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2 DIMENSÃO CONCEITUAL DO PODER: ESTADO E A CONSTITUIÇÃO DAS RELAÇÕES DE PODER NA SOCIEDADE CAPITALISTA

2.2 O poder representado no uso de mecanismos simbólicos

A segunda seção deste capítulo tem como foco de análise discutir os conceitos de “poder relacional”, “campo”, “habitus”, “capital simbólico” e “violência simbólica” e “dominação” desenvolvidos pelo sociólogo e filósofo francês Pierre Bourdieu8 e

compreendê-los como substanciais para pensar as relações de poder na esfera das relações sociais. Em obras como O Poder Simbólico e A Reprodução, o teórico francês evidencia as estratégias e instrumentos utilizados pelos grupos dominantes na sociedade para a reprodução das desigualdades sociais existentes.

8Pierre Bourdieu (1930 – 2002), nascido em Denguin, França, foi um filósofo, sociólogo e professor na

École de Sociologie du Collège de France. Notabilizou-se por seus escritos nas áreas de educação, cultura, sociologia, filosofia, sendo eles: O Poder Simbólico (1989), A Reprodução (1978), Meditações Pascalinas (2001).

A produção do teórico francês é complexa e abrangente, tem se consolidado ao longo das últimas décadas devido sua capacidade de analisar como as relações de poder permeiam e se manifestam nos diferentes grupos sociais. Em sua necessidade de explicitar as relações de poder inseridas na realidade social, Bourdieu (1989) afirma o compromisso de elucidar as formas implícitas de dominação das classes na sociedade capitalista é mostrando que o exercício da violência física, repressiva não é o meio exclusivo que a classe hegemônica utiliza para a reprodução da lógica do capital.

Nesse raciocínio sobre o poder, os conjuntos simbólicos propiciam a construção daquilo que pode ser entendido como realidade, a forma como nos relacionamos com os objetos concretos, por meio de suas representações, nos permite enxergar um processo epistemológico da própria realidade, do conhecimento e da sociedade. Nesse sentido, os discursos estabelecidos a partir das práticas sociais no Estado capitalista legitimam a lógica de poder e da dominação. Portanto, para Bourdieu (1989), os discursos simbólicos constituem a lógica do poder, que são propagados pelos meios de comunicação, pela difusão do conhecimento e pelos aparelhos repressivos. A efetivação dessa lógica será viabilizada de uma reciprocidade entre os que praticam o poder e os que serão subjugados por tal prática. E nesse raciocínio que o teórico francês evidencia o conceito de poder relacional, que pode ser compreendido como sendo as diferentes relações sociais, configuradas em espaços sociais distintos, em que determinados indivíduos ou grupos exercem a capacidade de manipular, controlar ou influenciar as ações e práticas dos demais sujeitos. Assim, certos grupos de indivíduos conseguem impor suas vontades e o poder sobre os grupos sociais.

As pesquisas de Bourdieu (1989) viabilizam a compreensão da interatividade entre os agentes sociais na organização social da realidade, sempre objetivando ações de mudanças. O autor evidencia que os diversos atores sociais consolidam um mundo social, de forma coletiva e individual, levando em consideração estruturas concretas de diferentes tipos de capital, que propiciam poder, sejam eles simbólicos, culturais, físicos e materiais.

Assim, a dominação por parte de uma visão hegemônica de mundo torna-se possível por meio da imposição do capital simbólico construído e acumulado pelos

sujeitos que ocupam um determinado campo social. Convém elucidar que, quanto maior o nível de interação social entre os sujeitos, maior será seu poder devido ao acúmulo de capital simbólico adquirido. Faz-se necessário ressaltar que Bourdieu (1989) considera as relações sociais como constituídas por relações de sentido, comunicação, simbólicas. Na interação desenvolvida no interior da dinâmica social, podemos considerar as possibilidades de consolidação da visão hegemônica, cristalizada por sujeitos que possuem o controle e a credibilidade de um grupo social, tendo o discurso conhecido e aceito por eles.

