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O significado da «Circular de 14 de Abril de 1930» no contexto do Estado Nacional

CAPÍTULO 3. A Nação e o Património – uma simbiose entre o passado e o presente

6. A primeira Reforma Heráldica

6.1. O significado da «Circular de 14 de Abril de 1930» no contexto do Estado Nacional

A Constituição de 1933, de cariz marcadamente nacionalista193, recuperou e consagrou o concelho pela «herança histórica» de que ele se revestia194. Três anos mais tarde, o Código Administrativo veio a caracterizá-lo como “o agregado de pessoas residentes na circunscrição municipal e com interesses comuns”195, pelo que reforçou a importância deste tipo de espaço administrativo-territorial e de todos os seus elementos simbólicos identificativos, ou seja, “brasão de armas, sêlo e bandeiras próprias”196. Pode dizer-se, assim, que com o Estado Novo começou finalmente a assistir-se ao reconhecimento oficial e ao interesse estatal pela Heráldica como forma de representar simbolicamente o concelho.

Entendida como uma dinâmica ideológico-institucional e legisladora de carácter centralista em torno do Estado197, esta perspectiva centralistra, em matéria de Heráldica, verificou-se no reforço dos poderes da Associação dos Arqueólogos Portugueses, que se tornou, assim, na única entidade com a incumbência de fazer uma leitura do que era o Portugal do «Estado Novo», com a obrigação de estabelecer vocabulário e linguagem simbólicas conotadas identitariamente com cada um dos concelhos e, colectivamente, com a Nação, de acordo com uma união, também dinâmica, entre “Tradição e Progresso”198. E uma vez a mensagem ser marcadamente nacionalista, os concelhos, através das suas armas, deveriam sentir-se digna e simbolicamente representados e dar

193 J. Campinos, op. cit., p. 176; Fernando Rosas, «Constituição Política de 1933», in Fernando Rosas e J.

M. Brandão de Brito (dir.), Dicionário de História do Estado Novo, vol. I, s.l., Círculo de Leitores, 1996, p. 199; N. C. J. Campos, Heráldica Autárquica, uma forma de afirmação: o caso dos concelhos

fronteiriços (1934-1940)..., p. 2. 194

O Pensamento de Salazar – Ano VIII (Discursos do Primeiro Congresso da União Nacional), Lisboa, Edições SPN, 1934, pp. 7-8; «Relatório da proposta lei nº 73 que inseriu as bases para o novo Código Administrativo», in Código Administrativo (Aprovado pelo Decreto-Lei nº 27. 924 de 31 de Dezembro de

1936), edição revista pelo Dr. Jaime Lopes Dias, Lisboa, Emprêsa Universidade Editôra/Livraria Moraes,

s.d.

195 Código Administrativo…, «Parte I, Título II-Cap. I-Artº 13º», p. 41.

196 Ibidem. 197

O Estado Novo: Princípios e Realizações, 2ª edição, Lisboa, Edições SPN, 1940, Cap. «Política Corporativa», p. 37.

198

Decálogo do Estado Novo, Lisboa, Edição SPN, p.7; Jorge Ramos do Ó, Os anos de Ferro. O

dispositivo cultural durante a «Política do Espírito» (1933-1949), col. História de Portugal, Lisboa,

“vida a uma detalhada história do território e da civilização da nacionalidade”199. Sublinhe-se que, na sua maioria, foi enaltecido o valor da ruralidade, de acordo com a valorização que então era dado a este princípio, como factor de consolidação da identidade local e nacional200.

A Heráldica Autárquica, símbolo e linguagem do património popular, nas suas vertentes local, regional e nacional, passou a estar presente em todas as formas de manifestações oficiais e públicas do Estado Novo. Para as autoridades, esta presença, em termos doutrinários e ideológicos, tinha a ver com o facto de os micro-corpos que eram os concelhos – identificados individualmente através das suas armas - reunidos, constituírem o macro-corpo que era a Nação, com esta a articular-se com o Estado (a Razão) – o centro de e decisão orientação.

