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2 ECONOMIA INSTITUCIONAL: MUDANÇA NAS INSTITUIÇÕES E

2.2 INSTITUIÇÕES E MUDANÇA INSTITUCIONAL: A VISÃO DE DOUGLASS NORTH

2.2.2 O processo de mudança e estabilidade institucional e o papel das

Na primeira fase da obra de Douglass North “Institucionalista”, analisada nessa seção, a sua intenção é analisar como alguns países avançaram economicamente, enquanto outros permaneceram estagnados ou sofrendo com pobreza extrema. A chave dessa discussão está no processo de mudança, sobretudo institucional. Isso é feito pelo autor tanto no livro de 1990 (North, 2018), e em outras obras seminais, como os artigos Institutions, de 1991 e Economic Performance Through Time, de 1994. Esse foco já parece ser uma similaridade com os objetivos de estudo de Thorstein Veblen, nessa ideia macroinstitucional, em contraponto ao objetivo da Economia dos Custos de Transação, liderada por Oliver Williamson que tem seus objetivos vinculados ao entendimento da firma e uma visão microinstitucional.

Sobre a mudança das instituições, North (1991) ressalta que estas evoluem de forma incremental, e que dessa forma a história importa. Conforme North (1991, p. 97) “As instituições fornecem a estrutura de incentivo de uma economia. À medida que essa estrutura evolui, ela molda a direção da mudança econômica em direção ao crescimento, estagnação ou declínio.” As instituições como restrições são vistas por North (1991) como necessárias para potencializar comportamentos cooperativos e assim maximizar os resultados, dado que os comportamentos individuais tendem se a voltar para maximização da riqueza e que as informações são assimétricas.

Então, um dos pontos centrais para esta tese é a questão da mudança institucional e a relação das organizações nesse processo, e talvez seja essa a

contribuição central de Douglass North para a análise. Pois, esse autor afirma que são as organizações os agentes da mudança institucional.

As instituições, juntamente com os condicionantes convencionais concebidos pela teoria econômica, determinam as oportunidades em uma sociedade. Organizações são criadas para aproveitar essas oportunidades e, à medida que evoluem, alteram as instituições. A consequente trajetória dessa mudança institucional é conferida pelo enredamento [lock-in] decorrente da relação simbiótica entre as instituições e as organizações que constituíram em consequência da estrutura de incentivos proporcionada por aquelas instituições e pelo processo de feedback, mediante o qual os seres humanos percebem as mudanças no conjunto de oportunidades e reagem a elas. (NORTH, 2018, p. 20-21).

Então, para North (2018), as organizações em interação no ambiente institucional criam a estrutura de incentivos e oportunidades para os seres humanos e para a consequente mudança institucional. É importante destacar o lock-in, ou enredamento, a partir do qual as organizações têm incentivos para mudar o ambiente, mas ao mesmo tempo esse ambiente tenta restringir sua ação.

A análise de North, da década de 1990, ainda está fortemente vinculada ao referencial neoclássico. Para o autor há rendimentos crescentes quando se tem uma matriz institucional considerada adequada, e a mudança acontece de maneira incremental quando os empreendedores, sobretudo de organizações políticas e econômicas, percebem possibilidades de ampliar resultados com a alteração do quadro institucional. “Contudo, as percepções dependem crucialmente tanto das informações que os empreendedores recebem quanto do modo pelo qual eles processam essas informações.” (NORTH, 2018, p. 21).

Ou seja, os atores percebem o ambiente de forma diferenciada. Assim é o movimento das organizações e percepções da maioria dos atores, alterações aceitas por essa coletividade que vão levar a mudança ou estabilidade econômica. Então, conforme North (1994, p. 361), a mudança institucional e econômica “[...] é um processo onipresente, contínuo e incremental, é uma consequência da escolha diária dos atores individuais e dos empresários das organizações.”

Para North (1991), as diferentes trajetórias econômicas dos países são consequência das diversas oportunidades que os atores tiveram em distintos momentos

históricos. E estes promoveram diferentes quadros institucionais que levaram à mudança ou à estabilidade.

