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5 REGULANDO O PRISMA : SOBRE A PRODUÇÃO DESTA

5.2 O TRABALHO COMO CATADOR DE DOCUMENTOS: NOTAS SOBRE

ORGANIZAÇÃO13

O processo de identificação dos materiais que compõem o corpus de análise deste trabalho ocorreu em dois momentos. O primeiro consistiu na busca on-line por produções de mídia oficiais (materiais de publicidade/comunicação) sobre saúde do(s) homem(ns), realizadas pelo MS, especialmente aquelas assinadas pela Área Técnica de Saúde do Homem (atualmente Coordenação Nacional de Saúde do Homem). Esta busca inicial seguiu duas estratégias simples: 1) acesso à página oficial da Área Técnica/CNSH, no site do MS, por meio do endereço portaldasaude.saude.gov.br; e, 2) a utilização de um diretório de buscas on-

13 Um texto complementar acerca deste processo de identificação de materiais foi elaborado como suporte à compreensão dos tipos de materiais identificados. Este texto encontra-se disponível no APÊNDICE C deste trabalho, e deve subsidiar o/a leitor/a na compreensão do contexto mais amplo em que tais materiais se inserem e suas particularidades de produção.

line (Google.com) para a identificação de outros possíveis materiais produzidos por este Departamento/Coordenação não listados na página acima mencionada.

A busca foi realizada durante o mês de abril de 2016, por dois pesquisadores vinculados ao Núcleo de Pesquisas Gema/UFPE (um mestrando e um doutorando em Psicologia e autor desta tese), sendo o material encontrado compartilhado entre ambos de maneira a produzir uma versão consolidada. Esta estratégia inicial foi utilizada tendo em vista que estava entre os nossos objetivos conhecer, não apenas os materiais produzidos pelo MS sobre a saúde do homem, mas também a disponibilidade destes materiais e suas possibilidades de acesso pela população.

Com este exercício identificamos, por exemplo, que alguns destes materiais não apresentam fácil acesso, visto que nem mesmo constam na página oficial da CNSH/MS, a exemplo da campanha de lançamento da PNAISH, divulgada em agosto de 2009, sob o título “Homem que se cuida não perde o melhor da vida”.

Por este motivo, a busca de outros materiais em um diretório de pesquisa on line, como o Google.com, foi lançada como estratégia complementar, visto que já havia um conhecimento prévio da equipe de pesquisa acerca da existência destes primeiros materiais de campanha lançados pela CNSH/MS. Assim, alguns materiais só puderam ser acessados por meio desta busca, hospedados em home-pages que ainda os mantinham em seus acervos.

Foram pré-selecionados apenas os materiais que compunham campanhas e produtos de mídia produzidos e assinados (com menção explícita) pela CNSH/MS. Tal consideração é relevante tendo em vista a multiplicidade de versões de materiais e produtos de mídia realizados por governos estaduais e municipais, derivadas ou não de produções divulgadas pelo MS. De fato, há na atualidade um universo de produções sobre o “tema” saúde do(s) homen(ns), muitas delas também assinadas por agências de publicidades contratadas por organizações privadas, bem como materiais produzidos por ONG.

Como exemplo disso, um exercício de busca recente14, realizado no Google.com, nos

possibilitou perceber a visibilidade que este campo-tema tem adquirido nos últimos anos: 1) ao se buscar pela expressão “saúde do homem”, foram encontrados, aproximadamente, 1.300.000 resultados. Em comparação, a busca por “saúde da mulher” revelou um valor aproximado de 9.800.000 resultados; 2) o plural desta expressão revelou um quantitativo expressivamente maior: “saúde dos homens” apresentou 21.100.000 resultados, enquanto que “saúde das mulheres” apareceu em 26.900.00 menções.

14 Atualizado em 30 de junho de 2017.

Tais números nos levam a tecer algumas considerações: em primeiro lugar, a compreensão de que a “saúde do homem” não parece ser um assunto “tão recente” e carente de produções, como se costuma afirmar, até mesmo porque se até 10-20 anos atrás falar em “saúde do homem” poderia soar como algo redundante (já que “homem”, em geral, se tomava como sinônimo de “ser humano”), nos dias atuais parece haver certo reconhecimento de uma nova arena de discussão, marcada sobremaneira, como vimos, pelas influências dos estudos de gênero na saúde. Em segundo lugar, observamos a emergência de certa pluralidade de campos discursivos no que tange às masculinidades e à saúde, muito embora uma olhada rápida sobre estes resultados nos possibilite reconhecer certa recorrência de modelos tradicionais de masculinidade. Em terceiro, e talvez a consideração mais importante, este campo-tema emergente é atravessado por diferentes jogos de saber-poder e por interesses de diversas ordens, razão pela qual nestes resultados se apresentam reportagens, notícias, postagens em blogs, materiais publicitários e outros produtos de mídia, vinculados tanto às esferas de governo, quanto a diferentes organizações privadas, além de livros, artigos científicos, páginas de organização de eventos sobre o tema, e outros tantos tipos de materiais que contribuem para compor esta pluralidade como campo de investimentos.

