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O sexto vagão

No documento A Viagem de Cristal (páginas 93-105)

O ancião do trem, continuava ouvindo e presenciando o diálogo dos filhos reunidos numa mesa de jantar:

- Chovia muito e estrada de chão, já sabem como é que é. Nos lugares críticos, muita lama e atoleiros. Depois de muitos deslizes, a ruralzinha conseguiu chegar. Via-se o Rio do Braço! Igual e calmo e de poucas casas! Chegamos ao sobradão de 1927, casa branca, portas altas verde-escuras...

Ruas desertas, muita chuva...

- Logo na entrada,- continuava ouvindo o relato do filho - uma sala de visitas com cadeiras de balanço e mesinha de centro. Forro de pinho pintado de amarelo por toda a casa, paredes brancas, o chão de ladrilhos em mosaicos, lindos.

Ao lado dessa primeira sala de visitas, do lado direito, uma portinhola que dava acesso a um ponto comercial. Era uma divisória da cor do forro, também de pinho. Prateleirinhas de um metro cada uma suspensa na parede por cantoneiras;

um balcão fino e comprido, quatro mesas de madeira com cadeiras, uma geladeira e um freezer. Ali seria a nossa breve

e primeira experiência, um dia de comerciante. Osvaldinho abriria um barzinho (assim chamávamos) mas na verdade era uma pequena lojinha de conveniências que era aberta só dia de sexta-feira e sábado de manhã. Refrigerantes, cigar-ros, cervejas, cachaças, doces, bombons, chocolates, carame-los, lanches, sorvetes, salgadinhos e sucos.

Após a sala de visitas, outra porta gigante, que dava acesso a uma sala onde ficava a TV preto & branco Tele-funken, à válvula, revestida com madeira. Em frente a ela, um sofá de napa marrom com sete lugares, mas cabiam mais de vinte pessoas sentadas, encostadas, no chão, dos lados, em cima, em baixo, no colo das outras. É que quando pai ou mãe ligava a TV, a casa enchia. Não era só a família que assistia. A vizinhança, os peões das roças de cacau, todo mundo vinha.

Ao lado da sala, à direita, outra porta de madeira gigante que dava acesso a uma imponente escada bem trabalhada e de jacarandá, com 22 degraus que nos conduzia ao primeiro an-dar da casa.

A sala térrea embaixo da escada tinha um oratório da senhora, não era, mãe? Beata e devota de São José e Nossa Senhora das Graças. Por isso que a primeira filha chamar-se--ia Maria das Graças, e em meu nome, composto, tinha que ter, José. Em seguida, um longo corredor que dava acesso a uma grande sala de assoalho.

Dava um trabalho danado mantê-lo limpo e brilhan-do. Minha mãe sofria pra lá e pra cá com um escovão para dar brilho no piso de madeira com a cera Cristal incolor. As portas não tinham dois metros e dez centómetros de altura como as tradicionais. Todas as portas do sobrado tinham dois metros e meio de altura e mais trinta cetímetros de gradeado de ventilação em cima da forra das portas. Logo ao lado des-sa des-sala de assoalho, tinha um quarto, também de assoalho,

enorme. Mais adiante segundo para o fundo da casa, descia--se dois degrauzinhos de cimento para chegar numa varan-dona e, logo em seguida, uma grande cozinha com portas e janelas laterais, muito ventilada.

Essa parte mais baixa da casa, nesse dia, quando abri-mos a porta de acesso, uma grande surpresa! Estava toma-da de água, O rio do Rio do Braço, afluente do Rio Almatoma-da, transbordou. Vimos logo na chegada, um botijão de gás vazio boiando ao longe e já indo embora na correnteza...

Todo mundo nadando para salvar muitas coisas que boiavam: panelas, toalhas plásticas, copo de liquidificador, utensílios, pá de lixo e vassouras...

Mas aquela situação toda, era, para nós, crianças, uma festa! Éramos acostumados com o rio. Nunca tivemos medo de águas, pois a gente era menino de rio na verdade, e rio cheio, água barrenta, correntezas, isso tudo era para nós, moleza.

Tudo teve que ser colocado na sala de assoalho onde a enchente não chegara. Na boquinha da noite, ao terminar todo o serviço de limpeza e mudança da cozinha para a sala de assoalho, muitas sanguessugas grudadas na gente. Minha mãe foi tirando uma a uma com uma pinça e desinfetava com mertiolate, álcool e mercúrio.

- Depois que o rio baixou, por algum tempo, a senho-ra, mãe, resolveu deixar a cozinha onde estava: na sala de assoalho. A casa ficou menor, e a trabalheira para arrumar, menor. Algum tempo depois, a cozinha voltou para o lugar de sempre, e tudo ficou como antes no castelo de Abrantes.