Então, sobre a importância das organizações como agentes de mudança na estrutura institucional, o autor destaca que as organizações são criadas com determinados fins, como a maximização da renda ou outros, então “Ao procurar alcançar aqueles objetivos, as organizações alteram a estrutura institucional de forma incremental.” (NORTH, 2018, p. 128) Assim, as organizações não são o foco de análise direta de North, pois as instituições o são, mas ele admite que são as organizações as portadoras da mudança, pois elas são criadas para determinados fins e na sua atividade diária utilizam meios que incitam e promovem a mudança institucional.

Para North (2005, p. viii), a mudança econômica é decorrência da intencionalidade dos atores, um “[...] moldado pelas percepções dos atores sobre as consequências de suas ações. As percepções provêm das crenças dos jogadores - as teorias que eles têm sobre as consequências de suas ações-crenças tipicamente combinadas com suas preferências.”.

Para North (1994), a mudança ocorre porque as organizações e os atores querem fazer as coisas melhores, ou de maneira mais eficiente e, a partir disso, reestruturam suas trocas. Assim, a fonte fundamental para a mudança é a aprendizagem e esta é incentivada basicamente pela concorrência. “A velocidade da mudança econômica é uma função da taxa de aprendizagem, mas a direção dessa mudança é uma função dos retornos esperados para adquirir diferentes tipos de conhecimento.” (NORTH, 1994, p. 362) Sobre a aprendizagem já se percebe um ponto em comum com algo que é aprofundando nos anos 2000, que é a análise sobre a questão cognitiva e a capacidade de aprendizagem do indivíduo, a partir de um dado ambiente institucional. Mantzavinos, North e Shariq (2004, p. 75, tradução nossa) produzem uma análise da mudança institucional, baseada no processo de aprendizagem, pois, “A habilidade para aprender é a principal razão para a plasticidade do comportamento humano, e a interação das aprendizagens individuais dá origem à mudança na sociedade, política, economia e organizações.”.

Na análise de Douglass North, o ccomportamento das organizações tem um papel fundamental na mudança institucional, pois, as regras podem ser as mesmas,

mas a maneira como o jogo é jogado pode ser radicalmente diferente dependendo das equipes e dos jogadores, esboça Douglass North em sua análise que faz analogia a um jogo esportivo, conforme trecho a seguir:

Mesmo com um conjunto de regras constante, as partidas vão diferir se forem jogadas por armadores ou por profissionais ou ainda por uma equipe em sua primeira partida ou pela mesma equipe em sua centésima partida. As discrepâncias decorrem das diferenças entre conhecimento comunicável e conhecimento tácito no caso de amadores e profissionais e do processo de aprender fazendo no caso da sucessão de partidas da equipe. (NORTH, 2018, p. 129).

O autor ainda destaca, o conhecimento comunicável como aquele que pode ser transmitido e o tácito como aquele que pode ser apenas parcialmente transmitido e está ligado a prática, experiência, habilidade e aptidões, que são desenvolvidas de maneira diferente entre as organizações. Conforme North (2018, p. 129), em geral, “As formas de conhecimento, aptidão e aprendizado que os membros de uma organização adquirem vão refletir as recompensas – os incentivos – contidas nos condicionantes institucionais.” Ou seja, o ambiente também lança oportunidades e restrições para o acúmulo ou busca de determinadas aptidões. Além disso, é essa demanda por conhecimentos e aptidões e suas características que irão refletir que recompensas os atores percebem existir para aquisição e acumulação de novos conhecimentos, e dessa forma, podem impulsionar a acumulação e distribuição de conhecimentos.

North (2018) destaca ainda que para cumprir os objetivos a que a organização se propõe e resolver os problemas com os quais se defronta, são exigidos conhecimentos e aptidões das organizações e seu atores, e estes serão diferenciados conforme o contexto institucional, o qual molda a organização interna, assim como determina o quanto ela se integra verticalmente com outras organizações e como se estrutura a gestão. Também determina a possibilidade de maximizar os objetivos da organização. Ou seja, é o contexto institucional que define quais conhecimentos e aptidões são demandados e serão buscados pelas organizações. “Os inventivos que se constituem no quadro institucional são o elemento decisivo na definição das modalidades de aptidões e conhecimentos que compensam.” (NORTH, 2018, p. 135).

