ANEXO 05. Lei Municipal nº 10.777/04
5. A POLÍTICA DE PROTEÇÃO DO PATRIMÔNIO CULTURAL NO
5.2. O conselho municipal de preservação do patrimônio cultural de
5.2.7. O relacionamento institucional do COMPPAC
O tipo de relacionamento institucional do COMPPAC com outras esferas do poder político determina como a força de suas deliberações irá influenciar outras esferas institucionalizadas do poder. A tabela abaixo demonstra a visão dos
86 Dados do Departamento de Receitas Imobiliárias da Prefeitura Municipal de Juiz de Fora.
87 Dado da Lei de Diretrizes Orçamentárias 2006 ANEXO II Evolução das Receitas. Prefeitura
Municipal de Juiz de Fora.
conselheiros no que concerne à relação do COMPPAC junto à FUNALFA, o governo municipal e a Câmara de Vereadores.
TABELA 06. RELAÇÕES INSTITUCIONAIS DO CONSELHO POR SETOR DE REPRESENTAÇÃO, 2006
Relações Institucionais
Executivo Municipal
Outros Total % Freq. % Freq. % Freq. Influência do Conselho na Secretaria Baixa - - 28,6 2 18,2 2
Média 75 3 57,1 4 63,6 7 Alta 25 1 14,3 1 18,2 2 Compromisso do Governo com o Conselho Baixo - - 14,3 1 8,3 1 Médio 40 2 42,9 3 41,7 5
Alto 60 3 42,9 3 50 6
Relação do Conselheiro com o Governo
Municipal Independência 66,7 Apoio 33,3 4 2 16,7 83,3 1 5 41,7 58,3 5 7 Desempenho geral do Governo Municipal Regular 16,7 1 66,7 4 41,6 5 Bom 33,3 2 33,3 2 33,3 4
Ótimo 50 3 - - 25 3
Relação do Conselho com a Câmara Baixa 80 8 57,2 4 66,7 8
Média - - 42,9 3 25 3
Alta 20 1 - - 8,3 1
Tabela elaborada a partir de pesquisa de campo realizada junto ao Conselho Municipal de Proteção do Patrimônio Cultural de Juiz de Fora. Mestrado em Ciências Sociais /UFJF, 2006
Para a maioria dos conselheiros, a influência do COMPPAC junto à FUNALFA é graduada como média. A posição dos conselheiros é a de que, muito embora esteja sendo garantido o funcionamento do conselho, a política de patrimônio não parece ser uma das principais prioridades da FUNALFA, tendo em vista que o pessoal necessário para auxiliar na relatoria dos processos e realizar as vistorias ainda são poucos e não conseguem suprir todas as necessidades.
Embora a influência do COMPPAC para a FUNALFA seja considerada média, o compromisso do governo com as decisões do COMPPAC encontra-se balizado entre as graduações média e alta. A razão dessa opinião é que, segundo os conselheiros, o prefeito da atual gestão, mesmo tendo poder para modificar a decisão do Conselho, já que este possui um caráter consultivo, vem respeitando as decisões do COMPPAC. Isso é importante principalmente se observada a postura dos membros do setor "Outros", que a princípio não possuem qualquer vínculo de hierarquia com a prefeitura. Tanto é assim que a maioria dos conselheiros deste setor se posiciona como independente em relação ao governo e considera o desempenho do governo municipal como regular.
Já a relação entre o Conselho e a Câmara dos Vereadores é para a maioria dos conselheiros (66,7%) tida como fraca (baixa). Esse dado reflete a visão
dos conselheiros de que o elo e a medida da relação entre a Câmara e o Conselho são dados pelo desempenho do conselheiro representante do Legislativo local.
Para muitos conselheiros, esse desempenho tem sido prejudicado não pela figura do vereador, que é considerado um dos melhores representantes da casa legislativa local, sendo um dos mais indicados para representar a câmara municipal no COMPPAC, e, segundo um dos conselheiros, apresenta "uma atuação marcante na defesa dos interesses da cidade, principalmente nas questões ligadas à cultura".
Por outro lado, mesmo estando presente nos momentos mas delicados, nas reuniões mais importantes, com destacada atuação no caso do Magister, parece que o vereador teve seu desempenho afetado pelo grande número de faltas nas reuniões, deixando de comparecer a cerca de 70% delas. Um acontecimento que demonstra bem esse fato aconteceu em uma reunião, em que estava sendo apresentada uma proposta de lei com a finalidade de modificar o quorum do tombamento de maioria absoluta para maioria simples, exatamente para tentar minimizar outros problemas como o do Magister. O vereador que propôs a referida lei não se encontrava presente na reunião, o que causou um embaraço aos demais conselheiros, que negaram o projeto, não pelo seu conteúdo, mas por não ter sido discutido com o conselho antes da apresentação na Câmara de Vereadores.
Esclareça-se que, em relação à presença de vereadores no conselho, alguns autores não admitem essa possibilidade.
Nesse sentido, ressalte-se ser bastante comum a indagação sobre a possibilidade de participação de parlamentares nos Conselhos. Adiantamos que não, à luz do princípio da separação e independência dos Poderes (CF, art. 2º), pois, sendo os Conselhos órgãos deliberativos ligados ao Executivo, a presença de parlamentares em sua composição viola o princípio da independência dos Poderes, afronta à vedação do exercício de funções simultâneas em mais de um Poder. O mesmo se diga em relação a representantes do Poder Judiciário (MOREIRA, 2001:25). A participação nos conselhos pelos parlamentares estaria vetada pelo princípio da separação dos Poderes e pela impossibilidade do exercício de funções simultâneas em mais de um Poder89. Contudo, aqui se pode contra-argumentar que
89 Esse argumento também foi utilizado em alguns municípios para a retirada dos promotores públicos
como representantes do conselho. Por exemplo, em Campos dos Goytacazes existe uma lei municipal que veda a participação dos membros do Ministério Público em qualquer conselho.
o conselho, por ser um órgão suis generis, comporta a participação de representantes de qualquer um dos Poderes, por duas razões básicas.
A primeira refere-se à função específica do Conselho, que busca em sua formação a maior representatividade social possível, aliada a uma participação ampliada que encontre eco na sociedade como um todo. Com base nesse raciocínio, aliada à noção de que o conselho separa a fase deliberativa da fase de execução, tem-se que a participação de um membro da câmara de vereadores não enfraqueceria a independência do Poder Executivo local, mas ao contrário demonstra que o princípio da independência dos Poderes não significa que estes devam atuar de forma isolada.
Nesse sentido, o vereador não estaria exercendo funções simultâneas em mais de um poder, mas estaria servindo como um elo entre o Executivo, a sociedade e o Legislativo, fortalecendo, assim, ainda mais, o caráter público e institucional do conselho.
A segunda razão trata da necessidade de ressonância das decisões do conselho em outras esferas. Nessa esteira, tanto a participação da Câmara como do Ministério Público é estratégica na interlocução dos interesses do conselho. Tome-se como exemplo um projeto de lei que tramita na Câmara de Vereadores, mas que anteriormente passou pela discussão no conselho. Se o vereador, membro do conselho, atuar como interlocutor com os demais vereadores a respeito da dinâmica social em torno do projeto, haverá uma maior probabilidade de sua aprovação.
Assim também na hipótese de um processo no qual o proprietário demanda a demolição de um imóvel tombado, se um promotor público, membro do conselho, em seu parecer, demonstrar que a decisão de tombamento foi fundamentada e que se deu através de um processo administrativo democrático, o juiz poderá tomar conhecimento de todo o contexto social que por vezes lhe escapa.