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4 ANÁLISE DOS DADOS E APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS

4.1 PROGRAMAS TRAINEE NAS EMPRESAS PESQUISADAS

4.1.2 Objetivo do programa trainee da empresa B

A empresa B, do segmento moveleiro, possui como característica principal manter sua padronização em relação às quatro marcas, aos processos de fabricação e os serviços prestados aos clientes, para atender as exigências do mercado, acredita que deve participar na formação de seus colaboradores. E o programa trainee, é um meio de promover essa formação alinhada à cultura da organização.

O objetivo do programa trainee para a empresa B é desenvolver profissionais para assumir a função de Supervisor Comercial, que serão responsáveis em prospectar novos clientes, relacionar-se com os lojistas (o proprietário da loja que venderá os produtos da empresa B) e manter a padronização da marca. Ele fará o elo entre a fábrica e a rede de lojas e por isso há a necessidade de uma visão holística dos processos de fabricação. Os relatos selecionados evidenciam esse contexto:

O nosso modelo de negócio, que a gente faz, o nosso canal de venda é através de loja. Essas lojas não são propriedades da EMPRESA B, é um modelo muito parecido com uma franquia que é um modelo de revenda, então esse lojista que abre uma loja representa a nossa marca [...] No nosso caso específico ele tem dois papeis, um é de, meio que, um consultor que é ajudar no desenvolvimento desse negócio que é a loja, e um papel de vendedor que é prospectar novos lojistas [...]. (Empresa B - Coordenador da Universidade Coorporativa).

O trainee (programa) me ajudou muito a ter uma base pra que eu conseguisse chegar com argumentação no cliente final. Pra que eu conseguisse chegar, no meu campo de trabalho com mais conhecimento, mesmo não tendo experiência no ramo de móveis planejados. (Empresa B - Supervisor Comercial B).

A empresa B, iniciou o programa trainee em 2007, com duração de 3 meses. A idade média do trainee é de 25 anos, e que já tenha algum tipo de experiência na função comercial. Como o foco é comercial, o treinamento é realizado naquilo que tem interação com o setor, e eles viajam durante três a quatro semanas nas para conhecer algumas lojas. O relato selecionado retrata esse fato:

[...] Só doze semanas. O cara mais novo que contratei tinha 22, mas ele já trabalhava há muito tempo com a área comercial. Então a gente procura o perfil com a área comercial e que tenha experiência. Eu diria assim, que diferente dos demais programas que é o cara que saiu da universidade e nunca trabalhou, pra mim não serve. Eu tenho que ter um cara que já tenha experiência profissional, que entenda de preferência, que tenha algum contato com a área comercial preferencialmente, não é regra, mas é preferência. Eu tive já cara de 29 e tive um cara de 22 [...]. (Empresa B - Coordenador da Universidade Coorporativa).

Ao considerar a resposta, e contrastando com a teoria, pode-se afirmar, que é uma particularidade que a empresa A possui em relação aos programas trainee, quando seleciona candidatos com vivência na área comercial, pois Bitencourt et al. (2012) abordam que um dos objetivos do programa é desenvolver profissionais sem experiência, para moldá-los aos costumes da organização.

4.1.2.1 Seleção e desenvolvimento

A divulgação das vagas na empresa B, para a seleção dos trainees, é feita por meio de uma assessoria de imprensa, que manda para jornais de todas as regiões do Brasil, site da empresa, redes sociais e portal trainee. As inscrições podem ser realizadas o ano todo pelo

site, pois como ocorre de três a quatro edições por ano, se passou a fase seletiva, pode

candidatar-se para a próxima. Na primeira edição de 2014 foram aproximadamente dois mil currículos.

Como a seleção é somente para a função de supervisor comercial, já quando o candidato se inscreve no site, que é a primeira etapa, no momento da escolha da vaga, no item “escolha a área que você quer trabalhar” a empresa disponibiliza somente o comercial externo, porque é a única opção para o candidato. Após a inscrição, é feito a triagem com base na análise do currículo. O relato selecionado retrata a situação exposta:

A gente voltou muito pra assessoria de imprensa, então a gente manda notinhas e aquelas notinhas que a assessoria manda pra jornal, que o jornal precisa, então a gente sai em jornal da Bahia, sai em jornal do Espírito Santo que eu fico sabendo quando entrevisto as pessoas, né, porque nem sabia que existia o jornal e tá aparecendo lá né, enfim, então desde desse início de como prospectar esse trainee a gente busca isso a estratégia de, pra atrai as pessoas, depois eles fazem a inscrição no sistema e a gente avalia, procura avaliar todo mundo que tem o nosso perfil, sou eu que faço isso, então tem nesse ano aqui, só nessa primeira etapa eu devo ter olhado uns 2000 currículos. (Empresa B – Coordenador da Universidade Coorporativa).

próxima etapa, (ii) o resumo das atividades que são: abertura e fechamento de lojas; suporte ao lojista; atingir metas; ajudar na gestão da loja - avaliar loja, showroom, fachada, ações de

marketing da loja, avaliação das equipes de vendas da loja. (iii) Detalhes das atividades do

comercial externo, que será atender as empresas (lojistas) por região. Que dependendo a região que vão atender, chegarão a percorrer 600 km por dia e, podem ficar em muitos casos, de 10 a 15 dias longe da residência. E (iv) ao final do e-mail a pergunta: “Após a apresentação das atividades, você se identifica com a nossa proposta”? Havendo interesse em continuar no processo, responda esse e-mail com a confirmação. De cem candidatos que recebem o e-mail, uma média de trinta retorna que aceitam.

