MERCADO POPULAR (1) MERCADO ECONOMICO (2) MERCADO MÉDIO (3) TOTAL
2) FGTS: Os subsídios ofertados provém de um mix de recursos oriundos do OGU e FGTS e são concedidos de forma direta (complemento da entrada) e indireta
(spread e demais taxas). Subsídio para acesso a financiamento, com recursos do FGTS, e suporte do Fundo Garantidor de Crédito, para aquisição de unidades ofertadas pelo mercado. para rendas de até 6 SM, atuais R$3.275,00 e indiretos (diferencial da taxa de juros em relação às taxas do mercado, presente sempre nos financiamentos deste Fundo, cobertura do Fundo Garantidor e redução de custos cartorários e seguros), extensivos a rendas de até, inicialmente, 10 SM, atuais R$5 mil.
Como o programa em questão é o objeto de estudo desta dissertação ele será descrito e discutido na próxima seção, dentro do cenário da nova Política Nacional de Habitação, apontando as estratégias que foram e não foram absorvidas do PlanHab e explicitando os desdobramentos do subsídio para a política atual.
2.2 A questão do subsídio e suas principais formas de concessão
Verificada como a questão do subsídio foi tratada na política habitacional brasileira até os dias atuais vai ficando mais claro que, diante da incapacidade financeira da população de baixa renda em pagar o menor preço existente pela habitação mais simples, via mercado formal, ela necessita ser subsidiada pelo Estado21. Seja através da concessão de subsídios, seja através do financiamento em longo prazo com menores taxas de juros, sendo de responsabilidade do setor público o papel de regulação normativa, desenvolvimento urbano e concessão de subsídios às camadas populares.
Os subsídios, nesse sentido, se tornam ferramentas essenciais para viabilizar o acesso à habitação, seja pela compra ou reforma, para a população de baixa renda; assim como atua como complemento da renda para garantir o acesso da população de renda média, também excluída do mercado imobiliário formal, de forma que exista um aporte de recursos não apenas do Governo Federal, mas dos Estados e municípios da União, trabalhando em conjunto.
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O Poder Público tratado aqui refere-se à esfera do Estado no âmbito do Governo Federal, como regulador e provedor da política habitacional.
Na análise dos autores Hoek-Smit e Diamond (2003), a estruturação de uma política de subsídios está longe de simplesmente ter por objetivo garantir uma casa decente e um ambiente saudável para cada família. A questão é muito mais complexa, e requer, no mínimo, que sejam feitas as seguintes análises, verificando se:
a) A deficiência na oferta de habitações no setor formal decorre de falhas da politica em vigor no ambiente da regulamentação do setor que estariam em desacordo
com o que as famílias podem pagar ou com o que minimamente se aceita do
ponto de vista de habitação adequada; ou as regulamentações estão alinhadas, mas parte da população é que geralmente não tem o mínimo suficiente de rendimentos para aquisição ou aluguel dessas habitações;
Como o que ocorre no caso brasileiro, conforme discutido anteriormente, em que existe um descompasso entre a capacidade de pagamento das famílias de baixa renda e o elevado preço dos imóveis ofertados no mercado formal.
b) A dificuldade de acesso a financiamentos habitacionais é a razão principal porque parte da população não consegue adquirir ou reformar habitações; ou estes problemas decorrem de sistemas de monopólios públicos ou privados ou outras formas de falhas no sistema; ou das condições macroeconômicas vigentes e não do sistema de financiamento em si; ou os fornecedores de credito estão relutantes em entrar no mercado da população de baixa renda, porque não conseguem mensurar o custo e mitigar o risco de fornecer credito para este mercado; ou existe incerteza sobre os retornos futuros dos financiamentos, pois os riscos de inadimplência são muito altos;
c) Existem problemas no acesso às propriedades, servidas de infraestrutura em razão de monopólios públicos ou privados; ou porque o governo é incapaz de oferecer infraestrutura em tempo hábil.
