6. O Vento e a Cidade
6.2 O Vento e a liberdade
Eduardo levanta os braços como quem se espreguiça. Venta na sala. Sorri, mexe com os pés para os lados: “– o que é estar aqui? Estar aqui é viver, é ver a arte, ver um prédio antigo, ver móveis antigos históricos e ver uma construção de cultura de fotografias de arte demonstrar a arte da população em si”. Dizia-nos alegremente que ali era um lugar de união, de encontros, de trocas: “– eu faço aqui trocas, eu faço trocas, muitas trocas. Trocas de mim para com as pessoas, onde eu troco a minha relação, meu andar, meu estar aí, o meu entender. Eu troco aquilo que me faz bem e me faz mal”. Para ele, aquele espaço o fazia entender o seu vizinho, os outros que ali estavam. Se mudava alguma coisa em seu dia? Saia de lá refeito, a alma liberada e com a semana completa, com a sensação de que a sua missão estava cumprida. Se dava e se entregava.
Jogando capoeira, Heitor nos diz que, para ele, aquele espaço era surreal, era um sonho porque nunca sabia onde poderia entrar e como sairia dos lugares – onde ele era “permitido”.
Como membro do MNPR/RN, na hora de adentrar um espaço, ele nunca via o anúncio: seja bem-vindo! Sabia que nunca era bem-vindo porque a senha da sua cor e do seu jeito de ser como “gente da rua”, muitas vezes, o impedia entrar. Às vezes, não ia às oficinas e acreditava que outros também não frequentavam porque não queriam responder à pergunta que vinha acompanhada de um olhar inquisitório: “– vai para onde? Vai no pessoal do Teatro?” E, ao responder que sim, ter de escutar a seguinte resposta: “– ah, tá bom. Pode subir”. Ele revela essa tensão numa discussão que teve ao tentar entrar na Pinacoteca, quando um funcionário lhe disse que ali era um espaço público privado. Então, argumentou que, para ele, os espaços eram ou públicos ou privados: “– aí eu discuti com ele. Então tá bom, eu disse. Você está certo, eu
estou errado, vou sair então”. E se perguntava: “– será que eu tenho direito ou não tenho direito?
[...] Outro dia eu cheguei aqui, me sentei lá embaixo no chão e disseram: – você não pode ficar sentado aí. Perguntei se teria que ficar em pé naquele espaço por 24 horas. Então pedi uma cadeira, e aí a pessoa falou: – pode ficar!” Logo, lá ele ficou – no chão.
Mesmo com esses entraves, aquele espaço das oficinas – dentro daquele outro espaço que era público – foi se tornando bom demais porque era uma fuga da realidade que se vivia lá fora. Todavia, existiam muitas barreiras (também presentes na realidade cotidiana) que ele enunciava e denunciava a todo tempo e era escutado pelo grupo. Afinal, tratava-se da partilha e do pertencimento daquele espaço em que não se precisava, ao menos por algumas horas, habitar o território da exclusão e da violência. Ali, as pessoas paravam para ouvir, falavam e conversavam. O diálogo era a melhor parte das oficinas! Aquilo de poder ouvir e ao mesmo tempo poder falar sem estar certo ou errado era bom demais!
Os trechos acima demarcam que, muito embora ambos fossem participantes de movimentos sociais e circulassem com autonomia na cidade, o participante do MNPR/RN encontrava muitas barreiras para entrar na Pinacoteca. Fica claro em sua fala que frequentar uma casa de cultura era-lhe impossível antes das oficinas. Fazer parte das oficinas era como um passaporte para estar em um local visto como um local de “cultura”. Ou seja, seu direito de ir e vir era-lhe violado cotidianamente. Ambas são narrativas que evocam o lugar de cada um na cidade. A quem o espaço cultural da Pinacoteca era destinado? A quem aquela arte da Pinacoteca e as oficinas que se davam ali eram permitidas?