Essa fase da seleção a empresa B considera muito importante, pois ela acredita que apresentando com clareza ao candidato as reais condições de trabalho, o fará refletir sobre suas expectativas em relação à função, com isso, diminuir a rotatividade. Evidencia-se pelos comentários do gesto e por meio de pesquisa documental, sobre essa etapa:

Ahh.aí o cara faz a inscrição. A gente faz a avaliação, essas caras que a gente faz a primeira triagem do currículo, hã, eu mando um e-mail pra eles, ele é um e-mail assim... hãa, ele serve pra assustar. Os caras dizem “Vocês tentaram me assustar”, só que a gente fala exatamente o que, que é o dia a dia do cara, porque pro nosso negócio específico, como ele vai cuidar dessa área comercial, a primeira coisa que a gente pede é disponibilidade total pra morar em qualquer lugar do Brasil, então a gente procura deixar bastante claro em todas as nossas comunicações que ele tem que ter essa disponibilidade. (Empresa B – Coordenador da Universidade Coorporativa).

Então durante toda a entrevista eu “encho o saco do cara”. Acho que o cara ficou assim, pô, já disse que sim. Porque é bastante comum, né. É sim, é sim, quando o cara chega pra trabalhar e vive o dia a dia, que fica sozinho chega lá no Recife [...]. Chega lá, está sozinho, ele faz o trabalho dele, chega às seis horas vai pro hotel ou vai pro apartamento, ele está sozinho. E ai que ele se dá conta pô estou sozinho aqui. (Empresa B – Coordenador da Universidade Coorporativa).

Para os candidatos que confirmaram o interesse em continuar, é agendado o contato por Skype. Na fase seguinte, é enviado por e-mail, a pesquisa que é a ferramenta Disc - que é uma metodologia que possibilita a análise comportamental das pessoas a partir de quatro fatores: Dominância (D), Influência (I), Estabilidade (S), Conformidade (C). Não é totalmente eliminatória, é um suporte a entrevista, e posterior a entrevista presencial, que é com a área comercial, no entanto se mora em outro estado, também é feita por Skype. A seguir trechos que descrevem tais atividades.

[...] dependendo da estratégia, por exemplo: tem um cara que está concorrendo nessa turma, que ele é de Santarém, no Pará. Então a gente fez entrevista à distância com ele. Eu fiz, o gerente comercial fez também. Porque pra eu trazer esse cara pra cá pra fazer uma entrevista, eu tenho um custo, vou ter o deslocamento dele, vou ter hotel[...] (Empresa B – Coordenador da Universidade Coorporativa).

No que se refere ao desenvolvimento do trainee na empresa B, como ele será preparado para assumir a área comercial, vai treinar no setor comercial, no financeiro, assuntos focados em como atender os lojistas, o andamento do pedido, porquê não liberou ou porquê está pendente, além de vivenciar o dia a dia que ele encontrará na função. Na fábrica, acompanha o processo em todas as fases, até o consumidor final (lojistas), e juntamente com um supervisor da região, visita os clientes, conforme relatos:

Ele nunca vai aprender a se relacionar com o lojista, resolver o problema de uma loja, se ele ficar dentro da empresa. Durante o programa ele vai pro campo, roda um período com um supervisor mais antigo, já pra sentir um pouquinho do dia a dia.[...] A gente já começa no recrutamento... pensa em qual marca esse cara vai trabalhar, pensando um pouco no perfil do gestor dele, que alinhe um pouco com o gestor. (Empresa B – Coordenador da Universidade Coorporativa).

Todo ano, ela (empresa) faz uma reciclagem, tem a convenção dos supervisores que duram em torno de uma semana no começo do ano, a gente tem a convenção dos lojistas, antes da convenção vamos aprender na fábrica, trabalhamos com a equipe comercial, financeira. Fora isso, eu tenho o incentivo da empresa, estou fazendo MBA de Gestão Ambiental, a metade do valor é subsidiado pela empresa. (Empresa B- Supervisor Comercial D).

Tais resultados podem ser associados ao que foi observado na teoria sobre o tema, que os programas trainee, para serem bem-sucedidos, devem ter continuidade na aprendizagem pós programa, para que ofereça boas perspectivas, tendo em vista que são funcionários de alto potencial possuem também, expectativas elevadas. Assim, nota-se que, conforme Rittner (1999) destaca, as organizações devem administrar com muita seriedade o nível de expectativa dos colaboradores em relação crescimento na carreira, ao ritmo do progresso e as oportunidades futuras, para não gerar frustrações para ambas as partes (DOS- SANTOS et al.,2014).