Garantir infraestrutura e acesso a terra urbanizada através da política habitacional tem se mostrado um grande dilema, reprodutor do desordenamento urbano e da periferização dos novos empreendimentos. Até porque “a distância é tempo; não apenas tempo de deslocamento, mas do somatório de todos os
deslocamentos, bem como seus custos e frequências para todos os membros da família (VILLAÇA, 2001) “.
Como a estrutura do capitalismo é determinada pela propriedade privada e o capital visa o lucro a todo custo, não se torna viável o investimento em equipamentos coletivos e infraestrutura urbana, o que parece contraditório uma vez que os elementos urbanos, que compõem a cidade, terminam por agregar valor aos espaços (TOPALOV, 1979).
Com a instauração do PMCMV o problema da localização dos empreendimentos continua a se apresentar em muitas cidades brasileiras e, da mesma forma, para o caso da Região Metropolitana do Recife. Conforme veremos mais adiante, grande parte das moradias, destinadas para a população de baixa renda, estão localizadas na periferia, resultando em sérios problemas que acabam prejudicando a todos, além de:
(...) encarecer a extensão das infraestruturas urbanas, que precisam alcançar locais cada vez mais distantes, o afastamento entre os locais de trabalho, os equipamentos urbanos e as áreas de moradia aprofundam as segregações socioespaciais e encarecem os custos da mobilidade urbana. As longas viagens diárias entre a residência e os locais de trabalho ou de ensino congestionam as vias e os transportes coletivos, prejudicando a qualidade de vida coletiva. Ademais, o predomínio das opções sobre pneus – especialmente os automóveis que usam combustíveis fósseis e emitem gás carbônico – contribui para a poluição do ar, o aquecimento global e as mudanças climáticas, cujos efeitos já estão afetando milhões de pessoas no mundo inteiro (ROLNIK e NAKANO, 2009 apud CARDOSO, 2013, pág. 48).
Entendida essas situações, fica mais fácil para os articuladores da política habitacional compreender as causas das deficiências tanto na produção como no acesso a habitações, de forma que viabilizem a melhor solução para cada situação, seja através da concessão do subsídio a produtores e/ou consumidores e/ou mudanças na regulamentação do setor.
A utilização de subsídios deve ser precedida e/ou ser utilizada em conjunto com outras ações governamentais que a complementem, como desenvolver e reformar instituições e politicas, visando a facilitar o papel de entidades financiadoras e produtoras de habitações, seja estas públicas ou privadas, na expansão e melhoria da oferta de habitações e de programas de financiamento voltados à população de baixa e média renda, e melhorar o sistema de regulamentação do setor em diferentes esferas (aquisição de terra, produção, consumo, financiamento, infraestrutura, etc.), buscando permitir que mais famílias tenham acesso à habitação adequada. Sem essas medidas complementares, que melhoram a eficiência do mercado, e que muitas vezes substituem a necessidade de subsídios,
a implementação de uma politica de subsídios pode não gerar os resultados esperados (MEDEIROS, 2007, grifo nosso, pág. 19).
Por isso mesmo, com o foco no subsídio do PMCMV, cabe aqui discutirmos quais as estratégias utilizadas pelo programa, diante do elevado aporte de recursos, para equacionar o subsídio e garantir o acesso à moradia pela população de baixa renda. Principalmente relacionando o programa com o modelo de atuação proposto pelo PlanHab, na tentativa de identificar pontos em comum e controvérsias. Esse assunto será abordado na seção 3.