Assim o demonstram, em torno do “Primeiro Congresso da União Nacional”201, realizado, entre 26 e 28 de Maio de 1934202, tanto o monumento alusivo à “[União] [Nacional]” colocado ao centro e à sua volta os brasões dos distritos203, no âmbito da “Exposição Documentária da Ditadura Nacional”, patente no Pavilhão do Parque Eduardo VII, como o “cortejo cívico, o desfile dos estandartes das Câmaras – bandeiras

199 A. de Dornelas, «Heráldica de Domínio...», in op. cit, p. 274.

200 Fernando Rosas, «Mitos e Realidades na História Portuguesa do Século XX», Comissariado de

Portugal para a Expo’98/Pavilhão de Portugal e Instituto de História Contemporânea da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (Org.), Portugal na Transição do Milénio –

Colóquio Internacional (5 a 8 de Novembro de 1997), [Lisboa], Fim de Século Edições, Lda., 1998, p.

73.

201 A União Nacional (U.N.) foi criada em 30 de Junho de 1930 pelo governo da Ditadura Militar; uma

vez a concepção das autoridades ser anti-liberal e anti-parlamentar, os partidos políticos não eram necessários, se é que não eram prejudiciais; a U.N. aparecia com uma dupla função: por um lado, como uma associação destinada a agrupar todos os cidadãos na vertente política; por outro, destinada a estabelecer o equilíbrio de sensibilidades no seio das forças políticas apoiantes do Estado Novo e do seu líder; refira-se que, mais tarde, a U.N. viria a ganhar faceta partidária (cf. Manuel Braga da Cruz, «União Nacional», Fernando Rosas e J. M. Brandão de Brito (dir.), in Dicionário de História do Estado Novo, vol. II, s.l., Círculo de Leitores, 1996, pp. 989-991; João Medina, Salazar, Hitler e Franco..., p. 27); Fernando Rosas, Pensamento e Acção Política – Portugal-Século XX (1890-1976): Ensaio Histórico, Lisboa, Editorial Notícias, 2003, pp. 53, 65.

202 «O 1º Congresso da União Nacional», in Correio do Sul, Faro, de 20 de Maio de 1934; AAVV, História de Portugal em Datas, Lisboa, Círculo de Leitores, 1994, p. 325 – Entrada «26 de Maio de

1934»; I Congresso da União Nacional: Discursos, Teses e Comunicações (Lisboa, 26 a 28 de Maio de

MCMXXXIV), vol. I, Edição da União Nacional, Lisboa, 1935.

203 O Século, de 27 de Maio de 1934, p. 1; Diário de Notícias, de 27 de Maio de 1934, p. 1; I Congresso da União Nacional: Discursos, Teses e Comunicações (Lisboa, 26 a 28 de Maio de MCMXXXIV), vol.

VIII- «Reprodução de alguns gráficos da Exposição Documentária da Obra da Ditadura Nacional», Edição da União Nacional, Lisboa, 1935.

simbólicas das liberdade e autonomia municipais”204 na Avenida da Liberdade, no dia 27 de Maio, e que culminou com a cerimónia de homenagem ao Presidente do Conselho como cidadão honorário de todos os concelhos, cerimónia realizada na Câmara Municipal de Lisboa: “Enquanto o sr. dr. Oliveira Salazar subia até o andar nobre, as aclamações tornaram-se indescritíveis. As bandeiras e os estandartes agitaram-se, a par de lenços e chapéus” 205.

Do universo de duzentos e sessenta e um concelhos em que Portugal Continental se estruturava administrativamente em 1934, aponta-se para que tenham estado presentes nos festejos do VIII Aniversário da Revolução Nacional e do I Congresso da União Nacional, realizados em finais de Maio daquele ano, duzentos e vinte e seis concelhos e isso com base na cerimónia de atribuição do título de cidadão honorário a Salazar206. Já na descrição que O Século faz do Cortejo Cívico, na parte dos concelhos, aparecem identificados cento e vinte e um, enquanto numa outra parte da notícia, embora sem referir números, há a ideia de serem muitos os concelhos presentes:

Dentro do edifício, o aspecto não era menos imponente. O atrio e a escadaria estavam ornamentados com plantas e flores, em grande profusão. (...) Dos dois lados da escada, colocaram-se os presidentes dos diversos municípios que empunhavam os estandartes respectivos. (...) Erguia-se, assim, uma floresta de estandartes policromos. Não foi, todavia, possível juntar, ali, todos e os restantes surgiram, por isso, de todos os lados, nas largas varandas de mármore que olham o «hall», ao lado das altas colunas na camara dos corredores.207.