Uma pessoa em situação de rua que frequentava as oficinas em um espaço público distorcia os regimes sensíveis que eram colocados politicamente. Fazer Teatro o colocava em outra experiência política naqueles momentos, não somente em relação à questão de ocupar um espaço que lhe era negado, mas recortava e criava outra forma de ser visto, ouvido e sentido naquele lugar. Ali ele não era militante somente, nem “pessoa em situação de rua”: ele estava criando um modo de estar naquele lugar e fazendo coisas naquele espaço. Não era um ator que iria representar papéis e encenar sua situação de rua como um militante artista, nem papéis sobre outras narrativas de personagens. Era um novo regime de sensibilidade que nascia, nada estava escrito a priori. E sonhar outros modos de ser e estar na cidade era possível.
Eu me lembro muito que, no início, Heitor usava aquele espaço como um descanso para as noites mal dormida – talvez nas ruas. E, aos poucos, foi se apropriando e usando-o para jogar sua capoeira, fazer suas trocas, incitando diálogos e construindo seu modo de estar e se vincular com o grupo num jogo que construiu a confiança de estar ali todas as quartas-feiras fazendo o
que podia fazer. Às vezes dormia, às vezes jogava capoeira, muitas vezes emprestava seu pensamento crítico na construção das cenas e criava sempre espaço estético para sua existência.
Seu viver era uma obra de arte que redesenhava os espaços que frequentava e o que fazia neles, isso era perceptível! Nesse sentido, emprestamos novamente o pensamento de Rancière (2009) que tece aproximações entre a política e a arte. Para o autor, a política, como forma de experiência, rompe a lógica da polícia inventado modos de enunciação coletiva. A política, a arte e os saberes são ficções que conformam “rearranjos materiais dos signos e das imagens, das relações entre o que se vê e o que se diz, entre o que se faz e o que se pode fazer” (Rancière, 2009, p. 59).
Tais narrativas nos mostram que as oficinas lhes ofereceram uma chance de tomar parte de um lugar da cidade local que não lhes é destinado a ocupar. Estar, ocupar e fazer Teatro em um lugar de “cultura”, no centro de uma cidade, não lhes era permitido. Assim, rearranjar as partilhas dos espaços comuns, ocupar aquele espaço destinado à cultura da cidade foi importante para experienciar uma pequena mudança de regime estético e político, isto é, deslocamos a maneira como o “comum se presta à participação e como uns e outros tomam parte dessa partilha” (Rancière, 2009, p. 15). Daí a compreensão que o coletivo cenopoético Vento dos Avoados foi uma experiência política que rearranjou, por um momento, as partilhas sensíveis do comum, abrindo um campo de experimentação de outras sensibilidades e uma potência de vida para aqueles que seguem no enfrentamento cotidiano na cena política da cidade.
Ademais, os participantes não só tomaram parte do espaço comum, mas revertiam a lógica de quem podia falar naquele comum, o que se podia falar, de que maneira, em qual horário, quais critérios para participar? Tomar parte do comum, realizar trocas nele, permitir a entrada e a estada sem critérios excludentes, era inverter e devolver a pergunta “quem é você”
a nós mesmos e aos agentes do Estado. É perguntarmos: o que é um espaço público e privado ao mesmo tempo? É interpelar-nos quem éramos nós, o tempo todo, para não nos esquecermos que perguntas deveríamos nos fazer antes de fazê-las aos outros. Era sobre produzir uma relação ética.
Para os participantes, o fazer artístico ou aquilo que cada um reconheceu e criou como arte tem muita relação com a chamada “liberdade”. Liberdade de estar em outro espaço, de ocupá-lo. Liberdade mínima como olhar uma janela, liberdade de escolher onde se quer estar, liberdade ao usar o corpo de outra maneira. Afinal, liberdade para criar um corpo naqueles momentos, uma vida provisória. Liberdade: substantivo e qualidade que não existe, mas se
sente. Por causa disso, buscávamos uma ética e estética da liberdade. Podemos pensar nessa liberdade como uma equação: liberdade para estar naquele espaço e inventar “nossa arte”
equivaleria a “clínica do fora”, o cuidado que buscávamos nas oficinas.
