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3.2 – O poder brande (Soft Power) e o entretenimento religioso

Para o melhor entendimento dos efeitos que as ações do entretenimento causam nas pessoas, independentemente do segmento utilizado (comercial, cultural, econômico, religioso, etc) se faz necessário tomar emprestado uma das principais teorias das Relações Internacionais, nos jogos promovidos pela diplomacia, que é o conceito de Soft Power (Poder Brando).

Para tanto, se faz necessário compreender o surgimento desta ferramenta decifrada por Joseph S. Nye Jr., renomado professor de Serviços Distintos e ex-reitor da Kennedy Schoolof Government de Harvard. Nye Jr adquiriu seu bacharelado na Universidade de Princeton, depois de estudar filosofia, política e economia em Exeter College na Universidade de Oxford, e obteve seu Ph.D. em Ciência Política pela Universidade de Harvard.

Além de sua Teoria mais recente que fala sobre os conceitos do Soft Power, que serão explicadas neste capítulo, Ney foi fundador junto com Robert Keohane das renomadas “Teoria da Interdependência”, “Teoria da Interdependência Complexa nas Relações Internacionais”, além da consagrada “Teoria do Neoliberalismo”.

Tais teorias exploram as relações transnacionais em um ambiente de política mundial, fazendo do entretenimento um dos seus principais e poderosos instrumentos de convencimento e manobra de massas populacionais, conquistando os seus corações, mentes e principalmente as suas respectivas economias, haja vista que, a mais de 100 anos o dólar (moeda dos Estados Unidos) é o principal lastro monetário mundial.

O conceito de Smart Power (Poder inteligente), desdobramento do Soft Power (Poder Brando) desenvolvida pelo Prof. Ney, também atuando como membro da Coalizão de Orientadores para o Projeto de Segurança Nacional, tornou-se popular com o uso desta frase por membros da administração Clinton, e mais recentemente na administração Obama.

Em meio à vastidão dos pensamentos enriquecedores que há nas teorias escritas pelo professor Ney, esta dissertação se limitará a discorrer sobre a teoria denominada como Soft Power, descrita na obra Soft Power: the Meansto Success in World Politics (2004). Sendo que o conceito de Soft Power traz em seu fundamento a capacidade de afetar os outros atores para obter os resultados por meio da atração ao invés da força.

Para tanto, se tratando de uma nação, ambiente largamente estudado pelo professor Nye, tal “Poder Brando” passa a influenciar através da cultura os valores advindos de um país, em meio a ações de políticas internacionais. Desta forma, surgindo o chamado “Poder Inteligente” (Smart Power), que combinam momentos de brandura (Soft Power) e dureza (Hard Power) para conversão de corações e mentes dos que passaram a admirar e obedecer aos donos desta política diplomática.

Esta relação de poder é tão convincente que fez com que a diplomacia internacional norte-americana estivesse ao longo da história promovendo o Soft Power em todas as nações do mundo, sendo esta essencial para que no momento conhecido como Guerra Fria (1947-1991), o diálogo pode prevalecer em meio a poucas guerrasque ocorreram na periferia do mundo. Se sustentando por quase meio século, sem que a terceira guerra mundial pudesse ocorrer.

Trazendo rapidamente um pouco este conceito diplomático para o cenário atual, e sem entrar no mérito diplomático, a luta contra o terrorismo transnacional parte de um contexto que busca conquistar adeptos de ambos os lados desta fronte, aonde o Smart Power (conjunção entre o Soft-brando e Hard-puro Power) busca equilibra esta guerra, onde não há nem data nem local definido para o próximo confronto.

Assim, o Poder Brando (Soft Power) e por que não dizer poder intelectual, através da venda de valores de uma nação é a capacidade de afetar os outros (nações ou indivíduos) para obter os resultados de simpatia desejada, sem que um único míssil seja disparado.

Em geral, a história diplomática mostra que se pode afetar o comportamento de outras pessoas de três maneiras principais: primeiro é através de ameaças e coerção, segundo é incentivando e utilizando algum tipo de pagamento/compensação, e terceiro desenvolvendo uma atração que faz o outro querer ser o que você é, ou ter o que você tem.

O Soft Power trabalha justamente no terceiro aspecto. Exportando os valores culturais ou padrões morais idéias, comumente vendidos, entre outras coisas, pelas telas dos cinemas de Hollywood e os inúmeros seriados que invadem o mundo.