Dois anos depois, na sequência dos festejos do “Ano X da Revolução Nacional”, igualmente com cortejos militares e civis, como é evidente, os concelhos continuaram a ter um lugar primordial nas participações. E dado o significado simbólico das representações heráldicas daqueles enquanto pedras de uma Nação e de um Povo, constata-se ter havido muito trabalho por parte da Comissão de Heráldica da Associação dos Arqueólogos Portugueses, ao longo de 1935 e 1936.

204

Salazar, «Para Diante!», in Correio do Sul, Faro, de 3 de Junho de 1934, p. 1; O Pensamento de

Salazar – Ano VIII…, p. 16. 205

O Século, de 28 de Maio de 1934.

206 Helena Matos, Salazar, vol. 2 - «A Propaganda», s.l., Círculo de Leitores, 2004, p. 44. 207 O Século, de 29 de Maio de 1934.

O chamado «Cortejo Cívico» contou com um grande número de concelhos presentes, variando entre cento e quarenta e cinco municípios, de acordo com o Diário de Notícias208, e cento e cinquenta e um, segundo O Século209. Por um excerto da notícia de O Século, havia uma variedade vexilológica municipal entre bandeiras e estandartes, as quais, segundo o jornalista, pelo estado de conservação, eram fontes informativas quanto do panorama sócio-económico dos concelhos:

Foi outro momento admirável do cortejo cívico o da passagem das representações municipais. Figuravam todos os estandartes, […] e era belo o espectáculo das bandeiras com os brasões municipais. Entre essas bandeiras, iam muitas velhinhas, já de cores sumidas pelo sol e pelo tempo. Iam também estandartes de municípios pobres ou menos importantes, que eram simples bandeiras, relíquias sagradas que valem, justamente, pelos anos de existência210.

Apesar do sucesso das medidas reformadoras e uniformizadoras implementadas por Afonso de Dornelas e oficializadas pelas autoridades de então, elas foram fortemente criticadas pelo Marquês de Abrantes, que atacou precisamente nas partes que autonomizavam identitariamente as terras:

Temendo malquistar-se com as ideias políticas então dominantes, esforçou-se por diferenciar o mais possível as armas concelhias daquelas das famílias, de índole nobiliárquica, estas segundas, nem sequer admitindo que naquelas se contivessem elementos que fizessem de algum modo recordar o antigo regime, bem como aquelas famílias senhoriais que mais de perto se haviam correlacionado e até ilustrado por vezes os concelhos que requeriam armas211.

7. 1982-1991 - A segunda Reforma Heráldica 7.1. Os antecedentes parlamentares

Com a consolidação do regime democrático em Portugal e entrando em discussão na Reunião Plenária de 2 de Fevereiro de 1982 a Proposta de lei nº 82/II relativa às “Atribuições das autarquias locais e competências dos respectivos orgãos”212, o então

208 Diário de Notícias, de 29 de Maio de 1936. 209 O Século, de 29 de Maio de 1936.

210

Ibidem.

211 Marquês de Abrantes, Introdução ao Estudo da Heráldica..., p. 128.

Secretário de Estado da Administração Regional e Local, Roberto Carneiro, justifica-a dentro da perspectiva de uma

descentralização política e administrativa [com] a existência de autarquias locais, dotadas de orgãos representativos – isto é, directamente eleitos pelos cidadãos – [o que] constitui [...] uma expressão essencial do regime e manifestação de vitalidade das instituições democráticas213,

pondo-se, assim, fim à “tradição centralizadora, autoritária e uniformista do Estado Novo”214 nesta matéria do poder local.

O, na altura, deputado António de Sousa Lara, do Partido Popular Monárquico (PPM), a aproveitar a oportunidade da questão, apresentou a Proposta de lei nº 346/II, na reunião de 28 de Maio de 1982215, intitulada de “Simbologia das Autarquias Locais”216, “que se propunha regular a matéria de heráldica autárquica em Portugal”217; refira-se que o assunto da heráldica autárquica também contido, embora mais resumidamente, na Proposta de lei nº 82/II, veio a ser discutido, na especialidade, na Reunião Plenária de 30 de Julho daquele mesmo ano218, mais concretamente no relativo a um aditamento ao seu “artigo 14º, nº 2 – alínea c)”, confiando à Assembleia Municipal a competência de “[estabelecer] o brasão de armas, selo e bandeira do município”219, e cujo aditamento, por proposta da bancada do Partido Social Democrata (PSD), consistia na inserção da expressão “nos limites da lei”220 e que, por proposta do Partido Comunista Português (PCP), foi alterada para “nos termos da lei”, que foi aprovado “por unanimidade, registando-se a ausência da [União Democrática Popular] UDP”221.

