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O Programa de Desenvolvimento Profissional de professores

3 Metodologia

4.1 O Programa de Desenvolvimento Profissional de professores

Em Portugal, cabe ao ensino superior (universitário e politécnico) dar formação inicial, ao nível das licenciaturas e mestrados, de modo a habilitar para a docência os professores do ensino básico e secundário. Os professores em exercício têm uma carreira que dura em média 35 a 40 anos, o que faz com que a formação, inicialmente recebida, tenha que ser atualizada ao longo deste período de tempo. Este é um dos motivos por que a formação contínua de professores é obrigatória em vários países, como é o caso de Portugal (OECD, 2014).

No nosso País, compete ao Conselho Científico-Pedagógico da Formação Contínua proceder à acreditação das ações de formação contínua de professores e acompanhar o seu processo de avaliação (http://www.ccpfc.uminho.pt/). Os professores são livres de escolher entre as várias formações disponibilizadas pelos Centros de Formação, apesar de em alguns casos poderem ser incentivados pelos Diretores de Agrupamento de escolas.

Para criar um Programa de Desenvolvimento Profissional (PDP), que correspondesse às necessidades da região onde o estudo decorreu, foram realizadas várias reuniões com investigadores (professores do ensino superior), a Diretora de um Centro de Formação local e diretores de agrupamentos de escolas. Algumas escolas estavam diagnosticadas por terem um fraco desenvolvimento de atividades práticas de ciências (relatório de Inspecção Geral da Educação e Ciência), o que não correspondia ao recomendado nos programas curriculares. Face

a este cenário, decidiu-se criar um PDP que fosse adequado às necessidades dos professores desta região.

Como as recomendações para promover a interdisciplinaridade, nomeadamente para integrar as STEM, têm vindo a aumentar, quer a nível nacional quer internacional, decidiu-se que o foco do programa seria “Matemática, Ciências e Tecnologia: Uma abordagem experimental”. Os diretores de agrupamento de escolas podem divulgar e recomendar a participação dos professores neste programa, mas a decisão final sobre a escolha ou não do programa é sempre do professor, sendo a sua inscrição no mesmo voluntária.

Foram, assim, criados dois cursos de formação, destinados aos professores do ensino básico, os quais foram propostos ao Conselho Científico Pedagógico da Formação Contínua. Os cursos são constituídos por um total de 26 horas anuais (setembro a junho), distribuídas por vários

workshops, com a duração de 2 a 4 horas cada, que incluem temas tais como astronomia,

eletricidade ou som, entre outros (Tabela 4.1 e Tabela 4.2).

Tabela 4.1: Tópicos da formação “Matemática e Ciências: Uma abordagem experimental no ensino básico”, ano letivo 2015/2016.

Workshops Participantes Duração Data Matemática e Ciências: Uma perspetiva experimental 14 4h 2/10/2015 Energia para todos: como fazer contas sobre a natureza 13 3h 19/11/2015 Desvendar os Mistérios do Som 14 3h 3/12/2015 MiMa*: Mãos na Matemática 12 4h 14/01/2016

Astronomia 13 3h 18/02/2016

Jogos gratuitos de Matemática e Ciências na Web 13 3h 10/03/2016

Robótica Criativa 12 2h 28/04/2016

Desafios do dia a dia com as unidades 13 2h 12/05/2016 Metodologias e partilha de boas práticas 13 2h 21/06/2016 *www.mathematicsinthemaking.eu

Tabela 4.2: Oficina de formação “Matemática, Ciências e Tecnologia: Uma abordagem experimental no ensino básico”, ano letivo 2016/2017.

Workshops Participantes Duração Data STEM para todos: fazer contas sobre a natureza 38 3h 18/01/2017 Tecnologias no Ensino das Ciências e Matemática 38 3h 25/01/2017 Desvendar os Mistérios do Som 37 2 h 30 min 15/02/2017 Desvendar os Mistérios da Eletricidade 38 2 h 30 min 8/03/2017 Metodologias e partilha de boas práticas 38 2h 3/05/2017

Os dados da Tabela 4.2 dizem respeito ao ano letivo 2016/2017, no qual se inscreveram 38 professores distribuídos por duas turmas. Neste ano letivo, o tópico de ciências abordado nos dois primeiros workshops foi a astronomia. No ano letivo 2017/2018 foi mantido o formato de oficina do ano letivo anterior (Tabela 4.2) e inscreveram-se 20 professores do 1.º CEB. Para além da

astronomia, som e eletricidade, neste ano letivo também foram introduzidos temas relacionados com química, biologia e geografia.

Os workshops foram dinamizados por professores do ensino superior (universitário e politécnico) e investigadores nas áreas da matemática, física, química, biologia, engenharia informática, engenharia eletrotécnica e de computadores, e tecnologias da informação e comunicação. As sessões de formação foram conduzidas num ambiente colaborativo onde os professores têm oportunidade de experimentar e treinar as diversas tarefas destinadas a serem implementadas em aula, tal como recomendado na literatura (Afonso et al., 2005; Ball, 2003; Darling-Hammond et al., 2017). Além disso, os professores foram encorajados a desenvolver a sua autonomia, de forma a criar e a implementar as suas próprias tarefas. Os professores também são incentivados a promover a interdisciplinaridade e a usar as estratégias de ensino recomendadas para a eficácia das abordagens propostas. No decorrer deste programa de desenvolvimento profissional, os professores escolheram pelo menos um dos tópicos de ciências trabalhados na formação para implementar em aula com os respetivos alunos. Por exemplo, poderam optar pela astronomia, som ou eletricidade para desenvolver tarefas hands-on interdisciplinares e as implementar recorrendo ao questionamento investigativo.

Neste programa de formação, os professores são apoiados pelos formadores no decorrer do seu desenvolvimento profissional, nomeadamente no trabalho que pretendem desenvolver em aula com os respetivos alunos. Para além das sessões presenciais com todos os participantes, este apoio estende-se à sala de aula dos professores, quer para exemplificar a implementação de atividades práticas hands-on, quer para apoiar os professores enquanto estes implementam as tarefas que foram criadas e desenvolvidas pelos mesmos.

No final do PDP, os professores apresentam um portefólio com uma reflexão crítica sobre a formação em que participaram, as propostas de tarefas que pretendem implementar, bem como as evidências das atividades práticas desenvolvidas, em aula, com os respetivos alunos. Além disso, após cada um dos workshops em que participaram, no âmbito do programa, os professores apresentam relatórios críticos e propostas de tarefas, de acordo com os temas abordados nos mesmos.

Até ao ano letivo 2017/2018 participaram neste programa de desenvolvimento profissional cerca de 90 professores que se inscreveram, voluntariamente, alegando ter interesse em aprender sobre as ciências. Nalguns casos, os professores referiram que o seu agrupamento de escolas tinha sido referenciado por revelar pouca realização de atividades práticas de ciências e que era necessário alterar este cenário.