Nossa arte inventada tinha um efeito leve e invisível como o vento que sentíamos daquela janela. Mudava de ritmo; por vezes parecia parar, mas não parava, embaralha-nos os sentidos e os cabelos e depois nos abraçava, retomando o ritmo de brisa. Fazia-nos suar, pois ele era quente. Quente como nossos abraços e úmido como nosso suor que nos molhava. Era sonoro como nossos gritos e risos, leve e pesado como nossas danças e cenas. Ah, e finalmente:
isso era tão constante que o sinto aqui ainda durando em mim. Pois, a arte tem a função de conservar a si mesma ao longo da história como aquilo que não acaba, sendo o acontecimento que resiste à morte e às prisões dos aquários (que ainda existem em nós e em nossas cidades-aquário). Assim, brindam-nos novamente Deleuze e Guattari (1997) com seu pensamento:
O jovem sorri na tela enquanto ela dura. O sangue lateja sob a pele deste rosto de mulher, e o vento agita um ramo, um grupo de homens se apressa em partir. Num romance ou num filme, o jovem deixa de sorrir, mas começará outra vez, se voltarmos a tal página ou a tal momento. A arte conserva, e é a única coisa no mundo que se conserva.
Conserva e se conserva em si, embora, de fato, não dure mais que seu suporte e seus materiais, pedra, tela, cor química, etc. [...] A obra de arte é um ser de sensação, e nada mais: ela existe em si (Deleuze & Guattari, 1997, p. 213).
A arte conserva em si suas qualidades, independe do seu criador e do público que a experimenta, pois, segundo os filósofos: “o que se conserva, a coisa ou a obra de arte, é um bloco de sensações, isto é, um composto de perceptos e afectos” (Deleuze & Guattari, 1997, p.
213). Quais sensações ficaram em nós? Argumentam que tal bloco de sensações é formado pelos perceptos – que independem de uma experiência pessoal ou psicológica – pois não são as nossas percepções. Assim como os afectos, que não devem ser confundidos com emoções ou afecções subjetivas, esses blocos de sensações são seres que valem por si mesmos e excedem qualquer vivido: “existem e resistem na ausência do homem, podemos dizer, porque o homem, tal como ele é fixado na pedra, sobre a tela ou ao longo das palavras, é ele próprio um composto de perceptos e de afectos” (Deleuze & Guattari, 1997, p. 213).
Segundo Deleuze e Guattari (1997, p. 216), o artista cria tais blocos de sensações, que tem a única função de se manterem em pé sozinhos, tornando-se um monumento durável:
“extrair um bloco de sensações, um puro ser de sensações”. Tornar sensações persistentes e em abertura para produção de passagens ou devires de um estado não humano a outro: assim
“arrancar o percepto das percepções do objeto e dos estados de um sujeito percipiente, arrancar o afecto das afecções, como passagem de um estado a um outro é o objetivo da arte” (Deleuze
& Guattari, 1997, p. 216). A arte se conserva em uma fabulação criadora porque conserva as sensações para que nós, através delas, entremos em devir de outros de nós, de outras paisagens, de personas humanas e de não humanos. A sensação, segundo os autores, nada mais era do que a vibração contraída, a contemplação tornada qualidade que se forma num plano de composição. Ela é o monumento que transmite para o futuro as sensações persistentes que encarnam o acontecimento.
Um monumento não comemora, não celebra algo que se passou, mas: o sofrimento sempre renovado dos homens, seu protesto recriado, sua luta sempre retomada. Tudo seria vão porque o sofrimento é eterno, e as revoluções não sobrevivem à sua vitória?
Mas o sucesso de uma revolução só reside nela mesma, precisamente nas vibrações, nos enlaces, nas aberturas que deu aos homens no momento em que se fazia, e que compõem em si um monumento sempre em devir, como esses túmulos aos quais cada novo viajante acrescenta uma pedra. A vitória de uma revolução é imanente, e consiste nos novos liames que instaura entre os homens, mesmo se estes não duram mais que sua matéria em fusão e dão lugar rapidamente à divisão, à traição (Deleuze & Guattari 1997, p. 271).
