O preconceito secreto
(LOPES, 2008)
(LOPES, 2008) Faz parte das culturas humanas a existência de pré-noções
Faz parte das culturas humanas a existência de pré-noções que filtram o que filtram o olhar das pessoas. Istoolhar das pessoas. Isto permite chamar as coisas pelos nomes
permite chamar as coisas pelos nomes que as sociedades convencionaram como os adequados. Verque as sociedades convencionaram como os adequados. Ver objetos e situações suscita igualmente a formação de ideias. Estas juntam o
objetos e situações suscita igualmente a formação de ideias. Estas juntam o que se vê ao que que se vê ao que antesantes havia consolidado na mente humana no que se refere ao que se está contemplando. Estes elementos havia consolidado na mente humana no que se refere ao que se está contemplando. Estes elementos formam a consciência, no que tange às suas relações com o
formam a consciência, no que tange às suas relações com o mundo externo.mundo externo.
Em algumas situações, as pré-noções transformam-se em preconceitos, no sentido do turva- Em algumas situações, as pré-noções transformam-se em preconceitos, no sentido do turva- mento negativo da compreensão do que está se observando. Quando isto ocorre, a visão das pesso- mento negativo da compreensão do que está se observando. Quando isto ocorre, a visão das pesso- as não considera as características do que
as não considera as características do que é visto como o é visto como o mais significativo.mais significativo.
Ao contrário, a percepção prévia, isto é, o preconceito é o que manda, pouco importando o Ao contrário, a percepção prévia, isto é, o preconceito é o que manda, pouco importando o que está na frente do observador. Alguns indícios presumíveis, a partir da óptica do preconceito, que está na frente do observador. Alguns indícios presumíveis, a partir da óptica do preconceito, são suficientes para que se teça toda uma explicação. A cor de uma pessoa, por exemplo, pode in- são suficientes para que se teça toda uma explicação. A cor de uma pessoa, por exemplo, pode in- dicar sua culpabilidade
dicar sua culpabilidade a priori a priori . Os objetos e situações observadas servem, apenas, como estímu-. Os objetos e situações observadas servem, apenas, como estímu- lo para reforçar as ideias acreditadas previamente. Nem toda a
lo para reforçar as ideias acreditadas previamente. Nem toda a pré-noção é um pré-noção é um preconceitopreconceito, apesar, apesar da origem similar destas expressões idiomáticas relativas ao modo
Atividades
Atividades
1.
1. Explique o choque cultural Explique o choque cultural entre indígenas e europeus.entre indígenas e europeus. mundo e a si próprios. A
mundo e a si próprios. A maior parte das primeiras são construções desenvolvidas em todas maior parte das primeiras são construções desenvolvidas em todas as cul-as cul- turas, aperfeiçoadas e repassadas de geração em geração. Há quem chame isto de protótipos de turas, aperfeiçoadas e repassadas de geração em geração. Há quem chame isto de protótipos de percepção, que equivaleria a um complexo mecanismo cognitivo que permite reconhecer objetos percepção, que equivaleria a um complexo mecanismo cognitivo que permite reconhecer objetos e situações e desenvolver, a partir disto, os comportamentos que seriam mais adequados. São pre- e situações e desenvolver, a partir disto, os comportamentos que seriam mais adequados. São pre- conceitos, quando ocorre o turvamento citado. Quando se vê
conceitos, quando ocorre o turvamento citado. Quando se vê um carro em corrida desabalada e se um carro em corrida desabalada e se éé urbano, treinado para o perigo
urbano, treinado para o perigo do trânsito, procura-se, quase instintivamente, alguma proteção. Osdo trânsito, procura-se, quase instintivamente, alguma proteção. Os protótipos de percepção indicam como agir em várias situações, bem como em inúmeras inter protótipos de percepção indicam como agir em várias situações, bem como em inúmeras interfacesfaces dos indivíduos com a vida social. Desde criança, aprende-se a conviver com a vida dos homens e a dos indivíduos com a vida social. Desde criança, aprende-se a conviver com a vida dos homens e a natureza, de acordo com as pré-noções adquiridas, que estão sempre em processo de mutação. Elas natureza, de acordo com as pré-noções adquiridas, que estão sempre em processo de mutação. Elas podem ser ou não preconceituosas. Os preconceitos implica
podem ser ou não preconceituosas. Os preconceitos implicam a negação do real observado ou m a negação do real observado ou a suaa sua substituição por uma imagem distorcida. Por isto, eles estão no campo das ideologias que permeiam substituição por uma imagem distorcida. Por isto, eles estão no campo das ideologias que permeiam as culturas. As culturas têm fortes elementos ideológicos, por mais que não possam ser integral- as culturas. As culturas têm fortes elementos ideológicos, por mais que não possam ser integral- mente confundidas com as ideologias políticas, religiosas e sociais em vigor. Os preconceitos têm, mente confundidas com as ideologias políticas, religiosas e sociais em vigor. Os preconceitos têm, por isso, esta dupla origem: estão vinculados às visões de mundo compartilhadas contextualmen- por isso, esta dupla origem: estão vinculados às visões de mundo compartilhadas contextualmen- te e, ao mesmo tempo, provêm do lastro histórico-cultural de
te e, ao mesmo tempo, provêm do lastro histórico-cultural de cada sociedade. As culturas humanascada sociedade. As culturas humanas abrangem as pré-noções acumuladas imemorialmente sobre qualquer atividade e concepção hu- abrangem as pré-noções acumuladas imemorialmente sobre qualquer atividade e concepção hu- mana, incluindo, portanto, os saberes e fazeres de todos os
mana, incluindo, portanto, os saberes e fazeres de todos os povos e suas interconexões civilizatórias.povos e suas interconexões civilizatórias. Fazem parte das mesmas, os preconceitos de época. Estes são tipos de pré-noções singulares que Fazem parte das mesmas, os preconceitos de época. Estes são tipos de pré-noções singulares que podem ser vivas ou
2. Por que os livros didáticos precisam ser analisados de uma forma crítica, principalmente, quando usam ilustrações que mostram os portugueses como heróis descendo de suas naus e os indíge- nas como selvagens?
3. Faça uma análise crítica do trecho a seguir da carta de Pero Vaz de Caminha:
[...] Pardos, nus, sem coisa alguma que lhes cobrisse suas vergonhas. Traziam arcos nas mãos, e suas setas. Vinham todos rijamente em direção ao batel. E Nicolau Coelho lhes fez sinal que pou- sassem os arcos. E eles os depuseram. Mas não pôde deles haver fala nem entendimento que aproveitasse, por o mar quebrar na costa. Somente arremessou-lhe um barrete vermelho e uma carapuça de linho que levava na cabeça, e um sombreiro preto. E um deles lhe arremessou um sombreiro de penas de ave, compridas, com uma copazinha de penas vermelhas e pardas, como de papagaio. E outro lhe deu um ramal grande de continhas brancas, miúdas que querem parecer de aljôfar, as quais peças creio que o Capitão manda a Vossa Alteza. E com isto se volveu às naus por ser tarde e não poder haver deles mais fala, por causa do mar [...]
Gabarito
1. Orientação: o aluno deverá explicar especificidades, qual era a visão que os europeus tiveram dos indígenas e vice-versa.
2. Orientação: o aluno deverá contextualizar essa representação com a realidade da conquista do Brasil que foi discutida nesta aula.
3. Orientação: o aluno deverá interpretar esse trecho e contextualizá-lo. Mostrar o preconceito que existe nas palavras de Caminha concernente aos indígenas.