MERCADO POPULAR (1) MERCADO ECONOMICO (2) MERCADO MÉDIO (3) TOTAL
6) Facilidade administrativa – As políticas de subsídios devem procurar diminuir a
3.2 O subsídio no programa Minha Casa, Minha Vida (PMCMV)
3.2.1 A política subsidiada do PMCMV e sua estrutura de financiamento
O lançamento do Programa Minha Casa, Minha Vida (PMCMV) em meio às discussões e propostas inovadoras do PlanHab deixaram os formuladores do plano e profissionais envolvidos perplexos com a meta inicial de construção de 1 milhão de moradias, para atender a população com renda de até 10SMs, com um elevado aporte de recursos e subsídios.
Na análise de Souza (2009):
O programa foi lançado em 2009 repercutindo no processo de implantação do PlanHab, pactuado como uma estratégia de longo prazo para equacionar o problema habitacional do país. Entretanto, ao aplicar R$ 26 bilhões de subsídios no MCMV, além do que já estava previsto pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o governo federal adotou o cenário mais otimista proposto pelo PlanHab. E, como afirma Bonduki (2009), se esse patamar for mantido por quinze anos, conforme previa a estratégia do PlanHab, será possível produzir um impacto real no deficit habitacional do país (Souza, 2009,pág. 144).
Segundo o Ministério das Cidades, quando da apresentação do programa, em março de 2009, os objetivos do programa são:
1) Estimular a provisão de habitação de interesse social em larga escala; 2) Aumentar o acesso à casa própria para as famílias de baixa renda;
3) Estimular o crescimento econômico do país por meio do aumento do investimento no setor da construção civil;
4) Promover distribuição de renda e inclusão social;
5) Mobilizar o mercado formal na produção da habitação de interesse social.
Considerando algumas das propostas de suas propostas, D‟Amico (2011) identifica algumas questões que o programa se propõe a resolver para combater o déficit habitacional:
a) Os problemas de infraestrutura e saneamento básico das residências existentes, ao combater o déficit por reposição de estoque, via concessão de subsídios às famílias;
b) Regularizar a questão fundiária das moradias em terrenos invadidos ou em áreas públicas;
c) Aumentar a oferta de unidades habitacionais, facilitando o acesso aos recursos do BNDES e dos fundos instituídos pelo PMCMV por parte das construtoras, visando diminuir o déficit por incremento de estoque;
d) Eliminar a “elitização” dos financiamentos imobiliários ao conceder subsídios às classes sociais mais pobres, sobretudo aquelas com renda mensal de até três salários mínimos e que em geral não têm acesso aos recursos do FGTS;
e) Resolver os aspectos técnicos da construção de novas moradias, ao determinar padrões de construção, impor limites para a construção de unidades habitacionais por empreendimento e exigir uma infraestrutura urbana mínima para aprovação dos projetos e liberação dos recursos.
O programa não se confunde com o PlanHab, que tem um sentido muito mais amplo e estratégico, mas incorporou parcialmente algumas de suas propostas, como a forte elevação dos recursos não onerosos proveniente do Orçamento Geral da União – OGU, destinados a subsidiar a produção de novas unidades de habitação de interesse social; os financiamentos passaram a ser garantidos por um fundo garantidor, instrumento proposto pelo PlanHab para viabilizar a concessão de crédito para as famílias de renda média e baixa em programas habitacionais; a estratégia em dividir a população por faixa de renda também foi absorvida do Plano, muito embora, o PMCMV tenha estabelecido apenas 3 faixas de atendimento, propondo que as famílias com renda abaixo da linha de financiamento, sem condições de retorno regular, fossem absorvidas também pela faixa 1 do programa, causando um descompasso no atendimento dentro da própria faixa de renda. Sobre essa questão foi possível identificar a média de renda das famílias beneficiárias do programa para faixa 1, a ser analisado na próxima seção.
Por outro lado, o programa deixou de adotar um conjunto de estratégia fundamentais, que foram pensadas pelo PlanHab e consideradas indispensáveis para resolver o problema da habitação, sobretudo nos eixos que não se relacionavam com os aspectos financeiros.
A meta inicial do programa, caracterizado como PMCMV 1, previa que até o final de 2010 fossem construídas 1 milhão de moradias, de modo a reduzir em 14% o déficit habitacional do país e para a segunda fase (PMCMV 2), divulgada em junho
de 2011, a meta foi ampliada para dois milhões de moradias até 2014, além de expandir o montante global de recursos alocados. Estes passam de R$ 71,7 bilhões na primeira fase do programa para R$125 bilhões na segunda fase, respectivamente alocados R$34 bilhões de subsídios e o restante na forma de empréstimos e R$ 72,6 bilhões de subsídios alocados e R$53,1 bilhões em financiamento pelas instituições financeiras (FERRAZ, 2011). No PMCMV 2 mantém-se a priorização dos três grupos de acordo com os critérios de renda da primeira fase, alterando a proporção de moradias previstas entre os grupos (ampliando o nº de moradias previstas para a faixa inferior, de 0 a 3 SM, de 40% para 60% do número de moradias), conforme apresentado na tabela 5.
Tabela 5. Distribuição por faixa de renda e metas propostas pelo PMCMV 1 e 2
Fonte: Elaboração própria com base na cartilha do programa.
* No PMCMV 1 a distribuição das faixas de renda estiveram condicionadas ao salário mínimo.
O PMCMV é estruturado a partir de modalidades de subprogramas (PNHU, PNHR, MCMV Entidades e MCMV abaixo de 50.000) e distribuído pelas faixas de renda, seguindo os princípios e modelos operacionais detalhados nos quadros a seguir:
Quadro 7. Instrumentos e modelagem de subsídios por faixa de renda
FAIXA RENDA INSTRUMENTO MODALIDADES FONTE
I Até R$ 1.600,00
Subsídio quase integral + retorno do beneficiário
com 5% da renda
Empresas/FAR Entidades/ FDS Mun. Até 50 mil hab.
Rural Grupo 1
OGU
II De R$ 1601 a R$
3.100 Subsídio + Financiamento FGTS Rural Grupo 2 OGU + FGTS III De R$ 3.100,01 a
R$ 5.000 Financiamento FGTS Rural Grupo 3 FGTS Fonte: Elaboração própria.
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