A institucionalização do turismo nos primeiros anos do Estado Novo
Capítulo 2- I Congresso Nacional de Turismo
1. O primeiro encontro nacional sobre turismo
O grande acontecimento turístico institucional, porém, foi o I Congresso Nacional de Turismo que constituiu um marco incontornável para a atividade turística portuguesa do século XX. Como iremos verificar de seguida, o seu impacto na sociedade foi grandioso. Por um lado, tratou-se da reunião que, até à década de Trinta, atraiu um maior número de altos dirigentes envolvidos em diversos tipos de instituições turísticas e hoteleiras portuguesas. Por outro lado, devemos realçar a participação no mesmo de inúmeras figuras com importantes cargos políticos no Estado Novo, como o Presidente da República, o Presidente do Conselho e até alguns ministros.
Não podemos deixar de recordar a exaustiva cobertura jornalística que acompanhou este congresso desde que foi anunciado, em meados de 1935, até cerca de quatro meses após a sua conclusão. Durante todos estes meses, os jornais que consultámos apresentavam invariavelmente a atividade turística como uma causa de verdadeiro interesse nacional, à qual dedicavam uma vasta atenção. Parece-nos, por isso, interessante perceber até que ponto esta seria uma afirmação meramente gratuita ou se, pelo contrário, se tratava do mote que pautava a forma como o regime pretendia fazer uso da atividade turística.
Devemos igualmente assinalar como pertinente e curioso o facto de Portugal se ocupar da organização de um evento deste teor, enquanto o resto da Europa vivia um crescente clima de instabilidade que acabaria por conduzir a uma guerra mundial apenas três anos depois. No prefácio ao livro de Christine Garnier Férias com Salazar, Fernando Rosas fala do Chefe de Estado português como alguém que, na década de cinquenta, devido ao afastamento dos conflitos europeus, se “sente mais seguro do que nunca nas suas certezas. Acha que pode e deve dar lições ao mundo decadente, perturbado e ameaçado do pós-guerra” (Rosas, 2002:19). Acreditamos ser esta já a atitude oficial do regime quando, cerca de quinze anos antes, ou seja, por ocasião destas jornadas, se pretendeu afirmar e mostrar Portugal como um destino turístico
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privilegiado, o que, nas palavras do regime, só era possível devido à existência da atitude política claramente diferente que o caraterizava e distinguia.
O anúncio da realização do I Congresso Nacional de Turismo constituiu assunto suficientemente importante para ocupar parte da primeira página da edição do dia 22 de julho de 1935 do jornal O Seculo. Esse artigo comunicava que o encontro iria acontecer no mês de novembro, em Lisboa ou no Porto, e anunciava os nomes dos membros da comissão organizadora. As expetativas acerca deste evento eram elevadas e sugeriam que a reunião iria, de facto, ocupar-se de uma atividade de interesse nacional:
Depois de cuidadoso estudo, foram elaborados o programa e o regulamento que hão- -de orientar o Congresso para que os seus resultados sejam uteis, dentro das realidades actuais, e as conclusões que vierem a ser votadas representem, de facto, o aproveitamento de uma análise, tão profunda quanto possível, de todos os problemas que, directa ou indirectamente, interessam ao turismo, que é uma causa de verdadeiro interesse nacional.
O Seculo, 22 de Julho de 1935: 1
Apesar de diversos ajustes feitos ao programa das jornadas, ao longo dos meses que antecederam o congresso mantiveram-se unânimes as convicções de que dele sairiam importantes e úteis conclusões para a situação específica da realidade turística portuguesa. Como se verificará posteriormente, estes terão sido chavões por demais repetidos no decurso dos quatro dias de congresso. Toda a sua organização foi motivo de entrevistas, reportagens e artigos quase diários na imprensa portuguesa, mas, apesar disso, não foram divulgadas as razões que determinaram que o encontro tivesse sido adiado para os dias 12 a 16 de janeiro de 1936.
A ideia da realização de um congresso dedicado exclusivamente à indústria turística portuguesa foi proposta por Raul da Costa Couvreur, o representante da Sociedade de Propaganda de Portugal no Congresso de Automobilismo e Aviação Civil, que teve lugar no Porto, no ano de 1934. Segundo Couvreur, esse encontro teria como propósito analisar o turismo nacional e reunir um conjunto de planos e estratégias, que seria, no final, entregue aos representantes do regime para que o avaliassem e implantassem, se tal resultasse “a bem da nação”, como referiu Roque da Fonseca (vd. Fonseca, 1937).