Assim, um país pode obter os resultados que deseja na política mundial porque outros países querem segui-lo, admirando seus valores e exemplos vendidos pelas tetas do entretenimento, aspirando desta forma um nível de prosperidade e abertura como se vê sendo um exemplo de modelo ideal. Mesmo que muitas vezes tudo isso na pratica seja plástico e intangível.

Desta forma, para que este poder passe a influenciar um número ilimitado de nações é fundamental definir uma agenda mundial, atraindo outros atores nesta política

mundial. E não os forçar a mudar através de ameaças militares ou pagamentos de acordos comerciais. Sendo que muitas vezes esta coerção ou venda se faz necessária, em meio às animosidades que o universo entre nações está sujeito se dispor, mas esta prática fica cada vez mais rarefeita, em meio a influencias que se prendem a disseminação de valores culturais, que trazem respeito e a não guerra em meio a uma sociedade cada dia mais secularizada.

A política do Soft Power faz com que os demais atores passem a querer o mesmo que o agente influenciador quer, aglutinando as pessoas e seus respectivos grupos ao invés de coagi-las a fazer o que o líder quer que seja feito. Sendo que esta mesma ação diplomática pode ser vista em meio às práticas da igreja/negócio, na conversão de pessoas e suas comunidades que passam a querem o mesmo que seus agentes influenciares quer que seja a mesma prosperidade e o enriquecimento financeiro, utilizando para isso o espetaculoso mundo das maravilhas do entretenimento religioso.

No caso de todas as diplomacias, seja ela internacional ou religiosa, é interessante entender o quanto o professor Ney foi perspicaz em decifrar que um poder suave em meio aos que participam do pleito, passa a pairar de maneira mais eficaz sobre a capacidade de moldar as preferências dos outros, segundo as expectativas de uma liderança focada em entender que, em meio a um discurso de igualdade, existem os tentáculos da velha e conhecida dominação entre a espécie humana.

Quando saímos do nível entre nações e passamos a patamares do cotidiano entre pessoas, é sabido o quanto o jogo dos poderes da atração e da sedução influencia nas decisões correntes.

Os poderes empresariais, políticos, religiosos, entre outros, há tempos praticam este jogo, que advém da definição das agendas de debates, eventos, comícios e da determinação da estrutura de uma interlocução que faz parecer que todos podem ter voz em meio a uma sociedade democrática de direitos iguais.

Agendas em sua grande parte descontraídas para que se possa ter um ar de entretenimento em meio ao caos social que se vive nos dias de hoje. Principalmente nos meios urbanos, aonde todos são banhados por inúmeros eventos pagos que acontecem por toda parte. Tendo como essência a venda de valores culturais segmentados, em uma afinada e camuflada tônica etnocêntrica.

Os eventos a cada dia mais vão deixando as distorções que o passado recente trazia na distinção das raças para o ajuntamento de pessoas, trazendo em nossos dias uma nova e fresca distorção nos entretenimentos espalhados pelo séc. XXI, que são as tribos, e suas respectivas etnias. Sendo cada uma desta, para si, um mundo ideal e a parte das outras etnias, surgindo assim a cada dia, mais e mais a tal das distorções etnocêntricas.

E em meio a estes pequenos nichos de influência, o Soft Power passou a ser um marco da política democrática cotidiana. Agora não mais regulando as relações entre nações e sim entre pessoas de um mesmo país.

A capacidade de estabelecer preferências tende a ser associada cada vez mais a ativos intangíveis, como uma personalidade atraente, cultura, valores e instituições de toda a sorte de atividades que são vistas como legítimas ou com autoridade moral acima das demais. Sendo que o mais interessante é que umas se sobrepõe a outras com a autoridade de uma suprema legitimidade, deixando de lado o respeito intelectual que deveria pautar as relações entre iguais.

O que mais passa a ficar claro com o passar dos tempos, é que estes diversos mundos sabem coabitar entre si, sem que guerras armadas se deflagrem em sua maioria das vezes, já que o Soft Power prega a não guerra direta e sim silenciosa e cultural.

Ocorrendo também assim com as diversas denominações do chamado universo evangélico, e por que não dizer, do mundo da Universal que orbita em torno do principal elemento de Soft Power religioso mundial, o Templo de Salomão Brasil.

