta em “L”, o tipo I tem os dormitórios para o norte, enquanto que o tipo I‟ tem cozinha, WC e dormitório para sul, mantendo o estar para o norte;

• Tipo II e II‟: 2 dormitórios, cozinha/serviço, sanitário e sala de estar/jantar e sacada (área útil unitária = 43,1m², com possibilidade de integração da sacada de 2,8m²). A variação entre os tipos é devida a disposição da planta em “L”, semelhante ao tipo I; • Tipo III: 3 dormitórios, cozinha/serviço, sanitário e sala de estar/jantar e sacada (área útil unitária = 54,2m²), com possibilidade de integração da sacada de 2,8m²);

• Tipo III‟: configuração diferente de planta, mas com os mesmos componentes do tipo III (área útil unitária = 54,2m²).

Figura 22: Unidades multifamiliar

Fonte : 3c arquitetura e urbanismo 2012

Todas as unidades têm circulação cruzada de ar na sala de estar, priorizando o conforto térmico e a qualidade do ar interno. Além disso, as áreas úmidas foram organizadas de forma a otimizar as instalações hidráulicas e facilitando a manutenção por localizar-se junto a circulação condominial.

A proposta inicial de projeto das edificações tanto uni quanto multifamiliares se basea em um sistema estrutural simples e de baixo custo. Por meio de alvenaria portante com modulação constante com o objetivo de permitir o aumento de eficiência e o barateamento da construção. A modulação racionaliza o projeto sem impedir que o usuário modifique os espaços internos através da composição de sistema de faixas com função estrutural e faixas sem essa função., outro aliado é o fato de manter os vãos em pequenas dimensões para não incorrer em vigamento de amarração e viabilizar o uso de lajes de vigota e tavela que simplificam a concretagem e eliminam fôrmas.

iniciando-se na fase 0 ate a fase 3, totalizando um período de 2 anos. Tabela 3: Detalhamento das fases da obra

Fonte: Prefeitura municipal de Ijuí 2012

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