Então, o quadro institucional, formado pelo conjunto de regras formais e normas informais definem os incentivos para aquisições de novos conhecimentos e aptidões, mas esses também terão suas influências sobre a conformação do futuro daquela sociedade: “[...] o quadro institucional irá direcionar a aquisição de conhecimentos e aptidões e esse direcionamento será o fator decisivo do desenvolvimento de longo prazo da sociedade.” (NORTH, 2018, p. 135).

Em sua obra de 1990, North (2018) dá sinais de que existem diferentes possibilidades de interpretação do quadro institucional e isso pode levar alguns a tomar a frente, em favor da mudança, e outros podem rejeitá-la e defender a estabilidade. Pois os sinais dados pelo quadro institucional podem ser ambíguos ou ter diferentes interpretações, algo que é aprofundado teoricamente a partir da obra de 1994, e que será explorado mais adiante, pois se torna presente também em obras como Mantzavinos, North e Shariq (2004) e North (2005). Nelas há a visão que a aprendizagem está envolta em um processo do qual se requer estruturas para interpretar os variados sinais que são recebidos. Essa estrutura tem uma carga de constituição genética importante, mas o que determina as diferenças mais marcantes são as experiências dos indivíduos que juntamente com o feedback formam os modelos mentais que tentam explicar a realidade e constituem as instituições (NORTH, 1994).

Para Mantzavinos, North e Shariq (2004), o primeiro ponto de análise da mudança é a aprendizagem individual. Essa é realizada a partir de modelos mentais, que mentais seriam a melhor forma de explicar e entender esta aprendizagem individual pelo fato de se constituírem em respostas aos problemas. Ou seja, são criados como forma de explicar e interpretar o ambiente ou expectativas que a mente cria em relação ao ambiente, antes de receber o feedback. Dependendo da resposta que o ambiente fornece, essa expectativa pode ser validada, aceita, reformulada ou rejeitada. “Learning

is the complex modification of the mental models according to the feedback received

from the environment9.” (MANTZAVINOS; NORTH; SHARIQ, 2004, p. 76). Mas, mesmo

que o modelo mental seja validado, isso não significa o sucesso, pois, “Learning is an

9 “A aprendizagem é a modificação complexa dos modelos mentais de acordo com o feedback recebido

evolutionary process of trial and error, and failure to solve a problem leads to the trialv of

a new solution10.” (MANTZAVINOS; NORTH; SHARIQ, 2004, p. 76).

Já na obra de 1990, algo que também faz parte no artigo de 1991, Douglass North está mais preocupado em estabelecer pontes com a teoria neoclássica, vislumbrando a possibilidade de reduzir a incerteza e de maximizar lucros e crescimento econômico a partir de uma estrutura institucional considerada adequada.

Assim, o procedimento maximizante das organizações econômicas configura a mudança institucional mediante (1) demanda derivada resultante de investimento em conhecimento de todas as ordens (discutidas acima), (2) a contínua interação entre a atividade econômica organizada, o acúmulo de conhecimento e o quadro institucional (discutida a seguir) e (3) a alteração incremental das restrições informais como subproduto das atividades maximizantes das organizações [...] (NORTH, 2018, p. 136).

Douglass North entende o comportamento maximizante das organizações em um ambiente de condicionantes institucionais, a partir de duas atitudes. A primeira é alvo da investigação da Teoria dos Custos de Transação, principalmente por Oliver Williamson, no qual as empresas aprendem e estruturam-se para maximizar os ganhos com dados condicionantes institucionais vigentes, “Tal atividade maximizante por parte da empresa decorre do processo de aprender fazendo e do investimento em modalidades de aptidões e conhecimentos que compensem.” (NORTH, 2018, p. 137). E está ligado ao processo de eficiência adaptativa. Já a outra opção, alvo de investigação de Douglass North, é a organização esmerar-se para mudar os condicionantes institucionais.

