CAPÍTULO 1. REVISÃO DE LITERATURA
4.4 O processo grupal
4.4.1 Freqüência de participação nos encontros
Nas intervenções psicoeducativas, os encontros tiveram, em média, a presença de nove idosos, com número de integrantes variando entre sete e doze. As sessões com maior freqüência foram a segunda e a última, cada qual com doze participantes. Os idosos compareceram, em média, a 6,5 encontros (72,2%). Um deles participou de apenas uma das sessões, enquanto os demais integraram, no mínimo, cinco das nove sessões realizadas, sendo que dois deles freqüentaram todos os encontros. A Tabela 11 apresenta o número de sessões em que cada um dos participantes esteve presente.
Nos casos de faltas, os idosos, na maioria das vezes, explicaram os motivos previamente ou na sessão seguinte. As principais justificativas apresentadas foram exame ou consulta médica
no mesmo horário, viagens, problemas familiares e participação em outras atividades do CCI, como apresentação do coral. Um caso específico foi de Oscar, que, por falta de opção, necessitou agendar consulta com nutricionista em dia e horário coincidentes com os encontros.
Tabela 11. Freqüência e porcentagem de participação dos idosos nas sessões psicoeducativas (N=13)
No. de sessões
frequentadas f % Participantes
1 ou 2 sessões 1 7,7 Amadeu
3 ou 4 sessões 0 0
5 ou 6 sessões 5 38,5 Artur, Edgar, Fausto, Oscar, Sérgio 7 ou 8 sessões 5 38,5 Berilo, Eusébio, Gastão, Jânio, Mário
9 sessões 2 15,4 Franco, Ozias
O participante com maior número de ausências foi Amadeu, que freqüentou apenas a terceira sessão. Ele alegou motivos de viagem e a necessidade de ajudar a esposa nos cuidados com a casa e com um neto. Após o encerramento das sessões, afirmou que havia faltado também a outras atividades promovidas pelo Centro, como mostra o relato abaixo.
(...) inclusive a hidroginástica nós desistiu. Desisti de tudo aí porque tem que cuidar do meu menino [neto] lá, minha menina [filha] tá estudando demais. Hoje ela chegou lá em casa nós tava deitado, levou o menino, deixou lá em casa, nós tivemos que levantar pra arrumar, levar ele pro colégio e tudo. Aí a veia falou "não, vamos parar com isso, porque fica muita correria pra nós, vamos cuidar só aqui de casa. (Amadeu, 76 anos, E2)
4.4.2 A intervenção psicoeducativa
A intervenção implementada foi do tipo multitemática e multicomponente, com abordagem de temas variados, relativos à saúde do idoso e à saúde do homem, e aplicação de um conjunto de técnicas e vivências direcionadas a grupos. Embora houvesse um esboço prévio da estrutura do programa, o planejamento de cada sessão era realizado na semana que antecedia ao encontro seguinte, incorporando em seu conteúdo e dinâmica dados colhidos junto aos participantes, de modo a tornar o processo mais contínuo e mais condizente com as necessidades percebidas no grupo.
De um modo geral, o objetivo do programa consistiu em favorecer a ampliação ou o fortalecimento do repertório de comportamentos protetores da saúde entre homens idosos no que diz respeito a respostas de autocuidado e de busca dos serviços de saúde, bem como à modificação de comportamentos de risco para agravos a saúde. Além disso, buscou-se com os encontros fortalecer o sentimento de grupo (coesão), possibilitar o exercício da autorrevelação (falar de si mesmo) e favorecer a reflexão sobre as características e benefícios do autocuidado. Para tanto, como estratégias de condução do grupo, buscou-se estimular (1) a troca de experiências e a expressão de percepções e sentimentos acerca de temas relacionados à saúde masculina e à saúde na velhice; (2) a busca conjunta de soluções diante de obstáculos relativos à
emissão de comportamentos promotores de saúde e (3) a percepção de autoeficácia acerca das potencialidades para cuidar da própria saúde.
O foco do Programa foram os comportamentos, crenças, sentimentos e atitudes dos participantes acerca de cuidados médicos e medidas gerais para manutenção da saúde. Foi priorizada a utilização de estratégias voltadas para a revisão e modificação de padrões de comportamento contrários ao envelhecimento saudável e para o reforçarmento de outros avaliados como úteis e necessários.
A primeira sessão foi destinada em parte ao levantamento de expectativas e ao fornecimento de informações sobre o programa, enquanto a última sessão visou, sobretudo, a avaliação final das experiências no grupo. As sessões foram temáticas, tendo cada uma delas um tema norteador pré-definido, de acordo com o qual foram selecionadas as estratégias de trabalho em grupo. Em linhas gerais, foram fornecidas e discutidas informações acerca de cuidados necessários para prevenir, diagnosticar precocemente ou controlar doenças e melhorar a saúde, assim como informações sobre os limites e as potencialidades do envelhecimento, os fatores determinantes da saúde dos homens, as relações entre comportamentos, crenças e saúde e a importância das habilidades sociais.
Conforme o planejamento de cada sessão, as seguintes estratégias foram utilizadas nos encontros: fornecimento de informações por meio de estratégias orais (exposição dialogada), com ou sem apoio de recursos audiovisuais; discussões em grupo, com troca de informações e experiências; uso de materiais educativos, escritos ou em vídeo; mensagens para reflexão, escritas ou em vídeo; encenações; e vivências e técnicas de grupo, adaptadas principalmente de Afonso (2002), Afonso (2010), Assis (2002) e Del Prette e Del Prette (2001).
Ao longo das sessões, a coordenadora buscava exercer uma escuta empática e atuava de modo a complementar, reforçar, valorizar ou facilitar as falas dos participantes condizentes com a proposta e objetivos do encontro e a criar um clima de confiança no grupo.
Para uma melhor compreensão dos procedimentos desenvolvidos no programa, os temas norteadores, objetivos e estratégias principais de cada encontro encontram-se descritos, em linhas gerais e de modo sucinto, na Figura 3 e são disponibilizados de forma pormenorizada no Anexo 7.