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Síntese do impacto do programa de desenvolvimento profissional

5 Apresentação e análise de dados dos três ciclos de TDR

5.4 Síntese do impacto do programa de desenvolvimento profissional

Neste capítulo, começou-se por dar conta do impacto do programa de desenvolvimento profissional que decorreu durante os anos letivos 2015/2016, 2016/2017 e 2017/2018, os quais consistiram em três ciclos de Teacher Design Research (TDR). No primeiro ciclo, os professores

frequentaram uma ação de formação acreditada com um total de 26 horas presenciais com os formadores (Tabela 4.1). Analisados os dados, verificou-se que não era habitual os professores realizarem atividades práticas de ciências, relacionadas com os temas abordados nos workshops, como por exemplo som ou eletricidade. Quanto à promoção da interdisciplinaridade, por exemplo entre as ciências e a matemática, alguns professores referiram que usavam chocolates, bolos e peças de fruta para trabalhar frações; pacotes de leite, copos, etc, para fazerem medições e comparações entre os diferentes volumes; receitas culinárias para medir os ingredientes, fazer relações de dobro, triplo, metade e proporcionalidade; contagem de legumes, medições/tabelas com o crescimento do feijão, entre outros exemplos. Nenhum professor assinalou tarefas que envolvessem atividades práticas relacionadas com o som, eletricidade ou astronomia, que dizem respeito a alguns dos principais temas de ciências trabalhados nos workshops com os professores, os quais integram a área curricular de Estudo do Meio.

Após frequentarem o primeiro workshop, do 1.º ciclo de TDR, a maioria dos professores referiu que foi proveitoso e destacou o trabalho prático do mesmo, o qual estava relacionado com as diversas atividades práticas hands-on exemplificativas que decorreram ao longo do mesmo. Além disso, a maioria dos professores respondeu que a sessão tinha sido muito interessante, que os obrigou a refletir sobre os tópicos abordados e que valia a pena continuar a frequentar este tipo de formação. Quando questionados sobre a possibilidade de receberem apoio da equipa para realizar atividades práticas nas suas aulas, todos os professores responderam afirmativamente. Assim, logo em outubro de 2015 começaram as visitas dos formadores às escolas para exemplificar a implementação de atividades práticas hands-on, relacionadas com as STEM. Nos grupos focais realizados, assim como em relatórios finais, verificou-se que alguns professores manifestaram insegurança para trabalhar alguns temas de ciências, referindo que não tinham os conhecimentos necessários para desenvolver este tipo de atividades. No entanto, no final do 1.º ciclo de TDR, todos reconheceram a importância de realizar atividades práticas em aula, para promover o interesse e a aprendizagem dos alunos por estas áreas.

Com esta investigação, verificou-se que para os professores inovarem as suas práticas é fundamental apoiá-los, de forma a motivá-los e a ganharam confiança para implementarem as abordagens propostas. As visitas dos formadores às escolas dos formandos, para realizar atividades práticas hands-on, revelaram-se um elemento chave para contribuir para a motivação dos professores. De facto, nenhum professor fica indiferente ao entusiasmo e à participação dos alunos com empenho no decorrer das tarefas realizadas. No final deste ciclo, todos os professores reconheceram a importância de desenvolver este tipo de abordagem. Os mesmos referiram que a introdução de atividades práticas e o questionamento investigativo, a que chamaram de “questão/discussão”, são práticas letivas inovadoras. Alguns também assinalaram aquisição de novos conhecimentos e alterações nas suas práticas letivas. O ambiente colaborativo deste contexto formativo, o apoio prestado pelos formadores, nomeadamente as demonstrações de atividades práticas nos workshops e nas aulas dos formandos foram pontos positivos a destacar no 1.º ciclo de TDR. Estas constatações estão de acordo com vários autores (e.g., Afonso et al., 2005; Darling-Hammond et al., 2017) que referem a importância de os professores

experienciarem o que se espera que venham a implementar com os respetivos alunos, num ambiente colaborativo de grande apoio aos mesmos.

No entanto, apesar de reconhecerem a importância da abordagem realizada, um dos objetivos menos conseguidos do 1.º ciclo de TDR foi a promoção da interdisciplinaridade, entre os tópicos abordados no programa de formação, nomeadamente na integração de tarefas relacionadas com as STEM. A maioria dos professores optou por apresentar tarefas que apenas envolviam a matemática. Houve uma ou outra evidência na área do som mas não incluíam tarefas de matemática. A eletricidade foi o tópico menos escolhido pelos professores para trabalhar em aula, havendo apenas duas professoras que a referiram. A partilha de boas práticas entre os pares foi realizada apenas por duas professoras (Luísa e Mariana) mas ainda de uma forma insegura, uma vez que as professoras não quiseram fazer a apresentação em frente aos seus pares. Mas, ainda assim, uma das professoras aceitou o desafio de apresentar o seu trabalho, através de um Poster no “Encontro Nacional da Associação de Professores de Matemática: primeiros anos” que se realizou em novembro de 2016.

