3. ALIEN AÇÃO OU ESCLARECIMENTO
3.5 TRÊS ESCOPOS ACERCA DA ALIENAÇÃO NA INDÚSTRIA CULTURAL
3.5.3 O PROCESSO DE SIGNIFICAÇÃO COMO DETERMINANTE
Este é o escopo da Semiótica, ciência que estuda todos os fenômenos culturais como se fossem sistemas sígnicos, isto é, sistemas de significação. Tal escopo deriva da filosofia do filósofo norte americano Charles Sanders Peirce, evidentemente se trata de um campo de estudos rico e complexo, por isso mesmo vamos nos concentrar em apenas alguns pontos essenciais para o encerramento desta dissertação. De uma forma geral, signo seria qualquer coisa que representa ou está no lugar de algo, por exemplo: a palavra em relação à coisa que ela representa.
Existiriam 3 tipos básicos de signos:
(a) Signo Icônico: É aquele que possui analogia direta com o objeto representado, por isso mesmo nos diz muito sobre o objeto que representa. Por exemplo: Uma foto em relação à uma paisagem, uma escultura em relação a um corpo, etc.;
(b) Signo Indicial: É o indício de algo, é um signo efêmero, que não diz muito sobre seu objeto representado. O signo indicial não existe enquanto signo se o receptor não sabe a relação entre ele e objeto que representa. Por exemplo: uma poça d´água em relação à chuva, uma flecha indicativa de saída em relação à saída, etc.;
(c) Signo simbólico: Representa seu objeto em virtude de uma convenção. Sua relação com o objeto é arbitrária, O exemplo mais comum de signos simbólicos são as palavras, qualquer palavra.
Para Teixeira Coelho, poder-se-ia argumentar que na realidade dificilmente se pode constatar a ocorrência de um desses três tipos de signos em estado puro, por isso
mesmo ele nos alerta que frente a questão sobre a alienação e a reificação o importante é sabermos que cada tipo de símbolo exige e propaga certo tipo de consciência:
(a) Consciência icônica: É um tipo de consciência relacionada com o sentir e com o sentimento, com a contemplação, não com a análise. Não busca fazer argumentações lógicas, admira-se com as relações de diferença e semelhança, não forma raciocínios definitivos. É a consciência mais próxima à intuição e às sensações. É o tipo de consciência que emana das artes autônomas;
(b) Consciência indicial: O signo indicial exige do sujeito algo mais que a simples contemplação, exige alguma “esperteza”. Isto significa que a pessoa que o observa deve despender alguma energia no processo de recepção desse signo. É o tipo de consciência gerada e exigida pela indústria cultural, o esforço é tal como o esforço que espectador precisa fazer para rir do humor daquilo que é exibido na tela, é a reação imediata que o “efeito choque” exige;
(c) Consciência simbólica: é de uma consciência interessada na investigação do objeto, que produz e busca entender as convenções, normas, causas e efeitos. Não se contenta com sentir ou intuir uma coisa, nem em constatar que ela existe: quer saber por que existe, por isso transcende os limites dos sentidos. É o tipo de consciência exigida pela ciência e pela filosofia de boa qualidade.
Toda a indústria cultural e também a internet sempre estiveram operando e propagando predominantemente signos indiciais (pouco espaço para o sentir e para o investigar tem sido dado), julgo que isso ocorra justamente pelo ritmo frenético de nossas vidas após a Era da Eletricidade que estes dois meios de comunicação supra citados fazem questão de alimentar. O problema que aparece com isso é que a indústria cultural e a internet vêm formando e desenvolvimento apenas a consciência indicial de seu público, isto é: apenas signos e consciências superficiais, desta forma elas fazem com que tudo pareça efêmero, rápido, transitório, tal como a poça d´água não é a chuva, mas fala de uma chuva que já passou e logo será esquecida assim que o resto de água que ali ficou evaporar.