Neste sentido, optamos por centrar nossa atenção sobre os produtos que trouxessem menção explícita à CNSH/MS, entendendo também que outras políticas, programas e coordenações técnicas do MS acabam trabalhando transversalmente a população masculina (e a saúde do homem) em suas produções, a exemplo das políticas de Saúde da População LGBT e de Saúde das Pessoas Privadas de Liberdade. Dessa forma, foram pré-selecionados materiais de mídia produzidos em parceria com diferentes programas e/ou políticas, desde que estes fizessem menção de sua origem à CNSH/MS.

As principais informações sobre os produtos selecionados foram armazenadas em quadro sintético (Quadro 1), de maneira a organizá-los para posterior análise. Para a construção de tal quadro, consideramos as seguintes informações: “Título” (a nomeação atribuída ao material, muitas vezes a partir de texto disponível na própria peça publicitária); “Tema” (a que temática de campanha o material possivelmente estaria relacionado, o que podia, ou não, estar explícito no material); “Tipo” (a que modalidade gráfica consistia aquele material: folder, cartaz, vídeo etc.); “Data” (período de lançamento do material); “Fonte” (o local onde o material foi encontrado, a página na qual estava disponível para acesso público) e “Endereço” (endereço eletrônico que foi acessado para a captura do material, o seu link). Além de realizar a produção deste quadro, também armazenamos os materiais em banco de dados on line específico (Dropbox®) para posteriores consultas.

MAPEAMENTO DE MATERIAIS DE MÍDIA (CAMPANHAS)

Título Tema Tipo do

Material/Data Fonte Endereço

Quadro 1. Modelo de quadro-síntese para o primeiro exercício de mapeamento

Foram identificados no total, 18 diferentes materiais, associados a quatro grandes campanhas lançadas pela CNSH/MS. Duas destas campanhas, lançadas nos anos de 2009 e 2013, respectivamente, tinham como mote principal a divulgação da própria PNAISH. As demais, lançadas nos anos de 2013 e 2015, tratavam, em específico, do tema “paternidade” e discutiam o envolvimento do homem nos cuidados infantis, bem como a sua participação no processo de parto (incluindo o pré e pós-parto), destacando-se a “Lei do Acompanhante”. O Quadro 2 contém alguns detalhes dos materiais identificados para cada campanha.

MATERIAIS DE CAMPANHA

Título Tema Tipo de Material Data/Período

“Homem que se cuida não perde o melhor da vida”

(Inclui versão criada para a Festa de Barretos 2009) Lançamento da PNAISH Folder, Cartaz, Mobiliário Urbano, Vinheta em Vídeo (TV) e Vinheta em áudio (Rádio) Agosto e Setembro/2009

“Não importa que tipo de homem você é. Seja do tipo que cuida da Saúde”

Divulgação da

PNAISH Cartazes e Folder Março/2013 “Pai: Uma nova vida precisa de

você” Paternidade Cartazes e Folderes

Agosto e Novembro/2013 “Amigo, gravidez, parto e cuidado

também são coisas de homem. Seja pai, esteja presente!”

Paternidade (Lei do

acompanhante) Cartazes e Folderes

Novembro/2013 e Março/2015

Quadro 2. Informações gerais sobre as campanhas e materiais de mídia produzidos pela CNSH/MS

identificados no mapeamento.

O segundo momento de identificação dos materiais derivou do primeiro exercício acima descrito. Isto porque, neste processo de busca, identificamos um grupo de materiais particularmente importantes para a divulgação da PNAISH e das ações de Saúde do Homem, mas, mais que isto, também fundamentais para o processo de comunicação subjacente à relação entre MS (incluindo a CNSH) e população à qual se destinam seus produtos e ações.

Esses materiais estão disponíveis em canais permanentes, mantidos pela ASCOM, do MS, que veiculam periodicamente diferentes produtos de mídia para as diversas políticas e programas de saúde existentes. Assim, identificamos que o Blog da Saúde e as páginas/perfis

oficiais da “Saúde do Homem” em redes sociais como Facebook® e Instagram®, constituíam fontes importantes de produção, armazenamento e divulgação de material publicitário oficial para as políticas e programas de saúde, dentre as quais a PNAISH.

