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O posicionamento do Supremo Tribunal Federal acerca da

As entidades sindicais encontravam-se estáveis financeiramente com a obrigatoriedade da contribuição sindical, sem mencionar que esse recurso independia de contrapartida. Ao entrar em vigor a Lei 13.467/2017, nota-se que a mudança foi tamanha e a diminuição dessa receita ao tornar-se facultativa afetou o sistema sindical como um todo.

Disso isso, observa-se que essas entidades insatisfeitas com a mudança e com o argumento que essa poderia ser considerada inconstitucional, ajuizaram segundo o STF, “Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 5794, em outras 18 ADIs ajuizadas contra a nova regra e na Ação Declaratória de constitucionalidade (ADC) 55, que buscava o reconhecimento da validade da mudança na legislação.”

Diante de tais ações, segundo Oliveira Neto e Santos (2019, p. 133):

O quadro atual do custeio sindical no Brasil foi impactado pela reforma trabalhista (Lei n. 13.467/17), que afastou a compulsoriedade da contribuição sindical (CLT, art. 578). Cabe acrescentar que o STF, quando do julgamento de quase duas dezenas de ADIs e de uma ADC versando sobre o fim da compulsoriedade da contribuição sindical, declarou constitucional a Lei n. 13.467/173 .

Assim, restou decidido pela constitucionalidade da mudança, conforme apresenta o Supremo Tribunal Federal na decisão da ADI 5794/ DF de relatoria do Ministro Edson Fachin, julgado em 29/06/2018:

Ementa: Direito Constitucional e Trabalhista. Reforma Trabalhista. Facultatividade da Contribuição Sindical. Constitucionalidade. Inexigência de Lei Complementar. Desnecessidade de lei específica. Inexistência de ofensa à isonomia tributária (Art. 150, II, da CRFB). Compulsoriedade da contribuição sindical não prevista na Constituição (artigos 8º, IV, e 149 da CRFB). Não violação à autonomia das organizações sindicais (art. 8º, I, da CRFB). Inocorrência de retrocesso social ou atentado aos direitos dos trabalhadores (artigos 1º, III e IV, 5º, XXXV, LV e LXXIV, 6º e 7º da CRFB). Correção da proliferação excessiva de sindicatos no Brasil. Reforma que visa ao fortalecimento da atuação sindical. Proteção às liberdades de associação, sindicalização e de expressão (artigos 5º, incisos IV e XVII, e 8º, caput, da CRFB). Garantia da liberdade de expressão (art. 5º, IV, da CRFB). Ações Diretas de Inconstitucionalidade julgadas improcedentes. Ação Declaratória de Constitucionalidade julgada procedente. 1. À lei ordinária compete dispor sobre fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes quanto à espécie tributária das contribuições, não sendo exigível a edição de lei complementar para a temática, ex vi do art. 146, III, alínea ‘a’, da Constituição. 2. A extinção de contribuição pode ser realizada por lei ordinária, em paralelismo à regra segundo a qual não é obrigatória a aprovação de lei complementar para a criação de contribuições, sendo certo que a Carta Magna apenas exige o veículo legislativo da lei complementar no caso das contribuições previdenciárias residuais, nos termos do art. 195, § 4º, da Constituição. Precedente (ADI 4697, Relator(a): Min. EDSON FACHIN, Tribunal Pleno, julgado em 06/10/2016). 3. A instituição da facultatividade do pagamento de contribuições sindicais não demanda lei específica, porquanto o art. 150, § 6º, da Constituição trata apenas de “subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão”, bem como porque a exigência de lei específica tem por finalidade evitar as chamadas “caudas legais” ou “contrabandos legislativos”, consistentes na inserção de benefícios fiscais em diplomas sobre matérias completamente distintas, como forma de chantagem e diminuição da transparência no debate público, o que não ocorreu na tramitação da reforma trabalhista de que trata a Lei nº 13.467/2017. Precedentes (ADI 4033, Relator(a): Min. JOAQUIM BARBOSA, Tribunal Pleno, julgado em 15/09/2010; RE 550652 AgR, Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI, Segunda Turma, julgado em 17/12/2013). 4. A Lei nº 13.467/2017 emprega critério homogêneo e igualitário ao exigir prévia e expressa anuência de todo e qualquer trabalhador para o desconto da contribuição sindical, ao mesmo tempo em que suprime a natureza tributária da contribuição, seja em relação aos sindicalizados, seja quanto aos demais, motivos pelos quais não há qualquer violação ao princípio da isonomia tributária (art. 150, II, da Constituição), até porque não há que se invocar uma limitação ao poder de tributar para prejudicar o contribuinte, expandindo o alcance do tributo, como suporte à pretensão de que os empregados não-sindicalizados sejam obrigados a pagar a contribuição sindical. 5. A Carta Magna não contém qualquer comando impondo a compulsoriedade da contribuição sindical, na medida em que o art. 8º, IV, da Constituição remete à lei a tarefa de dispor sobre a referida contribuição e o art. 149 da Lei Maior, por sua vez, limita-se a conferir à União o poder de criar contribuições sociais, o que, evidentemente, inclui a prerrogativa de extinguir ou modificar a natureza de contribuições existentes. 6. A supressão do caráter compulsório das contribuições sindicais não vulnera o princípio constitucional da autonomia