O sobradão do Rio do Braço, que foi cenário da novela Renascer em 1993 e hoje em ruínas, o visitamos em 2016, e achamos pequeno. Não era tão grande assim, nem as salas tão amplas, nem as portas tão altas. A imensidão era a nossa

visão de menino.

O bom, é que, ali, morou uma família feliz, a nossa.

Muitos dos amigos tinham medo do sobradão, principalmen-te quando alguns morcegos o sobrevoava à noiprincipalmen-te. A genprincipalmen-te não tinha medo de nada. Dormia bem, seguros e tranquilos. Mas isso não foi por acaso. O Senhor, pai, nos preparou antes.

O senhor se lembra do episódio do paletó e do pé de cacau, pai?

- Como não lembrar? Tudo aquilo foi planejado para vocês nunca sentirem medo.

Então, eu tinha uns cinco anos, e o senhor reuniu toda família na hora do jantar e como sempre, altos papos à mesa e o desafio:

- Quem for lá no sobrado agora e trazer um de meus paletós que está no guarda-roupa em meu quarto, é um ca-bra corajoso, macho e destemido.

- Oxente! Vou na hora! Disse Arnaldo, o filho mais ve-lho, já se oferecendo para o desafio.

Depois de uns 10 minutos, chega ele todo alegre com o paletó preto no cabide.

- Muito bem! Disse meu pai. Passou no teste. Esse é corajoso mesmo! Agora é sua vez, Osvaldinho!

E lá foi ele, o segundo filho homem da ordem crono-lógica natalícia, cumprir sua missão. Ficamos na mesa de jantar esperando por uns quinze minutos, o resultado. De repente, surge Osvaldinho com o outro paletó, marrom, de meu pai.

- Cabra macho! Esse é homem mesmo! – Disse meu pai elogiando-o.

- Osman! Agora é com você.

Eu só tinha cinco anos, o caçula dos homens... Altura?

Não dava nem meio metro. Mas lá fui eu, destemido, cumprir

minha missão para também orgulhar meus pais.

Para chegar até o guarda roupa no primeiro andar, não era nada fácil.

Saindo da cozinha térrea bem nos fundos da casa, ha-via uma varanda grande com um espelhão imponente, um tanque de água, e um jardim de plantas ornamentais. De-pois, ao subir os dois degrauzinhos e abrir a pesada porta verde, uma sala toda em assoalho, onde, de um lado, tinha um quarto em desuso, escuro. Mas o caminho não era por ali. Tinha-se que seguir em frente até se deparar com um longo corredor com uma estante de livros. Adiante, a sala da TV Telefunken com um sofá em napa marrom. A TV es-tava desligada. Virava-se à esquerda e mais uma sala escura onde iniciava-se os degraus da escada de madeira toda em jacarandá que dava acesso ao primeiro andar da casa, meu objetivo.

Em baixo da escada, um oratório escuro, em que para acender a luz, só mesmo a minha mãe ou o meu pai, porque era um benjamin. Ligava-se no próprio bocal ou soquete da lâmpada, a dois metros e meio de distância do chão. Dava pra enxergar a escada, por causa da claridade de uma lâmpada acesa na sala de TV. Em cada cômodo, tinha-se que alcançar o interruptor para ligar as luzes. Levei uma vassoura para ir ligando os interruptores. Ia-se caminhando. Agora, restava--me encarar vinte e dois degraus zoadentos... Toc, toc, toc, toc, toc, toc, da escada em madeira...

Pronto! Já estávamos no primeiro andar: uma im-ponente e enorme sala em assoalho com outra TV preto e branco e uma cama no canto e duas redes armadas. Nessa mesma sala tinha um buraquinho na parede a dois metros de altura, que dava pra colocar a cabeça se subisse na cama para ver, vigiar, quando necessário, a mercearia ao lado do

sobrado. Se fôssemos para a esquerda, uma grande sala com três janelões e uma porta no meio com um alambrado que dava para contemplar a rua. Mas o guarda-roupa de nossos pais não era para esse lado. Após subir a escada e atravessar a primeira sala principal, dobrava-se à direita. Fui. Tinha um pequeno corredor, e no meio dele, mais um quarto! Mas não era ali, ainda, o guarda roupa dos meus pais.

Tinha que seguir em frente até o último quarto enor-me, que para se ter uma ideia, ele tinha cinco janelas, uma penteadeira, uma prateleira de utensílios, uma cama de ca-sal com dois criados mudos ao lado e lá, finalmente, tinha-se o bendito guarda-roupa. Acendi a luz do quarto com o cabo da vassoura que levei. Demorava uns três minutos para acer-tar onde estava o interruptor. Um verdadeiro breu.

De vez em quando, um ou outro morcego sobrevoa-va de uma janela à outra, vruuum, vrummm, vrummm, só escutava os barulhos. Eu ia pela intuição do conhecimento diurno do local...