Compreendemos que os materiais disponíveis nestes canais apresentam algumas particularidades. De antemão cabe considerar que seus processos de produção (contexto, elaboração e publicação) são regidos por questões que não estão presentes (pelo menos não de maneira direta) naqueles materiais que compõem as “grandes campanhas”, como mencionamos na seção anterior, visto que as redes sociais, em geral, se caracterizam por processos de comunicação mais imediatos, breves e objetivos, bem como pelo contato direto das pessoas no uso de suas ferramentas (curtidas, comentários, compartilhamentos etc.).

Desse modo, procedemos à busca de peças publicitárias postadas nestas páginas, seguindo a mesma orientação utilizada anteriormente: 1) identificando aquelas que fizessem menção explícita à Saúde do Homem, e; 2) selecionando aquelas que continham uma marca que identificasse a possível autoria da CNSH/MS. Escolhemos como fonte prioritária para esta busca a página/perfil oficial da “Saúde do Homem” no Facebook®.

A opção por esta rede social se deu por algumas razões: primeiro, por termos identificado que, nos momentos em que acessamos estas páginas, havia postagens que se repetiam nas diferentes redes, ou seja, um mesmo conteúdo era postado no Blog da Saúde, e replicado nas demais redes sociais, o que justificava a opção por realizar as buscas em apenas uma delas. Em segundo lugar, acreditamos que o Facebook®, atualmente, é a rede social que apresenta maior possibilidade de acesso da população a estes materiais, tendo em vista sua maior difusão e aceitação social, dentre as utilizadas pelo MS, o que se reflete inclusive no quantitativo de usuários que “seguem” o perfil oficial, quando comparado às demais redes. Por fim, cabe considerar a interface do Facebook® e sua organização cronológica, que facilita não apenas o acesso aos conteúdos, mas também a elaboração de uma “linha do tempo”.

O exercício de busca dos materiais no perfil de Saúde do Homem no Facebook® se deu da seguinte maneira: inicialmente, identificamos a data de criação da página (08 de janeiro de 2015, conforme consta nos seus registros), e em seguida, utilizamos a “barra de rolagem” do Windows®, de maneira progressiva, com vistas a percorrer cronologicamente as postagens ali realizadas, desde a criação da página até o final do mês de março de 2016. Com esse exercício foram pré-selecionados 40 produtos, sendo todos eles num formato slide ou banner, aqui nomeados como “cartazes virtuais”.

Semelhante ao que fizemos com os materiais de campanha, para a organização e sistematização desses produtos, construímos quadros-síntese contendo as informações

necessárias à sua identificação (Quadro 3). Para cada peça que pré-selecionamos atribuímos um “Título” (considerando uma nomeação explícita e com destaque no material que pudesse sintetizá-lo), um “Tema” (uma temática à qual o material se referisse, tomando como pressuposto as áreas prioritárias abordadas pela PNAISH), a “Data de Postagem” (data em que o conteúdo foi inserido na página do perfil oficial) e o “Endereço” (link) em que se pudesse ter o acesso direto. Cabe mencionar que cada um dos materiais pré-selecionados neste momento foi armazenado em banco de dados da equipe de pesquisa para uso posterior.

MAPEAMENTO DE MATERIAIS DE MÍDIA (REDES SOCIAIS)

Título Tema Data de

Postagem Endereço

Quadro 3. Modelo de quadro-síntese para o mapeamento nas redes sociais

Como critérios de inclusão, definimos: aqueles materiais (1) que tratassem especificamente da PNAISH, ou fizessem referência direta à “saúde do homem” e (2) fossem produzidos pela área técnica específica dessa política. Foram excluídas postagens de “slides” referentes a apresentações em power point de resultados de pesquisa, e também aqueles materiais que foram compartilhados pela página/perfil, mas que foram originários de outras políticas e programas de saúde. Utilizamos como critério para identificação dos materiais específicos, aqueles que traziam a logomarca “Saúde do Homem” (Imagem 1).

Imagem 1. Um dos cartazes virtuais selecionados, indicando a inserção da logomarca “Saúde do Homem”

(destacada à direita) utilizada na identificação de produtos nas redes sociais (Blog da Saúde, Facebook® e Instagram®).

Com base nestes critérios, foram excluídos cinco dos 40 produtos que identificamos inicialmente nas redes sociais. Dessa forma, o material disposto para análise neste trabalho resultou num conjunto de peças publicitárias composto por:

▪ 18 produtos (impressos, virtuais e audiovisuais) identificados nas campanhas lançadas pela CNSH/MS desde o ano de 2009 até abril de 2016;

▪ 35 produtos selecionados nas páginas oficiais das redes sociais, desde 2015 até abril de 2016.

Totalizamos, assim, 53 peças publicitárias. Os quadros construídos no processo de seleção do material podem ser visualizados na íntegra no APÊNDICE A.