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Uma das razões que justificava, aos olhos do poder, o crescente sucesso do setor turístico em Portugal, e, por isso, a realização deste encontro, fora já evocada por elementos presentes no I Congresso da União Nacional. Referimo-nos às alegadas ordem e estabilidade sociais ausentes do resto da Europa que acabavam por atrair mais visitantes para este destino, ao contrário daquilo que começava a suceder em locais tradicionalmente ligados à atividade, como França ou Suíça, por exemplo. Joaquim Roque da Fonseca, o orador oficial do I Congresso Nacional de Turismo, referiu na respetiva sessão de abertura que, ocorreu no Salão Nobre da Câmara Municipal de Lisboa:
Portugal é hoje, sob êsse ponto de vista [ordem pública], quási um país excepcional, é sabido, por um lado, que sem ordem pública não pode haver Turismo, e que, por outro, bem raros são os países que se encontram na situação do nosso – as conclusões são fáceis de tirar.
Fonseca, 1936: 61
A Comissão Organizadora do I Congresso Nacional de Turismo parecia determinada em tornar este encontro num “movimento colectivo e nacional sôbre o Turismo” (Congresso Nacional de Turismo. Relatórios, 1936: 82) A divulgação e os comentários quase diários feitos pela imprensa, bem como o número de atividades que compunham o programa do congresso evidenciam esse objetivo e demonstram o empenho oficial para um sucesso, à partida, garantido. Além das reuniões de trabalho, o programa incluía, por exemplo, passeios a Sintra, Cascais e Estoris, bem como um jantar de gala no Hotel Palácio do Estoril.
Ainda antes da sessão inaugural do encontro, os congressistas tiveram acesso a um programa pormenorizado que podiam recolher na Sociedade de Geografia, em Lisboa. Sob o título Programa, horário e indicações úteis este folheto listava os locais onde iriam decorrer as diversas sessões, como o Salão Nobre da Câmara Municipal de Lisboa ou a Sociedade de Geografia, e os espaços de recreio, como Sintra, Cascais ou o Hotel Palácio do Estoril. Os participantes eram ainda informados acerca das presenças de alguns representantes do governo, como o Chefe de Estado ou o Ministro do Interior, bem como sobre os trajos e condecorações que deveriam envergar em determinadas ocasiões.
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O documento anunciava igualmente que, na sessão de encerramento, seria redigida uma mensagem final que relataria as conclusões destinadas ao governo, o que se terá efetivamente concretizado, conforme notícia de O Seculo (vd. O Seculo, 20 de fevereiro de 1936: 1). O referido livrete facultava também uma série de informações que permitia aos delegados saber quais as vantagens de que poderiam usufruir durante os cinco dias de duração das jornadas, tais como descontos em hotéis ou nos Caminhos de Ferro Portugueses.
As diferentes sessões do I Congresso Nacional de Turismo acolheram cento e setenta e nove participantes. Este elevado número de congressistas incluía profissionais de várias áreas da hotelaria e do turismo, nomeadamente presidentes de comissões de iniciativa e de turismo, ou edis com responsabilidades no setor. A presidência de honra foi atribuída ao Presidente da República, Óscar Carmona, e as comissões de honra e de patrocínio incluíam importantes figuras da cena política de década de Trinta. Assim, da Comissão de Honra faziam parte os ministros do Interior, da Justiça e dos Cultos, da Guerra, da Marinha, dos Negócios Estrangeiros, das Obras Públicas e Comunicações, das Colónias, da Instrução Pública, do Comércio e Indústria, e da Agricultura. Da Comissão de Patrocínio, por seu turno, faziam parte o diretor do Secretariado de Propaganda Nacional, António Ferro, o Presidente da Comissão de Propaganda de Portugal no Estrangeiro, o Presidente do Conselho Nacional de Turismo, o Presidente da Sociedade Propaganda da Costa do Sol, e o Presidente da Direcção da Sociedade de Portugal. Contudo, os elementos que constituíam as duas comissões apenas terão contribuído com o eventual prestígio associado aos seus nomes e às suas funções, já que a sua participação ativa no congresso se resumiu à presença no jantar de encerramento no Hotel Palácio do Estoril. A inclusão de todos estes representantes do Estado não
deixará naturalmente qualquer dúvida quanto à intenção de tornar mais óbvio e incontornável o vínculo que se pretendia estabelecer entre o Estado Novo e a indústria turística.
