2.5 Estudos Realizados
2.5.6 O trabalho de Barth e Taylor (2010) – crítica a DMS (2010)
Barth e Taylor (2010) esclarecem o papel do valor justo na contabilização das operações de securitização de ativos e discutem alternativas para as provas encontradas no estudo de DMS (2010). Barth e Taylor (2010) afirmam que o objetivo de DMS (2010) é estabelecer que os gestores utilizam o critério obtido a partir de regras de contabilização do valor justo para gerenciar receitas de securitização. Os autores afirmam que este é um objetivo ambicioso, pois exige não só documentar a presença de gerenciamento de resultados, mas também identificar o valor justo como fonte da gestão de receitas. Acrescentam que o valor justo desempenha apenas um papel indireto na determinação do montante dos rendimentos de securitização. Sendo assim, documentar gerenciamento de resultados associado à securitização de ativos é uma contribuição em si, mesmo sem identificar a fonte. Embora os
resultados sejam consistentes com a “gestão de receitas”, não se pode concluir que as
estimativas do valor justo são a fonte da “gestão dos ganhos”.
Barth e Taylor (2010) acrescentam que a existência de lucro nas operações de securitização pode surgir a partir de duas fontes. Em primeiro lugar, pode refletir o rendimento econômico da empresa, em segundo, pode refletir ganhos ou perdas sobre os ativos securitizados que anteriormente não eram reconhecidos, pois os ativos foram medidos por meio de algum tipo de custo histórico dos exercícios. Nesse sentido, afirmam que estas fontes potenciais de rendimento de securitização podem levantar a possibilidade de que as empresas podem
praticar o “real” gerenciamento de lucros relacionados com os rendimentos de securitização. O “real” gerenciamento de lucros quer dizer que as empresas praticam operações que alteram
os resultados do período, mas não manipulam as estimativas do valor justo.
Quanto às conclusões de DMS (2010) de que a remuneração do CEO é tão sensível aos ganhos de securitização quanto a outros componentes da remuneração, Barth e Taylor (2010) afirmam que os resultados encontrados só informam quanto aos incentivos do CEO em gerir os resultados e não se as estimativas do valor justo ou ganhos de securitização são geridos.
DMS (2010) examinam, ainda, se a governança corporativa desempenha um papel atenuante no gerenciamento dos lucros e se os incentivos para a gestão dos lucros variam de acordo com o nível de governança. Nesse sentido, são utilizadas quatro variáveis para medir as dimensões
de governança: 1) se um especialista em finanças atua no comitê de auditoria; 2) se há presença feminina no conselho; 3) se mais de 90% do conselho são diretores externos; e 4) se mais de 50% do conselho foi eleito antes do presidente assumir o cargo.
Em primeiro lugar, os autores examinam se as relações negativas entre o ganho de securitização e o resultado pré-securitização e entre o ganho de securitização e a ∆ resultado pré-securitização variam de acordo com o nível de governança da empresa. Dessa forma, verificam que a correlação entre o ganho de securitização e o resultado pré-securitização é significativamente menor, quando mais de 91% dos membros do conselho são externos e quando mais de 50% do conselho foi eleito antes do CEO assumir o cargo. Verificam, ainda, que a correlação entre ganho de securitização e a ∆ resultado pré-securitização é significativamente menor, quando mais de 50% do conselho é eleito antes do CEO assumir o cargo. Interpretam os resultados como evidências fracas para a previsão de que há menos gerenciamento de lucros em empresas com melhor governança.
Em segundo lugar, testam se a governança afeta os incentivos para relatar ganhos de securitização. Após a separação da amostra em oito grupos com base nas quatro variáveis indicadoras de governança, consideram que o coeficiente do ganho de securitização não é significativamente diferente do coeficiente do resultado pré-securitização. Sendo assim, encontram fraca evidência de que a gestão dos resultados varia com o nível de governança e nenhuma evidência de que os incentivos para relatar ganhos de securitização variam de acordo com o nível de governança.
Segundo Barth e Taylor (2010) existem três interpretações alternativas para estes resultados, e os testes realizados por DMS (2010) são incapazes de distinguir entre eles:
Os gerentes manipulam as estimativas do valor justo e mesmo informado ou
independente o conselho de administração é ignorante ou impotente para detê-los.
Os gerentes manipulam as estimativas do valor justo e o conselho de administração
não é ignorante ou impotente, mas prefere não intervir.
Os gerentes não estão manipulando as estimativas de valor justo.
Por fim, Barth e Taylor (2010) afirmam que a partir dos testes e provas apresentados por DMS (2010), não é possível discernir se gerenciamento dos resultados é resultante do comportamento discricionário na estimativa do montante dos ganhos de securitização, da discricionariedade ao determinar os ativos a serem securitizados ou na discrição das decisões de negócios. Cada um destes poderia resultar em suavização de ganhos. No entanto, essas são fontes muito diferentes de gerenciamento de resultados, e apenas uma está associada à utilização da discricionariedade na estimativa do valor justo.
Os autores acrescentam que as recentes alterações das normas contábeis podem fornecer uma maior oportunidade de investigar a discricionariedade nas estimativas do valor justo. Por exemplo, o SFAS 157 (FASB, 2006) define valor justo, fornece orientação sobre como determiná-lo, e exige uma divulgação mais ampla sobre o valor justo do que o exigido anteriormente. Os autores acreditam que essas novas informações poderão ser utilizadas para construir testes mais diretos. Além disso, o SFAS 166 (FASB, 2009) exige que os juros retidos em ativos securitizados devam ser mensurados, inicialmente, pelo seu valor justo, sendo assim, esta nova exigência coloca maior ênfase na estimativa do valor justo dos juros retidos do que foi o caso durante o período da amostra de DMS (2010).