A partir do exposto, Pierre Bourdieu desenvolve os conceitos de “Poder Simbólico”, “Habitus” “Campo” e “Capital Simbólico”.

O primeiro conceito, o Poder Simbólico, representa para Bourdieu (1989) o poder oculto. Distinto do poder repressivo do Estado, ligado aos aparelhos coercitivos, ou da violência física imposta pelas relações sociais cotidianas, o poder simbólico é aquele que não se revela, não evidência seu caráter repressivo, pois, é o poder que domina sem que os indivíduos se apercebam de tal situação.

Na etapa inicial da obra O Poder Simbólico, o teórico francês conceitua o poder simbólico como a forma pela qual as classes hegemônicas exercem poder, valendo- se de um capital simbólico construído historicamente e reproduzido por intermédio de práticas sociais e instituições. Bourdieu (1989) destaca que os signos são mecanismos que possibilitam a integração social por excelência e contribuem para a consolidação de um consenso social a respeito da realidade. Esse consenso contribui, substancialmente, para a reprodução dos valores hegemônicos dominantes. Nesse sentido, o poder simbólico estrutura-se em um poder não perceptível por todos os grupos sociais e que só pode ser difundido com a complacência daqueles que não querem saber quais grupos lhe exerce influência e poder.

Na mesma etapa da obra, o sociólogo francês faz análises das formas simbólicas a partir de duas perspectivas: a primeira, que os sistemas simbólicos, como mecanismos de conhecimento, exercem poder estruturante porque foram estruturados. Nessa lógica, o poder simbólico torna-se um poder construtor de concepções de realidades e procura legitimar uma prescrição epistemológica da realidade, ou seja, busca estruturar a forma como percebemos o mundo em que vivemos. Se estabelece, portanto, uma compreensão única do espaço e tempo. A

segunda perspectiva refere-se ao fato de que as diferentes estruturas constituídas estão a serviço das classes burguesas que objetivam a dominação das classes subalternas. Para Bourdieu (1989), esse processo ocorre por meio da imposição ideológica, o que evidencia como a violência simbólica é legitimada pelo poder simbólico.

Percebe-se, até aqui, a necessidade de consolidação de práticas de poder de um grupo social sobre outros para que, no exercício das relações, as desigualdades se manifestem e se cristalizem. Em Bourdieu (1989), a efetivação dos conjuntos simbólicos e de conhecimentos, na lógica da dominação, servem para a construção da realidade que possui o intuito de estabelecer uma concepção única de mundo social, na medida em que os diferentes atores sociais entrem em concordância quando a ideia de tempo, espaço, práticas culturais, manifestações econômicas e políticas.

Nesse sentido, enquanto Poulantzas (1980) faz uma constituição histórica da luta de classes, das tensões e condensações das estruturas do Estado, a partir de um ponto de vista crítico, Bourdieu (1989) por sua vez, realiza uma análise das estruturas como mecanismo metodológico para compreender a concepção específica das manifestações simbólicas, por meio do isolamento da estrutura a cada produção semiótica. Assim, tomando emprestado aspectos da tradição estruturalista, as formas simbólicas, os idiomas, as práticas culturais, as vivências sociais, nos permitem compreender como esses mecanismos de mediação, que são estruturas construídas historicamente pelos grupos sociais, estabelecem a relação entre o objeto concreto e sua representação.

Bourdieu (1989) argumenta, também, que as produções humanas simbólicas servem como estratégias de dominação, por contribuírem para a integração das frações de classes dominantes e fragmentarem as frações das classes dominadas para a consolidação da ordem hegemônica estabelecida, mediante as distinções hierárquicas de classe. Para que a manutenção do status quo permaneça, é vital que os objetos materiais e concretos possam se reproduzir nas estruturas mentais. O sociólogo evidencia que a formação das estruturas implica em perceber a presença da luta de classes nos campos de poder. Nessa lógica, as diferentes classes sociais

e frações de classes envolvem lutas simbólicas para consolidar a concepção de realidade social vinculada aos seus interesses (BOURDIEU, 1989).

