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O Plano do Complexo Turístico Cultural Recife Olinda

CAPÍTULO 3 A RENOVAÇÃO URBANA DA FRENTE D’ÁGUA DO

3.1. Breve Histórico da Frente d’água do Recife

3.2.3. O Plano do Complexo Turístico Cultural Recife Olinda e o Projeto

3.2.3.1. O Plano do Complexo Turístico Cultural Recife Olinda

O Plano do Complexo Turístico Cultural Recife Olinda – CTCRO começa a ser construído, oficialmente, em 21.10.2003, a partir da assinatura de um Protocolo de Intenções entre o Governo do Estado de Pernambuco e as Prefeituras Municipais do Recife e de Olinda, visando à congregação de esforços para a adoção de iniciativas e medidas com vistas à elaboração, viabilização e implementação do Plano.

De forma a ampliar o apoio, é firmado, em 27.04.2005, um Acordo de Cooperação Técnica entre os poderes executivos federal, estadual e municipal do Recife e de Olinda, para a implementação do Plano do CTCRO e para a elaboração do Projeto Recife Olinda – uma Operação Urbana voltada para as áreas de intervenção do Plano do CTCRO (PROJETO, 2006; NÚCLEO, 2005).

Com a celebração deste acordo fica definido o Modelo de Gestão do Plano do CTCRO, a partir da constituição de um Conselho Político, um Núcleo Gestor e das Câmaras Temáticas. Conforme pode ser visto no esquema da Figura 28, o Conselho Político, instância superior de decisões, era composto pelos governos municipais das duas cidades, pelo governo estadual e pelo governo federal, representado pelos ministérios envolvidos.

O Núcleo Gestor era composto também por representantes dos entes acima mencionados, e tinha como atribuição o acompanhamento e avaliação do grau de atendimento das metas, para negociação do plano anual e das atividades do Plano, tendo o papel não somente de discutir e direcionar os estudos, como também de prestar contas do que vinha sendo decidido e aprovado.

Nas câmaras temáticas, além dos representantes dos governos, tinha a participação da Organização Social Núcleo de Gestão Porto Digital (NGPD), especificamente na Câmara Temática que tratava do Projeto Recife Olinda (PROJETO, 2006; NÚCLEO, 2005).

Figura 28: Organograma do funcionamento do Modelo de Gestão

Fonte: PROJETO Urbanístico Recife Olinda (2006, p. 7)

A respeito dos acordos firmados entre os três níveis de governo, argumenta- se a necessidade deles pelas múltiplas dimensões que o Plano do CTCRO envolve, entre outros aspectos, ressaltando, por conseguinte, o pioneirismo desta iniciativa pela amplitude das suas articulações, conforme vemos a seguir:

“A complexidade e as múltiplas dimensões destes planos requerem a superação das visões setoriais e a articulação da ação dos vários órgãos e níveis de governo envolvidos, assim como a necessidade de superação de uma visão fragmentada e atravessada por interesses de natureza político-partidária. (...) Esta articulação se dá de forma pioneira, não só entre diferentes entes da Federação, mas também, entre os setores envolvidos dentro de cada um deles: desenvolvimento urbano, turismo, cultura, desenvolvimento econômico, entre outros.” (PROJETO, 2006, p. 8).

Percebe-se que, apesar do Plano do CTCRO não ter sido efetivamente implementado, havia uma preocupação com o envolvimento de todos os entes governamentais necessários, além da criação de uma modelagem econômica e urbanística43, e também uma articulação intersetorial, visto que o Plano previa ações em diversos setores, como os investimentos em ações culturais que dariam suporte a atividade turística, ao mesmo tempo em que promoveriam a valorização da cultura local.

Cada ente envolvido no Plano do CTCRO tinha, por conseguinte, uma função importante nas negociações para que todas as ações previstas pudessem ser implementadas. Pode-se perceber que o Plano contava com o apoio do Governo Federal, que participava por meio dos Ministérios da Cultura, do Planejamento, orçamento e gestão, do Turismo, da Cidade, e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN.

No âmbito federal, era essencial a participação da Secretaria de Patrimônio da União, integrante do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, pois grande parte do solo a ser utilizado no Projeto Recife Olinda era de propriedade da União, num total de 145 hectares, que correspondiam a 30,85% da superfície da zona de intervenção, estando sob a jurisdição da Marinha do Brasil (Vila Naval e Escola de Aprendizes de Marinheiros), da Portobrás (Porto do Recife), da extinta

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Informação obtida na entrevista realizada com o arquiteto João Roberto Peixe, em 15 de outubro de 2013, um dos profissionais responsável pela construção do Plano do CTCRO.

Rede Ferroviária Federal S.A. - RFFSA (Cais José Estelita), além de terrenos de marinha ao longo da costa e de áreas estuarinas (PROJETO, 2006).

Ainda no começo da elaboração do Plano do CTCRO, em 2003, o Governo do Estado de Pernambuco firmou acordos de colaboração com duas empresas, uma local – a Porto Digital44

, e outra internacional com experiência na gestão de grandes projetos – a Parque Expo45

.

Data de 20.08.2003 a celebração de um protocolo com a Empresa Parque Expo, definindo um quadro de cooperação técnica e financeira para o desenvolvimento de um plano de ação e a configuração de um modelo de intervenção institucional e jurídico com vistas à viabilização do Plano do CTCRO.