Na prática, o que se vê é o próprio Smart Power (Poder Inteligente) religioso, que é a junção do Soft Power (Poder Brando) com o Hard Power (Poder Duro), já que, em meio à brandura suntuosa vendida pelo Templo de Salomão Brasil, há uma dureza no discurso das maldições demoníacas, que recairá sobre os que não entenderem os propósitos das campanhas de prosperidade material.

Talvez o professor Nye, quando inaugurou o Smart Power, não se deu conta que estaria fazendo uma vestimenta para além das Relações Internacionais, e que cairia muito bem nas relações sociológicas contemporâneas, principalmente no tema das Ciências da Religião.

Sem sombra de dúvidas, as contribuições do professor Joseph Ney Jr. foram um presente da cátedra das Relações Internacionais para todas as áreas do conhecimento, e principalmente para as Ciências da Religião quando a utilização do Soft Power, modestamente posto nesta dissertação, que Passou a ter a pretensão de decifrar tanto os aspectos sociológicos como religiosos de uma comunidade religiosa brasileira.

Esta contribuição Nye a área da religião é tão significativo que mostra algo que vivemos todos os dias, já que se algum líber ou denominação religiosa pode fazer outras pessoas quererem fazer algo sem que haja uma coerção explicita, e isto passa pelo acumulo de capitais em meio a um mundo essencialmente faminto por prosperidade financeira, este influenciador terá sem dúvidas uma campanha bem sucedida. Fazendo parecer que isso vem do próprio consumidor e não do vendedor de sonhos, desenvolvendo um enorme poder de atração através da venda de tais valores. Passando a ser muito mais que um simples e mero poder de persuasão quando o Nome de Deus é proclamado. Sendo que neste contexto surge outro tema: se o Nome de Deus está sendo proclamado em vão ou não? Podendo ser este debate proposto para outro momento.

Assim, se comparada a igreja/negócio aos aspectos de comportamento entre atores nas Relações Internacionais, pode-se dizer que o Soft Power é o próprio Poder Atrativo (Attractive Power), podendo ser tal poder o principal ativo produzido pela sociedade do séc. XXI em suas mais diversas comunidades, inclusive a religiosa. Já que é deste poder de atração que se passa a controlar: corações, mentes, guerra e paz.

E se este ativo, tão poderoso em meio às sociedades contemporâneas, tem como principal pano de fundo uma paz aparente através de eventos de entretenimento, pode-se entender que os conceitos que regem a: sociedade, política, economia, comércio e principalmente a religião, passam a estar associado a este poderoso ativo chamado Poder Brando Religioso – Soft Religious Power.

E se este contingente de atrações múltiplas passa a captar interessem étnicos específicos, produzindo resultados desejosos aos seus respectivos grupos influenciadores, há que se ter uma visão mais aprumada para entender o papel do Soft Religious Power (Poder Brando Religioso) em meio aos interesses de cada um desses grupos: governamentais, internacionais, nacionais.

Se essa atração, por sua vez, produz resultados desejados de políticas que movem o mundo, deve ser julgada em cada caso particular e respectiva área de atuação.

Sendo no caso específico desta dissertação o segmento da igreja/negócio.

Há uma composição entre poder medido em resultados comportamentais e poder medido em termos de recursos, já que o comportamento de cada indivíduo faz movimentar volumes de recursos, em que os agentes influenciadores são pessoas e seus pares que possuem as mesmas necessidades/desejos.

No caso das ações que geram esta relação entre comportamento e recursos na igreja/negócio, é a mesma necessidade/desejo por prosperidade financeira que passa a movimentar seus comportamentos em busca de recursos, mas que na prática o volume de recursos que se move pela massa de pessoas, para se obter um bilhete premiado de prosperidade a cada encontro religioso, passa a transferido aos donos da igreja/negócio milhões de reais.

No caso da política internacional, os recursos que produzem Soft Power surgem em grande parte dos valores que uma organização ou país expressa em sua cultura, nos exemplos que estabelece por suas práticas e políticas internas e na forma como lida com suas relações com os outros.

A diplomacia pública é um instrumento que os governos usam para mobilizar esses recursos para se comunicar e atrair os públicos de outros países, e não apenas seus governos. A diplomacia pública tenta atrair chamando atenção para esses recursos potenciais por meio principalmente do entretenimento (Cinema, Parques Temáticos, Série, Esportes, Música, etc.) subsidiando exportações culturais, organizando trocas e assim por diante.

