pre abominou as atitudes "revisionistas" dos PC ortodo xos; o colapso do socialismo soviético apenas confirmou que não estavam equivocados. Portanto, o PCdoS nada tinha a reformular, permanecendo nas suas posições stalinistas e revolucionárias inspiradas na luta de c1as-
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ses. Em seu VIIIº Congresso, reafirmou abertamente to das as suas posições anteriores, prosseguindo na linha da Esquerda Revolucionária.
As Organizações Militaristas e Trotskistas não
se sentiram constrangidas pelo colapso do socialismo soviético; nada mais do que um desconforto momentâ neo. Por isto, continuaram agregados ao Partido dos Tra balhadores, permanecendo na linha interna radical e de oposição aos "moderados" não só no Partido como tam bém na Central Única dos Trabalhadores (CUT).
É
interessante saber que as esquerdas no Brasil também incluem outras linhas político-ideológicas não marxistas, cujas organizações e partidos entretanto mui to se relacionam com os grupos e partidos revolucionári os do Movimento Comunista. São freqüentes as alianças eleitorais e a "sintonia" das respectivas palavras-de-or dem, numa aceitação generalizada do "pluralismo das esquerdas", das frentes populares e das "alianças de clas se" recomendadas por Gramsci. Neste grupo não-mar xista estão:A Esquerda Reformista brasileira, representa da pela social-democracia da Internacional Socialista (POT) e pela social-democracia Fabiana (PSOB), não sofreu qualquer abalo com os acontecimentos na União Soviética.
A Esquerda Laborista, representada pelo Parti do dos Trabalhadores, se define como socialista.
É
radi cai na atuação política, expondo uma prática nasserista (c), socialismo autóctone sem vinculação ao marxismo. Aproxima-se entretanto da concepção pragmática de Gramsci, principalmente pela atuação dos seus intelectu ais orgânicos, adquirindo uma feição política mais identificada com a revolução do que com o reformismo.A Esquerda Clerical não se abalou com o que
aconteceu na União Soviética; tem uma visão própria do
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socialismo. Ficou menos ruidosa após 1991, muito mais provavelmente pelas atitudes firmes do Papa João Paulo II em condenação à Teologia da Libertação e à esquerda clerical, do que por inibição pela crise do comunismo. Porém os mais notáveis religiosos filomarxistas ainda não fizeram a sua autocrítica, ao contrário, continuaram fir mes em suas posições e solidários àqueles que se opõem aos "revisionistas" social-democratas.
As esquerdas adjacentes a Movimento Comunis ta no Brasil se completam com grupos de menor expres são mas muito atuantes: os anarquistas, os "socialistas" populistas (d) e o Movimento Revolucionário Oito de Ou tubro, MR-8, organização da "luta armada" do período de
1966 a 1974.
O sinótico seguinte esquematiza as esquerdas brasileiras no ano de 2003:
AS ESQUERDAS NO BRASIL
UE RDA REVOLUCIONÁRIA
COInunista
Stallnista -PCdoB. PCB (novo) e MR-8
T"otskista -PSTU e PCO Gramscista - PPS e PSB Sectário Laborlsta - PT @ UER A REFORMISTA Ingtes,. -fablalUI -PSDB DcnlOCntcla da II Intcl'11ftclonnl- PDT CLERICAL POPULISTA Tnlbalhislno
===== Sergio Augusto de Avellar Coutinho =====
A débâcle do comunismo soviético deu oportuni dade à descoberta da concepção revolucionária do italia no Antônio Gramsci. A práxis gramscista, própria de uma fase aparentemente democrática de luta pela hegemonia no seio da sociedade dita burguesa foi também adotada ou aproveitada "de carona" por todos os partidos da es querda revolucionária (e). Os "empreendimentos" políti cos e psicológicos desta fase servem tanto para construir a hegemonia das "classes subalternas" e a conquista da "sociedade civil" pela atuação dos partidos gramscistas, como para a "acumulação de forças" e a criação do clima revolucionário pelos partidos comunistas de orientação stalinista e trotskista. Nas condições políticas atuais, to dos eles são organizações políticas legais que fizeram opção tática pela "via pacífica" para a conquista do poder, tratando de ostentar uma prática legítima de participação do jogo político com todas as aparências democráticas na atual fase revolucionária.
A luta pela hegemonia, na verdade subversão in telectual e moral da sociedade nacional, se tem notabili zado pelo protagonismo de uma difusa classe constituída de intelectuais orgânicos colocados em posições-cha ve de comunicação de massa: mídia, cátedra acadêmica e do ensino médio, artes, editoras, etc. Assimilando ou tomando os intelectuais tradicionais adesistas ou ingênuos por aliados, inocentes úteis ou companhei ros de viagens, já constituem uma oligarquia autoritária que, fazendo a censura de fato e o monopólio do discur so, exercem a direção cultural e política da sociedade e do próprio Estado e conduzem o processo revolucionário por meio do consenso em termos de objetivos e práti cas, o que lhes garante unidade de ação e de propósitos.
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NOTAS
(a) O Partido Comunista/Seção Brasileira da Internacional Comunista (BC/SBIC) logo se autodenominou Partido Comunista do Brasil com a sigla PCB. Pouco antes da Intentona de 1935, adotou a denominação de Parti do Comunista Brasileiro para descaracterizar sua li gação à Internacional Comunista Soviética, guardando a mesma sigla PCB. Em 1962, após o XX Congresso do PCUS, um grupo dissidente "rachou" com o Partido e fundou o novo Partido Comunista do Brasil, agora com a sigla PC do B que guarda até hoje. O velho Par tido, o Partidão, prosseguiu, sempre fiel a Moscou, até
1991 quando o colapso da URSS o levou a renovar-se e a assumir nova feição e nova sigla: PPS (Partido Po pular Socialista). Outra vez, uma dissidência interna, contrária a esta mudança, reuniu-se e recriou o antigo PCB.
(b) Agentes revolucionários enviados pela Internacional Comunista se anteciparam a Prestes para o preparo da revolução no Brasil: Henry Berger (i.e. Arthur Ernest Ewert), alemão; Rodolfo Gluoldi e Carmem, argentinos; Leon-Jules Valée e Alphonsine, belgas; Victor Allen Barron (agente de ligação), americano; Paul Franz Gauber e Érika, alemães. Em abril de 1935, Prestes chegou ao Brasil acompanhado de sua mulher Olga Benário, ativista comunista alemã.
(c) Nasserismo, concepção revolucionária socialista não marxista; que se caracteriza pelo nacionalismo radical. Tem origem no pensamento e ação política do primeiro presidente do Egito Gamai Abdel Nasser. De alguma forma é o modelo do socialismo autoritário dos países islâmicos; capitalismo de estado.
O nasserismo do Partido dos Trabalhadores não se refere a uma linha político-ideológica assumida mas a uma referência ao socialismo autóctone não-marxista que parece ter adotado.
(d) Socialismo nacionalista populista, tendência política sem definição ideológica, mas autoritária, estatizante,
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demagógica e xenófoba. Este tipo de esquerda se tem manifestado na América Latina com feição golpista e com desfecho freqüente em ditaduras pessoais.
(e) A geral aceitação de certos aspectos pragmáticos de concepção revolucionária gramscista pelos diferentes partidos de esquerda tem constituído um traço comum e um fator que contribui para a formação de "frentes" e a adoção de semelhante estratégia de tomada de po der. Este fenômeno tem sido denominado de
"transversalidade" .
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