Foi preciso esperar pela V Legislatura para que a questão do apuramento da heráldica autárquica viesse a recuperar a actualidade na Assembleia da República222. Em Reunião

213 Diário da Assembleia da República, I Série – nº 94, de 28 de Maio de 1982, p. 3882. 214 Ibidem.

215

Diário da Assembleia da República, I Série – nº 57, de 22 de Março de 1991, p. 1846.

216 António C. A. de Sousa Lara, Nova Legislação Portuguesa em Matéria de Heráldica Autárquica,

Aparte de la Revista Hidalguia, Madrid, Instituto Salazar y Castro (C.S.I.C.), s.d., p. 527.

217 Ibidem.

218 Diário da Assembleia da República, I Série – nº 131, de 31 de Julho de 1991, pp. 5523-5525. 219 Idem, p. 5525.

220

Ibidem.

221 Ibidem.

Plenária de 30 de Junho de 1989, na sequência da aprovação de vários projectos de lei da autoria de vários partidos com assento parlamentar relativos a um «Pacote Autárquico»223, foi apresentado à Mesa o Projecto de lei nº 419/V, “pelo Sr. Deputado Sousa Lara e outro, do PSD, relativo à heráldica autárquica e das pessoas colectivas de utilidade pública administrativa”, tendo sido “admitido, baixando à competente comissão”224.

Com esta proposta de lei a manter a responsabilidade pela elaboração dos pareceres heráldicos para as autarquias na esfera da Comissão de Heráldica da Associação dos Arqueólogos Portugueses225, pode deduzir-se que aquele documento tenha sido elaborado em colaboração com ela226, aliás, como se depreende das palavras de Sousa Lara –

O actual projecto acolhe a maioria das sugestões formuladas no texto que me foi, entretanto, remetido pela secção de Heráldica da Associação dos Arqueólogos Portugueses que tem sido e continua a ser, a entidade de consulta oficial na ordenação das armas autárquicas nacionais227.

Ora, sensivelmente dois anos mais tarde, na continuidade da discussão do Projecto nº 419/V, a 7 de Março de 1991, Barbosa da Costa, deputado do Partido Renovador Democrático (PRD), em sessão parlamentar, fez a proposta da criação de

um serviço de heráldica, no âmbito do Ministério do Planeamento e da Administração do território, de forma que ele tivesse o seu próprio gabinete de heráldica autárquica, à semelhança do que acontece com os três ramos das Forças Armadas que têm um gabinete próprio228.

223 Elevação de diversas localidades a vilas e criação de novas freguesias e alteração de nomes de

freguesias e de concelhos (cf. Diário da Assembleia da República, I Série – nº 99, de 1 de Julho de 1989).

224 Idem, p. 4835; cf. n. Doc. n 4.

225 Diário da Assembleia da República, I Série – nº 57, de 22 de Março de 1991, p. 1846. 226

Ibidem.

227 A. C. A. de Sousa Lara, op. cit, p. 527; não deixa de ser curiosa a afirmação de que esse trabalho, pelo

menos no ano de 1990, era “prosseguida pelo Instituto Português de Heráldica”, substituindo-se àquela Comissão de Heráldica da Associação dos Arqueólogos Portugueses (cf. Manuel de Novaes Cabral, Do

Direito ao uso de Brasão de Armas, Selo e bandeira pelas Freguesias – Temas de Heráldica de Domínio,

Separata de Armas e Troféus, VI Série-Tomo I, nº 1-3 (1987/8), Lisboa, 1990, p. 5).

