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LISTA DE QUADROS, GRÁFICOS E TABELAS

1.7 – O PRODUTOR E O PRODUTO

Os álbuns musicais são gravados nos chamados estúdios de gravação. Estes estúdios podem ocupar de uma simples sala até um prédio inteiro. Neles, existe uma série de equipamentos desenvolvidos para captação, tratamento e manipulação do som gravado. Até o final da década de 1940, as gravações eram feitas com microfones que captavam o que os artistas tocavam e cantavam. As gravações eram realizadas ao vivo. Não havia possibilidade de edições e correções posteriores. Isso implicava em um perfeccionismo indispensável no que se refere à execução ao vivo para que o resultado da gravação pudesse ser aproveitado. Como lembra George Martin,

A gravação ideal era aquela que reproduzia o som original com maior fidelidade, portanto o produtor se concentrava em conseguir o melhor arranjo da banda e a melhor apresentação dos vocais. O engenheiro tinha que conseguir o melhor equilíbrio possível do conjunto inteiro em uma única tentativa. (MARTIN, 2002, p. 340)

Porém, o guitarrista americano Les Paul (nascido em 1915 – falecido em 2009) desenvolveu uma técnica que mudaria completamente o modo como as gravações eram feitas. Segundo Burgess,

Les Paul foi o pioneiro do conceito de overdubbing (processo de gravação pelo qual novos sons são adicionados a outros já gravados) no fim da década de 1940 e início da de 1950, na revolucionária gravação de How High The Moon6. Naquela gravação ele tocou todas as partes de guitarra e Mary Ford fez todos os vocais. (BURGESS, 2002, p. 1-2 – grifos do autor)

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Fig 2. – Primeiro Overdubbing: Mary Ford e Les Paul 7

Como pode ser observado, a inovação de Les Paul permitiu que um mesmo músico pudesse atuar em diferentes momentos da gravação, tocando variações de seu instrumento ou até mais de um instrumento. Embora este avanço tenha sido revolucionário, até a proliferação dos estúdios caseiros – que utilizam o computador como catalisador e facilitador deste processo – que só começou a se popularizar de fato no início dos anos 2000, o acesso aos estúdios de gravação era uma exclusividade quase que absoluta de artistas que conseguiam ser contratados por uma gravadora. No Brasil, o acesso facilitado aos estúdios começa de forma tímida no início dos anos 1990. Renato Russo (DVD, 2007) aponta que a partir da década de 1990 o termo “independente” começa a ser empregado para designar gravadoras menores que trabalhavam com artistas não contratados por grandes gravadoras. George Martin (2002) ressalta pontos positivos e negativos do sistema de gravação multipista (G). Como vantagens, diz que este sistema “[...] dá a oportunidade de superpor um mesmo som várias vezes, de modo que teoricamente você poderia produzir uma orquestra sinfônica com base em um quarteto de cordas.” (MARTIN, 2002, p. 344-345) O ponto negativo é que esta captação em separado pode comprometer o lado emocional da gravação. Segundo o produtor, “Engenheiros e músicos mais jovens estão chegando à conclusão de que a qualidade de uma gravação ‘ao vivo’ com vários instrumentos juntos acrescenta tensão e emoção ao som, ainda que seja mais difícil lidar com ela. (MARTIN, 2002, p. 341 – grifos do autor). Martin complementa a idéia afirmando que

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truques modernos podem até conferir brilho à produção, mas que a composição e a interpretação são supremas.

Como o momento da gravação é um momento de tensão, quanto mais o artista se sentir confortável no estúdio, melhor será o resultado de sua performance. Nesse aspecto, o produtor acaba muitas vezes assumindo o papel de psicólogo, pai e amigo. Diz-se isso, pois o artista pode estar passando por problemas pessoais e o produtor deverá acalmar os ânimos, manter o foco do artista no trabalho e auxilia-lo a manter a sua auto-estima e confiança. É comum que artistas consagrados estabeleçam sólidos laços afetivos, não só com produtores, mas com técnicos de gravação. Dentre os estúdios musicais existentes, dois dos mais conhecidos e venerados são o americano Electric Lady Studios (localizado na cidade de Nova Iorque / Estados Unidos) e o britânico Abbey Road (localizado na cidade de Londres / Inglaterra). A seguir, apresento algumas imagens dos estúdios citados 8.

Fig. 3 – Estúdio #1 Abbey Road (Londres) 9

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Mais informações podem ser obtidas nos sites dos estúdios. Abbey Road: <http://www.abbeyroad.com> acesso em 19/01/2010

Electric Lady Studios: <http://www.electricladystudios.com> acesso em 19/01/2010.

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Fonte:

<http://bmwvcfa.files.wordpress.com/2009/10/elyakimtaussigabbeyroadlondonenglandw900.jpg> acesso em 19/01/2010

Fig. 4 – George Martin com os Beatles no Abbey Road (1967) 10

Fig. 5 – Produtor Eddie Kramer no Electric Lady Studios NYC em 1970 11

10 Fonte: <http://www.dailymail.co.uk/tvshowbiz/article-445887/Exclusive-Unseen-Beatles-photo.html>

acesso em 19/01/2010

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Fonte: <http://www.crawdaddy.com/index.php/2009/08/14/the-eddie-kramer-woodstock-experience> acesso em 19/01/2010 / NYC = cidade de Nova Iorque.

Fig. 6 – Electric Lady Studios NYC (atualmente) 12

Como veremos ainda neste capítulo (quando eu falar sobre o álbum “Sgt. Peppers” dos Beatles), a arte gráfica dos álbuns possuía limitações de espaço físico para que dados técnicos fossem incluídos na obra. Quando assistimos a um filme no cinema ou no DVD, ao final da obra, são exibidos os chamados “créditos”. Trata-se de uma ficha técnica (G) detalhada envolvendo o nome de todos os participantes da obra e suas funções (direção, câmera, figurino, trilha sonora, etc). Na década de 1970, este espaço físico nos álbuns para a impressão de fichas técnicas foi ampliado (principalmente após “Peppers” apresentar uma capa dupla). Nos anos 2000, com a proliferação dos sistemas digitais, podemos observar que o espaço voltou ao formato original, tornando-se reduzido. Em 2005, Robert Dimery lança o livro “1001 Discos para Ouvir Antes de Morrer”. Nesta obra, o autor faz um apanhado de 1001 álbuns musicais lançados entre as décadas de 1950 e 2000. Mesmo que não apresente fichas técnicas detalhadas, indica o nome do produtor de cada álbum selecionado. Os estilos predominantes adotados são referentes a álbuns de rock e música pop. Um dado importante que surge através dessa leitura é que vários destes álbuns analisados foram produzidos por mais de um produtor. Isso significa que o produtor pode contribuir em faixas isoladas ou ainda dividir a produção com outros colegas de profissão. Baseado na analise da obra referida, elaborei uma pequena “galeria de produtores musicais”, indicando o nome do produtor, sua origem, foto do produtor (as fontes de cada foto encontram-se em nota de rodapé) e um ou dois álbuns importantes produzidos por estes produtores. Assim, o leitor pode

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conhecer alguns dos nomes mais expressivos do mercado que produziram obras musicais consagradas internacionalmente.