da organização sindical, previsto no art. 8º, I, da Carta Magna, nem configura retrocesso social e violação aos direitos básicos de proteção ao trabalhador insculpidos nos artigos 1º, III e IV, 5º, XXXV, LV e LXXIV, 6º e 7º da Constituição. 7. A legislação em apreço tem por objetivo combater o problema da proliferação excessiva de organizações sindicais no Brasil, tendo sido apontado na exposição de motivos do substitutivo ao Projeto de Lei nº 6.787/2016, que deu origem à lei ora impugnada, que o país possuía, até março de 2017, 11.326 sindicatos de trabalhadores e 5.186 sindicatos de empregadores, segundo dados obtidos no Cadastro Nacional de Entidades Sindicais do Ministério do Trabalho, sendo que, somente no ano de 2016, a arrecadação da contribuição sindical alcançou a cifra de R$ 3,96 bilhões de reais. 8. O legislador democrático constatou que a contribuição compulsória gerava uma oferta excessiva e artificial de organizações sindicais, configurando uma perda social em detrimento dos trabalhadores, porquanto não apenas uma parcela dos vencimentos dos empregados era transferida para entidades sobre as quais eles possuíam pouca ou nenhuma ingerência, como também o número estratosférico de sindicatos não se traduzia em um correspondente aumento do bem-estar da categoria. 9. A garantia de uma fonte de custeio, independentemente de resultados, cria incentivos perversos para uma atuação dos sindicatos fraca e descompromissada com os anseios dos empregados, de modo que a Lei nº 13.467/2017 tem por escopo o fortalecimento e a eficiência das entidades sindicais, que passam a ser orientadas pela necessidade de perseguir os reais interesses dos trabalhadores, a fim de atraírem cada vez mais filiados. 10. Esta Corte já reconheceu que normas afastando o pagamento obrigatório da contribuição sindical não configuram indevida interferência na autonomia dos sindicatos: ADI 2522, Relator(a): Min. EROS GRAU, Tribunal Pleno, julgado em 08/06/2006. 11. A Constituição consagra como direitos fundamentais as liberdades de associação, sindicalização e de expressão, consoante o disposto nos artigos 5º, incisos IV e XVII, e 8º, caput, tendo o legislador democrático decidido que a contribuição sindical, criada no período autoritário do estado novo, tornava nula a liberdade de associar-se a sindicatos. 12. O engajamento notório de entidades sindicais em atividades políticas, lançando e apoiando candidatos, conclamando protestos e mantendo estreitos laços com partidos políticos, faz com que a exigência de financiamento por indivíduos a atividades políticas com as quais não concordam, por meio de contribuições compulsórias a sindicatos, configure violação à garantia fundamental da liberdade de expressão, protegida pelo art. 5º, IV, da Constituição. Direito Comparado: Suprema Corte dos Estados Unidos, casos Janus v. American Federation of State, County, and Municipal Employees, Council 31 (2018) e Abood v. Detroit Board of Education (1977). 13. A Lei nº 13.467/2017 não compromete a prestação de assistência judiciária gratuita perante a Justiça Trabalhista, realizada pelos sindicatos inclusive quanto a trabalhadores não associados, visto que os sindicatos ainda dispõem de múltiplas formas de custeio, incluindo a contribuição confederativa (art. 8º, IV, primeira parte, da Constituição), a contribuição assistencial (art. 513, alínea ‘e’, da CLT) e outras contribuições instituídas em assembleia da categoria ou constantes de negociação coletiva, bem assim porque a Lei n.º 13.467/2017 ampliou as formas de financiamento da assistência jurídica prestada pelos sindicatos, passando a prever o direito dos advogados sindicais à percepção de honorários sucumbenciais (nova redação do art. 791-A, caput e § 1º, da CLT), e a própria Lei n.º 5.584/70, em seu art. 17, já dispunha que, ante a inexistência de sindicato, cumpre à Defensoria Pública a prestação de assistência judiciária no âmbito trabalhista. 14. A autocontenção judicial requer o respeito à escolha democrática do legislador, à míngua de razões teóricas ou elementos empíricos que tornem inadmissível a sua opção, plasmada na reforma trabalhista sancionada pelo Presidente da República, em homenagem à presunção de constitucionalidade das leis e à luz dos artigos 5º, incisos IV e XVII, e 8º, caput, da Constituição, os quais garantem