228 Diário da Assembleia da República, I Série – nº 51, de 8 de Março de 1991, p. 1657; M. de Abrantes, Introdução ao Estudo da Heráldica..., p. 135; este autor, ao fazer a referência à discussão deste projecto

de reforma de heráldica autárquica, dá como certo que a “esse Gabinete passarão a pertencer as competências até agora da Comissão de Heráldica da A.A.P., bem como outras, devidamente legisladas”. No entanto, o propósito desse serviço nunca se efectivou, apesar de criado na lei!

A Reunião Plenária de 21 de Março de 1991 tornou-se num marco para a heráldica autárquica quando, publicamente e para toda a nação, representada através dos vários partidos com assento, o deputado António de Sousa Lara fez a apresentação do referido Projecto de Lei. Tendo iniciado por fazer um historial acerca da heráldica municipal e o papel do Estado nessa matéria, referiu ser “uma prática de recentes tradições”229, ao mesmo tempo que chamou a atenção para o facto deste projecto não ter nada a ver com o apresentado na II Legislatura, em 28 de Maio de 1982 – “poucos vestígios do primeiro estão presentes no segundo”230.

E por ser diferente a realidade sócio-política, Sousa Lara convidava os seus colegas a participarem nos melhoramentos que ainda podiam ser feitos231, mas destacando dois aspectos: um primeiro, de “natureza técnica”, que se

[encontra] internacionalmente [consagrada] e [tem] a ver com a essência da chamada «ciência heróica». As regras gerais da ordenação dos símbolos heráldicos, a constituição dos brasões de armas, a ordenação dos selos e bandeiras obedecem a um conjunto de critérios já em vigor em países de todos os continentes e com as mais diversas ideologias predominantes232;

um segundo, de “carácter político”, relacionado com a possibilidade de as freguesias e as regiões administrativas poderem ter armas próprias233.

Entrando em debate ao referido projecto nº 419/V, a primeira intervenção foi de um deputado do Partido Socialista (PS), Júlio Henriques, que informou ir aquele partido, na generalidade, votar favoravelmente234, posição também assumida pelo PRD, através do seu deputado Barbosa da Costa235, mas sem deixar de fazer um reparo quanto à falta de uma proposta sobre a criação de um organismo responsável junto do Estado, à época o Ministério do Plano e da Administração do Território236 no seguimento do que havia já

229 Diário da Assembleia da República, I Série – nº 57, de 22 de Março de 1991, pp. 1845-1846. 230 Idem, p. 1846. 231 Ibidem. 232 Ibidem. 233 Ibidem. 234 Idem, p. 1847. 235 Idem, p. 1848. 236

Idem, p. 1847; Este deputado avança com um perfil técnico-científico de um eventual quadro de funcionários desse Gabinete de Heráldica Autárquica, que deveriam ser “técnicos superiores apenas licenciados em História ou História da Arte”(cf. ibidem).

sugerido em sessão anterior237. Destacava, ainda, que todos as futuras solicitações de armas heráldicas devem ser feitas e legitimadas por “um licenciado em História ou História de Arte, identificado através da competente certidão de habilitação académica”238. Já o grupo parlamentar do PCP, pela sua deputada Lourdes Hespanhol, também afirmou a sua concordância ao projecto, destacando a importância da simbologia enquanto transmissora de formação e informação de carácter histórico para o futuro239. Curiosamente, não se conhece qualquer intervenção da parte do Centro Democrático Social/Partido Popular (CDS/PP).

A votação e aprovação deste projecto, na sua especialidade, foi feita por unanimidade na Reunião Plenária de 11 de Junho de 1991, a par do Projecto de lei nº 773/V, também do PSD e respeitante à “[alteração] do Decreto-Lei no 100/84, de 29 de Março (Atribuição das autarquias locais e competências dos respectivos orgãos)”240.

Como que em forma de balanço desta sessão e das perspectivas que os vários partidos, à época, tinham sobre a heráldica municipal, pelo teor das várias intervenções, há um nítido peso da história em relação ao presente, dando aos brasões um cunho mais próximo do passado e, por isso, a chegar-se ao ponto de se valorizar a disciplina da História e áreas satélites em detrimento de outras. Ainda assim, e porque “património cultural inegável” (palavras de Lourdes Hespanhol, do PCP)241, só havia que o preservar, dentro “da vontade soberana do povo português em identificar-se através de símbolos heráldicos democraticamente aceites e aprovados em orgãos próprios” (palavras de Barbosa da Costa, do PRD)242.