Apesar da enorme variedade de características inter-individuais, ainda mais marcante na população de pessoas com deficiência, qualquer equipamento comercialmente disponível só pode oferecer um número limitado de opções. Busca-se ajustar as especificações do design de forma tão ampla quanto possível, para acomodar uma faixa mais ampla de tecnologias e garantir, num processo de padronização, a compatibilidade entre elas. (EUSTAT, 1998).
Kintsch e DePaula (2002) dizem que ao projetar tecnologia assistiva os designers devem entender a deficiência do usuário e também compreender os contextos em que seu projeto será usado. Com relação às deficiências, afirmam que não existem deficiências típicas e, citando Jacko (2001) e King (1984), relatam haver uma grande variabilidade dentro de cada categoria de deficiência: cognitiva, sensorial e física. A deficiência cognitiva pode afetar a compreensão, a expressão, a fluência de idéias, a memória, o raciocínio, a resolução de problemas de audição, a atenção, a generalização de competências e habilidades motoras. A deficiência sensorial pode envolver a visão, a acuidade, a percepção de profundidade, a discriminação de cor, a visão periférica, a sensibilidade à claridade, a orientação e a atenção visual. A deficiência auditiva pode afetar a acuidade auditiva dentro de uma gama de tons e frequências, a localização do som e a atenção auditiva. A velocidade com que um compreende o que está vendo ou ouvindo e é capaz de reagir também é um fator a ser considerado. A deficiência física envolve a força, a flexibilidade, a coordenação motora ampla, a resistência, o controle motor, o tempo de reação, o controle de ritmo, a velocidade, a coordenação multimembros e a atenção seletiva. Habilidades de cada pessoa e as suas limitações podem combinar de forma multidimensional o que cria uma condição verdadeiramente original.
(KINTSCH; DEPAULA, 2002).
Datus (2003) levanta alguns critérios a serem considerados e que se aplicados evitam situações de abandono e subutilização do produto, com a consequente repercussão negativa na qualidade de vida dos usuários. Neste documento consta que o desenvolvimento de um
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produto de tecnologia deve levar em conta, além dos critérios de todo produto bem desenhado, como utilidade, eficiência, segurança, durabilidade, estética adequada e preço realista, aspectos concretos relacionados com o contexto da utilização, o tipo de atividade prevista e as características dos usuários que irão utilizá-las.
Para Scherer e Galvin (1996), quem desenvolve ferramentas de tecnologia assistiva deve ter um propósito claro em mente e este deve refletir e atender às necessidades do usuário. O projeto deve resultar em ferramentas que sejam duráveis, satisfaçam preferências estéticas do usuário e sejam fáceis de usar, mantendo-se altamente personalizáveis.
Algumas das características necessárias aos produtos de tecnologia assistiva são sugeridas por Kintsch e DePaula (2002) quando afirmam que os produtos devem ser fáceis de configurar, de personalizar e de usar, e duráveis. No caso de usuários com dificuldade de controlar os movimentos e a intensidade da força que utilizam, os produtos devem ser capazes de suportar forças de grande impacto e de resistir a uma queda ao solo sem danos; devem ser portáteis e acompanhar o usuário em ambientes com diferentes características de clima e temperatura e condições de iluminação. Devem também ser de fácil e rápido conserto, no caso de avarias. Devem ainda ser esteticamente agradáveis, estar de acordo com a idade do usuário, com a moda e ser culturalmente e socialmente aceitáveis. Os recursos devem ser cuidadosamente projetados para que os usuários não se sintam em destaque em seu próprio ambiente social; na medida do possível, devem ser transparentes, no sentido de imperceptíveis.
Em nossa sociedade, considerações de caráter econômico sempre são necessárias para a avaliação da viabilidade de diversas iniciativas. No caso da tecnologia assistiva, que envolve equipamentos muitas vezes caros, nichos estreitos de mercado, volume reduzido de produção, necessidade de recursos de personalização, alto custo de desenvolvimento, isso é especialmente válido. É importante que se perceba que de nada adianta o cumprimento de todas as etapas da prestação de serviços de tecnologia assistiva - incluindo pesquisa e desenvolvimento - se o acesso à ferramenta adequada esbarra em restrições orçamentárias, ou se a viabilidade mercadológica de um produto torna necessário o empobrecimento do seu projeto, como, por exemplo, a redução da variabilidade e da ajustabilidade dos equipamentos.
(BERSCH et al. 2008)
Conforme afirma o modelo HEART, a tecnologia assistiva não pode ser considerada como um tipo específico de tecnologia por si só, mas como a implementação de uma
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tecnologia particular e bem conhecida (por exemplo, eletrônica, telecomunicações, informática) em uma aplicação claramente definida para pessoas deficiência (EUROPEAN COMISSION, 1998). Este pensamento nos ajuda a entender que uma tecnologia já existente pode ser ajustada e aplicada para finalidades distintas, como no caso da tecnologia assistiva, e para isso necessitamos a aproximação destes conhecimentos com as demandas reais de vida, das pessoas com deficiência. (BERSCH et al., 2008)
Kintsch e DePaula (2002) dizem que enquanto os designers estão desenvolvendo ferramentas para serem utilizadas por pessoas com deficiência, eles estão desenvolvendo também ferramentas que serão utilizadas pelos cuidadores. Os desenvolvedores de tecnologia assistiva devem aproveitar os conhecimentos na área de projetos de produtos e integrá-los com os seus conhecimentos de design para pessoas com deficiência. Os desenvolvedores enfrentam também o desafio de integrar ao projeto não só as preferências, os conhecimentos, as atitudes, os objetivos e as habilidades dos usuários, mas também dos seus cuidadores. Estes exigirão, por exemplo, a simplicidade de manejo e de programação, enquanto que os usuários necessitam de recursos de personalização exclusiva.
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3. TRAJETÓRIA METODOLÓGICA
3.1 A ESCOLHA DA METODOLOGIA