O presidente da Comissão Organizadora do congresso, João Antunes Guimarãis, antigo Ministro do Comércio e Comunicações, e deputado à Assembleia Nacional na década de Trinta, iniciou a sessão solene inaugural, difundida pela Emissora Nacional, a partir do Salão Nobre da Câmara Municipal de Lisboa, e presidida pelo Chefe de
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Estado, com “palavras de saudação e homenagem”, evocando o prestígio pátrio recuperado com a revolução de 1926 e o nacionalismo português que guiava os actuais governantes:
Luz que dimana da estrêla que surgiu em 28 de Maio de 1926 no firmamento da Pátria, ou melhor, se reacendeu, porque ela já brilhára noutras épocas e com brilho tão fulgente que logrou dissipar as trevas que envolviam mundos imensos até então desconhecidos, e aos milhões de almas que os habitavam, alumiou francamente o caminho da espiritualidade. É a estrêla de Portugal! É a mesma que agora guia os nossos governantes no rumo do Nacionalismo Português, desviando-se de veredas traiçoeiras ou de perturbadoras influências estranhas.
Guimarãis, 1936: 46
Considerando todos os rumores em torno deste evento, não será de estranhar que este deputado tenha usado ainda o seu discurso para deixar bem claras as verdadeiras motivações para a realização do congresso. Partindo do pressuposto êxito inerente ao encontro, Antunes Guimarãis referiu o desejo de “bem servir” que movia “os portugueses, que obedecem à mais harmónica e equilibrada cooperação – cada um no seu lugar e aí exercendo devotamente as respectivas funções” (ibidem: 46). Esta alusão inicial, evocadora do teor corporativista que pautava o regime, tornava as palavras de Antunes Guimarãis numa óbvia palestra ideológica, facilmente adaptável a qualquer temática e não apenas ao turismo. Continuou, no mesmo tom, referindo a “estrela” surgida em 28 de maio de 1926 que “guia os (…) governantes no rumo do Nacionalismo Português, desviando-se de veredas traiçoeiras ou de perturbadoras influências estranhas” (ibidem: 46). Somente após este claro intróito ideológico surgiu a altura certa para dissertar acerca do motivo da reunião. Apesar de todo o trabalho feito em prol do turismo pela Sociedade de Propaganda de Portugal, criadora das comissões de iniciativa, das Casas de Portugal, das primeiras classificações hoteleiras e das primeiras escolas de intérpretes, pelo Automóvel Club de Portugal, pelo Conselho Superior de Turismo, pelo Secretariado de Propaganda Nacional, pelos grémios regionais, pelas Casas de Portugal, pela Sociedade Estoril e pelas Comissões de Iniciativa, Antunes Guimarãis justificava a pertinência do congresso com a necessidade de harmonizar a indústria com o espírito do Estado Novo, a cujos representantes seriam entregues
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os relatórios finais, conclusões, votos e teses aprovados no Congresso confiados em que a obra patriótica do Govêrno se confirmará mais uma vez dentro da remodelação e organização do Turismo Nacional, pela mesma forma alevantada e tão profícua por que se tem afirmado em todos os aspectos da vida social portuguesa e do renascimento da Nação.
ibidem: 7
Apenas no final do discurso foi abordada de forma mais clara a temática da reunião, mas o orador não deixou de enumerar alguns dos grandes feitos do regime, como as alegadas recuperações financeira e patrimonial. Portugal, afirmou, tornar-se-ia um destino turístico preferido graças a uma política diferente que promovia a paz e a ordem, e que agradava igualmente a todos os nacionais e estrangeiros que pretendessem conhecer uma “Nação” com uma história ímpar. O discurso de Antunes Guimarãis terminou com a referência a alguns bordões nacionalizantes, presentes, por exemplo, nas insistentes alusões a “raça” ou ao património edificado que evocava o passado “glorioso”, datado, como sempre, nos descobrimentos renascentistas e na colonização. As suas palavras finais não hesitaram em conferir uma essência religiosa à raça e ao espaço lusitanos, ao referir as romagens a Portugal, os lugares sagrados da pátria e até as relíquias do passado. Nesta fase do discurso, é difícil entendermos se o orador aludia àquilo que atraia movimentações turísticas, ou se, por outro lado, estaria mais interessado em repetir os valores que regiam a política do regime nacionalizante de Salazar.