O segundo conceito, Habitus, para Bourdieu (1996) denuncia a forma como os indivíduos internalizam as estruturas sociais de um determinado campo. É a tradução das vontades e características dos sujeitos, a forma como vivencia o mundo e a realidade a partir de um campo social. Para o autor:

O habitus são princípios geradores de práticas distintas e distintivas – o que o operário come, e sobretudo sua maneira de comer, o esporte que pratica e sua maneira de praticá-lo, suas opiniões políticas e sua maneira de expressá- las diferem sistematicamente do consumo ou das atividades correspondentes ao do empresário industrial; mas são também esquemas classificatórios, princípios de classificação, princípios de visão e de divisão e gostos diferentes. Eles estabelecem a diferença entre o que é o bom ou é mau, entre o bem e o mal, entre o que é distinto e o que é vulgar, etc., mas elas não são as mesmas. Assim, por exemplo, o mesmo comportamento ou o mesmo bem pode parecer distinto para um, pretensioso ou ostentatório para outro e vulgar para um terceiro (BOURDIEU, 1996, p. 22).

Assim, o habitus são estruturas internalizadas pelo sujeito social que possibilitam atuar na realidade; viabiliza a conexão entre o indivíduo e o coletivo; se manifesta nas primeiras estruturas sociais, como: família, igreja, escola e etc. e, a partir do que foi construído nessas diferentes instituições sociais, os sujeitos organizam seus pensamentos, ações e formas de agir no mundo. Para Bourdieu (1996) o habitus não é fixo e eterno, ao contrário, sofre influências e modificações ao longo da trajetória humana, a partir das diversas interações sociais. Segundo o sociólogo, a liberdade inerente à vida dos seres humanos e sua conexão com as situações de vivência no interior das relações sociais possibilitam a compreensão do

habitus como um processo histórico, cujo desenvolvimento é propiciado,

ininterruptamente, por situações novas e conflitantes.

Ainda na discussão sobre o habitus, Bourdieu (1996) elucida que esse conceito é vital para as seguintes desmistificações: primeira, o ser humano não possui autonomia absoluta para atuar sobre o mundo, uma vez que o mesmo não é totalmente livre. Segunda: o ser humano não é um mero receptor das vontades

sociais, ou seja, distancia-se da abordagem do determinismo, cujo ser humano oferece, apenas, respostas aos estímulos da sociedade.

A partir disso, Bourdieu (1996) traz o conceito de habitus para as relações de poder. Para o teórico, o mesmo torna-se um mecanismo de reprodução da separação entre os grupos sociais, enquanto estrutura estruturante que forma as percepções do homem sobre a realidade, o habitus é também estrutura estruturada, sendo este último o mecanismo organizador da percepção do mundo social e, também, responsável pela internalização da divisão de classes (BOURDIEU, 2007). O estar vinculado a uma classe social é, em si, o resultado da internalização do habitus. Esse processo dá-se por intermédio das relações sociais entre os sujeitos.

A partir do conceito de habitus, Bourdieu (1996) estabelece divergências com a abordagem estruturalista, cuja qual não propicia espaço teórico sobre a autonomia dos campos e não considera a participação dos agentes sociais. Para o sociólogo francês, os campos se constituem a partir de estruturas próprias, com concepções próprias. Ele estuda e compara os diversos campos sociais a um jogo no qual os sujeitos se inserem. O indivíduo, nessa lógica, atribui valor ao mesmo, torna-se conhecedor das regras e estabelece conclusões se é válido ou não participar.

O teórico elucida que o jogo se torna viável porque o indivíduo encontra-se estruturado a entendê-lo como pertinente, por intermédio das estruturas que são simétricas a ele, por meio do seu habitus constituído. Nesse raciocínio, forma-se o que Bourdieu (1996) chama de estruturalismo construtivista, compreendido como a relação entre o interesse do agente social em participar do jogo, a esfera subjetiva, em concomitância com as heranças da estrutura social no qual se encontra inserido, e a esfera objetiva.