Quanto às principais formas de concessão de subsídios habitacionais, os autores Hoek-Smit; Diamond (2003) descrevem seis maneiras:
1. Subsídio dos juros de financiamentos habitacionais diretamente às instituições financiadoras – o Poder Público intervêm diretamente, pagando parte dos juros junto às instituições financiadoras que praticam os juros de mercado;
2. Subsídio dos juros de financiamentos habitacionais usando fundos especiais – utilização pelo Poder Público, de fundos especiais compostos de recursos provenientes de cobranças compulsórias sobre a população, como seguridade social, taxas sobre salários, contribuições para aposentadoria etc. que podem financiar a demanda por habitações por juros mais baixos que os de mercado; 3. Subsídio dos juros de financiamentos habitacionais pela dedução de impostos –
do valor dos impostos a serem pagos é deduzido o valor de juros pago relativamente aos financiamentos habitacionais;
4. O Poder Público dá suporte a criação de poupanças de longo prazo voltadas a habitação – os poupadores recebem um bônus baseado nas quantias poupadas em cada ano, mas estas poupanças só poderão ser retiradas após um mínimo preestabelecido de tempo, garantindo assim que estes valores poderão financiar outros poupadores. Estes fundos são gerenciados por instituições especializadas e investem em financiamentos habitacionais com baixas taxas de juros;
5. Seguros e garantias patrocinadas pelo Poder Público para o risco do mercado primário – o Governo Federal assume totalmente ou em parte o risco de credito associado a uma parcela especifica dos financiamentos habitacionais,
consequentemente diminuindo o risco das entidades financiadoras e os juros cobrados por elas para estes financiamentos;
6. Subsídios mediante aportes diretos de recursos aos consumidores – este é o modo mais simples e direto de subsídio, em que o Poder Público aporta dinheiro diretamente como parte de financiamento por meio da quitação de parcelas ou da entrada do imóvel, normalmente restrito a população de baixa renda e a compra da primeira habitação.
Conforme apontado pelos autores, existem diversas formas de subsidiar habitações, seja para atender à produção seja para atender à demanda, ou mesmo o conjunto de várias maneiras que possibilitem atender o déficit habitacional, dependendo de cada caso. É por isso que, para além da regulação do Poder Público e dos aportes de recursos federais, os Estados e municípios devem traçar um diagnóstico do seu território para o atendimento das famílias de baixa renda, de modo que possa estruturar uma politica local que atenda à diversidade do seu espaço.
Existem, entretanto, algumas diferenças entre se subsidiar a produção ou a demanda por habitações, como segue:
1) O subsídio da produção foca principalmente na diminuição do custo de oportunidade e/ ou riscos envolvidos na produção de habitações. Ele pode ser ofertado mediante financiamentos diretos do Poder Público, provisão de infraestrutura, benefícios fiscais seguros para riscos de credito e inadimplência etc. Hoek-Smit; Diamond (2003) argumentam que em geral a desvantagem do subsídio da produção é que, quando usado inapropriadamente, distorce o mercado, principalmente quando o Governo Federal assume funções que poderiam ser feitas mais eficientemente pelo setor privado, impedindo muitas vezes a expansão e evolução do setor privado na produção de habitações;
2) O subsídio da demanda foca no aumento da possibilidade de famílias assumirem habitações, de melhorarem as habitações em que moram ou mesmo de consumirem um tipo particular de habitação, podendo ser por compra, reforma ou aluguel. Hoek-Smit; Diamond (2003) argumentam que o subsídio da demanda por habitações é considerado mais eficiente que o subsídio da produção, pois dá aos
beneficiários a possibilidade de escolherem se querem comprar, reformar ou alugar habitações, como também a localização adequada as suas necessidades e o tipo de habitação que mais lhe agrada.
No fim das contas, a decisão do uso ou não de subsídios, ou no caso da escolha do tipo ou dos tipos de subsídios a serem implementados, cabe ao Estado. Como o foco desta dissertação é testar a hipótese de que a política de habitação necessita ser subsidiada para a população de baixa renda, cabe-nos analisar alguns pontos essenciais para a manutenção de uma política de subsídios que se consolide em longo prazo e que seja autofinanciada22. Segundo Hoek-Smit e Diamond (2003) essas análises devem ser quanto à: