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Relato do quarto encontro de estudos com os professores colaboradores

4.1 Encontros Presenciais de Estudo

4.1.4 Relato do quarto encontro de estudos com os professores colaboradores

Estavam presentes ao encontro quatro professores colaboradores novos - Letícia, Caroline, Martha e Carmem - e duas professoras que já acompanhavam a pesquisa - Mariana e Gabriela. Tivemos também a presença da professora Paola que acompanha o grupo como colaboradora especialista. Os demais professores justificaram a ausência no encontro de estudos.

Após as boas-vindas de praxe, as novas professoras se apresentaram e relataram dados de sua experiência em educação especial, em atendimento educacional especializado e em tecnologia assistiva.

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As mudanças na equipe, naquele momento, foram um motivo de preocupação para a pesquisadora, pois o grupo de colaboradores passou a contar com professores novos, que não tiveram formação anterior em tecnologia assistiva e experiência de atuação em atendimento educacional especializado e tecnologia assistiva. Achamos oportuno, então, retomar alguns dos temas já estudados pelo grupo. A pesquisadora manifestou também aos professores colaboradores sua preocupação com a dificuldade concreta deles, de participação nas atividades presenciais e também nas atividades on-line da pesquisa. Algumas visitas às escolas foram canceladas e nem todos conseguiam participar das reuniões de estudos. Uma das professoras justificou que essas dificuldades acontecem pela sobrecarga de atribuições profissionais e outra professora relatou dificuldades técnicas de acesso à internet nas escolas para participação no ambiente virtual. A pesquisadora percebeu que os professores conseguem contribuir com a pesquisa de forma muito importante nos momentos presenciais, mas que a contribuição no ambiente virtual é restrita neste momento.

A mudança do grupo de colaboradores reflete uma realidade da escola que é viva e dinâmica. A mudança do corpo docente de uma escola é normal a cada final de ano por conta da substituição de professores temporários e relocação de professores efetivos. Essa mudança nas escolas afeta o trabalho e, dependendo da situação pode interferir de maneira negativa ou positiva. Precisamos contar com o fato de esta ser uma realidade e que, por existir, deve-se criar um movimento compensatório para o bom andamento dos trabalhos. O trabalho colaborativo será fundamental.

A qualidade de registros e histórico do aluno é outro ponto a ser considerado. As formações deverão ser programadas e repetidas, para atender às necessidades de novos professores que ingressam no trabalho e para garantir práticas fundamentadas e atualizadas.

No que tange à pesquisa, não poderia ser diferente e por isso demos as boas vindas às novas integrantes do grupo e nos dispusemos a começar de onde fosse necessário para que se sentissem apoiadas e incluídas, na certeza de que trariam à pesquisa suas contribuições, com novos olhares e nova compreensão.

Em razão disso, a pauta do quarto encontro foi completamente alterada. Falamos um pouco da pesquisa, das atividades presencias que estão propostas, do ambiente virtual onde as colaborações do professores são postadas.

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Organizamos uma agenda de datas para as atividades presenciais durante este semestre e, finalmente, conversamos com os professores novos sobre o que entendem a respeito da tecnologia assistiva. Dentre as reflexões feitas, destacamos:

Letícia: A tecnologia assistiva tem a ver com acesso.

Caroline: A tecnologia assistiva se relaciona com recursos que favorecem este acesso e promovem participação em atividade.

Gabriela: Eu gostaria de agregar a isto a palavra “serviço” e no meu entendimento o serviço tem por objetivo a identificação da demanda, avaliação e tomada de decisão sobre a tecnologia assistiva apropriada.

A pesquisadora perguntou às novas integrantes do grupo se esta idéia, de tecnologia assistiva ser serviço, está clara para elas. Dizem que não, que isto é confuso.

A pesquisadora reflete, então, com elas ressaltando que a tecnologia assistiva é uma área do conhecimento e que nesta área várias disciplinas estão associadas como o Design, a engenharia, a arquitetura, a reabilitação, o direito, a educação entre outras. Os serviços de tecnologia assistiva podem ter várias características, dependendo da finalidade a que se destinam. Um serviço pode estar vinculado ao conhecimento do direito, estabelecido por lei, e orientar as pessoas com deficiência para a concessão deste apoio tecnológico. Outro pode estar vinculado à pesquisa e ao desenvolvimento de novas tecnologias e certamente envolverá a engenharia, mas não pode estar dissociado do convívio e do conhecimento da demanda real explicitada pelos usuários.

Um serviço pode estar vinculado à reabilitação, que faz avaliação deste usuário e apoia a tomada de decisão sobre a tecnologia apropriada. Outro pode ainda estar vinculado à educação e, nesse caso, ajuda a identificar a melhor ferramenta que auxiliará o aluno a participar e vencer os objetivos educacionais. Outro pode estar voltado à formação de recursos humanos e à formação de usuários.

O serviço de referência em tecnologia assistiva tem uma característica transdisciplinar onde todas as áreas se complementam e se potencializam. Somente a ação integrada das áreas promove esta abrangência de ações em práticas de tecnologia assistiva. Tecnologia assistiva são recursos e são serviços integrados.

As professoras durante nossa conversa apresentaram várias situações da realidade em que vivem, que são bastante pertinentes e merecem uma análise mais aprofundada para que se busque soluções. Falou-se que as salas possuem um número considerável de recursos, como os teclados especiais e vocalizadores, mas que nem todos os professores possuem

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conhecimentos sobre a aplicação desta tecnologia e conseguem explorar muito pouco ou quase nada o material disponível. Julga-se necessário que o material chegue às salas e que uma formação apropriada seja feita com os professores, para que se otimize o seu uso e se alcancem os benefícios tecnológicos para o aluno.

Fez-se referência ao fato de que a seleção da tecnologia hoje presente nas salas de recursos não foi feita a partir das necessidades dos alunos que a frequentam e que uma seleção básica de recursos foi pensada e disponibilizada pela Secretaria de Educação, ou pelo Ministério da Educação, a mesma para todas as salas. Os professores concordam que, se a partir de agora, a compra dos recursos fosse determinada pela demanda real dos alunos, estes recursos seriam muito melhor utilizados.

As professoras reconhecem que a sala possui recursos de tecnologia assistiva e que a tecnologia assistiva deve ser uma ferramenta do aluno. Aquilo de que precisam, porém, é de uma forma de identificar o que o aluno necessita para o sucesso em seu percurso escolar e, a partir desta determinação, saber identificar e adquirir o recurso apropriado para acompanhar o aluno em todos os espaços onde se fizer necessário. A Sala Multimeios não deve ser o espaço onde o aluno consegue escrever ou se comunicar por conta de que ali ele encontra um recurso que o apóia. A sala deve identificar e disponibilizar esta tecnologia para que o aluno possa, com autonomia, utilizá-la em sua vida, na escola e fora dela.

Fez-se menção, ainda, à grande quantidade de ações que são esperadas do atendimento educacional especializado e de que nem todas elas são da competência ou responsabilidade desse serviço. Afirmou-se ser importante estabelecer com clareza quais são as atribuições do atendimento educacional especializado e deixar isto bem claro para escola e família.

Considerou-se importante o atendimento educacional especializado não assumir o que é da responsabilidade da escola comum, e auxiliar a escola a descobrir e a assumir o seu papel de educar o aluno. De acordo com a fala dos professores do atendimento educacional especializado, é muito frequente o fato de o aluno com deficiência não ser assumido pela escola como um aluno da escola, mas como um aluno dos professores especializados ou dos professores auxiliares. Os professores colaboradores têm clareza de que devem provocar positivamente a escola a assumir o seu papel.

Depois das colocações do grupo de professores sobre suas vivência no atendimento educacional especializado, retomamos alguns temas que já haviam sido estudados nos

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encontros anteriores para que houvesse nivelamento de conhecimentos entre os professores colaboradores novos e aqueles que já participavam da pesquisa.

Iniciamos comentando que a discussão em tecnologia assistiva tem como ponto de partida o conhecimento sobre o aluno e objetiva criar alternativas para que ele participe dos desafios educacionais, e que, portanto, está centrada nos "objetivos educacionais propostos para o grupo".

O documento SETT (aluno, ambiente, tarefas e ferramentas) foi retomado e apresentado partindo-se do seu histórico e de sua aplicação. (ZABALA, 2005).

Com relação ao serviço educacional em tecnologia assistiva, utilizamos o referencial do documento WATI (2009) que fala em dois momentos: considerações iniciais em tecnologia assistiva e avaliação para tomada de decisão sobre a melhor tecnologia. A tomada de decisão, ou seja, a definição sobre o que o aluno precisa e qual é o objetivo da utilização de um determinado recurso de tecnologia assistiva, leva ao projeto do produto (confecção) ou à compra do produto disponível.

A implementação da tecnologia assistiva em contexto real deve acontecer com apoio da formação de todos os usuários. Aqui surge a pergunta: quem são os usuários de tecnologia assistiva? O usuário direto é, obviamente, a pessoa com deficiência, com mobilidade reduzida ou com impedimentos funcionais, enquanto que os usuários indiretos são os familiares, os cuidadores, os professores e os colegas. Também podemos ser considerados usuários indiretos os prestadores de serviços em tecnologia assistiva.

Concluído o quarto encontro, todos foram convidados a postar no fórum virtual as suas impressões sobre os temas estudados nesse dia e contribuições sobre a aplicabilidade desses conhecimentos.