as liberdades de expressão, de associação e de sindicalização. 15. Ações Diretas de Inconstitucionalidade julgadas improcedentes e Ação Declaratória de Constitucionalidade julgada procedente para assentar a compatibilidade da Lei n.º 13.467/2017 com a Carta Magna. (BRASIL, 2018)

É possível assim, analisar que foram julgadas improcedentes as Ações Diretas de Inconstitucionalidade, bem como procedente a Ação Declaratória de Constitucionalidade.

Como toda decisão de discussão de constitucionalidade, há os votos dos ministros do STF, nesse caso conforme o autor Renato Rua de Almeida (2019) o Ministro Edson Fachin apresentou uma linha de raciocínio diferente dos demais ministros:

O ministro do STF Edson Fachin, relator das Adins sobre os pedidos de declaração de inconstitucionalidade dos artigos da Lei 13.467, de 13 de julho de 2017, que previam a facultatividade do pagamento da contribuição sindical, valeu-se do fundamento de que essa facultatividade implicaria a quebra do tripé constitucional que sustenta o modelo semicorporativista do sindicato brasileiro. Ora, esse fundamento do voto do ministro relator foi amplamente rejeitado pela maioria expressiva do plenário do Supremo Tribunal Federal. Para o voto vencido do ministro relator da matéria em comento no STF, o tripé constitucional compreenderia a unicidade sindical (artigo 8º, inciso II, da CF de 1988), a representação monopolística da categoria profissional (artigo 8º, inciso III, do mesmo diploma constitucional) e a contribuição sindical obrigatória de todos os membros da categoria profissional representada (artigo 8º, inciso IV do mesmo texto constitucional de 1988). Ora, o equívoco cometido pelo voto do ministro relator do STF foi entender que a previsão da contribuição sindical obrigatória fosse constitucional, quando sempre o foi pela Consolidação das Leis do Trabalho, e, portanto, passível de revogação por lei ordinária tornando-a facultativa, como ocorreu com a Lei 13.467 sobre a Reforma Trabalhista.

Ainda, fazem uma análise desse mesmo voto os autores Oliveira Neto e Santos (2019, p. 133):

Coerente o voto do relator, Ministro Luiz Edson Fachin, ao destacar o tripé da organização sindical brasileira, formado pela unicidade, pelo efeito erga omnes da negociação coletiva e pela contribuição sindical descontada de todos os trabalhadores. Ao se retirar um dos pilares, o sistema poderá ruir como um todo. Contudo, essa tese não restou vencedora, prevalecendo a divergência aberta pelo Ministro Luiz Fux, no sentido de que os sindicatos terão a chance de se reconstruir.