Aparentemente, nada mais fácil e útil do que entender esses índices que são como pegadas humanas sobre a areia. À primeira vista, estas levariam de modo claro e direto à pessoa por elas responsável. Ocorre no entanto, em nossa sociedade, que a única coisa ao final vista são essas pegadas. Fica-se sem saber
quem as fez, onde está quem as fez, por que foram feitas, e nem se o sentido da marcha dessa pessoa foi realmente daqui para lá ou se as pegadas foram feitas com a pessoa caminhando de costas. Permanecem apenas as pegadas, não permitindo nem que se descubra a areia onde aparecem, nem o cenário próximo. E o primeiro vento que bater as apagará para sempre, sem delas ficar traço na memória.227
Não há tempo para a intuir, sentir ou mesmo para o exame lógico das coisas. Na televisão e na internet só há tempo para apenas mostrar, indicar e constatar. Nos filmes, nos jornais, ou nas redes sociais não há revelação, apenas constatação, e ainda assim geralmente constatação superficial. Para Coelho isto tudo acaba funcionando como mola que impulsiona ainda mais o processo de alienação e reificação no qual estamos submetidos, processo que nos priva de algumas de nossas mais belas capacidades humanas como sentir, intuir e argumentar, com isso vamos aos poucos nos tornando menos autônomos e mais automáticos. É uma consciência de constatação: a poça d´água me diz que realmente choveu e que no momento não chove mais. Eu constato isto, não reflito, não intuo.
A capacidade de interpretar o mundo iconicamente, de distinguir o s entido nas coisas, vê-se cada vez mais diminuída. Do mesmo modo, a possibilidade de proceder a uma interpretação simbólica; do mundo, de procurar suas causas e reuni-las em teorias coerentes, torna-se sempre, mais e mais, algo como um dom especial, reservado a um pequeno número, quase uma elite. O que prevalece é a tendência a ver apenas o significado indicial das coisas - e esse é o problema, na medida em que o índice nunca aponta diretamente para a coisa em si, mas sempre para algo que não é a própria coisa. No máximo, aponta para qualidades indicativas da coisa. No caso da poça de água, o índice aponta para uma qualidade indicativa da chuva: o estado líquido da matéria. E mais nada. O índice manda seu receptor sempre de uma coisa para outra, sem deter- se nem no objeto visado, nem em nada - não permitindo nem penetrar intuitivamente nele, nem conhecer logicamente suas causas e destinos. Nesse processo, as outras duas funções semióticas (funções de interpretação, de formação do significado), a icônica e simbólica, são reduzidas apenas à dimensão indicial quando deveriam, no mínimo, estar em pé de igualdade com esta.228
Ao contrário da consciência icônica que pode nos levar a experiências esclarecedoras e absolutamente novas, a consciência indicial só pode revelar aquilo que já foi revelado anteriormente a outros, é o tipo de consciência que nos deixa tutelados por inteligências internas. Desta forma o sujeito que tenta formar sua identidade por meio da consciência oriunda da indústria cultural ou da internet ficaria apenas com uma consciência indicial sobre o que são as coisas: sobre o que é certo e errado, bom e mau, direita e esquerda política, etc., tem apenas indícios sobre o que seja o mundo e sua forma
227 COELHO, 1993, p.32-33. 228 COELHO, 1993, p.30-31.
de funcionamento. Por isso não me espanto ao ver um dito “intelectual” proferindo as mais tolas palavras a um outro intelectual num ambiente público e democrático feito o Facebook, isto apenas demonstra de forma prática o nível de miséria intelectual propagada por este tipo de consciência.
