• Nenhum resultado encontrado

4 ARQUITETURA SEMANTIC BUSINESS INTELLIGENCE (SBI)

4.10 O Processo de Desenvolvimento da Arquitetura SBI

Para a operacionalização da arquitetura SBI e para o acoplamento de ferramentas de apoio à decisão aos seus módulos, é necessária a incorporação de novas etapas nas metodologias de desenvolvimento de BI. Essas novas etapas, por tratarem de aspectos não abordados até então pelas metodologias atuais (e.g., representação do conhecimento do negócio e o seu mapeamento aos dados e serviços), exigem da equipe de desenvolvimento o desempenho de dois novos papéis, o de Engenheiro do Conhecimento e o de Arquiteto de Serviços. As novas etapas e os papéis associados são descritos no Quadro 10.

Quadro 10 - Sumário das Novas Etapas de Desenvolvimento Introduzidas pela Arquitetura SBI e dos Papéis Associados às Etapas

Etapa Descrição Papéis Associados

Representação da Semântica

do Negócio Identificação da terminologia e das regras

do negócio e representação dessas definições na Ontologia do Domínio Engenheiro do Conhecimento e Analista de Negócios Mapeamento Semântico do

Modelo de Dados Mapeamento da semântica do negócio aos dados da organização na Ontologia BI Engenheiro do Conhecimento, Analista de Negócios e Modelador de Dados Mapeamento Semântico de Serviços

Descrição semântica dos serviços internos ou externos de interesse aos tomadores de decisão na Ontologia de Serviços e projeto dos mediadores para integração desses serviços à arquitetura

Engenheiro do Conhecimento, Arquiteto de Serviços, Analista de Negócios, Arquiteto de Segurança e Desenvolvedor de Front End

Os papéis introduzidos exigem dos membros da equipe novas competências. Até então, nos projetos de soluções de BI, o conhecimento era obtido pelo analista de negócios e repassado para a equipe de desenvolvimento, que por sua vez concebia o modelo de dados e as ferramentas ETL e de apresentação de dados. Esse processo muda com a Arquitetura SBI.

O conhecimento sobre o negócio, cerne da nova proposta, deixa de ser somente interpretado pelo analista de negócio, passando a ser efetivamente representado e integrado aos módulos da solução de BI. Essa quebra de paradigma de desenvolvimento exige que novas competências sejam buscadas pelos membros da equipe. Assim são criados dois novos papéis a serem desempenhados pela equipe de desenvolvimento, a do Engenheiro do Conhecimento e do Arquiteto de Serviços.

As competências associadas ao papel Engenheiro do Conhecimento envolvem o conhecimento sobre técnicas e ferramentas para aquisição e representação da semântica do negócio. Os papéis de Engenheiro de Conhecimento e de Analista de Negócio possivelmente serão desempenhados pelas mesmas pessoas, dada a complementaridade dos dois papéis. Cabe ao

Analista de Negócio preparar e conduzir as entrevistas junto aos tomadores de decisão e cabe ao Engenheiro do Conhecimento o acompanhamento destas entrevistas e o levantamento de informações complementares sobre o negócio, além da representação dos conceitos identificados na Ontologia do Domínio. O Engenheiro de Conhecimento atuará ainda em conjunto com o Modelador de Dados no mapeamento dos dados à semântica do negócio.

Em relação à possibilidade de integração de serviços para extensão da arquitetura SBI, é importante que sejam desenvolvidas pela equipe competências associadas ao projeto e à implementação de Web services e de representação semântica de serviços. Essas competências são aqui associadas ao papel Arquiteto de Serviços. A integração de serviços à arquitetura SBI demanda do Arquiteto de Serviços uma colaboração com outros papéis tradicionalmente desempenhados pelas equipes de projetos de BI. Entre esses papéis, destaca-se o Analista de Negócios, que informará ao Arquiteto de Serviços sobre as necessidades dos tomadores de decisão, e o Arquiteto de Segurança, que definirá as políticas de segurança durante o projeto de integração de serviços. O Arquiteto de Serviços atuará ainda em conjunto com o Engenheiro do Conhecimento, informando os serviços que serão integrados à arquitetura para que o Engenheiro do Conhecimento possa apoiar a descrição semântica do novo serviço.

As novas etapas de desenvolvimento introduzidas pela arquitetura SBI poderão ser incorporadas a uma metodologia de desenvolvimento tradicional de BI, como a metodologia BUS descrita na Seção 2.7, conforme ilustra a Figura 12. Assim, a representação da semântica do negócio poderia ser iniciada logo após a definição dos requisitos do negócio e em paralelo às demais fases de desenvolvimento. A semântica do negócio é mapeada ao modelo de dados tão logo seja finalizada a fase de projeto do data warehouse. Os serviços são descritos semanticamente a partir da definição dos conceitos do negócio. Finalmente, as ferramentas de apoio à decisão são integradas ao Gerenciador de Análises logo após a conclusão do seu desenvolvimento.

As novas etapas podem também ser executadas de forma independente do fluxo de desenvolvimento da solução de BI. A qualquer momento, novas regras de negócio podem ser incorporadas à representação da semântica do

negócio, assim como novos serviços podem ser incorporados à arquitetura à medida que sejam identificadas novas necessidades analíticas junto aos tomadores de decisão.

Figura 12 – Adição das etapas de desenvolvimento específicas da Arquitetura SBI a Metodologia BUS

4.11 Considerações sobre o Capítulo

Neste capítulo foram apresentados os requisitos funcionais e não funcionais que nortearam a concepção da arquitetura SBI. Esses requisitos foram identificados a partir de uma análise das principais deficiências apontadas pela literatura nas soluções de BI atuais e pelos novos desafios dessas soluções no contexto da sociedade do conhecimento.

Visando atender a esse conjunto de requisitos, foi especificado um conjunto de camadas que envolvem fontes de dados, repositórios de ontologias, mecanismos de inferência e módulos funcionais, que reunidos oferecem às aplicações analíticas um acesso integrado à semântica do negócio, além dos dados e serviços de interesse ao tomador de decisão.

Para a concepção de soluções de BI a partir da arquitetura SBI, deverão ser consideradas etapas adicionais às etapas das metodologias tradicionais. Essas novas etapas compreendem a representação da semântica do negócio e

a descrição semântica das fontes de dados e dos serviços de interesse aos tomadores de decisão. Para tanto, são identificados dois novos papéis a serem desempenhados pela equipe de desenvolvimento, o de Engenheiro do Conhecimento e de Arquiteto de Serviços.

No próximo capítulo são apresentadas em detalhes as ontologias que compõem a camada de repositórios de conhecimento da arquitetura. No capítulo subseqüente são apresentados os módulos funcionais que formam a terceira camada da arquitetura.