Organizações com suficiente poder de barganha irão se valer do regime político para atingir objetivos nas situações em que a vantagem de maximizar nesse sentido exceda a vantagem de investir seguindo as restrições vigentes. Contudo, a mudança incremental do quadro institucional geral é mais abrangente do que quando as organizações econômicas destinam recursos para mudar as regras políticas diretamente a fim de aumentar sua rentabilidade. As organizações também vão estimular a sociedade a investir em modalidades de aptidões e conhecimentos que indiretamente contribuam para a rentabilidade delas. Tal investimento irá moldar o cultivo em longo prazo de aptidões e conhecimentos, que são os fatores determinantes subjacentes do crescimento econômico. (NORTH, 2018, p. 137)

10 “O aprendizado é um processo evolutivo de tentativa e erro, e a falha na solução de um problema leva

Então, as organizações são os agentes de mudança institucional, em que aquelas que tem maior poder de barganha no jogo político serão as direcionadoras, que tendem a modificar as regras formais a seu favor, e também a alocar seus próprios recursos, assim como os da sociedade, para ampliação dos conhecimentos e das aptidões que lhe beneficiem. Mas, essa relação também não é totalmente direcionadora por parte das organizações, uma vez que o ambiente institucional também influencia no comportamento das organizações. Em que, para North (2018), um dos componentes centrais que direciona a mudança é a alteração de preços relativos, ou ainda as preferências do indivíduos, sendo que “As instituições mudam, e alterações fundamentais nos preços relativos são a fonte mais importante dessa mudança.” (NORTH, 2018, p. 144). Esta transformação é vista por Douglass North como: “A mudança comumente consiste em ajustes marginais no complexo das regras, normas e formas de imposição de cumprimento que constituem o quadro institucional. [...]” (NORTH, 2018, p. 143).

Por outro lado:

A estabilidade é alcançada mediante um complexo conjunto de

condicionamento que abrange regras formais hierarquizadas de tal forma que cada nível é mais custoso de mudar do que o anterior. Esse conjunto também abrange restrições informais, que são extensões, aprimoramentos e retificações das regras e têm uma tenaz capacidade de sobrevivência porque passam a fazer parte dos hábitos. Elas permitem às pessoas executar o processo cotidiano de realizar trocas sem terem de refletir exatamente sobre os termos de uma troca a cada ponto e em cada ocasião. Rotinas, costumes, tradições e convenções são palavras que usamos para denotar a persistência das restrições informais, e é a complexa interação de regras formais e restrições informais, junto com o modo pelo qual elas são aplicadas, que molda nosso cotidiano e nos orienta em seu caráter predominantemente convencional (palavra que, por si só, dá ideia de estabilidade institucional). (NORTH, 2018, p. 143-144).

Então para Douglass North, as instituições do ponto de vista das restrições formais irão se modificar quando for de interesse daqueles que pertencem as camadas da sociedade com maior poder de barganha, algo próximo da análise de Veblen (1987) sobre o papel da classe ociosa ao influenciar a mudança institucional. Além disso, na citação inserida anteriormente, North (2018) destaca que a mudança institucional é um processo lento e incremental, mais uma visão próxima da análise vebleniana. Ainda, há

de se destacar que nessa passagem o foco da análise de Douglass North recai sobre as regras formais, mas, o autor considera também o caráter fundamental das regras informais e julga estas mais próximas dos hábitos, assim como Veblen (1987). E pelo fato de que as regras formais por vezes são modificadas pela estrutura de poder, elas podem estar desconectas das restrições informais e isso desequilíbrio institucional.

Então a cooperação é difícil, pois há poder de barganha envolvido e as regras informais em geral não dão conta de sistemas de trocas e sistemas políticos mais complexos, principalmente quando as trocas entre diferentes regiões do mundo se acentuam. Assim, é preciso que se crie um quadro institucional para que essas trocas sejam possibilitadas por um conjunto de regras formais, de maneira a reduzir a incerteza nas trocas, o que leva à inserção de uma terceira parte nessas trocas. “A imposição de cumprimento por uma terceira parte implica o desenvolvimento do Estado como uma força coercitiva capaz de monitorar os direitos de propriedade e fazer cumprir contratos de modo efetivo [...]”(NORTH, 2018, p. 107-108). Mas, aí se insere outro problema que o próprio Douglass North já percebe “[...] se o Estado detiver força coercitiva, aqueles que o administram irão usá-la em interesse próprio a custo do resto da sociedade.” (NORTH, 2018, p. 108).