Nesse sentido, nos é possível entender o habitus como um conceito que oferece ao sujeito a sua atuação na realidade. Não se configura, apenas, na repetição das estruturas, mas permite ao agente social a criação, mudança e transformação da história e da realidade concreta a partir de seu habitus, do campo em que está vinculado e considerando as regras do jogo (BOURDIEU, 1996).

O terceiro conceito denominado Campo, é, para Bourdieu (2004), um espaço social com autonomia relativa. Esse conceito foi desenvolvido pelo sociólogo francês para se distanciar de outras duas explicações: as internalistas e externalistas, como

relatado na obra Os Usos Sociais da Ciência. Nessa obra, Bourdieu faz uso da seguinte explicação para entendermos como as análises científicas de um objeto são feitas: as produções sociais e culturais, vinculadas aos diferentes tipos de conhecimento, seja religioso ou científico, são consideradas objetos de análises. Ao alcançarem uma análise científica para as produções, os internalistas advogam que, para a compreensão de uma obra artística, literária, seria suficiente lê-la. Por sua vez, os professantes da lógica externalista, como os marxistas, segundo Bourdieu, advogam que, para a compreensão de uma obra artística, literária, seria substancial entender os elementos externos, ou seja, o contexto histórico, social, político e econômico, a classe social que o produtor está vinculado, etc. No que se refere ao conhecimento científico, Bourdieu (2004) afirma que pesquisadores e estudiosos advogam por uma das alternativas, cujo processo o autor nomeou como “erro do curto- circuito”.

Nesse sentido, o campo seria meio termo entre os dois extremos. Existem os campos científicos, tecnológicos, políticos, econômicos, ou seja, um contexto e realidade no qual se inserem os agentes sociais e as organizações que produzem e reproduzem a ciência, a tecnologia, a política, a economia. Por se tratar de um mundo social com suas particularidades, os mesmos possuem regras próprias, logo, são espaços sociais com autonomia relativa.

O sociólogo utiliza a própria estrutura das universidades para exemplificar sua discussão sobre o campo. Diz que a universidade é com um campo com suas peculiaridades e que no interior dela existem outros campos, tais como: campo político, financeiro, burocrático, etc. Por sua vez, a universidade está inserida dentro de um universo maior, segue as normas sociais existentes, e, assim como os demais campos, possui sua própria lógica. No interior da instituição, a lógica interna é compreendida por aqueles que estão inseridos no campo, para os que possuem o

habitus do campo, que possui concepções e lógicas diversas em relação aos demais

campos, como o campo familiar, eclesiástico (BOURDIEU, 2004).

No âmago desse campo encontra-se um capital peculiar que só possui valor para aqueles que estão inseridos no campo, ou dentro do jogo, como afirma Bourdieu (2004), para quem entende as normas e quem possui o habitus adequado a esse campo. A esse capital peculiar Bourdieu (2004) denominou de capital simbólico. Nas

concepções do sociólogo, é frequente que estudiosos e pesquisadores, adeptos do marxismo-estruturalista, tratem dos campos como mecanismos de reprodução da lógica capitalista. Para eles, a classe burguesa de setores eclesiásticos, econômicos, teriam interesses financeiros e praticariam a exploração do trabalho para fins estritamente lucrativos.

Na obra Ideologia e Aparelhos Ideológicos do Estado, Louis Althusser tentava compreender como os aparelhos ideológicos do Estado, tais como: família, instituições religiosas e educacionais, difundiam a ideologia do grupo dominante. O estruturalista francês não percebia esses aparelhos como campos que possuíam autonomia relativa. Não visualizava que os interesses em cada campo (Aparelho Ideológico em Althusser) era, justamente, o capital peculiar desse campo. Logo, uma competição em um campo objetiva um proveito, algo que se manifesta irrelevante para os que não possuem o habitus do campo, mas é fundamental para os que estão inseridos. É um capital peculiar que se encontra em disputa. Bourdieu (2004) assinala, então, que independente de qual seja o campo, ele é escopo de disputa tanto em sua concepção quanto em sua concretude. A dessemelhança entre o campo e um jogo, é que o campo se constitui de um jogo cujo qual as normas, em si, estão em jogo (BOURDIEU, 2004).