Pronto! Finalmente cheguei até o guarda roupa. Abri a porta por baixo, pois não alcançava o puxador, alto.

- Viva! - Pensei - Lá estava o último paletó de meu pai, branco. Puxei muito pela manga comprida do mesmo, mas ele só fazia balançar. Vi, bem lá no alto, uma altura medonha, o cabide em que ele estava dentro. Tentei de todo jeito derru-bá-lo, suspendê-lo, puxá-lo, mas tudo era em vão. Meia hora depois, ouvi a voz de meu pai lá do térreo.

- Tá tudo bem por aí? Cadê você? Dessa já!

Voltei sem o paletó.

Na cozinha, todo mundo sentado e eu fui chegando com uma mão vazia, por que a outra segurava a de meu pai.

Ele entendia demais de Freud, sem nunca o ter lido: “Não me lembro de nenhuma necessidade da infância tão

gran-de quanto a necessidagran-de da proteção de um PAI.”

Disse um dia em seus es-tudos, o pai da psicanáli-se.

- Cadê o paletó?

Perguntaram.

- Fui lá, mas não alcancei o cabide...

- Mentira! Você foi até a escada! – Dizia meus irmãos. – Cabra frouxo! Cabra frouxo!

- Eu fui! Eu Fui!

- Foi nada, seu medroso! – Diziam, e eu come-cei a chorar.

- Parem com isso! Disse minha mãe. Ele é mui-to pequeno e não alcançou. Temos que acreditar.

- Vamos agora aqui no quintal, todo mundo!

Disse o meu pai levando toda a família.

Já no quintal da casa, e com todo mundo ser-vindo de testemunha, disse-me.

- Sabe daquele pé de cacau que temos aqui no quintal? Ele tá carregado. Tem cacau até no caule e você vai alcançar. Quero que você vá lá agora, sozi-nho, no escuro, e traga um cacau. Tire o cacau do pé que está no caule e traga.

Não dava pra ver o pé de cacau de onde está-vamos, por causa da escuridão. Tava o céu nublado, sem lua e um breu danado! Mas mesmo assim, deste-mido, eu fui tateando e sumi na escuridão. Eu sempre brincava por ali de dia, e sabia mais ou menos onde

era o pé de cacau. Tomei uma topada, pisei num sapo, num pé de cansanção, bati a cabeça num galho de goiabeira, mas cheguei. Abracei o caule procurando a fruta. Achei um cacau grande e que provavelmente devia ser bonito. Torci, torci, até que o pé de cacau, meu amigo, cedeu-me o troféu. Voltei feliz, e a festa!

- Aeeeeeee! O cabra é macho mesmo! – Diziam todos.

Foi por essas e outras, pela segurança que a nossa fa-mília nos dava, pela confiança e incentivo, que nunca tive-mos medo de escuro, nem de portas fechadas, nem de casa-rões.

Nunca tivemos medo de nada, nem mesmo quando nossa avó por parte de mãe, vó Caçula, faleceu. E éramos muito crianças... Na mesma noite após o enterro de minha vó, a mãe de minha mãe, um caso intrigante...

Ao chegar em casa em Rio do Braço, minha mãe diri-giu-se até a cozinha, e, ao passar pela sala de assoalho onde ficava a máquina de costura, viu a sua mãe sentada, costu-rando e cantando. Parou próximo, ficou abismada, e depois de alguns segundos, chamou por ela...

- Mãe?!!!

Ela a olhou e foi sumindo gradativamente.

Minha mãe contou isso a meu pai que deu o maior apoio. Acreditou, incentivou, consolou, acolheu. Anos depois, perguntamos:

- Pai, o Senhor acreditou mesmo naquele episódio¿

- Quem sou eu pra julgar meu filho? Sua mãe não mentiria. Mesmo que tenha sido a sua emoção, o seu senti-mento, a sua imaginação, ela viu. Se ela viu, ela viu. Não te-nho dúvidas. Eu estava logo atrás e não vi nada, mas a pessoa pensar que viu, ter esperanças na vida, saber que a mãe tá bem, isso conforta, e quem sou eu pra tirar isso, para

desin-centivar, pra dizer que era mentira?

Daí em diante, ela sempre tinha pesadelos. Acordava dizendo que sonhara com a sua mãe pedindo água. De tanto ouvir isso por quase dois meses, meu pai resolveu ir até o cemitério em Castelo Novo, distrito de Ilhéus, para, com a esposa, tratar do assunto. Chegaram na Rural em duas horas e meia de viagem.