Por fim, Teixeira Coelho julga que o terceiro escopo é o que parece ter mais condições de equacionar adequadamente o problema, mas deve nos ficar claro que para pintarmos o quadro final de uma boa análise no que tange a alienação e a reificação na indústria cultural e internet sempre necessitamos levar em consideração a mensagem do meio, a ideologia do sistema de origem, o conteúdo apresentado e o tipo de consciência formada como aqui tentamos fazer, ou como ele mesmo disse: O perigo não está em se usar ideias dos três escopos, o perigo está na adoção de um ponto de vista unilateral sobre o assunto.229
229 COELHO, 1993, p.33.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Em síntese vimos que os conceitos de alienação e reificação possuem ampla história e fundamentação filosófica, por isso mesmo não podemos analisar os efeitos supostamente alienantes da indústria cultural e da internet partindo apenas da ideia de senso comum de que alienado é quem vivem de forma desconexa com nossa realidade. O concito de filosófico de alienação começou a ser fundado com as pesquisas que o jovem Karl Marx fez acerca da economia de sua época. Embora o termo alienação derive dos termos Entäusserung (alienação) e Entfremdung (estranhamento), normalmente tal distinção não é feita e se entende por alienação um estado de negatividade que se contrapõe a qualquer positividade emancipadora, estado este que englobaria estes dois conceitos alemães. A alienação é para Marx fruto do sistema capitalista em que o sujeito trabalha não para suprir suas necessidades ou a necessidade de sua comunidade, mas sim para suprir as necessidades do burguês e do próprio sistema econômico em geral. Com isso o fruto do trabalho do trabalhador se torna estranho e distante, as coisas tem seu valor de uso substituído pelo valor de fetiche e o próprio trabalho torna-se uma mercadoria barata, tão barata que muitas vezes o salário do trabalhador não é suficiente para que este possa usufruir daquilo ele próprio produz. Com isto o mundo das coisas (Sachenwelt) é valorizado e desvaloriza-se na mesma medida o mundo dos homens (Menschenwelt). Desta forma o sujeito alienado vai se tornando também uma coisa, um ser vazio, descartável e substituível. Como resultado disso o homem se torna estranho a si mesmo e a toda humanidade, fato que nos leva a um estado no qual o homem se torna inimigo do próprio homem, que faz com que um homem queira explorar e oprimir os outros homens para poder desfrutar dos luxos que o sistema oferece. Desta forma os conceitos de alienação e reificação em Marx se referem a muito mais coisas além da economia e das relações de trabalho no capitalismo, eles dizem respeito a lógicas de exploração e legitimação dessa exploração dos seres humanos uns pelos outros. Para Herbert Marcuse o conceito marxiano de trabalho não estaria ligado apenas à economia, mas sim à essência humana, essência essa que necessita ser resgatada através da superação da coisificação e do resgate da humanização perdida durante o processo de valorização das coisas. O trabalho livre e natural é a realização da essência humana, por outro lado, o trabalho estranhado do capitalismo é a desrealização de tal essência. Tal essência não seria um substratum abstrato a-histórico, mas sim uma essência que se determina na e somente na história, haveria uma relação necessária entre essência e
existência. Durante o processo de divisão do trabalho teria havido também a separação entre essência e existência, desta forma a crise social do capitalismo não é somente uma crise econômica e política como também é uma catástrofe da essência humana que apodrece as relações pessoais transformando-as em relações “coisais”.
Do filósofo Georg Lukács veio nossa fundamentação do conceito de reificação, do alemão “Verdinglichung” que significa transformar algo em coisa. Em especial seria o ato da mente alienada de transformar um sujeito em uma coisa eliminando suas particularidades e sua humanidade, ou que reduz grupos e indivíduos a estatísticas, cifras ou mesmo preconceitos. Tal processo vem rebaixando as relações interpessoais a relações de compra e venda. A reificação seria um problema central e estrutural da sociedade capitalista em todos seus desdobramentos vitais. Para Lukács a mercadoria consolidou- se hoje como uma “categoria universal de todo ser social”, desta forma a reificação adquire uma importância decisiva no desenvolvimento da sociedade administrada, bem como na maneira de entendermos o próprio homem. Diríamos que o homem e tudo mais que ele produz pode ser entendido a partir da ideia de mercadoria (coisa). Quanto mais o capitalismo se desenvolveu, mais as relações de trabalho e os sujeitos trabalhadores foram sendo condicionados a um estado de mecanização, no qual as particularidades individuais foram se tornando cada vez menos bem vindas. Deve nos ficar claro que o fenômeno da reificação não se refere apenas ao âmbito da economia, mas se expande por toda sociedade capitalista, todo tipo de produção humana neste sistema seria mercadoria, seria coisa, inclusive a cultura e seus mais variados produtos. A reificação seria um processo estruturalmente generalizado por toda a sociedade, do burguês ao trabalhador, do artista ao crítico de arte, do reitor ao aluno: tudo é coisa, tudo é mercadoria, tudo deseja virar lucro, deseja extrair mais-valia.