O que o Vento dos Avoados conservou como “monumento” em devir? Quais devires pudemos atravessar juntos? O que conservamos? O que criamos? O que vibramos e contraímos a ponto de conservar? Para tais reflexões, revela-se interessante a próxima narrativa: um estudante de Psicologia que nos fala de resistência e novamente de liberdade.
Bernardo nos olha e, mostrando que queria nos ver, nos diz com a sua voz forte que estar ali, para ele, significa resistência. Sentia aquele lugar como um espaço libertário para resistir a toda aquela prisão que existia. Dizia-nos que precisávamos daquele espaço de liberdade para nos expressar. Colocar tudo para fora era resistir. Será que nossa criação, nosso monumento foi a sensação da liberdade e de uma vida que resistia sendo possível por instantes?
Seria essa a nossa biopotência? A narrativa abaixo nos mostra que a criação de “uma vida” deve fazer parte daquilo desejamos: uma revolução no que chamamos de cuidado em saúde mental.
Bernardo, estudante de Psicologia, era como um arauto cirandeiro que cantava e dançava durante todas as oficinas. Encarava-nos, como sempre num tom de coragem e amor, silenciava e revelava que não estava ali de paraquedas. Para ele, o Vento havia chegado e existia uma ética que o sustentava porque acreditava que poderíamos cuidar de outra forma. O Teatro era para ele um recurso de cuidado ético que deveria ser investido. Aquele cuidado existia para além das instituições, pois ali nós estávamos nos
cuidando, e, para ele, a rua também era um espaço de cuidado. A cultura também era um espaço que podíamos apostar como potência para transitar e para existir naquilo que poderíamos ser: “– a gente não é só depressivo, não é só maníaco. A gente é muito mais, não é usuário! Somos muito mais que isso”. Ele bradava. Dizia que o Teatro era uma ferramenta que permitia a expressão e o trânsito por outros mundos e afirmava de modo cuidadoso a vida política. Para ele, a vida se movimentava e se criava a cada instante, pois as cenas das histórias não eram só histórias simplesmente relatadas: “– a gente recolhe, a gente recolhe memórias e passa olhar o outro, a gente degusta o corpo de outra maneira”.
Degustando as sensações que duraram e se conservaram em mim, finalizo este capítulo com a sensação de que aquela experiência tocou a instauração de um outro modo de atentar para o chamado “cuidado em saúde mental” em sua dimensão ética, estética e política. Estética do vento, de uma vida que se lembrava do desejo de liberdade, que pedia uma política desejosa de mar e que lutava pelo fim dos aquários.
7 Atenção estética
Chegávamos ao fim das oficinas. Naquele momento, resgato minha escrita que revela a alegria de ter vivido essa experiência. Ela demonstra também as frustrações entre o que havíamos feito, o que eu desejava e a necessidade de refletir a partir do que havíamos criado.
Rumo ao fim. Vamos viver nossas oficinas com essa tensão do tempo que passa, do fim que se sabe, que se deseja. Que eu possa tecer as possíveis relações, consonâncias e distâncias entre o que desejo e o que de fato acontece. Entre um trabalho de caráter inserido na dimensão da atenção psicossocial e algo que tenho chamado de teatralidade no bojo das autobiografias, na estática de Teatro Documentário. Como eu gostaria de acabar com esse trabalho? Cansada? Titubeante? Reclamante? Não sinto assim... Sinto sim necessidade de parar para repensar muitas coisas, mas sinto um movimento cada vez maior na busca daquilo que subsidie e dê minimamente uma forma ao meu pensamento e desejo. Quero o rito, quero essas memórias organizadas vivas desfilando, quero a infância do grupo, quero a nossa constituição, quero Antônio Edson nos benzendo e dando início aos nossos trabalhos, quero Dora cantando, Halisson depondo na polícia das ruas, quero o palhaço de Weskley, quero o canto de Breno, o número de mágica de José, a força de ser de Gabriela, a voz de Marília e tantas cenas... Quero o ritual das nossas próprias oficinas sendo oferecido para nosso público. Quero nossa oficina sendo feita e encenada por eles para o nosso público. Algo que tenha uma estrutura mínima, mas que opere num nível de improviso e que chame o público a viver e contar suas memórias também, receber massagem contorno, sentar no banco, mostrar a vida na sua linha desforme... Vamos sonhando (Diário cartográfico).