Não resisto, contudo, a afirmar a V. Ex.ª que, acima das importantes vantagens materiais que a Nação há-de auferir do turismo, eu coloco, entre as preocupações que me assoberbam o espírito, a ânsia de que Portugal, continuando a grande politica que restabeleceu a ordem nas ruas e a paz entre os portugueses, que restaurou as finanças e os monumentos nacionais, que vai compensando com numerosas obras da maior utilidade o tempo que perderamos no caminho do progresso, seja o solar nobilĩssimo da raça lusíada. (…) É comovidamente que eu antevejo, mais do que as excursões de turistas estrangeiros, as romagens de portugueses e de todos os povos oriundos da nossa raça, espalhados na América, na África, na Ásia, em todo o Mundo, ao solar dos lusíadas, aos lugares sagrados da Pátria, aos monumentos que perpetuam as façanhas dos nossos avoengos, e aos museus e arquivos que guardam as relíquias da nossa História gloriosa!
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1.1. As sessões
As sessões de trabalho do I Congresso Nacional de Turismo decorreram na Sociedade de Geografia, em Lisboa, e foram inauguradas com o discurso do orador oficial do congresso, Roque da Fonseca, que sugeriu “um voto de saüdação e louvor a Suas Excelências o Senhor General Carmona, Doutor Oliveira Salazar e Tenente- coronel Linhares de Lima [antigo presidente da Câmara Municipal de Lisboa], e ainda à Imprensa” (Fonseca, 1936: 65).
Também para Roque da Fonseca a ordem pública inexistente em outros países justificava a oportunidade da realização do I Congresso Nacional de Turismo em Portugal. O orador enfatizou, igualmente, a necessidade de se construir hotéis modestos, económicos e regionais a par de grandes hotéis de luxo, infraestruturas imprescindíveis nos grandes centros turísticos como Lisboa, Porto, “Estoris”, Buçaco e nas zonas de praias ou termas. Apesar de toda a obra já feita em prol da atividade turística, nomeadamente pelos organismos referidos por Antunes Guimarãis, afigurava-se-lhe como necessário adequar ainda mais a propaganda turística à realidade portuguesa contemporânea e investir no setor, não perdendo nunca a noção de que Portugal era uma “Nação” diferente das outras. A “capital do Império”, como referiu, e as zonas costeiras não apresentavam a grandiosidade e opulência de outras paragens, mas, na sua humildade, seriam também capazes de atrair visitantes. Esta tónica de modéstia e despretensão fazia parte dos valores e qualidades atribuídos ao povo português e seria permanentemente enaltecida pelo regime do Estado Novo, nomeadamente na imagética usada na coleção de postais A Lição de Salazar, publicada dois anos depois (vd. Parte I desta tese), ou nos textos de António Ferro sobre a indústria do lazer.
Depois de cumprida a necessidade de discorrer sobre o objeto do congresso, Roque da Fonseca também não deixou de alargar os tópicos da sua preleção a uma temática menos turística, e mais política e nacionalizante. Assim, a propósito da profusão nacional de “matéria prima excelente, variada e inexgotável” (ibidem: 50) para a atividade em causa, referiu que o setor permitiria ao mundo conhecer “as virtudes inatas da raça portuguesa” (ibidem: 50). O passado heróico português também foi, como seria de esperar, evocado num momento em que, segundo Roque da Fonseca, já se vivia
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um tempo pleno de ressurgimento de prestígios antigos, do qual o Presidente do Conselho Oliveira Salazar seria o legítimo e natural “timoneiro dessa nau caprichosa, nem sempre vogando em águas bonançosas” (ibidem: 60).