Para Theodor Adorno a origem da alienação, bem como da fundamentação do
homem moderno já estariam contidas, no período histórico dos mitos gregos. Nos mitos da Odisseia a constante autoafirmação da subjetividade de Ulisses manifesta nele o protótipo do homem burguês moderno e em seus comandados, a massa de manobra. Tal como no mito das sereias no qual Ulisses se amarra ao mastro enquanto os seus marinheiros foram ensurdecidos para que ninguém sucumba ao canto das entidades místicas. No capitalismo tanto o burguês quanto o trabalhador estão presos ao mesmo destino, à diferença é que assim como Ulisses o burguês desfruta do canto das sereias, enquanto os marinheiros remam com temor à morte sem nunca poderem desfrutar do luxo desta canção. Também demonstramos como para este autor não só alienação e reificação,
mas também patologias psicológicas como a paranoia, o individualismo, a depressão, etc. detêm primeiramente origem social, para depois eclodir nos sujeitos gerando os mais inimagináveis tipos de violência, o trabalho alienado estaria gerando uma cultural doente oriunda do falso esclarecimento, da falsa mimesis e da falsa projeção da qual todas juntas podemos chamar de semicultura. A semicultura é o conjunto de crenças inabaláveis possuídas por qualquer opressor alienado, ela é o princípio da falsificação da realidade e, como observamos: a indústria cultual é responsável por propagá-la.
O segundo capítulo foi iniciado com a diferenciação entre informar & comunicar, comunicação mediada & comunicação não mediada e entre meios de comunicação individuais-interpessoais & meios de comunicação de massa. Depois realizamos a devida apresentação e diferenciação entre Meios de Comunicação de Massa, Industria Cultural e Internet. Qualquer tipo de meio de comunicação utilizado para levar uma mensagem para uma grande quantidade simultânea de destinatários pode ser chamado de Meio de Comunicação de Massa, a invenção do primeiro destes meios aconteceu com a imprensa de Gutemberg e a partir daí as capacidades dos seres humanos se comunicaram cresceu muito e revolucionou a ciência, a filosofia, a economia, a religião e todas as outras áreas de atuação humanas.
Com o tempo e com o aumento do consumo de produtos culturais vindos não só da imprensa, mas também de novas tecnologias como o rádio e o cinema criaram uma cultura de massa. Mas esta cultura de massa não levou a um grande esclarecimento, pois muito mais do que apenas comunicar ao se atingir uma grande quantidade de pessoas consegue-se também exercer poder sobre elas. Desta forma, logo que se começou a publicar massivamente, iniciou-se também o processo de gatekeeping, em que uma minoria detentora dos meios de comunicação selecionava ardilosamente aquilo que poderia ser comunicado, desta forma tal minoria conseguia imprimir e transportar seus ideais pelo tempo e pelo espaço.
A cultura de massa mudou a relação dos homens com as artes, com a cultura e com as informações gerais se tornando objeto de análise dos filósofos Herbert Marcuse e Walter Benjamin logo no início do século XX. Marcuse teria desvelado que a arte e a cultura nos três séculos de domínio burguês tornam-se fortes elementos de afirmação ideológica e manutenção do status quo, ele não chegou a fazer a devida distinção entre a arte e cultura tradicional e a então nova cultura de massa, esta distinção apareceu somente na obra Benjamin.