Em 10.11.2003, ocorre a celebração de um Contrato de Gestão com o Núcleo de Gestão do Porto Digital, com o objetivo de construir a cooperação técnica para apoiar, implementar e acompanhar o desenvolvimento de estudos de viabilidade de Projeto de Requalificação Urbanística, Expansão Imobiliária e Atração de Investidores para o território do Complexo Turístico Cultural.

Buscando uma convergência dos objetivos, é assinado, em 29.09.2004, um contrato entre o Porto Digital e a Parque Expo com vistas à concepção do projeto de requalificação urbanística e ambiental da Zona de Intervenção e a Modelagem da Operação Urbana (NÚCLEO, 2005)

Para a construção do Plano do CTCRO, foram elencados, inicialmente, os programas e projetos governamentais que estavam em andamento dentro seu território de atuação, ou em área de influência, para que pudessem ser articulados a

44 Porto Digital – Entidade que tem por objetivo a concepção, estruturação e gestão sustentável de um ambiente

de negócio capaz de criar e consolidar, em Pernambuco, empreendimentos de reconhecida qualidade, através da interação e cooperação entre universidades, empresas, organizações não governamentais no Estado de Pernambuco. Concentra a sua atuação na requalificação do espaço urbano e na área da tecnologia da informação.

45 Parque EXPO 98, S.A. – Entidade responsável pela realização da Exposição mundial de Lisboa de 1998 e

pela concepção e execução do projeto de reconversão urbanística da Zona de Intervenção designada como Parque das Nações (Lisboa, Portugal).

novos projetos e ações que seriam propostos, visando o desenvolvimento integrado do território.

Os programas e projetos governamentais que tem interface com a área de abrangência do Plano estão demarcados na Figura 29 apresentada a seguir.

Figura 29: Programas e projetos governamentais na área de atuação do Plano do CTCRO.

LEGENDA:

Fonte: Adaptado do COMPLEXO (2007, p. 21)

Segue uma descrição sumária dos programas e projetos governamentais existentes elencados pelo Plano do CTCRO:

§ Projeto Monumenta: Programa do Ministério da Cultura de revitalização de centros históricos urbanos que procura conjugar a recuperação e a preservação do patrimônio histórico e cultural com o desenvolvimento

socioeconômico, e conta com o financiamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento – BID e o apoio da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura – Unesco;

§ Porto Digital: Projeto de desenvolvimento econômico que agrega investimentos públicos, iniciativa privada e universidades, definido como Arranjo Produtivo de Tecnologia da Informação e Comunicação, com foco no desenvolvimento de softwares, localizado no Bairro do Recife, responsável pela recuperação de edifícios históricos;

§ Prometrópole: Programa de Infraestrutura em Áreas de Baixa Renda da Região Metropolitana do Recife, visando a melhoria das condições de habitabilidade e o desenvolvimento comunitário da população que reside na Bacia do Rio Beberibe nas cidades de Recife e Olinda;

§ Projeto Via Mangue: Projeto da Prefeitura do Recife para a construção de uma avenida que ligará o bairro do Pina às ruas que margeiam os canais Setúbal e Jordão;

§ Projeto Capibaribe Melhor: Tem como objetivo a melhoria da qualidade de vida dos habitantes da Bacia do Rio Capibaribe, no trecho situado entre a BR-101 e a Avenida Agamenon Magalhães, por meio da implantação de projetos de intervenção socioambiental, de acessibilidade e de mobilidade; § Prodetur: Programa do Ministério do Turismo que visa a expansão e melhoria

da atividade turística e da qualidade de vida das populações residentes nas áreas beneficiadas. Tem financiamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento – BID;

§ Habitar Brasil BID - HBB: Programa financiado pelo BID, para o fortalecimento institucional dos municípios e a execução de obras e serviços de infraestrutura urbana e de ações de intervenção social e ambiental;

§ Programa de Reabilitação de Áreas Urbanas Centrais: Programa coordenado pelo Ministério das Cidades, que busca promover o uso e a ocupação democrática das áreas urbanas centrais, propiciando a permanência da população residente e a atração de população não residente por meio de ações integradas que fomentem a diversidade funcional e social, a identidade cultural e a vitalidade econômica destas áreas;

§ Programa de Habitação de Interesse Social: Programa do Ministério das Cidades que tem como objetivo a melhoria do padrão mínimo de salubridade, segurança e habitabilidade das edificações produzidas no âmbito do processo de autogestão habitacional no país.

O Plano do CTCRO definiu quatro territórios para atuação: Territórios Olinda e Tacaruna (em Olinda), e Territórios Recife e Brasília Teimosa (no Recife), dentro dos quais foram priorizadas ações para os núcleos de concentração de manifestações e equipamentos culturais. As ações planejadas, que aproveitavam também os projetos existentes que não tinham sido executados, levavam em conta as dimensões territorial, turístico-cultural e socioeconômica.

Outra delimitação foi definida pelo Plano do CTCRO, agora em vistas ao Projeto Recife Olinda – a Operação Urbana que pretendia viabilizar grandes transformações urbanas em áreas estratégicas com relação à localização e/ou à existência de terrenos ociosos. Esta delimitação diz respeito ao zoneamento que define os graus de prioridade para as intervenções e a abrangência dos impactos das mesmas.

O Projeto Recife Olinda tem ações prioritárias nos terrenos das frentes d’água do Recife e de Olinda, abrangendo a área de estudo desta pesquisa que foi delimitada pela faixa compreendida entre o Porto do Recife e o Cais José Estelita. Desta forma, vamos dar continuidade abordando aspectos da gestão do Projeto Recife Olinda.