O último grupo focal foi realizado em junho de 2016, no qual, para além dos professores em formação, participaram a Diretora do Centro de Formação e a Diretora do Agrupamento de Escolas. Este grupo focal serviu para fazer uma reflexão conjunta sobre a adequação do programa de desenvolvimento profissional, em que medida tinha resultado e o que era necessário melhorar e/ou corrigir nos próximos ciclos de TDR. Neste último grupo focal, com a colaboração dos intervenientes, foi redesenhado o 2.º ciclo de TDR. Para o efeito foi proposta uma Oficina de Formação (Tabela 4.2), com o objetivo de incentivar mais os professores a desenvolverem atividades práticas hands-on em aula. O 2.º ciclo de TDR foi preparado de forma a adequar ainda mais as tarefas integradoras das STEM, de modo a que os professores ganhassem motivação e confiança para as implementar. Neste sentido, houve um reforço dos exemplos de tarefas a implementar com os professores. O apoio dos formadores nas aulas dos professores, também foi reforçado, quer para os observar em ação, quer para os ajudar a planear e a implementar as atividades práticas.

O segundo ciclo e o terceiro ciclo de TDR consistiram numa oficina de formação com um total de 13 horas presenciais com os formadores e outras 13 horas de trabalho autónomo dos formandos, em aula, com os respetivos alunos (Tabela 4.2). Nestes ciclos, ficou patente a importância do apoio dos formadores no decorrer do processo de formação, nomeadamente o ambiente colaborativo de partilha de conhecimentos. Neste apoio, as visitas às escolas dos formandos foram muito valorizadas sendo reconhecidas como “uma mais-valia” quer para os professores quer para os alunos. Na verdade, os professores chegam a equiparar o seu interesse por esta abordagem com o interesse dos seus alunos e no impacto positivo na sua aprendizagem. Com o formato da oficina de formação, verificou-se que o programa de desenvolvimento profissional motivou os professores para inovar a sua prática letiva, através da exemplicação de atividades práticas hands-on, desenvolvidas enquanto se introduziam os conceitos teóricos. De facto, nestes últimos dois ciclos, os professores foram capazes de implementar, não só atividades

práticas hands-on relacionados com as STEM, como as estenderam às STEAMH (no terceiro ciclo) e, ainda, ao Português, Expressões e Cidadania.

Para concretizar as tarefas interdisciplinares foi necessário munir os professores de conhecimentos específicos para implementá-las com eficácia, nomeadamente Conhecimento de Conteúdo especializado sobre as matérias e ensinar e Conhecimento Pedagógico para implementarem as novas práticas em aula. Dada a especificidade deste contexto formativo que tem por objetivo a implementação de atividades práticas hands-on relacionadas com as STEM, foram identificados conhecimentos especializados que são necessários para as implementar com eficácia. Neste sentido, os estudos de caso, apresentados na secção 5.3, permitiram aprofundar este conhecimento especializado que desde o início faltava caracterizar. Por exemplo, nos estudos de casos das professoras Luísa e Mariana, que participaram no 1.º ciclo de TDR e ainda não apresentaram evidências de tarefas que integrassem as STEM, foram identificados os seguintes conhecimentos específicos necessários para realizar atividades práticas de ciências: CTeoCi, CTecCi, CPTeoCi e CPTecCi (Tabela 5.1). Os três últimos estudos de caso são de professoras que participaram no 2.º e 3.º ciclos de TDR e que desenvolveram diversas tarefas práticas

hands-on promovendo a interdisciplinaridade entre várias áreas curriculares. Desta foram,

surgiram os conhecimentos específicos relacionados com as STEAM (Tabela 5.2) e, no terceiro ciclo de TDR, relacionados com as STEAMH (Tabela 5.8 e Figura 5.35).

Uma das principais novidades do terceiro ciclo de TDR foi o reforço da partilha de boas práticas, ao ponto de se organizar uma conferência destinada a toda a comunidade, onde um professor de cada um dos agrupamentos envolvidos apresentou o trabalho que tinha desenvolvido, com os seus alunos, à comunidade. Esta partilha entre os pares tem-se revelado essencial para motivar os professores para inovarem as suas práticas letivas, tal como exemplificado pela professora Catarina:

(…) foi um ótimo espaço de reflexão e partilha de alguns trabalhos realizados por colegas de outros agrupamentos e escolas, baseando-se nas diferentes temáticas abordadas ao longo das duas oficinas – Anos Letivos 2016/2017 e 2017/2018. (Catarina, Relatório final, 2018)

Tendo em conta que a divulgação das práticas letivas desenvolvidas é um dos objetivos da metodologia de TDR, a realização desta conferência cumpre claramente este objetivo, o qual contribuiu para motivar ainda mais os professores a participarem nas abordagens propostas. De facto, como resultado da conferência alguns professores manifestaram interesse em reproduzir o trabalho exposto nas suas aulas. Desta forma, recomenda-se continuar a implementar a metodologia usada no contexto formativo que conduziu os professores não só a inovarem as suas práticas letivas, mas também a divulgarem o trabalho que desenvolveram com os respetivos alunos.