ao dizer que a primeira seria dotada daquilo que ele chamou de “aura”, o valor deste tipo de obra estaria em sua distância e diferença em relação ao cotidiano, assim sendo estas obras de artes teriam seu valor justamente por não poderem ser vistas e sentidas pela maioria dos mortais, a aura dá a elas um valor de culto único. Por outro lado, a arte massivamente reproduzida estaria destituída de aura, porém estaria muito mais próxima da vida e do cotidiano de todos. Seria uma arte popular. Desta forma ela não teria valor de culto, mas sim valor de exposição. Este valor se ampliaria quanto mais vezes a obra é reproduzida e quanto mais pessoas ela atinge. Ele sabia que estando nas mãos de grandes burgueses a nova arte jamais atingiria todo seu potencial revolucionário, mas devido ao grande impacto e a apresentação massiva de novos conceitos estéticos, ela seria por si só uma crítica à velha maneira de fazer arte, se não uma crítica profunda ao sistema e ao status quo, uma crítica aos valores estéticos burgueses e monárquicos. Evidentemente há uma contrapartida nisso tudo apontada pelo autor, o espectador desta nova arte sem dúvida é um espectador “mais distraído” que percebe o que está diante de si não mais por meio de contemplação e reflexão, mas sim por meio de “efeito choque”. A forma de assimilação da arte não só mudou, mas também ficou mais dinâmica e ao mesmo tempo mais pobre.
Theodor Adorno não ficou tão empolgado com a nova arte e cultura como o seu amigo Benjamin, pelo contrário, não viu nada de positivo e esclarecedor frente àquilo que junto de Max Horkheimer veio a chamar de indústria cultural, Em linhas gerais este é um nome crítico criado com a finalidade de ilustrar a situação de submissão da arte e dos veículos de comunicação frente a economia capitalista e à cultura burguesa em geral. Como o próprio termo já diz, trata-se de um ramo da indústria que produz e distribui produtos culturais, porém o problema que esta prática tão corriqueira para nós habitantes do século XXI produz é extremamente pesado e complexo.
Primeiramente não se pode falar em indústria cultural antes da Revolução Industrial do século XVIII. Desta forma diríamos que a indústria cultural e sua cultura para massa são frutos do fenômeno da industrialização, mas não somente isso mas são também fruto da submissão do homem às novas condições de trabalho e consumo burguesas, citadas no primeiro capítulo, ou seja, são fruto da nova forma de economia ditada pelo ritmo das máquinas, pela exploração do homem sobre o próprio homem, pela reificação e pela alienação. Ao contrário do conceito de cultura de massa que nos leva a pensar em uma cultura feita pela massa, o termo indústria cultural deixa claro que se trata de um tipo de cultura feito industrialmente para o consumo massivo, fica claro que se
trata de um ramo de atividade econômica, industrialmente organizado nos padrões dos grandes conglomerados típicos da fase monopolista do capitalismo. Sob sua tutela a produção cultural deixa de ser uma expressão legítima do espírito humano e passa a ser apenas mais um setor do sistema econômico. Assim sendo, os produtos da indústria cultural só não são espontâneos como também são estranhos aos interesses dos consumidores.
Tal indústria vem tentando usurpar nossa faculdade de julgar e também nossa capacidade de dar significado as coisas, ela faria isso pois, assim deixa seu público previsível e a previsibilidade é uma poderosa arma para potencializar a venda de seus produtos e dos produtos dos anunciantes. Ela subjuga qualquer tipo de sonho ou pensamento libertário substituindo por sonhos menos nocivos ao status quo, com o tempo seu público vai se tornado cada vez mais insensível, previsível e conformado e no fim das contas acaba sonhando apenas com aquilo que diz que deve ser sonhado. Assim, os meios de comunicação falam como “a voz de cada indivíduo”, mas na verdade são os encarregados de manter todos calados.
Passados mais de setenta anos da crítica de Adorno e Horkheimer sobre a indústria cultural a mesma continua válida e é até mesmo “atual”, seja no escopo econômico, ideológico ou estético. O único cuidado que precisamos ter ao contemporizá-la é que hoje devido ao processo de globalização temos uma indústria cultural global que é muito mais poderosa e independente do que aquela que os filósofos da Escola de Frankfurt