E se o conteúdo da cultura, dos valores e das políticas de um país não for atraente, a diplomacia pública que os “transmite” não pode produzir Soft Power, pode produzir exatamente o oposto. E é por isso que amadores não têm espaço para se obter uma boa política de Soft Power. Isso deve ser feito por profissionais, e para isso há que se terem vultosos volumes de recursos financeiros.

Com base em buscar elementos que provem que atualmente há uma modalidade que desenvolve novos prosélitos adequados a igreja/negócio do século XXI, este

projeto teve no decorrer de suas linhas a pretensão de utilizar na consagrada “Teoria da Interdependência Complexa” concebida por Joseph Nye Jr, apresentando o conceito que aborda tais bases teóricas internacionais de se conquistar mentes e mercado através de uma força aparentemente invisível e branda, que é o Soft Power também dentro do ambiente religioso.

Sendo que este elemento de poder, o Soft Power utiliza como principal arma de ataque a “venda dos valores” de uma nação ou empresa, através principalmente do Entretenimento (cinema, música, castelos mágicos, etc.). Assim, com o passar do tempo, o neopentecostalismo vai alicerçando cada vez mais suas estruturas de uma igreja secularizada o decorrer do tempo.

Sofisticando a cada instante a maneira de se produzir “Entretenimento Religioso” através da política do Soft Religious Power (Poder Brando Religioso), desvendada ineditamente por este projeto, em que se tornam cada vez mais aderentes as tais práticas para dominar as mentes sem pavimentação bíblica fundamentada. Isto é, aos que trocam a adoração pela atração espetaculosa em busca de compensações financeiras com o Sagrado e não o bom fruto dos benefícios do por vir.

Desta maneira, este material finaliza o seu roteiro descritivo literário entendendo ser o principal ícone de todos os “Entretenimentos Neopentecostais” surgidos até os dias de hoje no Brasil, e por que dizer, nos tempos atuais em todo o mundo, o Templo de Salomão Brasil.

Reconfigurado em sua concepção original israelita, como busca entender este estudo, pela igreja/negócio que a concebeu (Igreja Universal do Reino de Deus – IURD), em um sofisticado monumento circense, em seus premeditados e inúmeros produtos que passam a derivar deste Templo principal.

Um verdadeiro “Castelo dos Sonhos dos Evangélicos”, semelhante a um dos

“Castelos dos Sonhos” de Wald Disney, principalmente no que tange o entretenimento dos lindos contos de fadas e magia, representada na luta entre o bem contra o mal.

No caso específico da diplomacia norte-americano, uma política bem orquestrada amortecendo a razão lógica do mundo, que passa a ser invadida pelo poder econômico norte-americana através da diversidade do Entretenimento encontrado

naquela nação. Levando os valores da terra do “Tio San” às mentes, principalmente de crianças em formação que, um dia serão governantes de suas respectivas nações, e como fãs inveterados de Mickey Mouse e sua turma, nunca mais poderão afastar suas culturas da cultura do “Entretenimento Americano”, já que no limite passaram a ser uma única cultura, e não apenas dos Estados Unidos.

Assim, o objetivo central desta dissertação foi buscar as hipóteses que demonstraram esta mesma venda de valores através do “Entretenimento Religioso”, por meio do Templo de Salomão Brasil, aos evangélicos de todas as partes do mundo e não só do Brasil. Tudo isso sendo demonstrada através do Soft Power, proposta nas teorias de Joseph Nye.

Desta forma este projeto pretende entender o quanto o Templo de Salomão Brasil, outrora um Templo de propriedade moral, intelectual, histórica e espiritual dos filhos de Salomão, foi desmantelado, por uma jogada de marketing genial, deixando para trás o próprio Phillip Kotler, pai do marketing moderno.

Por fim, na busca em explicar tais movimentos do Entretenimento Religioso que emana da plataforma neopentecostal se dá em utilizar um instrumento atualizadíssimo da diplomacia mundial, que é poder obtido através Soft Power, convertendo agora este conceito naquilo que esta obra passa a chamar de Soft Religious Power (Poder Brando Religioso).

Decodificando as ações de uma igreja/negócio instalada no Brasil, com atuação em todo mundo, e que parece capturar seus esforços economicamente tangíveis, e nada espirituais, através de um produto também palpável, que é o Templo de Salomão Brasil, imprimindo neste empreendimento imobiliário o selo Made in Brazil, através do Reino Universal da Maravilhas Religiosas.