No final daquele ano de 2016, ao pensarmos em como encerrar as oficinas, nós não tínhamos as cenas para performatizar. Nosso processo de pesquisa havia se modificado e, nos últimos tempos, como já contado aqui, nós nos dedicamos a estarmos juntos e usar mais a linguagem da dança livre, dos exercícios corporais e jogos cênicos – vamos chamar aqui de
“procedimentos sensíveis”. Dessa forma, com a conclusão das atividades, decidimos juntos que nosso encerramento seria uma oficina oferecida a público aberto, mas os facilitadores seriam os participantes do projeto. Caberia a eles escolherem as práticas que mais gostaram, organizarem as ações e realizar a condução. Para isso, recolhemos e escolhemos juntos os exercícios que cada um mais gostava de praticar. Apresento-os a seguir para que tais procedimentos subsidiem a proposição do conceito-ferramenta “atenção estética”.
1. Encontro guiado – Nesse exercício, nós nos colocávamos em duas fileiras: uma na frente da outra. O facilitador falava baixinho no ouvido de um dos pares que aquela pessoa que estava na sua frente era alguém que há muito tempo estava distante e que aquele era um momento de reencontro. O outro par que estava na frente era incitado a improvisar o encontro. Quem eles
poderiam ser? Como encontrar alguém e como se despedir? Qual era aquele tempo? Era um encontro alegre? Nesse caso, eram dois improvisos: quem encontrava e quem era encontrado e vice-versa. Era bonito observar o que aquele encontro ou despedida suscita em cada um. Nunca saberemos de quem estavam falando: para nós, o importante eram os gestos, os olhares, os corpos que se tocavam, distanciavam e se reencontravam.
2. Massagem em roda – Nos dividíamos em pequenos grupos de três ou quatro pessoas.
Formávamos um minicírculo e pedíamos que alguém fosse ao centro de cada pequeno grupo.
Estando muito próximos uns dos outros, colocávamos todas as mãos em cima (mas, sem tocar) da cabeça de quem estava no centro, e levemente iniciávamos as massagens com muitas mãos juntas. Começávamos pela cabeça e massageávamos cada parte do corpo separadamente. Até finalizarmos, com um toque (rápido feito com as pontas dos dedos) que ia da cabeça em direção aos pés ininterruptamente. Em seguida, trocávamos quem estava no centro até que todos pudessem receber a massagem. Nós fazíamos esse exercício em quase em todos os encontros.
Geralmente, ele era realizado no início das oficinas, ou seja, era um de nossos aquecimentos favoritos. Surtia-nos um efeito apaziguador e uma sensação de extrema presença e conexão grupal. Era um momento muito forte, em que permitir ser tocado por diferentes mãos concomitantemente promovia uma espécie de confiança importante para as pesquisas que fazíamos.
Fotografia 4. Exercício de contorno dos corpos (massagem) em duplas
Fonte: Arquivo de pesquisa
3. Oficina do abraço – O abraço foi um gesto que praticávamos muito até o ponto de ter se tornado um exercício. Funcionava assim: apagávamos as luzes, colocávamos uma música baixinha e pedíamos para que grupo caminhasse livremente pela sala. Nesse caminhar, pedíamos que as pessoas se olhassem e, caso sentissem vontade, elas poderiam parar em frente ao outro para pedir ou oferecer um abraço. Caso a outra pessoa topasse, o abraço acontecia.
Víamos muitos abraços: longos, apressados, leves, pesados, chorosos, alegres, medrosos, duros, entregues. Em um segundo momento, incluímos a possibilidade de falar algo (baixinho e livremente) no ouvido da pessoa que abraçávamos. Em seguida, nos despedíamos daquele
Víamos muitos abraços: longos, apressados, leves, pesados, chorosos, alegres, medrosos, duros, entregues. Em um segundo momento, incluímos a possibilidade de falar algo (baixinho e livremente) no ouvido da pessoa que abraçávamos. Em seguida, nos despedíamos daquele