Colocaram flores e água na sepultura. Eu era muito pequeno, devia ter uns cinco anos, mas me lembro daquele gesto de amor e de carinho de minha mãe. Mas o mais sur-preendente, foi que, logo após colocar o copo de água na lápi-de, quando a gente já estava indo embora, ela percebeu que o copo estava vazio. O sol estava muito quente, mas não teria dado tempo de ter evaporado, porque ele tinha sido colocado a meia hora atrás. Verificamos e não havia derramado, nem estava furado, pois o copo era grande, de vidro, duplo. An-tes de ir embora, ela encheu de novo. Desse dia em diante, nunca mais minha mãe teve pesadelos e ficou melhor, mais conformada e tranquila.

Algum tempo depois, quando a gente ainda era pe-queno, era pesado os afazeres domésticos de duas casas e cinco filhos pra dar conta. Meu pai e minha mãe, então, con-trataram Percilita Bobodina, uma senhora de mais de cin-quenta anos, para ajudar nas tarefas da casa, principalmente na lavagem de roupas no rio.

Percilita Bobodina era muito carinhosa com a gente.

Todo dia ia ao rio lavar roupas e levava uma vara de pes-car. Íamos juntos. Primeiro a gente tomava banho no rio, en-quanto ela lavava as roupas todas. Mas as brancas, botava pra quarar: ensaboava as peças brancas com sabão de coco de boa qualidade e deixava no sol por um hora. Depois enxa-guava e elas realmente ficavam bem branquinhas.

Enquanto as roupas quaravam, ela pegava as iscas e começava a pescar. A gente, ali, do lado, não podia dar um pio sequer. Nesse dia a pescaria foi boa e ela encheu três enfiei-ras. Eu, com pena dos peixinhos que ficavam se debatendo sufocados, sugestionei colocá-los num balde com água.

Ela topou. Então, os jundiás, piabas, bobós, tucuna-rés, berés doidos, traíras, tilápias, lambaris, mussuns, pacus, piaus e tambaquis, ficaram nadando no balde de água.

Ao chegar em casa, fui contar a pai a aventura. Ele investigou os peixes no balde, chamou Percilita e foi taxativo:

- Percilita, venha aqui por favor!

- Já tô por aqui. O que foi?

- Não foi. Vai ser ainda. Olha, Percilita, toda vez a que você for pescar e pegar esses peixes no rio, você mede os peixes pelo seu dedo indicador. Se eles forem do tamanho do dedo para cima, você fica com os peixes, coloca-os na enfieira e tráz. Mas se forem menores, devolva-os ao rio. Coloque eles na água!

Meteu a mão no balde, retirou uma piabinha menor que um dedo mindinho e a mostrou:

- Olha, tá vendo esse peixinho aqui? Depois de tratar, secar no varal, fritar, botar no prato com farinha, chupar a cabeça e dar o rabo aos gatos, sobra o quê? Não vale a pena ter todo esse trabalhão; é melhor devolver ao rio...

Mete a mão no balde de novo e pega outros peixes...

- Tá vendo esses aqui? - Mostra – Tá vendo a barrigui-nha deles toda vermelhibarrigui-nha com esses carocinhos parecendo umas uvinhas? Tão desovando! Tem que devolver ao rio para eles procriarem, senão daqui uns dias a senhora não terá mais peixes pra pescar.

Me chamou.

- Osman! Pegue ali outro balde!

Peguei e trouxe.

- Comece a separar aí também, Percilita! Menor que um dedo indicador, bota pra o balde de cá. Maior, deixa nesse balde mesmo. Se tiver desovando, no balde de cá, também.

E assim fomos fazendo isso. Resultado: a pescaria não foi nada boa. Os peixes que davam pra fritar era um terço do que foi pêgo.

- Terminamos!

- Pronto. Então esses daqui, vocês levem lá pra o rio e soltem!... Ah! Pera aí!

Nos parou. Foi lá na mercearia, pegou a caixinha de medicamentos e primeiros socorros que sempre tinha, pegou um vidrinho de mercúrio cromo e iodo e foi passando na boca dos peixes.

- Pra que isso, pai? - Perguntei.

- Prá cicatrizar mais rápido a fisgada do anzol. – Res-pondeu.

Fui ao rio com Percilita soltar os peixes...

- Seu pai tem cada uma! Quem já se viu tá se preocu-pando com vida de peixe de rio?

- Mas ele tá certo! – O defendi.

E viu que era bom. Era muito bom lembrar-se de tudo isso e reviver esses momentos mágicos novamente...

Mágicos? Quando a gente vivencia coisas boas no dia-a-dia, simples, naturais, ações de amor, parecem besteira naquele momento, mas quando o tempo passa, não restam dúvidas que eram momentos mágicos. – Passou a pensar agora no trem - Por isso valorizar o tempo presente, ter discernimen-to, prestar atenção, fazer o melhor a cada dia, é a receita para a felicidade.

Depara-se com a porta do sétimo vagão.

No documento A Viagem de Cristal (páginas 93-105)

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