Nas passagens anteriores pode-se perceber uma similaridade com a abordagem de Veblen (1987), uma vez que aquele autor também assimila a mudança institucional como algo proveniente, muitas vezes, da classe ociosa que na sua percepção é a com maior poder econômico e social. Além disso, North incorpora a noção de hábitos, na citação anterior, mostrando que as instituições (restrições) informais são mais difíceis de serem alteradas do que as formais, justamente pelo fato de muitas serem incorporadas aos hábitos. Nesse sentido, poderia se dizer que a noção de mudança institucional dos dois autores apresenta importantes similaridades, e que a diferença se opera no nível do conceito de instituições, no qual a abordagem vebleniana considera as instituições em nível mais aprofundado do que North. Por exemplo, uma lei que não “pega” para North é uma instituição, mas que não funciona ou que está gerando um desequilíbrio no ambiente institucional, já que restrições formais e informais não estão em sintonia, já para Veblen esta não é uma instituição por não estar enraizada como hábito da coletividade.

Já na fase mais recente, Douglass North, em Mantzavinos, North e Shariq (2004), colocam maior importância à evolução, destacando que a estabilização e mudança dos modelos mentais acontece em função do feedback que o ambiente fornece e repete-se de forma positiva, o confirmando. Tal modelo mental tende então a se estabilizar. Ou seja, o ambiente confirma a validade do modelo mental várias vezes, com isso ele não precisa mais se modificar para se moldar ao ambiente, nesse caso, quando o modelo mental se “cristaliza” ele é chamado de crença. E da interconexão de várias crenças forma-se o sistema de crenças, que podem ser consistentes ou não, podendo não ser consistentes do ponto de vista teórico, por exemplo, mas validados e aceitos pelo ambiente, e que por isso, se estabelecem e se estabilizam na sociedade. Para os autores, o sistema de crenças também se relaciona com a questão motivacional, ou mesmo emocional, e por isso se torna um filtro para todo novo processo de estímulo, e dessa forma, se torna resistente a mudanças.

Ou seja, as pessoas formam modelos mentais que são validados pelo ambiente, na sociedade ou uma comunidade onde elas estão inseridas. Se esses modelos forem validados, ou aceitos, várias vezes eles irão se cristalizar em crenças, e quando várias crenças se interconectam elas formam um sistema de crenças, que já é algo mais resistente à mudança. O que se justifica por se constituir em formas de ver determinados problemas que já foram validados pelo ambiente inúmeras vezes, e assim, foram aceitos pela sociedade. Mas, isso não garante que eles realmente tenham sucesso na resolução dos problemas, ou que tenham relação lógica, ou sejam validados pela teoria, por exemplo.

Por outro lado, se um modelo mental não é aceito, o indivíduo pode tentar diferentes formas de validá-lo no ambiente, ou se obriga a modificá-lo, formando novos modelos mentais. “Em suma, a escolha criativa ou aprendizagem será dependente crucialmente do feedback do ambiente que a mente individual recebe ao tentar resolver seus problemas.” (MANTZAVINOS; NORTH; SHARIQ, 2004. p. 76, tradução nossa). Ou seja, a escolha depende do indivíduo apenas em partes, pois, ele forma um modelo mental, mas se isso não for aceito no ambiente ele terá que rever suas estratégias e seu próprio modelo mental. Além disso, há de se levar em consideração que muitas vezes as pessoas podem não conseguir interpretar da maneira adequada os feedbacks

do ambiente, pois isso depende da capacidade sensorial do indivíduo. Assim, o processo de aprendizagem e formação de sistemas de crenças é algo de longo prazo, e uma vez estabelecidos, sua mudança se torna algo mais difícil.

Depois de fazer essa análise de como se forma o processo de aprendizagem do indivíduo, os autores partem para a análise da aprendizagem coletiva, considerada a forma de aprender socialmente. Para tanto, os autores analisam dois aspectos do conhecimento compartilhado socialmente, o estático e o evolutivo. Na dimensão estática da aprendizagem, analisa-se que os indivíduos estão em comunicação uns com os outros na tentativa de resolver seus problemas, como consequência se formam modelos mentais compartilhados, que fornecem os elementos para a interpretação comum da realidade, e dessa interação surgem soluções coletivas para problemas vindos do ambiente. Já na dimensão evolutiva, se analisa como esses modelos mentais compartilhados evoluem. Os autores indicam que isso depende do tamanho do grupo, e por isso normalmente é diferente entre as organizações e na sociedade em geral. (MANTZAVINOS; NORTH; SHARIQ, 2004).

Para os autores, a aprendizagem compartilhada começa dentro das famílias, na vizinhança e escolas, que nesse caso são consideradas como organizações, em que as