A decisão por sua vez, teve como base o voto do Ministro Luiz Fux, que apresentou voto contrário ao de Fachin, segundo o Supremo Tribunal Federal (2019):

Prevaleceu o entendimento do ministro Luiz Fux, apresentado ontem (28), quando o julgamento foi iniciado. Entre os argumentos expostos por ele e pelos ministros Alexandre de Moraes, Luís Roberto Barroso, Gilmar Mendes, Marco Aurélio e Cármen Lúcia, está o de não se poder admitir que a contribuição sindical seja imposta a trabalhadores e empregadores quando a Constituição determina que ninguém é obrigado a se filiar ou a se manter filiado a uma entidade sindical. Além disso, eles concordaram que o fim da obrigatoriedade da contribuição sindical não ofende a Constituição.O ministro Fux foi o primeiro a divergir do relator dos processos, ministros Edson Fachin, que votou pela inconstitucionalidade do fim contribuição sindical obrigatória. Entre os argumentos expostos por Fachin e pelo ministro Dias Toffoli e pela ministra Rosa Weber, o fim da obrigatoriedade do tributo vai impedir os sindicatos de buscar formas de organização mais eficazes para defender os direitos dos trabalhadores perante os interesses patronais.

Ao estudar tais votos, percebe-se que mesmo o relator Fachin tendo uma opinião diversa, votando pela inconstitucionalidade da mudança, a decisão final respeitou os princípios basilares das organizações sindicais, e declarou a Constitucionalidade da mudança, com destaque ao princípio da liberdade dos trabalhadores de filiar-se ou não a um sindicato, bem como de contribuir ou não para esse.

Entende-se nessa mesma linha que tal mudança está de acordo com a Constituição Federal, essa mudança não ocorreu de forma repentina, á muito tempo já vinha sendo objeto de estudo por deputados, senadores, doutrinadores, etc. Muitos objetivavam essa alteração.

CONCLUSÃO

A nova forma de contribuição sindical imposta pela reforma trabalhista, como demonstrada, influenciou de forma significativa o sistema de custeio sindical ensejando diversas discussões a respeito da alteração demonstrando a influência que esta lei trouxe na representatividade dos sindicatos frente aos trabalhadores.

O presente trabalho por sua vez, objetivou estudar essa nova forma de contribuição sindical trazida pela reforma, averiguando os seus efeitos na estrutura organizacional do sindicato e na sua principal função, a representatividade, além de fazer uma análise da discussão de constitucionalidade que se deu devido a essa mudança. Para que se atingisse o objetivo desejado, analisou-se a organização dos trabalhadores durante a história com o intuito de embasar o entendimento da legislação atual. Ainda, apresentou-se ao final o entendimento do Supremo Tribunal Federal acerca da constitucionalidade dessa mudança, tendo em vista as inúmeras dúvidas que surgiram após sua alteração.

A principal dúvida, sendo inclusive essa a responsável pela elaboração desse trabalho, foi na interpretação dos efeitos dessa mudança nas relações de trabalho, o que se analisou de forma especial, foi a representação dos sindicatos frente aos trabalhadores que optarem por não realizar a contribuição sindical.

Primeiramente o entendimento que se tinha era de que só seria prestada a representação aos trabalhadores que optassem por realizar a contribuição sindical, pois o trabalhador que optou por não contribuir e tinha a oportunidade de escolha, abriu mão dos serviços prestados pelo sindicato. Porém esse entendimento apenas estava sendo usado como forma de influenciar o pagamento da contribuição

sindical, não havendo portanto nada pacificado sobre o assunto, o que foi usado nesse entendimento era uma decisão do ano de 2010, anterior a reforma, não decorreu exclusivamente de alguma discussão atual.

Alguns autores, no entanto minoria, também apresentam o entendimento de que o trabalhador precisa contribuir para obter o direito de representação por parte do sindicato.

Porém, o entendimento que prevalece e encontra respaldo constitucional e inclusive defendido pela maioria dos doutrinadores, leva em consideração que a principal função dos sindicatos é negociar coletivamente condições de trabalho, a constituição impõe ao sindicatos a obrigação de representação, portanto aquele que optar por não contribuir ou não filiar-se terá direito igualmente aos demais a representatividade do sindicato frente às negociações coletivas e aos acordos e convenções coletivas firmados pelo mesmo.

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