É que ter optimismo, é crêr no futuro da Pátria, confiar num Portugal renovado e progressivo, cujo ressurgimento seja uma aurora magnífica de côres triunfais, à claridade da qual comecem a desenhar-se os contôrnos do novo caminho a percorrer, que há de ser em tudo digno do passado glorioso dêste Povo, eterno crédor do Mundo e da Civilização!
ibidem: 62
A Comissão Organizadora do congresso anunciou antecipadamente a forma como iria decorrer esta grande reunião sobre turismo. Antes do início do congresso, os delegados podiam ter acesso às cópias de todas as comunicações que iriam ser apresentadas na Sociedade de Geografia. Cada uma das sessões de trabalho teria o seu próprio Relator Geral, cuja função consistiria em expor aos participantes dessa mesma sessão um resumo comentado de todas as comunicações nela inscritas, pelo que os participantes não ouviriam nunca as teses dos demais congressistas pela voz do próprio autor. Como resultado desta metodologia, apresentada e justificada como sendo o modelo adotado em reuniões estrangeiras idênticas, nas sessões de trabalho discutiam-se apenas essas conclusões já mediadas pelo respectivo Relator Geral, tendo, porém, os autores dos textos a possibilidade de intervir para focar pontos que considerassem mais interessantes ou pertinentes. Esta orgânica permitia que um mesmo congressista tivesse oportunidade de apresentar comunicações em mais do que uma sessão e originou situações caricatas, visto ter havido resumos mais extensos do que a própria comunicação original, como sucedeu na terceira sessão relatada pelo Engenheiro Couvreur.
Procurámos verificar até que ponto a mediação dos relatores gerais teria ou não deformado os conteúdos das teses originais. Apesar desta interferência, não encontrámos diferenças significativas entre os resumos expostos e as comunicações apresentadas ao congresso. Pareceu-nos que, na sua maioria, terão mantido os conteúdos técnicos essencialmente inalterados, reproduzindo, também sem alterações de maior, os comentários de enaltecimento ideológico. Na verdade, quando tudo já
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estava dito nas apresentações dos congressistas, e depois de todos os elogios proferidos, pouco mais haveria que os relatores gerais pudessem ter acrescentado…
Apenas as conclusões expostas pelos diversos relatores gerais eram sujeitas a votação, e consequentemente incluídas nas atas finais a apresentar aos órgãos competentes, na pessoa do Presidente do Conselho. Em comunicado, a Comissão Organizadora do congresso acrescentou que as conclusões expostas pelos relatores gerais apresentavam o benefício de veicular unicamente o resultado final mais conveniente para os propósitos do congresso.
As comunicações apresentadas foram repartidas por cinco sessões de trabalho, com os seguintes títulos e relatores gerais:
1.ª Sessão - Organização do Turismo em Portugal. Relator geral: Dr. Armando Gonçalves Pereira, Catedrático do Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras da Academia das Ciências de Lisboa;
2.ª Sessão - Turismo Nacional e Internacional. Relator geral: Joaquim Roque da Fonseca, Procurador à Câmara Corporativa e Vogal do Conselho Técnico Aduaneiro;
3.ª Sessão - Transportes e Comunicações. Relator geral: Engenheiro Raúl da Costa Couvreur, Secretário-geral do Ministério das Obras Públicas e Comunicações, Inspector Superior de Obras Públicas, Director da Sociedade Propaganda de Portugal, e Presidente da Associação dos Arqueólogos Portugueses;
4.ª Sessão – Acomodações e Atrações. Relator geral: Engenheiro Carlos Manitto Torres, Professor da Escola Indústrial João Vaz, antigo Engenheiro dos Caminhos de Ferro do Estado, Presidente da Comissão de Iniciativa e Turismo de Setúbal;
5.ª Sessão - Problemas vários. Relator geral: Dr. Mário de Gusmão Madeira, Advogado e Diretor do Automóvel Club de Portugal.
Se bem que a nível formal algumas das palestras seguissem uma estrutura simples que as levava somente a fazer uma apologia ideológica do salazarismo, e a referir descritivamente problemas e projetos concretos próprios de determinados pólos de atração turística, outras havia que se revelaram documentos extremamente bem
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conceptualizados e verdadeiramente académicos. Refira-se, a título de exemplo, a comunicação de José de Penha Garcia que discorreu acerca de conceitos-chave da