O quarto conceito é, para Bourdieu (2001) o conceito de capital simbólico, que possui valia em um campo específico, um capital peculiar que é adquirido por quem está inserido no campo, conseguindo ser revertido ou não em capital econômico. É um tipo de capital que, de acordo com Bourdieu (2001), pode ser classificado como capital cultural, intelectual, social, etc.

Por capital social entende a rede de conexões que os indivíduos estabelecem entre si no jogo. Vínculos que podem ser transformados em outros tipos de capital simbólico (BOURDIEU, 2001). O capital intelectual está vinculado aos conhecimentos que cada sujeito social constrói ao longo do tempo. Pode ser adquirido por esforço próprio, meios institucionais, por intermédio das instituições de ensino.

O sociólogo afirma que, o fato de um agente social demonstrar no meio em que vive que é capacitado para realizar atividades específicas, se configura como ritual social, ou, como descreve Bourdieu (2001) “um rito de investidura”. O capital cultural está circunscrito às práticas culturais e saberes tradicionais que o indivíduo

aprende a partir das relações sociais e, por fim, o capital simbólico, que é o capital oriundo do reconhecimento social sobre as competências e habilidades individuais. Bourdieu (2001) afirma que todos os tipos de capital se instrumentalizam como capital simbólico. Para o autor, este último é algo subjetivo, pessoal e que se manifesta pelo valor que os demais agentes sociais dão a ele, pela valia social que possuem. Para Bourdieu (2001) esse é o capital que nos tira do ostracismo social e nos livra da insignificância.

Por fim, é vital destacar que, diante da presença de estruturas subjetivas e objetivas que operam no sentido de garantir a dominação dentro do campo de poder, existe, também, a possibilidade de consentimento por parte de agentes sociais que relativizam sua submissão e propiciam a liberdade de movimento para os dominantes dentro do campo, mediante a cristalização de mecanismos que lhes possibilitem transitar e se inserir dentro desse campo específico. Nessa lógica, os sujeitos depositam confiança no fato de que seus representantes defendem as vontades e necessidades de um grupo, possuindo autoridade constituída pelos diferentes grupos sociais e com regulamentação concedida pelo Estado (BOURDIEU, 1989).

Em Poulantzas (1980), o poder do Estado moderno encontra-se ancorado na mistificação e manipulação ideológica e simbólica, na constituição e organização dos aparelhos ideológicos e na prática da repressão. O autor vincula o conceito de poder ao de autoridade, evidenciando o poder do Estado capitalista por meio da violência simbólica do Estado.

É substancial, portanto, considerar que o poder simbólico instituído a partir de uma formação social é determinada pelas relações de força e relações simbólicas, que resultam em um movimento de violência simbólica ao estabelecer certas representações sociais. As imposições de representações são instrumentalizadas por ações que objetivam atender aos anseios das classes dominantes. Ao entender o poder simbólico, verifica-se que não se estrutura, unicamente, por meio da imposição via opressão. Existem convenções implícitas entre os sujeitos por meio de lutas em determinado campo. Para Bourdieu, (1989), o poder simbólico não se viabiliza pelo exercício da forma, mas mediado pela interação comunicativa e semiótica, por difusão da ideologia dominante. Assim, a dominação simbólica se viabiliza com o objetivo de induzir os sujeitos pertencentes a classe trabalhadora a se posicionarem nos espaços

sociais, em conformidade com o que foi imposto pela classe dominante. Torna-se, portanto, fundamental a discussão sobre os conceitos acima, pois possibilitam uma compreensão da atuação dos diferentes sujeitos nas instituições sociais.